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18 usinas de etanol estão em construção e podem acrescentar 9,29 mi l diários à oferta

Conforme a ANP, ao menos sete unidades são de etanol de milho. Novos empreendimentos podem ampliar oferta nacional em mais de 5% – entretanto, muitos estão com as obras paradas

NovaCana 9 min de leitura

A construção de novas usinas de etanol pode dimensionar o crescimento do setor, dando uma perspectiva da oferta para os próximos anos. Entretanto, é preciso observar que nem todas as usinas ditas em construção devem, de fato, sair do papel. Algumas unidades podem ficar anos “em obras”, sem qualquer previsão de conclusão.

Atualmente, conforme atualização de 24 de janeiro da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 18 usinas estão em construção. Segundo a ANP, elas poderiam acrescentar à oferta nacional, diariamente, 6,17 milhões de litros de etanol hidratado e 3,12 milhões de litros de anidro.

Destas usinas, pelo menos sete devem usar o milho como matéria-prima para a fabricação de etanol. Dentre as restantes, poucas informações foram disponibilizadas pela ANP e diversas unidades estão na lista há anos.

No momento, 359 unidades têm autorização para fabricar etanol no país. Somadas, elas podem produzir 263,33 milhões de litros do biocombustível ao dia – 171,43 milhões de hidratado e 91,90 milhões de anidro. Quando as ampliações notificadas à agência entram na conta, esse volume aumenta para 269,56 milhões de litros ao dia.

Já quando as construções são contabilizadas, o mercado teria disponível 278,85 milhões de litros do biocombustível ao dia. O volume é 5,89% maior do que o autorizado atualmente, sendo que 183,34 milhões seriam de hidratado e outros 95,51 milhões de anidro.

Dos 18 empreendimentos, o que detém a maior capacidade de produção diária é o Cluster de Bioenergia, localizado em Barra do Garças (MT), com 1,17 milhões de litros diários de hidratado e de anidro.

Confira, na versão completa, mais detalhes sobre os empreendimentos em construção.

A construção de novas usinas de etanol pode dimensionar o crescimento do setor, dando uma perspectiva da oferta para os próximos anos. Entretanto, é preciso observar que nem todas as usinas ditas em construção devem, de fato, sair do papel. Algumas unidades podem ficar anos “em obras”, sem qualquer previsão de conclusão.

Atualmente, conforme atualização de 24 de janeiro da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 18 usinas estão em construção. Segundo a ANP, elas poderiam acrescentar à oferta nacional, diariamente, 6,17 milhões de litros de etanol hidratado e 3,12 milhões de litros de anidro.

Destas usinas, pelo menos sete devem usar o milho como matéria-prima para a fabricação de etanol. Dentre as restantes, poucas informações foram disponibilizadas pela ANP e diversas unidades estão na lista há anos.

No momento, 359 unidades têm autorização para fabricar etanol no país. Somadas, elas podem produzir 263,33 milhões de litros do biocombustível ao dia – 171,43 milhões de hidratado e 91,90 milhões de anidro. Quando as ampliações notificadas à agência entram na conta, esse volume aumenta para 269,56 milhões de litros ao dia.

Já quando as construções são contabilizadas, o mercado teria disponível 278,85 milhões de litros do biocombustível ao dia. O volume é 5,89% maior do que o autorizado atualmente, sendo que 183,34 milhões seriam de hidratado e outros 95,51 milhões de anidro.

usinas construcao capacidade 20200120

No entanto, não há uma previsão de quando esta oferta estará disponível. Para completar, há a possibilidade de que usinas estejam em construção sem o conhecimento da ANP. Existem empreendimentos que foram anunciados pelas companhias e que não constam na lista da agência, por exemplo.

Uma delas é a usina da Millenium Bionergia em Bonfim (RR), que teve a pedra fundamental lançada em dezembro de 2019. Outra é a unidade da VMG Bioenergia em Jataí (GO), que recebeu uma área doada pela prefeitura do município, com perspectiva de investimentos de mais de R$ 550 milhões. Ambas pretendem fabricar etanol a partir do milho.

Também há o empreendimento do grupo Sérgio Parananhos, que vai implantar uma usina de cana-de-açúcar em Muquém do São Francisco (BA).

O NovaCana entrou em contato com a ANP para coletar dados sobre a matéria-prima a ser usada por cada usina, além de mais informações sobre o início e a projeção de término das construções. Porém, até o fechamento da reportagem, não obteve resposta.

As maiores obras estão paradas

Dos 18 empreendimentos divulgados pela ANP, o que detém a maior capacidade de produção diária é o Cluster de Bioenergia, localizado em Barra do Garças (MT), com 1,17 milhões de litros diários de hidratado e de anidro.

Em 2017, o site Olhar Direto noticiou que o Cluster Bioenergia havia investido R$ 1 bilhão para retomar a construção de usinas – nas quais já havia injetado R$ 50 milhões. A primeira fase de edificação seria justamente a unidade em Barra do Garças. Na sequência, a companhia pretendia construir mais duas, em Nova Xavantina e Água Boa, também em Mato Grosso.

Por enquanto, contudo, a primeira unidade segue no acompanhamento de obras da ANP e nenhum dos novos empreendimentos aparece na lista. Diferente da primeira, estas duas unidades seriam flex, aliando produção de etanol de cana e de milho.

usinas construção 20200120

O segundo maior empreendimento em volume é o da usina Rio Paraná, em Eldorado (MS). Conforme pessoas que trabalham no local, em entrevista ao NovaCana, a empresa está atuando somente com plantio e colheita, sem estrutura industrial, pois a construção da planta de etanol estaria parada.

A princípio, conforme comunicado pela ANP, a estimativa de produção diária da nova usina era de um milhão de litros de hidratado.

Com capacidade de produção estimada em 580 mil litros de hidratado e 310 mil de anidro, a usina Orbi Bioenergia, do grupo Campânia Energia Renovável, está em construção desde setembro de 2016, quando recebeu autorização da ANP para o início das obras.

De acordo com documento do Bradesco datado de janeiro de 2017, o grupo Cern investiu R$ 16,5 milhões na usina, incluindo a “realocação de uma unidade produtora de etanol do estado de São Paulo para Paranaíba (MS)”.

Em maio de 2018, entretanto, o NovaCana noticiou o abandono da edificação. À época, o grupo já havia recebido apoio financeiro do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO) após a liberação oficial de R$ 17,5 milhões em recursos autorizados pelo Conselho Monetário Nacional.

Esperança que vem do milho

De acordo com a relação da ANP, o grupo FS Bioenergia, joint venture da Summit Agricultural Group e Tapajós Participações, está construindo duas unidades – uma em Sorriso e outra em Nova Mutum, ambas em Mato Grosso. As usinas devem utilizar apenas milho como matéria-prima para a produção de etanol.

Conforme o CEO da companhia, Rafael Abud, em entrevista ao Valor Econômico em março de 2019, foi investido R$ 1 bilhão na unidade de Nova Mutum. O mesmo montante foi injetado na unidade de Sorriso (MT), com a expectativa de que a usina seja concluída em fevereiro deste ano.

Juntas, conforme os dados da ANP, as unidades teriam capacidade de produção diária de 1,64 milhão de litros de hidratado e 1,57 milhão de litros de anidro.

Embora ainda não estejam na relação da ANP, a expectativa é que a FS Bioenergia construa mais duas unidades, uma em Campo Novo do Parecis e outra em Primavera do Leste, também em Mato Grosso.

Ainda em Nova Mutum, existe outra unidade em construção. Trata-se de um investimento da Ethanol Indústria de Combustíveis, que também irá privilegiar o etanol de milho. Neste caso, a capacidade estimada é de 800 mil litros de hidratado por dia. As obras iniciaram em março de 2019.

Segundo noticiado à época, a indústria teria capacidade para processar 529 mil toneladas de matéria-prima ao ano.

Ainda em Mato Grosso, em Campo Novo dos Parecis, está sendo construída a usina Etamil Bioenergia, do grupo Coprodia. A unidade também usará milho como matéria-prima e terá capacidade de produção de 294 mil litros de etanol hidratado. Conforme vídeo publicado na rede social LinkedIn, a usina deve entrar em operação no segundo semestre deste ano.

Já em Nova Marilândia (MT), a cooperativa Alcooad está construindo uma unidade de etanol de milho com capacidade para 240 mil litros diários de hidratado. Em janeiro de 2018, o projeto foi aprovado pelo Colegiado da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), com consulta prévia de financiamento de R$ 230 milhões.

O mesmo órgão aprovou, em maio de 2016, a consulta prévia da empresa Energia da Terra Biocombustíveis para implantação de “projeto industrial integrado de produção de etanol e gás carbônico comprimido”, conforme documento publicado no mesmo mês. O Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) contribuiria com financiamento de R$ 71,05 milhões e a usina teria capacidade de produzir 50 mil litros de etanol ao dia.

Além disso, em 2017, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) liberou R$ 40 milhões para a Caramuru Alimentos realizar o projeto de fabricação de etanol a partir da soja – a primeira parcela de um financiamento de R$ 69 milhões para que ela funcionasse em dois anos. A própria empresa também faria um investimento na obra, de R$ 46 milhões.

Novas usinas e a ANP

Desde julho de 2018, a ANP passou a adotar novas regras em relação à construção de usinas. Até então, as companhias deviam enviar uma série de documentos para a agência, que poderia – ou não – autorizar as obras. Por meio de um marco regulatório, a ANP simplificou as exigências, acabando com a necessidade de solicitação para os novos empreendimentos.

Agora, as companhias devem apenas informar a ANP sobre o local, a capacidade de produção por tipo de produto, o investimento e o cronograma das obras, sendo que a agência poderá vistoriar a construção em qualquer etapa.

Para iniciar a operação, no entanto, são exigidos seis documentos, além do cumprimento de normas não só da ANP, mas também da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e da prefeitura, do Corpo de Bombeiros e do órgão ambiental competentes.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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