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[Entrevista] Gerente da Biosev aposta em maior rendimento dos canaviais em 2019/20

Luiz Fernandes, gerente de inteligência de mercado e energia da companhia, detalha safra e estratégias do grupo

NovaCana 8 min de leitura

Com a safra 2019/20 a pleno vapor, caminhando para o fim do segundo trimestre, as usinas possuem mais subsídios para analisar quais foram as melhores estratégias e de que forma terão mais previsibilidade nos resultados.

A temporada, de maneira geral, tem sido marcada por previsões de uma moagem levemente mais alta que a da safra anterior, mas ainda abaixo das 600 milhões de toneladas de cana. Também é esperada uma matéria-prima de qualidade inferior à da última safra, devido especialmente às geadas que atingiram os canaviais entre junho e julho.

No caso da Biosev, a expectativa é de recuperação de 5,7% na produtividade média dos canaviais ante a última safra, resultando em uma moagem acima da esperada inicialmente.

Com esse quadro já estabelecido, o gerente de inteligência de mercado e energia da Biosev, Luiz Fernandes, detalha algumas das estratégias da companhia em entrevista exclusiva ao NovaCana.

Ele também traz os impactos do mercado global de açúcar na produção, além de detalhes sobre a produtividade dos canaviais, a influência do clima e os caminhos de aumento de receita para as usinas – com foco na cogeração.

“Continuamos a trabalhar para superar o percentual do mix de etanol da safra passada, de 65,1%, e já estamos próximos do percentual considerado ideal”

Confira a entrevista na versão para assinantes.

Com a safra 2019/20 a pleno vapor, caminhando para o fim do segundo trimestre, as usinas possuem mais subsídios para analisar quais foram as melhores estratégias e de que forma terão mais previsibilidade nos resultados.

A temporada, de maneira geral, tem sido marcada por previsões de uma moagem levemente mais alta que a da safra anterior, mas ainda abaixo das 600 milhões de toneladas de cana. Também é esperada uma matéria-prima de qualidade inferior à da última safra, devido especialmente às geadas que atingiram os canaviais entre junho e julho.

No caso da Biosev, a expectativa é de recuperação de 5,7% na produtividade média dos canaviais ante a última safra, resultando em uma moagem acima da esperada inicialmente.

Com esse quadro já estabelecido, o gerente de inteligência de mercado e energia da Biosev, Luiz Fernandes, detalha algumas das estratégias da companhia em entrevista exclusiva ao NovaCana.

Ele também traz os impactos do mercado global de açúcar na produção, além de detalhes sobre a produtividade dos canaviais, a influência do clima e os caminhos de aumento de receita para as usinas – com foco na cogeração.

Com o clima afetou a temporada 2019/20 para as usinas da Biosev?
De uma maneira geral, o clima no primeiro trimestre da safra foi excelente, com poucas chuvas nos meses de maio e junho, resultando em bons índices de produtividade, principalmente na região de Ribeirão Preto (SP). Devido à alta produtividade no período, estamos trabalhando acima do nosso plano de moagem, com boas expectativas para a safra. Também estamos operando muito próximos da capacidade total de nossas usinas. Aumentamos a capacidade de moagem unitária da usina Passa Tempo e ainda temos algumas oportunidades de incrementar um pouco mais a moagem em Lagoa da Prata.

“Investimos R$ 278,8 milhões no primeiro trimestre da safra, com foco principal na parte agrícola, incluindo a aquisição de novas colhedoras e investimentos em plantio para renovação dos canaviais”

Então, a moagem cresceu.
Na verdade, no primeiro trimestre, registramos moagem de 10,9 milhões de toneladas, número 3,4% menor do que no mesmo período da safra passada. A variação é explicada pela redução de 9,2% na área colhida devido a condições climáticas desfavoráveis de abril a junho, período de colheita. Entretanto, o rendimento consolidado atingiu 88,4 t/ha, alta de 3,8% ante o primeiro trimestre de 2019. O resultado se deve ao clima favorável entre janeiro e março, período de formação do canavial.


Luiz Fernandes estará presente na NovaCana Ethanol Conference 2019 como um dos palestrantes do painel Inteligência de Mercado em Ação. O evento acontece nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo.

Clique aqui para acessar a programação completa.



Como os preços do etanol têm direcionado a estratégia da Biosev?

Nesta safra, o preço ficou muito próximo do que estimamos. Tivemos um crescimento no preço de etanol em 2018/19 e, agora, temos muito mais flexibilidade devido ao maior caixa da companhia. Foi realizada uma estratégia de carry (carrego) e venda de etanol na entressafra, que normalmente tem preços melhores. Se for analisar, terminamos com um estoque bem mais baixo do que na safra anterior e a expectativa é que essa tendência continue.

