Além de informações sobre o tempo, o mais recente levantamento realizado pelo NovaCana traz as estimativas de 24 consultorias e empresas especializadas para o ciclo 2019/20
Após uma entressafra seca, a temporada 2019/20 de cana-de-açúcar encontrou otimismo em um primeiro trimestre chuvoso. O tempo trouxe a esperança de números melhores para as usinas, graças à recuperação na qualidade da cana-de-açúcar e no rendimento dos canaviais – mas a geada veio logo em seguida.
Com o segundo trimestre da temporada do Centro-Sul a pleno vapor, consultorias dividem opiniões sobre os impactos do clima e das dinâmicas de mercado. Enquanto algumas refletem sobre o impacto negativo das geadas em seus números, outras visualizam uma produtividade melhor, ainda calcada nas chuvas do primeiro trimestre.
Segundo o analista Maurício Muruci, da Safras e Mercado, ao contrário das chuvas do início do ano, as geadas não foram uniformes, o que deve resultar em impactos diferentes para cada região. Por sua vez, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) detalhou, em seu relatório referente à primeira quinzena de julho, que as baixas temperaturas atingiram 400 mil hectares de cana.
A entidade estimou que aproximadamente 65% da área acometida ainda não havia sido colhida, com impactos mais relevantes no Mato Grosso do Sul, Paraná e sul de São Paulo. A informação provém de levantamento conduzido pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).
De acordo com Muruci, apesar da esperança de que haveria uma cana de meio de ano de melhor qualidade – já que ela recebeu as chuvas de início de safra – a expectativa de parte dos produtores foi quebrada pela geada.
Em relatório lançado em julho deste ano, a Czarnikow relembra o efeito negativo das temperaturas baixas sobre a cana que não está próxima ao período de colheita. Conforme o documento, a geada afeta o rendimento agrícola, já que a cana precisa ser colhida antes do período ideal, em uma fase de menor desenvolvimento.
Porém, o caráter localizado das geadas foi novamente ressaltado. Aproximadamente 65% da área de plantações do Centro-Sul apresentou manutenção ou até mesmo um pequeno aumento nos rendimentos agrícolas.
Segundo a INTL FCStone, em relatório lançado em agosto, o veranico e as geadas recentes tiveram impactos mais limitados nos canaviais se comparados ao aporte dado pela umidade vista desde meados do ano passado, que beneficiou a produtividade.
De forma menos ampla, a consultoria observa que as chuvas registradas em junho e julho foram menos volumosas, não superando os 30 milímetros em Mato Grosso, Goiás e boa parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O resultado foi um armazenamento de água no solo inferior a 15%, limitando o bom desenvolvimento dos canaviais de final de safra.
Por outro lado, segundo informações do sistema Tempocampo, o tempo também foi favorável à maturação da cana e às operações de áreas que tinham colheita prevista para julho. A partir do Coeficiente de Produtividade Climática (CPC), os dados do sistema indicam que são esperados ganhos médios entre 3% a 6% para a região Centro-Sul, levando em conta os cenários pessimista e otimista.
Além de informações sobre o tempo, o mais recente levantamento realizado pelo NovaCana, finalizado em 28 de agosto, traz as estimativas de 24 consultorias e empresas especializadas para o resultado do ciclo 2019/20.
Confira, na versão completa, os comentários das maiores consultorias e empresas especializadas do setor e suas estimativas para:
- Moagem total
- Produção de açúcar e de etanol
- Etanol anidro x hidratado
- Mix de produção
- Qualidade da cana-de-açúcar (kg ATR/t)
- ATR total da safra
Após uma entressafra seca, a temporada 2019/20 de cana-de-açúcar encontrou otimismo em um primeiro trimestre chuvoso. O tempo trouxe a esperança de números melhores para as usinas, graças à recuperação na qualidade da cana-de-açúcar e no rendimento dos canaviais – mas a geada veio logo em seguida.
Com o segundo trimestre da temporada do Centro-Sul a pleno vapor, consultorias dividem opiniões sobre os impactos do clima e das dinâmicas de mercado. Enquanto algumas refletem sobre o impacto negativo das geadas em seus números, outras visualizam uma produtividade melhor, ainda calcada nas chuvas do primeiro trimestre.
Segundo o analista Maurício Muruci, da Safras e Mercado, ao contrário das chuvas do início do ano, as geadas não foram uniformes, o que deve resultar em impactos diferentes para cada região. Por sua vez, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) detalhou, em seu relatório referente à primeira quinzena de julho, que as baixas temperaturas atingiram 400 mil hectares de cana.
A entidade estimou que aproximadamente 65% da área acometida ainda não havia sido colhida, com impactos mais relevantes no Mato Grosso do Sul, Paraná e sul de São Paulo. A informação provém de levantamento conduzido pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).
De acordo com Muruci, apesar da esperança de que haveria uma cana de meio de ano de melhor qualidade – já que ela recebeu as chuvas de início de safra – a expectativa de parte dos produtores foi quebrada pela geada.
Em relatório lançado em julho deste ano, a Czarnikow relembra o efeito negativo das temperaturas baixas sobre a cana que não está próxima ao período de colheita. Conforme o documento, a geada afeta o rendimento agrícola, já que a cana precisa ser colhida antes do período ideal, em uma fase de menor desenvolvimento.
Porém, o caráter localizado das geadas foi novamente ressaltado. Aproximadamente 65% da área de plantações do Centro-Sul apresentou manutenção ou até mesmo um pequeno aumento nos rendimentos agrícolas.
Segundo a INTL FCStone, em relatório lançado em agosto, o veranico e as geadas recentes tiveram impactos mais limitados nos canaviais se comparados ao aporte dado pela umidade vista desde meados do ano passado, que beneficiou a produtividade.
De forma menos ampla, a consultoria observa que as chuvas registradas em junho e julho foram menos volumosas, não superando os 30 milímetros em Mato Grosso, Goiás e boa parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O resultado foi um armazenamento de água no solo inferior a 15%, limitando o bom desenvolvimento dos canaviais de final de safra.
Por outro lado, segundo informações do sistema Tempocampo, o tempo também foi favorável à maturação da cana e às operações de áreas que tinham colheita prevista para julho. A partir do Coeficiente de Produtividade Climática (CPC), os dados do sistema indicam que são esperados ganhos médios entre 3% a 6% para a região Centro-Sul, levando em conta os cenários pessimista e otimista.
Moagem levemente maior, mas ainda estagnada
Além de informações sobre o tempo, o mais recente levantamento realizado pelo NovaCana, finalizado em 28 de agosto, traz as estimativas de 24 consultorias e empresas especializadas para o resultado do ciclo 2019/20.
Em comparação com a pesquisa feita no início da temporada, a média de moagem e produção de etanol são maiores; entretanto, o ATR e a produção de açúcar apresentam decréscimos.
No atual levantamento, os números de moagem variam das 563 milhões de toneladas estimadas pela Safras & Mercado às 594 milhões de toneladas projetadas pela FG/A. A média das empresas e consultorias, por sua vez, ficou em 577,6 milhões de toneladas.

