Companhia, que está em recuperação judicial, teve uma queda de 20% na receita em comparativo anual
A safra 2019/20 foi um período de decisões difíceis para a Clealco. Em recuperação judicial desde julho de 2018, o grupo optou por manter apenas uma de suas três unidades em operação. Segundo a companhia, o volume de cana-de-açúcar moído caiu 41% na comparação anual, de 5,8 milhões para 4,1 milhões de toneladas.
Além disso, a venda da usina Queiroz, localizada no município paulista de mesmo nome, não foi aprovada pelos credores.
Para a safra atual, a companhia retomou as atividades da usina em Clementina (SP) – agora, apenas a unidade de Penápolis (SP) segue parada – e conseguiu a aprovação de mudanças em seu plano de recuperação. Ainda assim, reverter a sequência de prejuízos pode ser um desafio.
Em 2019/20, a Clealco registrou um resultado líquido negativo de R$ 286,65 milhões. Por mais que o valor seja 209,1% maior que o prejuízo visto na safra anterior, ele ainda fica aquém das perdas de R$ 577,88 milhões contabilizadas em 2017/18.
Segundo os números divulgados pela companhia, o resultado veio acompanhado de uma redução de 20,4% nas receitas.
No texto completo, saiba mais sobre os resultados financeiros da Clealco:
- Histórico do lucro líquido e do lucro bruto
- Relação entre receitas e custos
- Balanço financeiro: receitas, despesas e impacto do câmbio
- Outras despesas da companhia
- Perfil da dívida
A safra 2019/20 foi um período de decisões difíceis para a Clealco. Em recuperação judicial desde julho de 2018, o grupo optou por manter apenas uma de suas três unidades em operação. Segundo a companhia, o volume de cana-de-açúcar moído caiu 41% na comparação anual, de 5,8 milhões para 4,1 milhões de toneladas.
Além disso, a venda da usina Queiroz, localizada no município paulista de mesmo nome, não foi aprovada pelos credores.
Para a safra atual, a companhia retomou as atividades da usina em Clementina (SP) – agora, apenas a unidade de Penápolis (SP) segue parada – e conseguiu a aprovação de mudanças em seu plano de recuperação. Ainda assim, reverter a sequência de prejuízos pode ser um desafio.
Em 2019/20, a Clealco registrou um resultado líquido negativo de R$ 286,65 milhões. Por mais que o valor seja 209,1% maior que o prejuízo visto na safra anterior, ele ainda fica aquém das perdas de R$ 577,88 milhões contabilizadas em 2017/18.

Segundo os números divulgados pela companhia, o resultado veio acompanhado de uma redução de 20,4% nas receitas, que fecharam a temporada em R$ 619,46 milhões. Por sua vez, os custos também caíram, mas a uma taxa menos acelerada, de 10%. Desta forma, as despesas com produtos vendidos somaram R$ 550,98 milhões na temporada.
Para efeitos de comparação, em 2018/19, os custos representaram o equivalente a 78,7% das receitas da Clealco. Já na temporada passada, a relação subiu para 88,9%, diminuindo as margens da companhia em mais de 10 pontos percentuais.
Entretanto, a Clealco já registrou custos de produção superiores às receitas em duas safras recentes. Em 2017/18, a relação foi de 100,6%; já em 2013/14, o índice chegou a 107,4%.

Com isso, o lucro bruto da sucroenergética foi de R$ 68,48 milhões em 2019/20 – uma queda de 58,78% em relação à safra anterior, quando a Clealco obteve R$ 166,14 milhões.

Outros gastos
Embora a Clealco tenha apresentado reduções em suas despesas administrativas, gerais e com vendas, o valor desta economia foi ultrapassado por perdas contabilizadas como “outras receitas e despesas operacionais”.
Estes gastos, que não foram detalhados no balanço financeiro divulgado pela empresa, configuraram uma despesa de R$ 86,96 milhões na temporada. Na safra 2018/19, em contrapartida, a mesma categoria apresentou um rendimento positivo de R$ 118,53 milhões.
Por fim, ainda que o resultado financeiro da Clealco tenha sido negativo em R$ 176,69 milhões, este valor foi 22% menor que as perdas de R$ 234,85 milhões vistas na safra anterior.

Esta relativa melhora foi possível principalmente por conta do aumento das receitas financeiras, que passaram de R$ 5,86 milhões em 2018/19 para R$ 137,03 milhões na safra encerrada em março deste ano.
Ainda que a Clealco não tenha divulgado a origem do valor, ele pode ser referente a juros recebidos, descontos obtidos, lucros em operação de reporte, prêmios de resgate de títulos ou debêntures e a rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa.
Além disso, a companhia registrou uma menor despesa financeira, que totalizou R$ 93,98 milhões na temporada. Neste caso, o valor se refere principalmente a juros pagos ou incorridos durante o período.
Em contrapartida, a variação cambial levou a um impacto negativo de R$ 218,3 milhões em 2019/20, ante R$ 105,47 milhões na safra anterior. A Clealco não registra uma variação líquida positiva referente ao câmbio desde 2016/17.
Perfil da dívida
De acordo com o balanço financeiro divulgado – referente à posição em 31 de março de 2020 –, ao longo da safra 2020/21, a Clealco teria o vencimento de uma dívida de R$ 1,22 bilhão com empréstimos e financiamentos. Este valor representa um aumento de 10,3% ante a posição vista um ano antes, quando os débitos com vencimentos em 2019/20 eram de R$ 1,11 bilhão.
Além disso, as dívidas com vencimento em médio e longo prazos somavam R$ 32,37 milhões. No encerramento da safra passada, este valor estava oficialmente zerado.

No final de junho, entretanto, os credores do grupo aprovaram mudanças no plano de recuperação judicial da companhia, o que incluiu novos prazos para o pagamento da dívida. Agora, a Clealco tem até o fim de 2025 para quitar cerca de 80% de seus débitos.
Somados, os endividamentos com empréstimos e financiamentos chegavam a R$ 1,25 bilhão em 31 de março.
Renata Bossle – NovaCana