Agência de classificação de risco deu a nota A- (escala nacional) para a sucroenergética; perspectiva é estável
Em sua primeira avaliação relativa ao grupo Zilor, a agência de classificação de risco Fitch Ratings acredita que o grupo sucroenergético se enquadra entre as melhores companhias do setor. A empresa recebeu a nota A- em escala nacional e sua perspectiva foi considerada estável, indicando que há poucas chances de um rebaixamento em futuras avaliações.
“A perspectiva estável reflete a visão da Fitch de que a Zilor preservará seus adequados indicadores de crédito, sustentados pela liquidez satisfatória, pela tendência de redução da alavancagem e por sua flexibilidade financeira acima da média”, aponta o relatório da agência.
Além disso, a mesma nota foi atribuída à proposta da Zilor para a emissão de debêntures no valor de R$ 250 milhões. Os papéis serão oferecidos sem garantia e em três séries, com vencimentos em cinco, sete e 10 anos. “A análise se baseia no balanço combinado da Zilor e da Companhia Agrícola Quatá, que é a proprietária das terras do grupo”, afirma a Fitch.
De acordo com o cenário-base da Fitch, a Zilor deve ter um fluxo de caixa livre “levemente positivo” nos próximos três anos, apoiado no bom desempenho da Biorigin e na gradual melhora do ambiente de negócios para o etanol.
Focada em biotecnologia, a Biorigin produz levedura, extratos de levedura, aromas naturais, derivados para alimentação humana, entre outros.
Saiba mais sobre a avaliação feita pela Fitch Ratings no texto completo (exclusivo para assinantes):
- Comparativo com outras companhias do setor
- Vantagens e desvantagens do alto índice de cana de terceiros
- Perspectivas de moagem e produtividade agrícola
- Projeções para finanças da Zilor nas próximas três safras
- Fatores que podem levar a rebaixamento ou elevação da nota
- Perspectivas e desafios do setor de etanol
Em sua primeira avaliação relativa ao grupo Zilor, a agência de classificação de risco Fitch Ratings acredita que o grupo sucroenergético se enquadra entre as melhores companhias do setor. A empresa recebeu a nota A- em escala nacional e sua perspectiva foi considerada estável, indicando que há poucas chances de um rebaixamento em futuras avaliações.
“A perspectiva estável reflete a visão da Fitch de que a Zilor preservará seus adequados indicadores de crédito, sustentados pela liquidez satisfatória, pela tendência de redução da alavancagem e por sua flexibilidade financeira acima da média”, aponta o relatório da agência.
Além disso, a mesma nota foi atribuída à proposta da Zilor para a emissão de debêntures no valor de R$ 250 milhões. Os papéis serão oferecidos sem garantia e em três séries, com vencimentos em cinco, sete e 10 anos. “A análise se baseia no balanço combinado da Zilor e da Companhia Agrícola Quatá, que é a proprietária das terras do grupo”, afirma a Fitch.
De acordo com o cenário-base da Fitch, a Zilor deve ter um fluxo de caixa livre “levemente positivo” nos próximos três anos, apoiado no bom desempenho da Biorigin e na gradual melhora do ambiente de negócios para o etanol.
Focada em biotecnologia, a Biorigin produz levedura, extratos de levedura, aromas naturais, derivados para alimentação humana, entre outros.
A Zilor no mercado sucroenergético
Segundo a agência, a nota reflete a “relevante escala” da Zilor no setor sucroenergético brasileiro, que é classificado como volátil. Atualmente, o grupo controla três usinas em São Paulo e tem capacidade de moagem de 12,2 milhões de toneladas de cana por safra.
“O modelo de negócios da companhia é diferenciado e lhe permite atenuar os impactos negativos dos ciclos de baixa nos preços das commodities e a queda na demanda de etanol”, aponta a Fitch.
Em comparação com outras sucroenergéticas, o relatório observa que a Zilor está dois degraus abaixo do patamar da Jalles Machado, classificada como A+. A Fitch justifica que a Jalles Machado possui um melhor desempenho operacional e um mix de produtos que proporciona um custo-caixa mais competitivo, com geração de fluxo de caixa livre positivo.
Além disso, a nota da Zilor coincide com a classificação da Santo Ângelo. De acordo com a Fitch, as duas companhias possuem uma posição de liquidez similar, mas a Zilor é beneficiada por possuir 35 mil hectares de terras livres de garantia, com valor de mercado superior a R$ 1 bilhão.
“Apesar de a Zilor ter escala significativamente superior e elevada participação no mercado, a Santo Ângelo se beneficia de rendimentos agrícolas significativamente superiores, de custo-caixa mais competitivo e de um perfil financeiro mais conservador, com estrutura de capital menos alavancada”, pondera.

De maneira geral, o relatório da agência observa que a Zilor possui uma flexibilidade menor de produção de açúcar em comparação com as outras empresas do setor classificadas pela Fitch. A atual fixação da commodity, entretanto, será suficiente para beneficiar a geração de fluxo de caixa.
“O rating também considera a elevada capacidade de cogeração de energia da Zilor e sua unidade de negócios Biorigin, que possui forte perfil exportador e é focada na venda de ingredientes para o mercado de matéria-prima de nutrição humana e animal”, afirma e completa: “Estes fatores contribuem para a diversificação e a maior resiliência do fluxo de caixa da empresa, diante de cenários desafiadores ao longo do ciclo da indústria sucroenergética brasileira”.
Produtividade no campo
Outro ponto destacado pela Fitch foi a origem da cana-de-açúcar da Zilor, que tem 75% de participação de matéria-prima de fornecedores – um índice acima da média da região –, o que deve permitir uma redução dos impactos causados pela queda na demanda de etanol vista neste ano.
No passado, a agência já declarou que a presença de um alto índice de cana própria pode deixar as sucroenergéticas mais suscetíveis a problemas financeiros.
Em contrapartida, a Fitch afirma que a Zilor está mais exposta a condições climáticas que as outras companhias analisadas. De acordo com o relatório, a sucroenergética tem um desempenho agrícola abaixo da média: “A companhia reportou índice de produtividade combinado médio de 9,8 toneladas de açúcar total recuperável (ATR) por hectare nas três últimas safras, montante 3% abaixo da média observada no Centro-Sul do país no período”.
Além disso, a perspectiva é de que a produtividade agrícola permaneça constante pelas próximas três safras, o que pode ter implicações negativas para o custo-caixa. O cenário da agência prevê uma moagem de 10,4 milhões de toneladas em 2020/21 e uma média de 10,6 milhões de toneladas para as duas temporadas seguintes.
Com isso, a utilização de capacidade instalada deve ficar em 86%, o que a agência classifica como um “patamar relativamente baixo”.
Ainda conforme a Fitch, o mix de produção da Zilor deve ficar “equilibrado” em 2020/21. Para os anos seguintes, a perspectiva é que 60% da matéria-prima seja direcionada para o etanol e 40% para o açúcar.
Perspectivas financeiras
Em suas projeções, a Fitch acredita que a Zilor terá um fluxo de caixa livre “levemente positivo” nos próximos três anos, de R$ 20 milhões. Especificamente nesta e na próxima temporada, a sucroenergética deve alcançar uma receita líquida média de R$ 2,3 bilhões, com margem Ebitda de 28%, o que representa uma melhora ante a receita de R$ 2,1 bilhões e a margem de 27% vistos em 2019/20.
“A recuperação dos preços do etanol esperada em 2021 e o impacto positivo do câmbio nos preços dos produtos da Biorigin estão entre os principais fatores considerados”, aponta o relatório. “A Fitch também acredita que a Biorigin manterá a utilização plena de sua capacidade instalada, produzindo volumes superiores a 40 mil toneladas nos próximos anos”.
Para a safra 2020/21, a expectativa é de um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 623 milhões, que deve subir para R$ 678 milhões na safra seguinte. Além disso, também foi previsto um fluxo de caixa das operações de R$ 395 milhões para a atual temporada e de R$ 499 milhões para 2021/22.
Em relação à alavancagem, a expectativa é de uma redução ao longo dos próximos anos. O cenário elaborado pela Fitch prevê uma alavancagem líquida (medida pela dívida líquida em relação ao Ebitda) de 3 vezes em 2020/21, o que já representa uma diminuição ante o resultado de 3,5 vezes visto ao final da safra passada. Já em 2021/22, a alavancagem líquida deve cair para 2,4 vezes.