Em comparação com o fechamento da temporada 2018/19, a média feita a partir do levantamento aponta para um resultado 0,79% maior. Já em relação à sondagem feita em maio, o valor aumentou 1,06%.
Conforme o sócio da FG/A, João Henrique Rissi, a elevada expectativa de moagem projetada pela consultoria deve se confirmar, já que, com base nos dados até julho deste ano, a produtividade da temporada 2019/20 está 3% superior à do mesmo período da safra anterior.
“Caso no restante da safra esse diferencial (a produtividade de 2019/20 versus a de 2018/19) aumente marginalmente além dos 3%, sem chuvas acima da média, a moagem pode atingir 600 milhões de toneladas”, explica Rissi.

A Copersucar também tem uma expectativa otimista, porém, a cooperativa pondera que a moagem no Centro-Sul não teve crescimento expressivo nos últimos oito anos. Assim, são esperadas 585 milhões de toneladas de cana moída na temporada 2019/20.
O diretor de estratégia da empresa, Tomas Manzano, visualiza uma produtividade melhor do que na temporada passada, ainda que não tão expressiva. “O canavial parou de envelhecer e tivemos uma renovação um pouco maior nos últimos dois anos, ainda que não seja a ideal”, afirmou durante o evento Expedição Custos Cana, ocorrido em maio deste ano.
Segundo a consultoria INTL FCStone, em relatório lançado em agosto, apesar das adversidades climáticas enfrentadas pelos canaviais brasileiros, o rendimento agrícola deve melhorar e a moagem deve chegar a 583,3 milhões de toneladas de cana, ou 1,8% a mais em relação ao ano passado. Além disso, dependendo da normalidade das chuvas e das temperaturas no segundo semestre de 2019, há a possibilidade do potencial produtivo da temporada 2020/21 ser ainda maior.
Já a Unica, representante das usinas, projetou uma safra no mesmo patamar de 2018/19, com moagem em torno de 570 milhões de toneladas. A justificativa é que, apesar da produtividade estar melhor, a área colhida reduziu e os canaviais estão envelhecidos, representando uma retração de 8 milhões de hectares.

