Ranking dos maiores setores da economia em 2018 traz oito indicadores econômico-financeiros; empresas de açúcar e etanol apresentam ligeira recuperação
As mudanças observadas na política brasileira nos últimos anos têm gerado altos e baixos nos resultados de empresas de diversos setores da economia. De 2016 para cá, em geral, o clima é de atenção, mas houve um certo respiro em relação às possibilidades de aperto financeiro.
O setor sucroenergético, em particular, vem passando por um período de cautela. Após anos de forte crise econômica e baixos investimentos nos canaviais, a produtividade no campo segue sendo um gargalo. Com isso, a interferência do clima é sentida com bastante impacto, especialmente nos canaviais mais velhos, que são a realidade da maior parte do país.
De forma mais ampla, os desafios e alentos de vários setores da economia do país – inclusive do sucroenergético – são demonstrados nos resultados divulgados pelo Valor 1000. A publicação traz uma relação dos resultados financeiros das mil empresas de maior receita líquida do país.
A partir destes dados, o NovaCana reuniu os desempenhos médios dos 25 setores da economia contemplados, comparando o resultado financeiro da elite sucroenergética com as maiores companhias de outros ramos por meio de oito indicadores.
Na análise mais recente, referente a 2018, o setor de açúcar e etanol apresentou resultados médios um pouco superiores frente ao ano anterior, melhorando seus números em três indicadores – contra apenas um na comparação entre 2016 e 2017.
Ainda assim, as companhias estão acima da média em apenas três deles, os mesmos da análise anterior: margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), liquidez corrente e giro do ativo. Estes resultados podem indicar uma preocupação das usinas na melhora de seus resultados operacionais.
Além disso, observando os indicadores restantes, as companhias do setor perderam posições em quatro deles e mantiveram em um, tendo registrado valores bem abaixo da média.
Confira o resultado das 39 maiores companhias sucroenergéticas em oito indicadores. As empresas consideradas para os cálculos foram (em ordem alfabética): Adecoagro, Atvos, Balbo, Barralcool, Batatais, Bazan, Bevap Bioenergia, Biosev, Bunge, Cerradinho Bioenergia, Clealco, CMAA, Cocal, Companhia Agrícola Colombo, Colombo, Copersucar, Coruripe, Da Mata Açúcar e Álcool, Delta Sucroenergia, Ferrari Agroindústria, Goiasa, Iaco Agrícola, Ipiranga Agroindustrial, Jalles Machado, Lincoln Junqueira, Maringá, Melhoramentos, Nardini, Olho D'Água, Santa Adélia, Santa Fé, Santa Isabel, Santa Terezinha, São João, São Manoel, São Martinho, Tereos Internacional, Usina da Pedra e Zilor.
As mudanças observadas na política brasileira nos últimos anos têm gerado altos e baixos nos resultados de empresas de diversos setores da economia. De 2016 para cá, em geral, o clima é de atenção, mas houve um certo respiro em relação às possibilidades de aperto financeiro.
O setor sucroenergético, em particular, vem passando por um período de cautela. Após anos de forte crise econômica e baixos investimentos nos canaviais, a produtividade no campo segue sendo um gargalo. Com isso, a interferência do clima é sentida com bastante impacto, especialmente nos canaviais mais velhos, que são a realidade da maior parte do país.
De forma mais ampla, os desafios e alentos de vários setores da economia do país – inclusive do sucroenergético – são demonstrados nos resultados divulgados pelo Valor 1000. A publicação traz uma relação dos resultados financeiros das mil empresas de maior receita líquida do país.
A partir destes dados, o NovaCana reuniu os desempenhos médios dos 25 setores da economia contemplados, comparando o resultado financeiro da elite sucroenergética com as maiores companhias de outros ramos por meio de oito indicadores.
Na análise mais recente, referente a 2018, o setor de açúcar e etanol apresentou resultados médios um pouco superiores frente ao ano anterior, melhorando seus números em três indicadores – contra apenas um na comparação entre 2016 e 2017.
Ainda assim, as companhias estão acima da média em apenas três deles, os mesmos da análise anterior: margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), liquidez corrente e giro do ativo. Estes resultados podem indicar uma preocupação das usinas na melhora de seus resultados operacionais.
Além disso, observando os indicadores restantes, as companhias do setor perderam posições em quatro deles e mantiveram em um, tendo registrado valores bem abaixo da média.
O resultado foi obtido com base nos números das 39 maiores companhias sucroenergéticas. As empresas consideradas para os cálculos foram (em ordem alfabética): Adecoagro, Atvos, Balbo, Barralcool, Batatais, Bazan, Bevap Bioenergia, Biosev, Bunge, Cerradinho Bioenergia, Clealco, CMAA, Cocal, Companhia Agrícola Colombo, Colombo, Copersucar, Coruripe, Da Mata Açúcar e Álcool, Delta Sucroenergia, Ferrari Agroindústria, Goiasa, Iaco Agrícola, Ipiranga Agroindustrial, Jalles Machado, Lincoln Junqueira, Maringá, Melhoramentos, Nardini, Olho D'Água, Santa Adélia, Santa Fé, Santa Isabel, Santa Terezinha, São João, São Manoel, São Martinho, Tereos Internacional, Usina da Pedra e Zilor.
Receita líquida média
O indicador da receita líquida é um dos quais as 39 companhias que representam o setor de açúcar e etanol ficaram abaixo da média dos 25 setores, como vem ocorrendo desde 2014. O valor registrado em 2018, inclusive, foi o menor de todos eles: R$ 2,34 bilhões, enquanto a média dos setores ficou em R$ 3,98 bilhões.
Inclusive, as variações na comparação com 2017 foram bem distintas. Enquanto o setor caiu 2,35% entre os dois anos, a média de todos os setores subiu 11,92%, o que se deveu principalmente à melhora para os setores de petróleo e gás, alimentos e bebidas, e energia elétrica.

