Etanol: Meio ambiente

Governo definiu o que espera do etanol e da cana na matriz energética: 16% ou 18%?


novaCana.com - 01 out 2015 - 18:18 - Última atualização em: 13 jul 2017 - 17:49

No último dia 28 a presidente Dilma Roussef foi à conferência da ONU em Nova York e determinou qual importância o etanol e a cana terão na matriz energética brasileira até 2030. No entanto, no discurso oficial a presidente menciona o percentual de 16% e no documento da "Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada" (iNDC, na sigla em inglês), aparece o percentual de 18%.

O número que interessa para o setor sucroenergético é o de 16%, que incluiu apenas o etanol e as demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar. No entanto, a Unica adicionou confusão aos números ao disparar uma nota esta semana para o mercado mencionando apenas o número de 18%, excluindo uma menção importante feita na iNDC: o biodiesel.

A confusão surge em razão dos termos abrangentes utilizados pelo governo. Mas, ainda assim, é possível perceber a intenção do governo com base na participação atual da bioenergia na matriz energética e as projeções oficiais do Plano de Desenvolvimento Energético da EPE.

Os 18% citado na iNDC referem-se a “bioenergia sustentável”, e inclui etanol, etanol celulósico e biodiesel. No entanto, não se limita aos biocombustíveis e, apesar de não citar outras fontes, abre espaço para incluir qualquer outra “bioenergia sustentável”.

Assim, se considerarmos a média dos últimos dez anos do etanol e da bioeletricidade da cana na matriz energética (16%), mais o biodiesel, cuja participação esperada para este ano é de 1,3%, o total chega a 17,3%. Porém, como o iNDC menciona que haverá um aumento da mistura de biodiesel, que atualmente está em 7% (B7), a participação do biodiesel na matriz energética atinge quase 2% se a mistura de biodiesel subir para 10% (B10).

Ou seja, considerando zero de crescimento na participação do etanol e da bioeletricidade de cana e um aumento de B7 para B10, chegamos ao percentual de 18% mencionado na iNDC dentro do guarda-chuva “bioenergia sustentável”.

Mas só a iNDC não é conclusiva. A dúvida se desfaz de forma mais clara confrontando este item do documento com o discurso da presidente, que crava uma “participação de 16% de etanol carburante e das demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar no total da matriz energética.”

Ou seja, neste recorte feito pela presidente, limitado apenas ao etanol e a bioeletricidade da cana, o governo planeja chegar em 2030 com o mesmo percentual de participação obtido nos últimos dez anos: 16%.

Portanto, assumindo que a presidente Dilma e a iNDC estão certos e se complementam, o gráfico abaixo resume a situação:

Cop 21: participação do etanol e do bagaço de cana na matriz energética

A posição da Unica sobre o assunto foi apresentada apenas em nota oficial e a entidade espera o detalhamento dos dados por parte do governo.

Procurados pelo novaCana para comentar o assunto, tanto o Governo Federal quanto a Unica não se pronunciaram até a conclusão desta reportagem.

Confira abaixo o material divulgado sobre o tema.

- Documento do Governo Federal - iNDC (.pdf)

- Discurso da presidente Dilma Roussef

- Posição oficial da Unica: foi positivo, mas com cautela 

Jorge Mariano – novaCana.com


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