A perspectiva é semelhante à expressa nos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), baseados em informações obtidas com as usinas. São estimadas 571,65 milhões de toneladas pela entidade, porém, vale ressaltar que, devido à sua fonte, os dados tendem a ser mais otimistas.
A consultoria Canaplan, por sua vez, possui uma expectativa ainda menor de moagem: 567,5 milhões de toneladas. Além da redução de área e da seca já mencionadas, o presidente da entidade, Luiz Carlos Corrêa Carvalho aponta que, após a temporada 2015/16, a produtividade agrícola caiu ano a ano, fazendo com que os canaviais brasileiros perdessem 10 toneladas de cana por hectare plantado.

Considerando os números apresentados e a análise das empresas consultadas, a moagem do ciclo está longe de superar as 617,71 milhões de toneladas atingidas na temporada 2015/16, o maior valor já registrado pelas usinas do Centro-Sul.
Qualidade em queda
Com canaviais envelhecidos, a qualidade da cana tende a declinar. A menor estimativa de concentração de ATR foi de 131,28 kg/t, da Canaplan; já a maior, de 139,3 kg/t, é da Agroconsult. A média das estimativas ficou em 135,46 kg/t, 1,74% menor em comparação com o resultado da safra 2018/19.
Carvalho, da Canaplan, afirma que o setor perdeu cerca de uma tonelada de ATR por hectare, na média, desde 2015/16. Em comparação com a última temporada, a idade média dos canaviais aumentou 1% e a concentração de ATR caiu 2%. Assim, para ele, a safra ficará abaixo da anterior em todos os níveis, exceto na produção de etanol. “Existem diferenças muito grandes entre as regiões, mas o padrão é vermelho”, conclui.

O relatório de agosto da FCStone, entretanto, pondera que a temporada 2018/19 teve uma concentração de açúcares nos colmos em níveis recordes, já que a estiagem se estendeu ao longo de grande parte do ciclo. Por conta disso, a empresa espera uma retração de 1,8% sobre a safra passada, atingindo 135,4 kg/t graças ao tempo mais úmido.
Inclusive, segundo a Czarnikow, a menor concentração de ATR é uma das maiores queixas das usinas visitadas pelos analistas. Porém, ainda que a instituição tenha reduzido sua projeção ante estimativas anteriores, ela ressalta que o valor segue superior ao registrado no mesmo período da temporada passada.

Um mercado inundado de etanol
Ainda conforme a Czarnikow, devido ao menor teor de açúcar na cana, a flexibilidade das usinas pode ser mais empurrada para a produção de etanol, evitando perdas durante o processo de produção.
Isso pode ser positivo, pois o mercado tem respondido bem à oferta elevada e o consumo de etanol continua aquecido. Entre janeiro e junho de 2019, o etanol hidratado teve uma demanda 33% superior do que no mesmo período do ano passado, conforme dados da ANP.
No levantamento, a produção de etanol estimada pelas entidades foi, na média, de 30,28 bilhões de litros – uma redução de 670 milhões de litros, ou 2,15%, no comparativo anual. A Canaplan teve a menor estimativa, 28 bilhões de litros, enquanto a Safras & Mercado teve a maior, com 33 bilhões de litros.
Além disso, a média das estimativas aponta para uma produção de 20,92 bilhões de litros de etanol hidratado (4,06% a menos que na temporada 2018/19) e 9,44 bilhões de litros de anidro (3,32% a mais que no ciclo anterior).
Responsável pela segunda estimativa mais baixa de produção do etanol, de 28,11 bilhões de litros, a Conab expressa que há um cenário de normalização da produção no mercado interno. “No decorrer da safra passada, foi observado que a maior parte das usinas estava focada na produção de etanol, vislumbrando um retorno mais imediato dos recursos aplicados, mas também havia aquelas que não deixaram de efetuar contratações em açúcar, optando por manter o potencial produtivo dos dois segmentos”, relata, em relatório.
Desta forma, a produção menor de etanol estimada pela Conab se deu por conta da estimativa de maior destinação do ATR para a produção de açúcar.
Outro argumento contrário a uma aposta de crescimento para o etanol aparece em uma reportagem da Bloomberg publicada no final de maio. Segundo o texto, algumas tradings acreditam que o Brasil tenha atingido o ápice da produção de etanol em 2018/19.

