A safra atual sofre as consequências das geadas que assolaram os canaviais do Centro-Sul a partir da segunda semana de junho. Grupos sucroenergéticos, consultorias e instituições financeiras dividem opiniões sobre o tamanho do impacto

novaCana.com 29 ago 2019 - 10:07

Após uma entressafra seca, a temporada 2019/20 de cana-de-açúcar encontrou otimismo em um primeiro trimestre chuvoso. O tempo trouxe a esperança de números melhores para as usinas, graças à recuperação na qualidade da cana-de-açúcar e no rendimento dos canaviais – mas a geada veio logo em seguida.

Com o segundo trimestre da temporada do Centro-Sul a pleno vapor, consultorias dividem opiniões sobre os impactos do clima e das dinâmicas de mercado. Enquanto algumas refletem sobre o impacto negativo das geadas em seus números, outras visualizam uma produtividade melhor, ainda calcada nas chuvas do primeiro trimestre.

Segundo o analista Maurício Muruci, da Safras e Mercado, ao contrário das chuvas do início do ano, as geadas não foram uniformes, o que deve resultar em impactos diferentes para cada região. Por sua vez, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) detalhou, em seu relatório referente à primeira quinzena de julho, que as baixas temperaturas atingiram 400 mil hectares de cana.

A entidade estimou que aproximadamente 65% da área acometida ainda não havia sido colhida, com impactos mais relevantes no Mato Grosso do Sul, Paraná e sul de São Paulo. A informação provém de levantamento conduzido pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

De acordo com Muruci, apesar da esperança de que haveria uma cana de meio de ano de melhor qualidade – já que ela recebeu as chuvas de início de safra – a expectativa de parte dos produtores foi quebrada pela geada.

Em relatório lançado em julho deste ano, a Czarnikow relembra o efeito negativo das temperaturas baixas sobre a cana que não está próxima ao período de colheita. Conforme o documento, a geada afeta o rendimento agrícola, já que a cana precisa ser colhida antes do período ideal, em uma fase de menor desenvolvimento.

Porém, o caráter localizado das geadas foi novamente ressaltado. Aproximadamente 65% da área de plantações do Centro-Sul apresentou manutenção ou até mesmo um pequeno aumento nos rendimentos agrícolas.

Segundo a INTL FCStone, em relatório lançado em agosto, o veranico e as geadas recentes tiveram impactos mais limitados nos canaviais se comparados ao aporte dado pela umidade vista desde meados do ano passado, que beneficiou a produtividade.

De forma menos ampla, a consultoria observa que as chuvas registradas em junho e julho foram menos volumosas, não superando os 30 milímetros em Mato Grosso, Goiás e boa parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O resultado foi um armazenamento de água no solo inferior a 15%, limitando o bom desenvolvimento dos canaviais de final de safra.

Por outro lado, segundo informações do sistema Tempocampo, o tempo também foi favorável à maturação da cana e às operações de áreas que tinham colheita prevista para julho. A partir do Coeficiente de Produtividade Climática (CPC), os dados do sistema indicam que são esperados ganhos médios entre 3% a 6% para a região Centro-Sul, levando em conta os cenários pessimista e otimista.

Além de informações sobre o tempo, o mais recente levantamento realizado pelo novaCana, finalizado em 28 de agosto, traz as estimativas de 24 consultorias e empresas especializadas para o resultado do ciclo 2019/20.

Confira, na versão completa, os comentários das maiores consultorias e empresas especializadas do setor e suas estimativas para:

- Moagem total
- Produção de açúcar e de etanol
- Etanol anidro x hidratado
- Mix de produção
- Qualidade da cana-de-açúcar (kg ATR/t)
- ATR total da safra


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