No ranking geral, o setor sucroenergético caiu uma posição em relação ao ano anterior, chegando ao 12º lugar e ficando atrás de água e saneamento, que teve uma melhora de 10,34% entre os dois anos.

O indicador é bastante relevante por ser utilizado para selecionar as mil maiores empresas do país no ranking da publicação. Ele representa o resultado operacional das companhias, já com a dedução de impostos, descontos e devoluções.
O NovaCana já apresentou os dados das 39 maiores sucroenergéticas, com rankings por companhia. Clique aqui para saber mais.
Liquidez corrente
Outro indicador no qual o setor sucroenergético apresentou queda em 2018 foi o de liquidez corrente. Este valor é calculado pela divisão do ativo circulante (bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro em curto prazo) sobre o passivo circulante (obrigações que devem ser pagas dentro de um ano como dívidas, empréstimos, impostos e outras contas).

No índice, as companhias de açúcar e álcool terminaram 2018 com 1,64 ponto, 0,61% a menos do que o 1,65 ponto de 2017, quando teve um crescimento de 58,65%. Mesmo com a queda, o desempenho segue acima da média dos 25 setores, que ficou com 1,35 ponto após o crescimento de 4,65% entre os dois anos.

Como a redução do indicador para o setor sucroenergético foi pequena entre os dois anos, ele manteve a 10ª posição, a mesma obtida em 2017.
Rentabilidade patrimonial
Já o indicador da rentabilidade patrimonial é calculado pela relação entre o resultado líquido e o patrimônio líquido no fim do exercício, representando a capacidade da empresa de lucrar em relação ao tamanho da companhia. É o indicador clássico de lucratividade.
Nele, o setor sucroenergético também apresentou queda – e pelo segundo ano consecutivo –, ainda que menor em relação à diminuição vista na análise anterior. A redução de 9,1% entre 2017 e 2018 fez com que indicador setorial se mantivesse abaixo da média, especialmente por ela ter subido 54,7% no comparativo.

Assim, as companhias de açúcar e etanol ainda caíram duas posições – depois da queda de 14 posições em 2017 – e chegaram ao 20º lugar da relação. Isso indica que, novamente, as companhias não compartilharam do alívio econômico demonstrado pelas demais empresas brasileiras no geral.

Entre todos os setores, o destaque ficou com as melhoras para TI e telecom, mecânica, e farmacêutica e cosméticos.
Cobertura de juros
O pior indicador para o setor sucroenergético em 2018 foi a cobertura de juros – pelo menos, foi a maior queda, indo no sentido contrário à melhora observada no ano anterior. Ainda assim, mesmo com a redução de 19,77% entre os dois anos, o resultado ainda é o segundo maior no índice desde 2014.

Com a piora no indicador, o setor caiu duas posições e ficou em 20º lugar. O desempenho também segue abaixo da média geral, que aumentou graças à melhoria para os serviços especializados – de resto, os setores analisados praticamente mantiveram seus resultados.

Este resultado significa que as usinas sucroenergéticas não se beneficiaram tanto quanto outros setores de um contexto econômico em que a cobertura de juros sofreu uma elevação de forma geral.
A cobertura de juros, valor obtido pela divisão do Ebitda pelas despesas financeiras, expressa a capacidade das empresas de lidar com o pagamento dos juros dos empréstimos e financiamentos. Assim, em um setor que sofre com o alto endividamento, como é o caso do sucroenergético, esse índice se torna particularmente relevante.
Crescimento sustentável
Um dos índices nos quais o setor sucroenergético demonstrou melhora entre 2017 e 2018 foi o de crescimento sustentável, obtido pela divisão do percentual de aumento da receita líquida pelo percentual de aumento do patrimônio líquido ajustado (isento da reserva de reavaliação).
Porém, mesmo com a melhora de 0,77%, chegando a 0,9130 pontos, as empresas de açúcar e etanol estão longe do ideal – que é o mais próximo de um ponto, uma vez que a equivalência entre os dados é considerada desejável.

Ainda assim, no comparativo entre setores, as sucroenergéticas subiram três posições em 2018, chegando ao 18º lugar. Isso foi possível, especialmente, pela queda do desempenho de TI e telecom (da sexta para a 19ª posição), de veículos e peças (da 20ª para a 21ª), e de agropecuária (da oitava para a 22ª).

O setor de açúcar e etanol também ficou abaixo da média geral, que subiu e se afastou mais do que é considerado ideal.
Margem Ebitda
Já na margem Ebitda, o resultado do setor sucroenergético subiu 4,64%, atingindo o maior valor desde 2014. Com isso, ele segue acima da média dos setores, conforme observado em todo o período. A média geral, por sua vez, também tem subido nos anos analisados.

Desta forma, o setor subiu uma posição e ficou em nono lugar, atingindo 20,3%. A média das mil maiores empresas terminou 2018 com 18,3% – um pouco maior que os 17% de 2016. Neste indicador, o destaque ficou com papel e celulose, que subiu 23,16% entre os dois anos.

O indicador compara empresas de diferentes portes em relação a sua capacidade de lucrar, desconsiderando fatores como a necessidade do pagamento de juros ou até mesmo taxações diferenciadas por setor.
A relação entre o Ebitda e a receita líquida indicam o desempenho operacional das empresas. A melhora observada para o setor significa um aumento na sua rentabilidade operacional.
Margem da atividade
A margem da atividade é obtida pela divisão do resultado operacional pelo total da receita líquida. Desta maneira, o indicador demonstra a capacidade das empresas de efetivamente lucrar com seus produtos e serviços, considerando aspectos ignorados pela margem Ebitda.
Em 2018, o setor sucroenergético registrou um aumento de 3,7% após sucessivas quedas desde 2015. Ainda assim, ele segue abaixo da média das mil empresas, que também cresceu no comparativo, mas mais: 17,98%. Essa melhora na média geral se deve ao fato de que, em 2017, dois setores registraram resultado negativo, mas, no ano passado, todos os desempenhos foram positivos.

Assim, o setor se manteve no 17º lugar e demonstra que, em geral, segue comprometido com o pagamento de dívidas e as taxas de depreciação dos ativos industriais e agrícolas

Giro do ativo
O índice no qual o setor sucroenergético registrou a maior melhora em 2018 foi o de giro do ativo. O dado, obtido pela divisão da receita líquida pelo total do ativo, mostra o aproveitamento dos ativos no exercício. Neste caso, o resultado das sucroenergéticas subiu 122,08% na comparação com 2017.

Com isso, o setor passou do 11º para o segundo lugar na lista dos 25 setores e se distanciou ainda mais da média – mesmo que ela tenha sido a maior dos últimos anos –, mantendo a tendência observada desde 2014.

A mudança no resultado das empresas de açúcar e etanol registra uma melhora na capacidade de geração de faturamento de acordo com o tamanho das companhias, o que pode gerar um alívio financeiro para muitas delas.
NovaCana DATA
Rafaella Coury – NovaCana