Contudo, investimentos e ajustes operacionais recentes em algumas unidades podem ter aberto caminho para um volume ainda maior do renovável. Conforme a reportagem, o setor tem aplicado recursos no aumento da capacidade de produção do etanol, melhorando processos e investindo em tanques de armazenamento.
A ampliação da demanda tem elevado o preço pago às usinas, ainda que a safra esteja próxima ao seu pico produtivo, época em que, usualmente, as cotações do biocombustível caem dada a oferta ampla. Entre 19 e 23 de agosto, por exemplo, o etanol teve a primeira queda em quase dois meses nas usinas de São Paulo, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.
Segundo o diretor de comercialização de etanol da Bioagência, Tarcilo Rodrigues, o consumo tem sido tão alto que ele é capaz de suportar os preços, ainda que a oferta esteja em excesso nas usinas. De acordo com o diretor, as unidades em má situação financeira estão “inundando” o mercado para lucrar, enquanto outros grupos estão vendendo para equilibrar seus estoques. Este cenário, somado aos preços altos da gasolina, favorece ainda mais o consumo de etanol.
O presidente da Datagro, Plínio Nastari, segue o mesmo raciocínio e acredita que os preços do etanol devam se manter, estimulando um mix bastante alcooleiro. Para ele, apesar da crise inerente do setor, as perspectivas para a safra atual são boas, reiterando o consumo acelerado de etanol e manutenção da sua competitividade.
De acordo com a FCStone, no início de abril, o biocombustível hidratado comercializado em São Paulo remunerou, em média, 7,5% a mais que o açúcar VHP para exportação.

Já Muruci, da Safras & Mercado, afirma que, com esse quadro, a maior parte das usinas deve optar facilmente pela produção do biocombustível. Além disso, de acordo com ele, as companhias também levam em conta que o dinheiro com a venda de etanol entra em caixa em uma semana, diferente do açúcar exportado, que demora pelo menos 45 dias.
Por sua vez, a Copersucar defende que a demanda deve continuar alta, acreditando em um comportamento do consumidor “pró-etanol”. “Isso se deve especialmente ao preço da gasolina atrelado ao petróleo internacional”, explica o diretor da empresa.
Uma visão um pouco diferente é expressa pela Archer Consulting. Para a consultoria, as usinas parecem ter atingido o limite de produção do etanol, fazendo com que a moagem adicional seja direcionada para o açúcar, mesmo com retornos mais baixos para a commodity. Portanto, a empresa espera 29,86 bilhões de litros do renovável em 2019/20.
A Sucden, em relatório lançado em maio deste ano, afirmou que espera uma maior produção de etanol. Porém, a trading acredita que o direcionamento de matéria-prima para o biocombustível será menor do que há um ano. A empresa estimou 30,5 bilhões de litros de etanol para a atual safra.
Conforme reportagem do Valor Econômico publicada em agosto, as usinas veem com cautela a estratégia que ditará o ritmo de vendas até o fim do ciclo. As companhias que possuem ações em bolsa – Raízen, São Martinho e Biosev – expressaram que a demanda de etanol está de fato elevada, tornando a temporada mais alcooleira. Porém, existe o receio de que ocorra uma aposta forte no biocombustível, com grandes volumes para a entressafra, o que pressionaria os preços em uma época em que isso não é comum – um quadro já visto em 2018/19.
A Raízen Energia, por exemplo, direcionou 51% da cana para o etanol no primeiro trimestre de safra, uma leve redução em comparação com os 52% observados na temporada anterior. Por sua vez, a São Martinho direcionou 59%, ante os 66% vistos um ano antes. Já a Biosev elevou o mix de 64,9% para 66,3% no mesmo comparativo.
Vantagem incerta para o açúcar
O Brasil está contrariando as noções globais de que produziria mais açúcar em relação à temporada passada, graças à valorização do petróleo e à demanda elevada do etanol.
No levantamento feito pelo NovaCana, as estimativas de produção de açúcar variaram pouco entre si – o menor volume projetado foi pela Platts, de 25,3 milhões de toneladas, e o maior, pela Conab, com 28,98 milhões de toneladas.
Desta forma, a média das estimativas foi de 26,51 milhões de toneladas. Ante a produção de 2018/19, houve uma variação positiva de apenas 0,02%.
O Rabobank, em relatório lançado em junho deste ano, projetou a fabricação de 27 milhões de toneladas de açúcar. O banco, entretanto, afirmou que o volume poderia ser maior caso os preços do adoçante subissem acima dos 14 centavos de dólar por libra-peso durante estágios iniciais e intermediários da temporada – o que não vem acontecendo.
O relatório também destaca que, em junho, o Brasil ainda tinha bastante flexibilidade de mutação do mix. Conforme a colheita avança, no entanto, essa capacidade de reagir aos preços se reduz.

