Caso entre em recuperação judicial, a empresa será classificada como default, o pior nível na escala de classificação de risco
Após ter sido rebaixada de CCC- para RD – inadimplência restrita – em novembro de 2019, a USJ Açúcar e Álcool teve sua classificação reafirmada nesta quarta-feira (26) pela agência de classificação de risco Fitch Ratings. Ou seja, mesmo depois de seis meses, a companhia ainda não colocou as contas em dia.
Com isso, a sucroenergética permanece a um degrau da última classificação, o default, dada a empresas que deixaram de arcar com as suas obrigações e entraram em processo de falência ou recuperação judicial. Segundo a Fitch, caso a USJ entre com o pedido de recuperação, ela atingirá o nível mais baixo da classificação.
Por ora, a classificação RD foi confirmada tanto para as moedas estrangeira e local quanto para o rating nacional de longo prazo.
Além disso, a Fitch também afirmou a classificação C para as notas seniores sem garantias reais (anteriormente tais notas possuíam garantias), que tinham vencimento em 2019 e em 2021. Estas notas totalizam dívidas de US$ 9,3 milhões e US$ 4,1 milhões, respectivamente. Já a classificação das notas seniores com garantias e vencimentos em 2023, no valor de US$ 290 milhões, foi rebaixada de C para CC.
Outra classificação dada pela Fitch é o rating de recuperação. A escala da agência vai de RR1 – quando os títulos têm características consistentes, com chances de recuperação do valor principal e dos juros entre 91% e 100% – a até RR6, quando a recuperação possível é entre 0 e 10%. No caso da USJ, os ratings de recuperação subiram de RR6 para RR4.
Segundo a Fitch, isso ocorreu por conta do não pagamento de um cupom estimado em US$ 9,2 milhões. O vencimento era em 9 de maio deste ano. “Embora a empresa tenha entrado em período de cura de 30 dias para pagar o cupom, utilizou a opção de adiar um pagamento de US$ 6 milhões do mesmo cupom e pagar juros acumulados no vencimento em 2023”, relata a agência.
A elevação dos ratings seria possível a partir do pagamento do principal e das notas de 2019, além das notas de 2021 e 2023.
Confira, na versão completa deste texto (exclusiva para assinantes), mais detalhes sobre a reafirmação de crédito da companhia e o histórico da classificação da USJ.
Após ter sido rebaixada de CCC- para RD – inadimplência restrita – em novembro de 2019, a USJ Açúcar e Álcool teve sua classificação reafirmada nesta quarta-feira (26) pela agência de classificação de risco Fitch Ratings. Ou seja, mesmo depois de seis meses, a companhia ainda não colocou as contas em dia.
Com isso, a sucroenergética permanece a um degrau da última classificação, o default, dada a empresas que deixaram de arcar com as suas obrigações e entraram em processo de falência ou recuperação judicial. Segundo a Fitch, caso a USJ entre com o pedido de recuperação, ela atingirá o nível mais baixo da classificação.
Por ora, a classificação RD foi confirmada tanto para as moedas estrangeira e local quanto para o rating nacional de longo prazo.
Além disso, a Fitch também afirmou a classificação C para as notas seniores sem garantias reais (anteriormente tais notas possuíam garantias), que tinham vencimento em 2019 e em 2021. Estas notas totalizam dívidas de US$ 9,3 milhões e US$ 4,1 milhões, respectivamente. Já a classificação das notas seniores com garantias e vencimentos em 2023, no valor de US$ 290 milhões, foi rebaixada de C para CC.
Outra classificação dada pela Fitch é o rating de recuperação. A escala da agência vai de RR1 – quando os títulos têm características consistentes, com chances de recuperação do valor principal e dos juros entre 91% e 100% – a até RR6, quando a recuperação possível é entre 0 e 10%. No caso da USJ, os ratings de recuperação subiram de RR6 para RR4.
Segundo a Fitch, isso ocorreu por conta do não pagamento de um cupom estimado em US$ 9,2 milhões. O vencimento era em 9 de maio deste ano. “Embora a empresa tenha entrado em período de cura de 30 dias para pagar o cupom, utilizou a opção de adiar um pagamento de US$ 6 milhões do mesmo cupom e pagar juros acumulados no vencimento em 2023”, relata a agência.
A elevação dos ratings seria possível a partir do pagamento do principal e das notas de 2019, além das notas de 2021 e 2023.
A um degrau do default
De acordo com a Fitch, a manutenção do rating RD reflete a inadimplência da USJ em relação ao principal da dívida, ao cupom das notas seniores sem garantias com vencimento em 2019, ao cupom das notas sem garantias com vencimento em 2021 e ao cupom das notas com garantias e vencimento em 2023.
Para completar, entre maio e dezembro de 2020, a USJ tem pagamentos previstos de US$ 24 milhões das notas de 2021 e 2023 e outros US$ 9,3 milhões já devidos de notas de 2019. Para 2021, há outros US$ 80 milhões a serem pagos, relativos a títulos de 2021 e 2023.
Em setembro de 2019, a empresa tinha um caixa de R$ 35 milhões e uma dívida de curto prazo de R$ 276 milhões. Um dos fatores que pesa contra a companhia é a recente desvalorização do real, que pressionou ainda mais a capacidade da empresa em quitar sua dívida em dólares, que representa 90% do total devido.
Conforme relatório da Fitch, a sucroenergética segue com liquidez fraca e com alto risco de refinanciamento, já que a dívida está concentrada primordialmente no curto prazo. Além disso, a USJ tem dificuldades em gerar um fluxo de caixa positivo.
Com isso, a empresa ficou ainda mais dependente de linhas de crédito com vencimento a curto prazo. E, sem vendas relevantes de ativos, a Fitch enxerga pouca flexibilidade financeira para a USJ em 2020.
Em novembro de 2019, uma das análises da Fitch pressupunha a falência da USJ. Na ocasião, com a venda dos bens da sucroenergética, a agência estimava que o valor das terras e dos outros ativos da companhia poderiam ser distribuídos aos credores. Conforme o documento, os canaviais da usina estariam em uma boa localização, perto de áreas urbanas, mas os ativos fixos – como máquinas, equipamentos e a própria usina – tinham pouca liquidez.
Recuperação durou pouco
Em 2019, a USJ havia sofrido quatro rebaixamentos consecutivos pela Fitch Ratings, caindo de CCC+ para RD em maio. Porém, em 31 do mesmo mês, a empresa teve uma recuperação em sua classificação, que subiu para CCC-.
Na mesma ocasião, a S&P Global Ratings elevou a nota da empresa para CCC+, marcando a conclusão da oferta de troca de notas em circulação com vencimento em 2019 e 2021. Estas obrigações, porém, não foram cumpridas e levaram ao mais recente rebaixamento.
Em novembro, a companhia foi novamente rebaixada para RD devido ao não pagamento de US$ 9,1 milhões, previstos para o dia 9 do mesmo mês, conforme divulgado pela Fitch. O valor era referente a um cupom de US$ 400 mil e ao saldo principal de suas notas seniores sem garantia de ativos reais com vencimento em 2019, que somam US$ 8,7 milhões.
Além disso, a empresa também havia solicitado um período adicional de 30 dias para o pagamento de US$ 190 mil referente a notas com vencimento em 2021. Já o pagamento de US$ 13,4 milhões para os títulos de 2023 seriam feitos, com juros, no vencimento.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana