Adquirida em julho do ano passado por R$ 302,37 milhões, a unidade ainda não tinha tido seu valor revelado
A sucroenergética Batatais mais que dobrou seu lucro na safra 2021/22, mesmo em meio a intempéries climáticas. Em seu balanço financeiro, a companhia afirma que foi uma temporada de superação, com “alternância entre momentos positivos e negativos ao longo do ano”.
Um dos pontos favoráveis para os números foi a aquisição da usina Cevasa, que pertencia ao grupo Cargill, em julho de 2021. Localizada no município de Patrocínio Paulista (SP), a unidade foi comprada por R$ 302,37 milhões – conforme a divulgação de resultados da companhia, R$ 182,37 milhões já foram pagos e os R$ 120 milhões restantes serão divididos em três parcelas anuais.
A negociação ocorreu pouco mais de um ano depois da cisão com a usina Lins, o que significa que a Batatais só contabilizou resultados sozinha durante a safra 2020/21. Ainda de acordo com a empresa, os dados financeiros da Cevasa começaram a ser incluídos no relatório a partir de agosto de 2021.
Juntas, as duas usinas moeram 5,61 milhões de toneladas de cana na safra 2021/22. Além disso, o lucro da Batatais chegou a R$ 185,93 milhões em 2021/22, um aumento de 147,8% ante a safra anterior, quando atuou sozinha.
Segundo a companhia, o ciclo de investimentos deve seguir. A Batatais emitiu, em abril deste ano, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) no valor de R$ 61,75 milhões. A emissão foi avaliada pela S&P Global Ratings e recebeu nota AA na escala nacional.
No texto completo, exclusivo para assinantes, você confere:
- Histórico dos resultados líquidos da Batatais
- Lucro bruto dos últimos anos
- Relação entre receitas e custos
- Impacto da variação cambial sobre resultados
- Desempenho financeiro
- Posição atual das dívidas
- Fixação de preços de açúcar
- Perspectivas para 2022/23
A sucroenergética Batatais mais que dobrou seu lucro na safra 2021/22, mesmo em meio a intempéries climáticas. Em seu balanço financeiro, a companhia afirma que foi uma temporada de superação, com “alternância entre momentos positivos e negativos ao longo do ano”.
Um dos pontos favoráveis para os números foi a aquisição da usina Cevasa, que pertencia ao grupo Cargill, em julho de 2021. Localizada no município de Patrocínio Paulista (SP), a unidade foi comprada por R$ 302,37 milhões – conforme a divulgação de resultados da companhia, R$ 182,37 milhões já foram pagos e os R$ 120 milhões restantes serão divididos em três parcelas anuais.
A negociação ocorreu pouco mais de um ano depois da cisão com a usina Lins, o que significa que a Batatais só contabilizou resultados sozinha durante a safra 2020/21. Ainda de acordo com a empresa, os dados financeiros da Cevasa começaram a ser incluídos no relatório a partir de agosto de 2021.
Safra, produção e lucro
Juntas, as duas empresas moeram 5,61 milhões de toneladas de cana ao final da safra 2021/22. No período, foram produzidos 377 mil toneladas de açúcar bruto, 44 mil toneladas do adoçante branco, 80 milhões de litros de etanol anidro e 124 milhões de litros de hidratado. Com exceção do açúcar branco, que foi fabricado apenas pela Batatais, os demais produtos estiveram presentes nas duas usinas.

Com esta produção, o lucro da companhia foi de R$ 185,93 milhões em 2021/22. O valor representa um aumento de 147,8% ante a safra anterior, contudo, na ocasião foram contabilizados apenas os resultados da usina Batatais.
O número se aproxima do maior valor já registrado na série histórica iniciada em 2013/14. Na temporada 2016/17, quando ainda comandava a Lins de forma integrada, a companhia teve um lucro de R$ 240,52 milhões.

Resultado operacional
Entretanto, mesmo com o acréscimo de uma usina, a Batatais viu seu lucro bruto cair levemente nesta última safra. A companhia registrou um resultado de R$ 307,47 milhões, uma queda de 3,1% ante os R$ 317,33 milhões vistos na temporada anterior.
Já o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) ficou em R$ 394,16 milhões, o que representa um aumento de 6,8% ante o mesmo índice do ano passado, que foi de R$ 369,18 milhões. Desta forma, mesmo com a leve redução no lucro bruto, a empresa aponta que melhorou seu desempenho operacional.

No período, as receitas do grupo cresceram 44,2% e somaram R$ 1,19 bilhão, ante R$ 824,63 milhões na safra anterior. O açúcar – considerando o produto bruto e refinado – representou 49,1% da receita líquida contabilizada, com R$ 583,88 milhões. Ele foi seguido pelo etanol hidratado, com 23,9%, enquanto o anidro foi responsável por 21% do total; juntos, os dois tipos do biocombustível renderam R$ 533,3 milhões.
Além disso, foram contabilizados R$ 15,3 milhões da venda de CBios, um aumento anual de 147,2% na receita com a comercialização dos créditos. Já a energia elétrica a partir da cogeração rendeu cerca de R$ 12,1 milhões para a companhia.

Ao mesmo tempo em que as receitas subiram, os custos tiveram um salto de 64,3% e chegaram a R$ 884,39 milhões. Com isto, a relação entre ganhos e gastos da Batatais subiu 9,1 pontos percentuais, alcançando 74,4%. Este aumento, que levou a um dos mais elevados resultados da série histórica, representa um aperto das margens.
Resultado financeiro
A Batatais também conseguiu lucrar por meio das variações cambiais em suas movimentações financeiras – algo que não acontecia desde 2016/17. Na temporada 2021/22, a companhia registrou ganhos de R$ 24,82 milhões com as oscilações de moeda; no ciclo anterior, as perdas foram de R$ 28,40 milhões.
Além disso, a empresa teve uma receita financeira de R$ 31,01 milhões, acréscimo de 146% ante os ganhos de 2020/21. Ao mesmo tempo, as despesas tiveram um salto de 80%, chegando a R$ 173,36 milhões.

Para completar, a companhia também registrou perdas com derivativos, somando R$ 26,24 milhões. Este é o terceiro ano consecutivo de prejuízo nesta categoria financeira; um dos últimos saldos positivos foi em 2016/17, quando a Batatais obteve R$ 22,22 milhões com derivativos.
Desta forma, o resultado financeiro da sucroenergética foi negativo em R$ 143,77 milhões. Na série histórica, o último ano em que a Batatais registrou um saldo positivo foi na safra 2016/17.
Posição das dívidas
Em um movimento contrário ao do ciclo anterior, a Batatais alongou suas dívidas com empréstimos e financiamentos. Para isso, diminuiu o endividamento comprometido no curto prazo e aumentou o total com vencimento superior a 12 meses.
De acordo com a companhia, em seu relatório de resultados, a estratégia do grupo seria “manter a liquidez robusta e prazo alongado do endividamento bancário”.
A dívida líquida ajustada da Batatais chegou a R$ 606,49 milhões na temporada 2021/22, um aumento de 142% ante os débitos contabilizados em março de 2021, de R$ 250,68 milhões. Desta forma, mesmo com o aumento de 6,8% no Ebitda ajustado, a empresa contabilizou uma alavancagem de 1,54 vez – um crescimento de 126,5% ante o índice anterior, de 0,68 vez.
Ao todo, a dívida bruta com empréstimos e financiamentos somava R$ 1,25 bilhão em 31 de março deste ano, um acréscimo de 15,8% na comparação anual.

Nesta data, a posição dos débitos que vencem no decorrer da safra 2022/23 totalizava R$ 218,80 milhões. O montante representa uma queda de 33% em comparação com os R$ 326,56 milhões contabilizados como dívidas de curto prazo um ano antes.
Já o endividamento de longo prazo subiu 36,8% no mesmo comparativo, para R$ 1,03 bilhão. Ao final da safra anterior, estas dívidas estavam em R$ 755,70 milhões.
Em relação às dívidas em moeda estrangeira, a Batatais afirmou que aproveitou o momento de valorização do real frente ao dólar e liquidou US$ 41 milhões no decorrer de 2021/22, reposicionando o vencimento das parcelas que seriam para a próxima temporada. Desta forma, o endividamento em dólar ficou em US$ 37,5 milhões, o que seria uma retração de 52% em relação ao ano anterior.
Projeções para 2022/23
Segundo a companhia, a Batatais deve se manter em um ciclo de investimentos durante esta temporada. A sucroenergética emitiu, em abril deste ano, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) no valor de R$ 61,75 milhões. A geração foi avaliada pela S&P Global Ratings e recebeu nota AA na escala nacional.
Em relação à moagem, o grupo pretende estabilizar os resultados deste último ciclo, mantendo as 5,6 milhões de toneladas. Para os próximos anos, entretanto, a expectativa é de crescimento: 6,5 milhões de toneladas para 2023/24 e 7 milhões de toneladas para 2024/25.
Além disso, a companhia também conta com operações de hedge, fixando o preço do açúcar produzido em contratações futuras. Atualmente, devido à valorização do mercado de açúcar e da queda do real frente ao dólar, a empresa relata que pretende seguir com a estratégia para as próximas safras em conjunto com a Cevasa, utilizando derivativos de commodities com base na cotação do adoçante no mercado internacional.
Em 31 de março, 90% da produção esperada para 2022/23 e 41% do volume de 2023/24 já estavam com preços fixados, a R$ 1.770/t e R$ 1.864/t, respectivamente. Ainda assim, de acordo com o balanço financeiro, o grupo se mantém atento às movimentações do mercado, buscando atrelar chances de boas margens com uma política de gestão de riscos estruturada.
Giully Regina – NovaCana