A biomassa abrange a maior parcela da ala renovável da matriz energética; participação foi de 18% no ano passado
A possibilidade de utilizar múltiplas fontes renováveis de energia faz o Brasil ter uma matriz energética de destaque no cenário global. Apesar do país ainda não ter registrado uma virada – já que as fontes não renováveis seguem abrangendo mais da metade da oferta nacional –, a energia renovável já supera os 45% de participação.
Enquanto isso, mundialmente, as energias renováveis correspondem a 14,2% da oferta total, compondo somente 10,8 % da matriz dos 36 países que fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O dado é da Resenha Energética Brasileira de 2019, feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que é coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com agentes do setor energético e outros ministérios.
Conforme o Balanço Energético Nacional (BEN) referente ao ano de 2019, a oferta de energia por fontes renováveis na matriz energética chegou a 46,1% graças a um aumento de 2,8% no comparativo com um ano antes. Dentre as fontes que compõem o grupo estão a energia hidráulica (12,4%), lenha e carvão vegetal (8,7%), e outros renováveis (7%) como lixívia, biodiesel, e energias eólica e solar, por exemplo.
Dentre todas as fontes de energia com oferta acima de 20 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep), a biomassa de cana-de-açúcar foi a que teve o maior aumento percentual entre os dois anos: 5,5%.
O volume energético ofertado a partir da cana-de-açúcar, portanto, foi de 52,8 Mtep – o maior da série histórica iniciada em 2006. A segunda quantia mais elevada foi em 2015, com 50,6 Mtep.
Além disso, analisando somente as fontes renováveis, a biomassa da cana é a que abrange a maior parcela da matriz energética. Em 2019, a fatia foi de 18%, acima dos 17,4% de 2018.
Confira, na versão completa, análises sobre oferta e consumo de energia, com foco na biomassa vinda da cana-de-açúcar, além de:
- Gráficos do consumo de energia de acordo com a fonte
- Gráficos do consumo de energia nos transportes, na indústria e no setor energético
- Informações sobre a matriz elétrica brasileira
- A geração termelétrica no Brasil
A possibilidade de utilizar múltiplas fontes renováveis de energia faz o Brasil ter uma matriz energética de destaque no cenário global. Apesar do país ainda não ter registrado uma virada – já que as fontes não renováveis seguem abrangendo mais da metade da oferta nacional –, a energia renovável já supera os 45% de participação.
Enquanto isso, mundialmente, as energias renováveis correspondem a 14,2% da oferta total, compondo somente 10,8 % da matriz dos 36 países que fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O dado é da Resenha Energética Brasileira de 2019, feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que é coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com agentes do setor energético e outros ministérios.
Conforme o Balanço Energético Nacional (BEN) referente ao ano de 2019, a oferta de energia por fontes renováveis na matriz energética chegou a 46,1% graças a um aumento de 2,8% no comparativo com um ano antes. Dentre as fontes que compõem o grupo estão a energia hidráulica (12,4%), lenha e carvão vegetal (8,7%), e outros renováveis (7%) como lixívia, biodiesel, e energias eólica e solar, por exemplo.
Dentre todas as fontes de energia com oferta acima de 20 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep), a biomassa de cana-de-açúcar foi a que teve o maior aumento percentual entre os dois anos: 5,5%.
O volume energético ofertado a partir da cana-de-açúcar, portanto, foi de 52,8 Mtep – o maior da série histórica iniciada em 2006. A segunda quantia mais elevada foi em 2015, com 50,6 Mtep.

Além disso, analisando somente as fontes renováveis, a biomassa da cana é a que abrange a maior parcela da matriz energética. Em 2019, a fatia foi de 18%, acima dos 17,4% de 2018.
Observando a série histórica, apenas em 2009 a participação da cana-de-açúcar na matriz energética nacional chegou a este patamar dos 18%, nunca tendo batido esta marca. O percentual supera, pelo quinto ano consecutivo, a meta de 16% definida pelo governo para 2030, como parte dos compromissos assumidos no Acordo de Paris.

Considerando apenas as matrizes renováveis de energia, o etanol e o bagaço da cana corresponderam a 39% do total – a maior parte do todo. Eles foram seguidos pela energia hidrelétrica, que representou 26,8%. Vale destacar que os dados de volume de algumas matrizes energéticas em 2018 foram atualizados pelo estudo, não tendo sido o caso da biomassa de cana.
No relatório, as fontes energéticas classificadas como “outras energias renováveis” – que abrangem o menor percentual dentre as fontes limpas (7%) – foram as que mais cresceram percentualmente no comparativo anual. Neste caso, a energia solar teve o maior incremento, de 92,2%, seguido pelo biogás, com 31,8%.
Em contrapartida, entre as energias não-renováveis, apenas o petróleo cresceu em participação, mas somente 1,4%. As outras fontes tidas como sujas tiveram estabilidade ou decréscimo entre 2018 e 2019.
De qualquer modo, a fonte energética mais usada no Brasil, com 34,4%, ainda é vinda do petróleo. Das não renováveis, a com a segunda maior fatia foi o gás natural, com 12,2% do total.
Em volume, a geração de energia renovável foi de 135,6 Mtep em 2019, ante os 131,9 Mtep de 2018 (+2,8%). Já entre as fontes não renováveis, o volume ofertado em 2019 foi de 158,4 Mtep, representando um pequeno aumento, de 0,2%, ante os 158 Mtep vistos um ano antes.

Com isso, somando fontes renováveis e não renováveis, a oferta total de energia foi de 294 Mtep, um acréscimo de 1,41% ante os 289,9 Mtep registrados em 2018.
Produção recorde
A participação da cana-de-açúcar na matriz energética acontece a partir do etanol, utilizado para transporte, e da biomassa, que é queimada para produzir energia elétrica. Logo, o aumento da parcela da cana na matriz brasileira reflete os aumentos desses produtos.
A produção de etanol foi recorde em 2019, com 35,29 bilhões, conforme dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume representa um aumento de 6,76% ante os 33,05 bilhões de litros de 2018.
Além disso, segundo os dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em 2019 foram produzidos 22,41 TWh com biomassa de cana. O valor representa uma ampliação de 4,45% no comparativo com os 21,46 TWh gerados em 2018.
Na oferta nacional de eletricidade por meio de biomassa, a cana-de-açúcar é a principal matéria-prima, mas também são considerados: lenha, lixívia, biodiesel e outras fontes primárias.
Em 2019, a parcela da matriz elétrica nacional composta a partir da biomassa foi de 8,4%, valor que representa uma pequena retração diante dos 8,5% de um ano antes – portanto, a quantia disponibilizada passou de 54,9 TWh para 54,7 TWh.
Como um todo, a matriz elétrica nacional viu uma ampliação de 2,34% na oferta, passando de 636,4 TWh para 651,3 TWh. A biomassa foi a segunda maior fonte, ficando atrás da hidrelétrica, a qual correspondeu por 64,9% do total disponibilizado em 2019.

As fontes renováveis têm grande participação na matriz elétrica, chegando a 83% em 2019 – porém essa fatia já foi maior. Um ano antes, atingiu 83,3%; e, em 2009, chegou a quase 90%. Ainda assim, o Brasil é destaque neste quesito, já que, no mundo, o uso de fontes renováveis na matriz elétrica é de somente 22%, conforme dados de 2017 reportados pelo documento.
Segundo o relatório da EPE, em 2019, houve um incremento da energia fotovoltaica e eólica. Além disso, a geração hídrica aumentou, porém a oferta caiu por conta do recuo da importação de eletricidade em Itaipu, vinda da parte paraguaia. Outro aumento ocorreu na geração via gás natural “para lidar com a variabilidade das renováveis”. Já geração a partir de petróleo e derivados teve retração.
A Resenha Energética Brasileira, porém, reforça: “A geração eólica e por bagaço de cana, mais alta no segundo semestre de cada ano, é complementar à sazonalidade da geração hidráulica”.