“Para o ano que vem, esperamos que o etanol continue remunerando mais do que o açúcar durante a maior parte do ano-safra”

Pelas suas análises, as usinas seguirão focando mais no etanol em detrimento do açúcar?
Sim. Desde o ano passado, a produção do etanol passou a ser mais interessante, o que fez com que o mix de produção fosse alterado em diversas empresas, incluindo na Biosev. Em 2019, o cenário continua semelhante, com o preço do açúcar apresentando queda importante nas últimas semanas [a entrevista foi feita em 4 de setembro]. É fundamental acompanhar a rentabilidade dos produtos para conseguir ajustar a produção, de acordo com o melhor preço. Por enquanto, nosso objetivo é manter o cenário de maximização da produção do etanol no mercado nacional.

Como tem sido o mix da companhia na safra 2019/20?
Encerramos o primeiro trimestre da safra 2019/20 com mix etanol de 66,3%, o maior índice registrado na história da Biosev para o período. Nos últimos meses, a companhia fez uma série de investimentos para ampliar a flexibilização do mix com agilidade e o time de inteligência de mercado está sempre atento aos preços para fazermos os ajustes que forem necessários ao longo da safra.

“Continuamos a trabalhar para superar o percentual do mix de etanol da safra passada, de 65,1%, e já estamos próximos do percentual considerado ideal”

Qual é a sua opinião sobre a venda direta de etanol?
Estamos favoráveis a questões que contribuam para a competitividade do produto etanol, desde que todo o processo esteja amparado por uma regulamentação eficiente, que garanta a fiscalização necessária à segurança para todas as partes. Acreditamos que, acima de tudo, é prioridade garantir um processo de regulamentação e fiscalização eficiente para essa proposta, que garanta a segurança do produto, bem como a remuneração justa e a sustentabilidade da cadeia.

Em relação ao açúcar: quais são as perspectivas para o mercado global?
O açúcar tem sido afetado por fortes pressões tarifárias devido à política de subsídios da Índia, o que contribui para a menor produção deste produto no Brasil. Outra questão importante que temos acompanhado são as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que pode possibilitar uma abertura para o mercado sucroenergético. Nossa expectativa é que o açúcar entre em um novo período de déficit nos próximos anos, resultado da maximização da produção de etanol no Brasil, aliado à perspectiva de safras menores no Hemisfério Norte e um crescimento global moderado no consumo.

Ainda em relação ao mercado global, qual a sua expectativa de produção para esta temporada e a próxima?
Nossa expectativa é de um pequeno superávit, de 2 milhões de toneladas, para o ano-safra atual. Já para a safra 2019/20, estimamos um déficit global de 5,4 milhões de toneladas de açúcar, motivado por expectativas de redução nas principais safras do Hemisfério Norte (Índia, Tailândia e Europa).

A produtividade das usinas brasileiras fica entre 74 e 75 toneladas de cana por hectare, em média. Qual a sua visão em relação a isso? Há perspectiva de uma melhora?
Esperamos uma recuperação de 5,7% na produtividade média para este ano, levando em conta o clima mais seco do que o normal, o que impactou negativamente a produtividade média do ano passado, que acabou em 73,4 toneladas por hectare. Para o futuro, acreditamos em um ligeiro crescimento, como consequência da melhora nos níveis de plantio. Também vale comentar que a variação na produtividade média é bem alta: observamos as 25% melhores usinas com média acima de 85 t/ha e as 25% piores com média abaixo de 65 t/ha. Isso reflete o contraste da situação das usinas do setor, com grupos capitalizados e outros em situação mais difícil, com dificuldade de realizar plantio e tratos de forma ideal.

Existem análises mostrando o potencial da cogeração, inclusive como uma “salvação” para o caixa de algumas usinas. Há espaço para novos investimentos nesta área?
A cogeração é um ponto-chave na remuneração das usinas, pois representa uma receita incremental com custo marginal baixíssimo. Acreditamos que exista um potencial enorme de desenvolvimento, com oportunidades em diversas frentes, como os investimentos em cogeração convencional nas usinas; as novas áreas de investimento, como o biogás e a exploração de fontes alternativas de biomassa; e investimentos em eficiência de geração e redução de consumo nas plantas.

E como estão os investimentos em cogeração?
Devido à alta necessidade de capital e tempo de payback para o ponto que se refere aos investimentos na cogeração convencional, e o fato do biogás ainda estar em estágio de evolução, vemos que os investimentos atuais são mais concentrados na melhoria da eficiência. De qualquer forma, o potencial é enorme pela quantidade de energia não aproveitada no campo e na usina, além dos benefícios na produção de energia renovável, seja para a sociedade, seja para a usina.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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