Com a mistura de biodiesel fixada em 10% e um etanol pouco competitivo nos postos, o número de créditos de descarbonização (CBios) emitidos em 2022 segue subindo a um ritmo mais lento em comparação com o ano passado.
Na primeira quinzena de novembro, as usinas certificadas no programa RenovaBio escrituraram 870,71 mil CBios, uma queda de 53,3% em relação à metade final do mês anterior, quando foram emitidos 1,86 milhão de créditos. Em relação ao mesmo período de 2021, a retração foi de 3,6%.
Com isso, o volume de títulos emitidos neste ano chegou a 26,47 milhões, retração de 0,7% em comparação com o visto no mesmo período de 2021.

Entretanto, considerando também os estoques de anos anteriores, o total de créditos disponibilizados ao mercado sobe para 36,92 milhões. Este volume seria suficiente para cobrir a meta oficial para 2022, de 35,98 milhões de CBios.
Desde a implementação do RenovaBio até o momento, 75,95 milhões de CBios já foram escriturados.
Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de CBios realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do RenovaBio.

Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 317 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel.
Dentre as 282 usinas de etanol certificadas, 271 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Na primeira quinzena de novembro, o preço dos CBios ficou entre R$ 92 e R$ 103. O maior valor foi visto nos dias 3 e 7, enquanto o menor foi registrado no dia 9.
Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 1 mil. Neste ano, por sua vez, os preços variaram entre R$ 31,99 e R$ 1 mil.

Segundo cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados da B3, os papéis foram negociados, em média, a R$ 101,52 no período. O valor está 10,6% acima da segunda metade de outubro e corresponde à quarta alta quinzenal consecutiva para os CBios.
O preço atual também está 41,7% acima da média histórica do programa, de R$ 71,66, e ainda é 158,3% maior do que a média de 2021, de R$ 39,31. Ainda assim, está 10,4% abaixo dos R$ 113,36 de 2022.

De acordo com a B3, 2,41 milhões de CBios foram negociados na quinzena, queda de 39% em relação a quinzena anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a retração chegou a 12,8%.
“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
Em 16 de novembro, 28,9 milhões de créditos estavam em circulação. Deste total, 79% estavam sob posse das distribuidoras com metas a cumprir, somando 22,84 milhões de CBios. Já 5,57 milhões, ou 19,3%, estavam com as usinas certificadas. Por fim, investidores sem metas detinham os 488,17 mil títulos restantes (1,7%).

Ao todo, 8,02 milhões de créditos já foram aposentados ao longo do ano, com 326,07 mil saindo de circulação nesta última quinzena.
Conforme decreto do Ministério de Minas e Energia, as distribuidoras têm até 30 de setembro de 2023 para aposentar os volumes relativos aos seus objetivos individuais referentes a 2022. Já as obrigações de 2023 deverão ser entregues até 31 de março de 2024.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte das aposentadorias seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias de 2022 devem ser contabilizadas em 2023.
Giully Regina – NovaCana
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