Terminou o prazo para as distribuidoras de combustíveis comprovarem suas metas individuais de compras de créditos de descarbonização (CBios) referentes a 2022. Entre janeiro de 2022 e a última sexta-feira, 29, foram retirados de circulação 38,66 milhões de CBios. Só na última quinzena, 3,84 milhões de papéis foram aposentados.
O objetivo estabelecido para o programa RenovaBio, de 35,98 milhões de títulos, foi definido em outubro de 2021 e estava previsto para ser entregue até dezembro de 2022. O limite, entretanto, foi alongado pelo governo anterior até o final de setembro deste ano.
Assim, além da meta ter sido tecnicamente atendida, há 2,68 milhões de créditos excedentes para 2023.

Como a B3, única entidade registradora do RenovaBio, não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa.
Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
O objetivo deste ano, de 37,47 milhões de títulos, deverá ser atendido até março de 2024. Já o de 2024 precisará ser cumprido até dezembro do mesmo ano.
A alta nos preços dos créditos foi a principal razão para a alteração dos prazos. O valor dos CBios chegou a cair ainda no final de 2022, alcançando uma média de R$ 99,74, mas em fevereiro já voltou a superar a marca de R$ 100.
Tecnicamente, a meta poderia ter sido alcançada em novembro 2022. Naquele momento, as produtoras de biocombustíveis já tinham emitido cerca de 26,47 milhões de títulos no ano. Somado aos CBios em circulação, o montante chegava a 36,92 milhões.
No início de janeiro de 2023, entretanto, apenas 16,82 milhões de créditos tinham sido aposentados.
Em 2 de outubro, a B3 iniciou a sessão com 27,95 milhões de CBios em circulação. Do total, 63,8%, ou 17,83 milhões de créditos, estavam em posse das distribuidoras que têm metas a cumprir no programa.
Já as usinas certificadas detinham 8,91 milhões de CBios, o equivalente a 31,9% do montante. Por fim, os 1,21 milhão restantes (4,3%) estavam com investidores sem metas.

Os créditos atualmente em circulação já seriam suficientes para alcançar 74,6% da meta total de 2023, de 37,47 milhões de CBios.
Para 2024, por sua vez, o Ministério de Minas e Energia (MME) propôs uma redução da meta prevista anteriormente, para 38,78 milhões de créditos. A revisão dos valores está em consulta pública.
Na segunda quinzena de setembro, os preços dos créditos apresentaram sua terceira queda consecutiva. No período, o valor médio dos títulos foi de R$ 121,79, retração de 2,9% ante a primeira metade do mês.
Os números são resultado de cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados da B3.
Apesar da diminuição, o preço ficou 7,4% acima da média de 2023, de R$ 113,40, e 44,2% além da média histórica do programa, de R$ 84,48.

Ainda segundo a B3, na quinzena, foram comercializados 2,41 milhões de CBios, alta anual de 16,1%. No mesmo período de 2022, 2,08 milhões de créditos foram negociados.
No período, os preços oscilaram entre R$ 118 e R$ 145,1. O valor mais alto foi registrado no dia 18, enquanto o menor foi visto em 21 de setembro.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
A registradora afirmou ao NovaCana que as negociações a termo já estão disponíveis em seu sistema. De acordo com a entidade, as operações serão divulgadas na data de registro e, caso não sejam liquidadas, serão retiradas do histórico.
Na segunda quinzena de setembro, as usinas certificadas registraram um acréscimo anual de 0,7% na emissão de títulos, totalizando 1,77 milhão de títulos. No acumulado do ano foram gerados 24,93 milhões de CBios, alta de 8,8% ante 2022.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 325 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.
Dentre as 283 usinas de etanol certificadas, 270 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; seis, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Desde o início do programa até agora, 105,54 milhões de CBios já foram emitidos pelas usinas.
Giully Regina – NovaCana
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