Considerando toda a geração termelétrica, a biomassa reduziu a sua participação para 33,1%, ante os 33,9% vistos em 2018. O recuo se deu principalmente pelo aumento do gás natural, que detém a maior fatia com 36,5%.
Além disso, a participação das termelétricas no total da geração também teve uma leve retração, de 26,7% para 25,6%, ainda que o volume tenha registrado um aumento de 3%.
Consumo de energia
O total de energia consumida pelos brasileiros teve um aumento de apenas 0,77% em 2019, passando de 257,4 Mtep para 259,4 Mtep. A Resenha Energética Brasileira ainda aponta que a alta no consumo foi menor que a da oferta de energia, de 1,4%, devido, principalmente, ao aumento de 10% nas perdas da geração termelétrica.
Também segundo o texto, a participação da biomassa de cana vem tendo aumentos desde 2017, abarcando, em 2019, 19,04% do consumo nacional. Um ano antes, a fatia era de 18,1%.
Esta parcela é composta pela soma do bagaço de cana e do etanol, sendo que o biocombustível teve o aumento anual mais expressivo, de 11,28%, passando de 15,72 Mtep para 17,50 Mtep consumidos. Já o bagaço teve uma ampliação de 2,85%, saindo de 27,53 Mtep para 28,31 Mtep no mesmo comparativo.

“A bioenergia teve a maior expansão no consumo final de energia, de 3,6%, influenciada em grande parte pela expansão do etanol e do consumo de bagaço para a sua produção”, coloca o documento.
É importante reiterar que o consumo anual de etanol (anidro e hidratado) totalizou 32,85 bilhões de litros em 2019. Este valor representa um crescimento de 10,4% em comparação com o acumulado de 2018, segundo dados da ANP.
Analisando os setores, o que mais consumiu energia foi, pelo segundo ano consecutivo, o de transportes, correspondendo a 32,7% do total. Anteriormente, a primeira colocação era do setor industrial que, na análise mais recente, detinha 30,4%. Juntos, eles corresponderam a mais da metade do consumo nacional de energia.
Ainda assim, a participação das fontes renováveis no consumo do setor de transporte teve apenas um pequeno aumento, de 24% para 25%. No total, a demanda deste setor foi de 84,9 Mtep, um incremento de 3,3% no comparativo com 2018.

Sozinho, o consumo do etanol hidratado cresceu 15,5% no mesmo comparativo, enquanto a gasolina automotiva teve uma queda de 0,5%. Em conjunto com o anidro, os biocombustíveis da cana tiveram um aumento na participação no mercado de veículos leves, passando de 42% para 45%.
O segundo setor com maior consumo foi o industrial: 78,8 Mtep. O valor, porém, corresponde a um decréscimo de 2,7% no comparativo anual. Ainda assim, a participação de fontes renováveis teve um pequeno aumento, passando de 57% para 58% – o mesmo patamar registrado em 2017.

O bagaço de cana, com uma fatia de 16,7% do setor, teve uma retração anual de 0,5% no consumo anual. O mesmo aconteceu com gás natural, carvão mineral, lixívia e eletricidade.
Já o terceiro setor que mais consome energia, o energético, foi responsável pela parcela de 11,2% do total, a mesma de 2018. O aumento no volume anual foi de somente 1,37%, passando de 28,62 Mtep para 29,01 Mtep.

Neste setor, o bagaço de cana foi o que correspondeu à maior parcela, 52,2%, totalizando 15,14 Mtep – volume 5,9% superior a um ano antes. Já os derivados do petróleo tiveram uma ampliação de apenas 2,2%, enquanto o gás natural sofreu uma retração de 8,8%.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana