A geração por fontes renováveis alcançou 48% da disponibilidade total; volume energético ofertado pela cana-de-açúcar foi o maior da série histórica
O Brasil é referência quando se fala no desenvolvimento de energias limpas, ocupando a terceira posição no ranking de capacidade instalada da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês), realizado em 2020, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
Em 2020, a energia renovável foi responsável por 48,4% da oferta nacional segundo o Balanço Energético Nacional (BEN), feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que é coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O resultado representa um aumento de 2,3 pontos percentuais ante 2019, quando esta participação era de 46,1%.
Segundo o documento, em 2020 a oferta interna de energia – ou seja, o total de energia disponibilizado no país – registrou uma queda de 2,2% em relação ao ano anterior, indo de 293,96 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) para 287,61 Mtep. Porém, houve um incremento das fontes eólica e solar na geração de energia elétrica, além de um avanço da oferta de biomassa da cana e de biodiesel.
Estes fatores contribuíram para que a matriz energética brasileira se mantivesse em um patamar renovável superior ao observado no resto do mundo; conforme dados de 2018 citados pela EPE, esta participação é de 13,8%. “A retração da oferta das fontes não renováveis (petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral e urânio), decorrentes de um ano atípico com a eclosão da pandemia do coronavírus, também contribuiu para o alto percentual de renovabilidade da matriz”, completa.
De acordo com o balanço, no grupo de fontes renováveis que compõem a oferta nacional de energia estão: biomassa da cana (19,1%), hidráulica (12,6%), lenha e carvão vegetal (8,9%), e outros renováveis (7,7%) como lixívia, biodiesel e energias eólica e solar, por exemplo.
Especificamente, o volume energético ofertado a partir da cana-de-açúcar foi de 54,9 Mtep, o maior da série histórica iniciada em 2006. O número cresceu 4% comparado ao ano anterior, que detinha o recorde até então, com 52,8 Mtep. A terceira quantia mais elevada foi em 2015, com 50,6 Mtep.
Além disso, a biomassa da cana-de-açúcar é a fonte renovável que abrange a maior parcela na matriz energética. Também houve um crescimento de mais de um ponto percentual ante 2019, quando ela já ocupava esta posição, com 18%.
Confira no texto completo (exclusivo para assinantes):
- Oferta energética do etanol e bagaço de cana;
- Participação da cana-de-açúcar na matriz energética nacional;
- Geração termelétrica;
- Consumo de energia em transportes e indústria;
- Gráficos exclusivos.
O Brasil é referência quando se fala no desenvolvimento de energias limpas, ocupando a terceira posição no ranking de capacidade instalada da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês), realizado em 2020, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
Em 2020, a energia renovável foi responsável por 48,4% da oferta nacional segundo o Balanço Energético Nacional (BEN), feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que é coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O resultado representa um aumento de 2,3 pontos percentuais ante 2019, quando esta participação era de 46,1%.
Segundo o documento, em 2020 a oferta interna de energia – ou seja, o total de energia disponibilizado no país – registrou uma queda de 2,2% em relação ao ano anterior, indo de 293,96 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) para 287,61 Mtep. Porém, houve um incremento das fontes eólica e solar na geração de energia elétrica, além de um avanço da oferta de biomassa da cana e de biodiesel.
Estes fatores contribuíram para que a matriz energética brasileira se mantivesse em um patamar renovável superior ao observado no resto do mundo; conforme dados de 2018 citados pela EPE, esta participação é de 13,8%. “A retração da oferta das fontes não renováveis (petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral e urânio), decorrentes de um ano atípico com a eclosão da pandemia do coronavírus, também contribuiu para o alto percentual de renovabilidade da matriz”, completa.
De acordo com o balanço, no grupo de fontes renováveis que compõem a oferta nacional de energia estão: biomassa da cana (19,1%), hidráulica (12,6%), lenha e carvão vegetal (8,9%), e outros renováveis (7,7%) como lixívia, biodiesel e energias eólica e solar, por exemplo.
Especificamente, o volume energético ofertado a partir da cana-de-açúcar foi de 54,9 Mtep, o maior da série histórica iniciada em 2006. O número cresceu 4% comparado ao ano anterior, que detinha o recorde até então, com 52,8 Mtep. A terceira quantia mais elevada foi em 2015, com 50,6 Mtep.

Além disso, a biomassa da cana-de-açúcar é a fonte renovável que abrange a maior parcela na matriz energética. Também houve um crescimento de mais de um ponto percentual ante 2019, quando ela já ocupava esta posição, com 18%.
Chegando a 19,1% em 2020, a cana obtém seu maior resultado até o momento e fica – pelo quinto ano consecutivo – acima da meta de 16% definida pelo governo para 2030 como parte dos compromissos assumidos no Acordo de Paris. Ao longo de toda a série histórica, os resultados ficaram entre 14,6% e 18%.

Ainda assim, no relatório da EPE, as fontes energéticas classificadas como “outras energias renováveis” – que abrangem o menor percentual dentre as fontes limpas na oferta total (7,7%) – foram as que mais cresceram percentualmente no comparativo anual. Neste caso, a energia solar teve o maior incremento, de 61,5%, sendo seguida pelo biogás, com 15,7%.
Por sua vez, não houve crescimento entre as energias não-renováveis. O petróleo, que havia crescido no último balanço (1,4%), agora sofreu uma queda anual de 5,6% – ainda assim, ele segue como a fonte energética mais usada no Brasil, com 33,1% de participação no total. Mas a maior retração foi do urânio, 13,2%. Já o gás natural, que representa 11,8% da oferta total, decaiu 5,8%.
Em volume, a geração de energia renovável foi de 139,1 Mtep em 2020, ante os 135,6 Mtep de 2019, um ganho de 2,5%. Em comparação, as fontes não renováveis representaram 148,5 Mtep em 2020, tendo um decréscimo de 6,2% ante os 158,3 Mtep vistos um ano antes.