Uma quantia pouco menor, de 26,1 milhões de toneladas, é prevista pela FCStone. O valor é 1,5% inferior ao do ciclo anterior e o menor volume estimado desde a temporada 2006/07. “Ao longo de nosso Giro de Safra (...) identificamos que as usinas têm direcionado o máximo de cana à produção de etanol, uma vez que os preços do biocombustível se mostram mais favoráveis ante aos valores oferecidos para o açúcar”, afirma o analista Matheus Costa.
Já a Canaplan espera 26 milhões de toneladas de açúcar e acredita que isso deva impactar o mercado global da commodity, deixando claro que a safra realmente será muito mais alcooleira do que o esperado.
Apesar das visões de menores produções de açúcar, a Green Pool, conforme reportagem da Bloomberg, enxerga uma possibilidade de recuperação para o adoçante. “Seria o caso se o etanol chegar a um ponto em que a oferta pressiona o preço e, em algum momento no futuro próximo, vemos seu comércio com desconto em relação ao açúcar”, disse Tom McNeill, diretor da Green Pool.
Segundo ele, o preço de ambos os produtos está mais próximo do que na temporada passada. Além disso, o etanol seria, por vezes, negociado com desconto em relação ao adoçante.
Mix do etanol limitado à capacidade de produção
Seguindo o mesmo raciocínio, o sócio-diretor da Job Economia, Julio Maria Borges, afirmou que a previsão inicial do setor – de que a produção do adoçante seria maior no comparativo entre safras – provavelmente não acontecerá. A consultoria, inclusive, prevê menos açúcar do que no último ciclo.
O mix de açúcar esperado pelas entidades variou dos 38,7% estimados pela Conab aos 33,1% projetados pela Agroconsult, com a média ficando em 35,4%. Na safra 2018/19, o adoçante terminou a temporada com uma representatividade de 35,2%, de modo que haveria um aumento de 0,2 ponto percentual.
Com uma expectativa de mix de 34,3% – uma das menores projeções –, a Canaplan relembrou, durante o evento Expedição Custos Cana, que algumas usinas chegaram a desativar a produção de açúcar. Desta forma, as perspectivas para a safra 2019/20 foram afetadas quando se trata dos produtos finais.
A FCStone também visualiza que a commodity vem perdendo espaço no comparativo com o ano passado, diferente do que a própria consultoria projetava no início da temporada. Desta forma, a empresa também estima um mix alcooleiro, de 34,7%, 0,5 ponto percentual abaixo de 2018/19, o menor valor registrado nos últimos vinte anos.

Ainda assim, a consultoria explica que a capacidade de destilação não tem sido suficiente para absorver o maior volume de matéria-prima, forçando algumas usinas a fabricarem açúcar com os excedentes. Com o adoçante, as usinas estariam dando prioridade ao cumprimento de contratos e à formação dos estoques.
A Copersucar espera um mix de 35,5% para o adoçante, a depender da arbitragem de preços. “Não esperamos um mix menor que o do ano passado. Algo precisa acontecer no mercado de açúcar e os preços vão atrair essa produção”, considera Manzano.
Conforme dados apresentados pela Unica, na primeira quinzena de agosto, o mix para o biocombustível foi de 64,13% – um resultado inferior à média da safra até o momento, de 64,62%. Ainda assim, a tendência é que, conforme o ciclo se aproxime do final, o mix se torne alcooleiro. Isso ocorre porque, em geral, mix fica mais açucareiro no meio da safra, quando a concentração de sacarose na cana-de-açúcar é maior.
Gabrielle Rumor Koster e Rafaella Coury - NovaCana