De acordo com a Fitch, a liquidez da Zilor foi classificada como “adequada”. Isso significa que a agência espera que a sucroenergética mantenha um risco de refinanciamento “administrável” nos próximos três anos, com um índice de cobertura da dívida de curto prazo em relação ao caixa próximo a 1 vez. Pelas projeções da agência, ao final da atual safra, o caixa da Zilor deve totalizar R$ 1 bilhão, enquanto a dívida de curto prazo deve ser R$ 890 milhões.
A Fitch ainda relembra que, em 30 de junho de 2020, a dívida total da Zilor era de R$ 3 bilhões, o que incluía R$ 221 milhões em garantias prestadas a favor de fornecedores de cana. Segundo o relatório, 45% da dívida era composta por linhas de capital de giro, 20% por Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), 12% por pré-pagamento de exportações, 8% por linhas com a Copersucar, 7% por garantias prestadas a favor de fornecedores de cana e 8% por outros itens.
Sobe e desce
Embora a perspectiva estável indique que a Fitch não acredita na possibilidade de um rebaixamento em futuras avaliações, o relatório da agência aponta fatores que podem levar a uma diminuição ou a uma elevação da nota da Zilor.
De acordo com o documento, a Zilor pode ter uma elevação em sua nota caso seja vista uma melhora contínua no desempenho operacional da companhia. Para a Fitch, isto significa um aumento da produtividade agrícola e industrial, com redução do custo-caixa de produção.
Além disso, a agência ainda cita uma alavancagem abaixo de 3 vezes e um fluxo de caixa livre positivo de forma recorrente como outros fatores positivos.
Em contrapartida, uma queda na classificação pode ocorrer caso a Biorigin perca participação nos negócios da Zilor de forma recorrente, resultando em margens Ebitda “permanente baixas”. Além disso, o registro de uma alavancagem acima de 4 vezes também seria capaz de levar a um rebaixamento.
Por fim, outro fator negativo apontado é uma possível alteração significativa no fluxo de recebimentos dos precatórios do Instituto de Açúcar e Álcool (IAA). A Zilor foi uma das empresas beneficiadas pela ação judicial movida pela Copersucar e, segundo a Fitch, uma mudança nestes pagamentos poderia impactar a capacidade de liquidação da sucroenergética.
Isto, entretanto, é considerado improvável. “A agência acredita que o fluxo de recebimento dos recursos indenizatórios da ação movida pela Copersucar contra o Governo Federal não sofrerá alteração significativa nos próximos anos”, aponta a Fitch.
A princípio, o cenário-base da agência prevê a utilização destes recursos para amortizar parte da dívida. Em 2019/20, a Zilor recebeu R$ 218 milhões líquidos de impostos. Já para 2010/21, a expectativa é a entrada de R$ 231 milhões – um valor que já está comprometido com a amortização da dívida. Até 2026, a projeção é que a Zilor receba R$ 930 milhões.
Desafios pela frente
Segundo a Fitch, o setor de açúcar e etanol tem um risco elevado. O relatório justifica isso ao apontar a existência de “intensa volatilidade” de preços – tanto para o açúcar quanto para o etanol –; o acesso abaixo da média a linhas de crédito; o impacto das condições climáticas na produção agrícola e na diluição de custos; e a exposição cambial.
Mas há esperanças: “A Fitch acredita que a combinação dos preços atuais com a desvalorização do real permitirá a fixação dos preços do açúcar em reais em patamares atrativos”.
Em suas projeções, a agência visualiza preços internacionais médios de 13,50 centavos de dólar por libra-peso em 2021 e 2022, incluindo prêmio de polarização para o açúcar brasileiro. “A médio prazo, a Fitch espera elevação moderada dos preços médios internacionais”, conclui.
Para o etanol, o cenário é classificado como “mais desafiador”, com o hidratado sendo vendido por R$ 1,70 por litro na safra atual e R$ 1,90/L na seguinte. Além disso, o preço médio do petróleo Brent, de US$ 40 por barril, deve limitar um potencial aumento de preços do etanol até o final da safra atual.
A Fitch ainda estima que a demanda por combustíveis diminuirá entre 10% e 15% em 2020. “Embora as vendas de combustíveis tenham se recuperado com a flexibilização das medidas de distanciamento social, a expectativa de retração de 5,8% do Produto Interno Bruto brasileiro em 2020 terá impacto negativo nas vendas de combustíveis no país”, coloca.
Renata Bossle – NovaCana