Novo recorde de produção
A cana-de-açúcar participa na matriz energética de duas formas: por meio do etanol, que é utilizado no transporte, e também da biomassa, usada na produção de energia elétrica. Em 2020, a parcela da matriz elétrica nacional ocupada pela biomassa foi de 9,1%, um crescimento ante os 8,4% de um ano antes. No período, a quantia disponibilizada passou de 54,7 TWh para 58,8 TWh, a maior da série histórica.
Embora os valores da biomassa tenham aumentado, a matriz elétrica nacional viu uma queda de 0,82% na oferta, passando de 651,3 TWh para 645,9 TWh. A biomassa foi a segunda fonte com maior presença, ficando atrás da hidrelétrica, que representa 65,2% do total disponibilizado em 2020.

De maneira geral, as fontes renováveis possuem a maior participação na matriz elétrica, com 84,8%; em 2019, este valor era de 83%. Contudo, a parcela já foi maior, tendo alcançado 90% em 2009. Ainda assim, o Brasil é referência em geração de energia renovável, uma vez que esse percentual é de apenas 23% no mundo, como demonstram dados de 2018 trazidos no documento.
De acordo com o relatório da EPE, o crescimento anual da representação das fontes renováveis foi auxiliado pela geração eólica, que atingiu 57 TWh – crescimento anual de 1,9%. Já a geração solar chegou a 10,7 TWh, o que representou um avanço de 61,5% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, houve uma retração da oferta das fontes não renováveis devido ao ano atípico por conta da pandemia de coronavírus.

Em 2020, houve um recuo de 5% na geração termelétrica e, desta forma, a participação na matriz elétrica diminuiu de 26,5% para 25,3%. Analisando toda a geração termelétrica, é possível observar que a biomassa aumentou sua participação para 37,4%, ante os 33,1% vistos em 2019. O crescimento aconteceu principalmente pela queda do gás natural, que detinha a maior fatia, mas que agora representa 34%.
Consumo de energia
O consumo total, energético e não energético, recuou 1,9% em relação ao ano anterior no Brasil, indo de 259,9 Mtep para 254,6 Mtep. A retração foi um pouco menor que a da oferta interna, que registrou um decréscimo de 2,2% no mesmo comparativo.
Ainda segundo o balanço da EPE, a participação da biomassa de cana vem tendo aumentos desde 2017. Em 2020, esta matéria-prima chegou a representar 20% do consumo nacional. Em 2019, o valor era de 19%.
O maior responsável pelo crescimento da biomassa de cana é justamente o bagaço, que passou de 28,31 Mtep para 32,12 Mtep consumidos, o que representa um crescimento de 13,4%. Enquanto isso, o etanol foi de 17,50 Mtep para 15,35 Mtep, uma queda de 12,3%.

O setor com maior consumo de energia foi o industrial, com 81,7 Mtep. No ano anterior, ele ocupava a segunda colocação, com 78,7 Mtep. O valor teve um crescimento de 3,9% no comparativo anual. Ao todo, a indústria representa 32,1% de todo o consumo no país e, somada ao setor de transporte, chega a 63% do total.
A participação de fontes renováveis teve um aumento no setor, passando de 58% em 2019 para 63% em 2020. O bagaço da cana foi a que teve maior crescimento, com 37,2%. Já a lixívia cresceu 5,4%. O gás natural apresentou a maior queda, com 13,3%.

O setor de transportes foi o segundo que mais consumiu energia, correspondendo a 31,2% do total, e perdendo a primeira colocação registrada em 2019. A participação das fontes renováveis neste consumo teve uma pequena queda, indo de 25% para 24,5%. Ao mesmo tempo, a demanda total deste setor foi de 79,3 Mtep, um decréscimo 6,4% no comparativo com 2019.
“O setor de transportes foi um dos mais impactados pela pandemia do covid-19, tendo o seu consumo decrescido em 5,5 Mtep”, afirma o documento, que detalha: “Praticamente todos os combustíveis utilizados sofreram uma queda em relação à 2019. A exceção foi o biodiesel. No mercado de veículos leves, o etanol hidratado perdeu participação em relação à gasolina automotiva, passando a representar 43% do consumo, contra 45% em 2019”. O etanol anidro também teve uma queda em seu consumo em 2020, de 7,3%.
No caso do transporte de cargas rodoviário, o biodiesel cresceu 8,4% devido à entrada em vigor da mistura de 12%, o chamado B12, no primeiro trimestre. Já o consumo de diesel fóssil sofreu um recuo de 1,1%. Entre todos, o transporte de cargas foi o menos afetado pela pandemia, já que é necessário para o abastecimento de grande parte das cidades brasileiras.

Considerando as demais fontes, a segunda maior queda foi a do etanol (hidratado e anidro), com 12,3%. O biocombustível ficando à frente apenas do querosene de aviação, que decaiu 42,8%.
Por fim, o terceiro setor que mais consumiu energia em 2020 foi o energético, sendo responsável pela parcela de 11,2% do total, o mesmo valor de 2019 e 2018. A queda no volume anual foi de somente 1,22%, passando de 29,66 Mtep para 28,45 Mtep.

Neste caso, o bagaço de cana sofreu uma diminuição de participação devido, sobretudo, à queda da produção. Ainda assim, ele correspondeu à maior parcela consumida, 49,3%, totalizando 14,04 Mtep – decréscimo de 7,3% ante o ano anterior. Por sua vez, os derivados do petróleo foram a única fonte que registraram crescimento, de 2,7%, enquanto a maior retração foi do gás de coqueria, com 8,1%.
Lucas Vasconcelos – NovaCana