Preocupações com problemas logísticos se enfraqueceram e prêmio do açúcar branco caiu 18% na última semana
Por Nicolle Monteiro de Castro*
O contrato futuro de açúcar negociado na ICE com vencimento em julho registrou seu maior fechamento desde 11 de março. Na última quarta-feira (3), ele atingiu 11,62 centavos de dólar por libra-peso após uma alta que começou em 29 de maio motivada pelo fortalecimento do real em relação ao dólar americano e pelo aumento nos preços do petróleo.
Na verdade, o mercado de commodities como um todo aumentou com as perspectivas de uma recuperação econômica global. Ao mesmo tempo, a força recente do real fez com que os futuros de açúcar precisassem de um suporte para compensar a vantagem da moeda.
Mas o ambiente macroeconômico ainda está cheio de incertezas, com a pandemia de coronavírus segurando o consumo de combustível e de alimentos, fator considerado baixista para os mercados brasileiros de açúcar e etanol a longo prazo. Por enquanto, a fraqueza do real em relação ao dólar norte-americano tem incentivado os produtores a caminharem para uma produção recorde de açúcar.
Desde o início da safra 2020/21 na região Centro-Sul, as exportações de açúcar têm remunerado, em média, R$ 1.251/t. O valor é 18% superior ao preço médio observado desde abril de 2017.
Em um cenário global de oferta e demanda de açúcar, o Brasil deve adicionar 8 milhões de toneladas à balança e qualquer aumento no preço para os produtores locais pode se traduzir em uma produção ainda maior. Além da elevação na remuneração, a menor demanda por combustíveis está diminuindo o apetite pela produção de etanol, o que também incentiva o direcionamento de matéria-prima para a fabricação de açúcar nas usinas do país.
Os mais recentes dados de consumo mostram que a demanda brasileira de etanol hidratado em abril foi 33% menor em comparação com o ano anterior.
Por Nicolle Monteiro de Castro*
O contrato futuro de açúcar negociado na ICE com vencimento em julho registrou seu maior fechamento desde 11 de março. Na última quarta-feira (3), ele atingiu 11,62 centavos de dólar por libra-peso após uma alta que começou em 29 de maio motivada pelo fortalecimento do real em relação ao dólar americano e pelo aumento nos preços do petróleo.
Na verdade, o mercado de commodities como um todo aumentou com as perspectivas de uma recuperação econômica global. Ao mesmo tempo, a força recente do real fez com que os futuros de açúcar precisassem de um suporte para compensar a vantagem da moeda.
Mas o ambiente macroeconômico ainda está cheio de incertezas, com a pandemia de coronavírus segurando o consumo de combustível e de alimentos, fator considerado baixista para os mercados brasileiros de açúcar e etanol a longo prazo. Por enquanto, a fraqueza do real em relação ao dólar norte-americano tem incentivado os produtores a caminharem para uma produção recorde de açúcar.
Desde o início da safra 2020/21 na região Centro-Sul, as exportações de açúcar têm remunerado, em média, R$ 1.251/t. O valor é 18% superior ao preço médio observado desde abril de 2017.
Em um cenário global de oferta e demanda de açúcar, o Brasil deve adicionar 8 milhões de toneladas à balança e qualquer aumento no preço para os produtores locais pode se traduzir em uma produção ainda maior. Além da elevação na remuneração, a menor demanda por combustíveis está diminuindo o apetite pela produção de etanol, o que também incentiva o direcionamento de matéria-prima para a fabricação de açúcar nas usinas do país.
Os mais recentes dados de consumo mostram que a demanda brasileira de etanol hidratado em abril foi 33% menor em comparação com o ano anterior.
Preços de futuros próximos ao teto
Embora os prêmios em dinheiro para cargas no mercado à vista FOB em Santos tenham ficado bastante estáveis e em um território positivo, fontes consultadas estão começando a considerar a possibilidade de uma reversão da tendência. De acordo com estas pessoas, quando o contrato futuro de julho expirar, é esperada a entrega de um volume recorde.
Na quarta-feira, a S&P Global Platts avaliou as cargas de embarque em junho com um prêmio de 23 pontos sobre o contrato futuro de julho. O indicador está cerca de 17 pontos acima do observado um ano antes e é equivalente a US$ 3,75/t. Mas o maior fator para este aumento é relativo às preocupações com a logística no maior porto de Santos, algo que pode mudar em breve.
Atualmente, a fila de navios para embarque de açúcar no porto de Santos indica que aqueles com cais determinado devem exportar 2,93 milhões de toneladas até 16 de julho. Deste volume, 46% ou 1,34 milhão de toneladas foram declarados para o terminal da Rumo, segundo a agência marítima Unimar.
Porém a expectativa é que o tempo de espera no porto de Santos caia no terceiro trimestre, já que o terminal Cofco trocará as cargas de soja pelas de açúcar. Isso deve adicionar uma capacidade de exportação mensal de 400 mil toneladas, diminuindo a pressão sobre a logística.
Enquanto isso, o prêmio de açúcar branco – valor pago pelo açúcar refinado em comparação com o preço do açúcar bruto – caiu de US$ 138/t em 27 de maio para US$ 113/t em 3 de junho, uma redução de 18% em uma semana. Para os produtores brasileiros, a queda foi ainda mais relevante, pois o dólar depreciou 3,79% em relação à moeda brasileira no mesmo período.
O prêmio do açúcar branco é considerado um importante indicador do apetite das refinarias pela importação do produto. Assim, qualquer redução pode afetar o mercado de açúcar bruto e limitar o preço dos futuros.
O Brasil já havia dado fortes sinais de que uma mudança no volume de cana convertida em açúcar ou etanol poderia acontecer na próxima safra. No entanto, em 2020/21, essa flexibilidade foi reduzida pelo alto volume de açúcar já negociado. A produção está comprometida com o mercado futuro e tradings, enquanto a fraca demanda por combustíveis limita o preço do etanol hidratado.
* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana