Não há mais consenso. Enquanto maioria ainda aposta em excedente, algumas empresas enxergam déficit de produção no mercado mundial da commodity
O mercado global de açúcar, após cinco anos superavitário, viveu dois déficits seguidos nas temporadas 2015/16 e 2016/17 (outubro a setembro). Invertendo o cenário, 2017/18 apresentou um excedente significativo, marcado por produções recorde em países asiáticos. Ainda que seja natural a alternância entre os dois cenários, a safra que findou em setembro de 2018 surpreendeu as empresas, que, ao longo do ciclo, passaram a projetar sobras cada vez mais elevadas.
A princípio, a perspectiva geral do setor era que o superávit se mantivesse para 2018/19. As projeções para a atual safra global, compiladas no levantamento anterior do NovaCana, refletiam esse horizonte. Agora, novos números apontam para uma mudança, com espaço até mesmo para um pequeno déficit, segundo algumas consultorias.
Na nova pesquisa, concluída ontem (28 de novembro), o NovaCana reuniu dados de 18 empresas e consultorias especializadas que arriscaram seus números para a safra encerrada (17/18), a vigente (18/19) e até mesmo a seguinte (19/20). São três consultorias a mais do que o recorde consultado pelo portal até então para estimativas do balanço global de açúcar.
A grande maioria – 16 consultorias – ainda prevê o superávit imaginado meses antes para 2018/19, porém houve uma redução nos montantes excedentes previstos em relação aos levantamentos anteriores. Além disso, duas entidades já enxergam um déficit.
Já para as seis consultorias que fizeram suas apostas para 2019/20, o déficit é praticamente um consenso.
O relatório da açucareira Sucden lançado em outubro resume o cenário: há poucos meses, as colheitas seguiam batendo recordes e não se via outro fim senão novos superávits, cada vez mais crescentes. Deste modo, somente uma combinação de elementos poderia reverter a situação. E foi o que ocorreu.
Confira os detalhes na reportagem a seguir, com gráficos comparativos das 18 consultorias analisadas, além de gráficos sobre preço, estoques e tabelas com estimativas anteriores de:
- Abares
- Agroconsult
- Bunge
- BTG Pactual
- Czarnikow
- Datagro
- F.O. Licht
- Green Pool
- INTL FCStone
- ISO
- LMC
- Louis Dreyfus
- Rabobank
- Raízen
- Sopex
- Sucden
- TRS
- USDA
Atualização (29/11, às 14h20): O texto e os gráficos abaixo foram alterados para incluir a estimativa de déficit da Datagro referente à safra 2018/19, divulgada em 29 de novembro.
O mercado global de açúcar, após cinco anos superavitário, viveu dois déficits seguidos nas temporadas 2015/16 e 2016/17 (outubro a setembro). Invertendo o cenário, 2017/18 apresentou um excedente significativo, marcado por produções recorde em países asiáticos. Ainda que seja natural a alternância entre os dois cenários, a safra que findou em setembro de 2018 surpreendeu as empresas, que, ao longo do ciclo, passaram a projetar sobras cada vez mais elevadas.
A princípio, a perspectiva geral do setor era que o superávit se mantivesse para 2018/19. As projeções para a atual safra global, compiladas no levantamento anterior do NovaCana, refletiam esse horizonte. Agora, novos números apontam para uma mudança, com espaço até mesmo para um pequeno déficit, segundo algumas consultorias.
Na nova pesquisa, concluída ontem (28 de novembro), o NovaCana reuniu dados de 18 empresas e consultorias especializadas que arriscaram seus números para a safra encerrada (17/18), a vigente (18/19) e até mesmo a seguinte (19/20). São três consultorias a mais do que o recorde consultado pelo portal até então para estimativas do balanço global de açúcar.
A grande maioria – 16 consultorias – ainda prevê o superávit imaginado meses antes para 2018/19, porém houve uma redução nos montantes excedentes previstos em relação aos levantamentos anteriores. Além disso, duas entidades já enxergam um déficit.
Com isso, os valores variam em 11,02 milhões de toneladas, indo de um excedente de 9,02 milhões até um déficit de 2 milhões. Ou seja, o grande número de variáveis e as incertezas em relação a diversos grandes países produtores ainda geram muitas incertezas.
Além disso, para as seis consultorias que fizeram suas apostas para 2019/20, o déficit é praticamente um consenso. A Agroconsult é a única que aposta em um pequeno superávit, de 800 mil toneladas, quantia que pode até mesmo ser considerada um equilíbrio de mercado.

Segundo superávit consecutivo é incerto
Um relatório da açucareira Sucden, lançado em outubro, resume o cenário: há poucos meses, as colheitas seguiam batendo recordes e não se via outro fim senão novos superávits, cada vez mais crescentes. Deste modo, somente uma combinação de elementos poderia reverter a situação. E foi o que ocorreu.
O clima brasileiro e no cinturão europeu, onde a beterraba é produzida, reduziu consideravelmente as previsões de produção nestes locais. Também foram menos favoráveis as condições climáticas de Paquistão, Tailândia e América Central.
Para completar, o preço baixo da commodity, aliado ao preço do etanol, reduziu ainda mais o direcionamento da matéria-prima para o açúcar no Brasil. “Assim, no início de 2018/19, o paradigma de 2017/18, quando o clima perfeito e o alto preço fixo impulsionaram a produção, parece obsoleto”, destaca o relatório.
O presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, também comentou o quadro em coletiva para a imprensa realizada durante a 18ª Conferência Internacional Datagro. Na ocasião, ele elevou o déficit previsto para 2018/19 de 715 mil toneladas para 1,58 milhão, além de prever um déficit de 7,51 milhões para 2019/20. Posteriormente, Nastari atualizou a projeção para um déficit de 2 milhões de toneladas. “[O motivo está em] Brasil, Índia, Europa. É uma combinação de tudo”, justifica.
No mesmo evento, a gerente de inteligência de mercado da Bunge Açúcar e Bioenergia, Luciana Torresan, corroborou com a visão de incerteza quanto a um segundo excedente seguido. De acordo com ela, há a noção de equilíbrio para a safra iniciada em outubro (superávit de 600 mil toneladas) e de déficit para 2019/20 (1,5 milhão de toneladas), mesmo após um excedente de quase 16 milhões na temporada 2017/18.
“Quando a gente olha para frente, ainda tem um excedente da safra 2017/18 sendo carregado para 2019, para ser digerido pelo mercado”, explica, fazendo referência aos volumes já estocados de açúcar, que devem continuar a segurar os preços internacionais da commodity.
A estimativa da companhia é que, no primeiro trimestre de 2019, o mercado mundial ainda esteja lidando com um excedente de 4,5 milhões de toneladas. Até o primeiro semestre de 2020, esse volume aumentaria em mais um milhão. “Consideramos, neste excedente, as 5 milhões de toneladas exportadas pela Índia, assumindo que ela terá subsídio, e uma produção de 29 milhões de toneladas no Centro-Sul”, acrescenta.
A gerente ainda pondera que, caso a Índia não exporte essa quantia e o Brasil produza menos açúcar, pendendo para o etanol, poderá surgir um cenário “apertado ou até deficitário”.
Projeções apontam diferentes caminhos
Com uma redução das estimativas de excedente de 16 consultorias e outras duas apostando em déficit, não há mais um consenso sobre um superávit para 2018/19. Atualmente, a média das projeções é de 3,26 milhões de toneladas excedentes, ante 6,3 milhões no levantamento anterior feito em julho.
Além disso, a média para 2019/20 traz a primeira projeção de déficit desde o levantamento de novembro de 2017, referente à safra 2016/17.

A Raízen, maior exportadora individual de açúcar do mundo, é uma das que acredita em um pequeno excedente na atual temporada. A companhia prevê um superávit de 1 milhão de toneladas para 2018/19 e um déficit de 3 milhões de toneladas para 2019/20.
A gerente de inteligência de mercado da empresa, Mariângela Grola, reforça que ainda existem incertezas ao relembrar a produção gigantesca dos países asiáticos e a redução produtiva no Brasil em 2017/18, realizada para aproveitar os preços favoráveis do etanol. “Quando a gente começou a safra, ninguém imaginava uma produção de açúcar tão pequena, mas aconteceu.”
Por outro lado, segundo Grola, o Brasil deve voltar a ocupar um papel de protagonista na safra atual, mesmo tendo perdido espaço para a Índia. Assim, a empresa vê essa temporada com mais otimismo do que a anterior.
Segundo o diretor da RCMA Sugar, Felipe Ferraz, também durante a conferência da Datagro, os dados da companhia para o balanço global são ajustados quase diariamente, marcando as incertezas que caracterizam o setor. Na ocasião, a empresa previa 1,5 milhões de toneladas superavitárias para 2018/19 e um déficit de entre 5 e 6 milhões de toneladas para 2019/20.
No mesmo caminho, os números da INTL FCStone divulgados em novembro trazem uma projeção de superávit de 1 milhão para 2018/19. Anteriormente, a consultoria chegou a esperar 4,4 milhões de toneladas excedentes.
O banco holandês Rabobank estimou valor semelhante à projeção anterior da FCStone. No relatório trimestral, divulgado em setembro deste ano, foi previsto um superávit de 4,5 milhões de toneladas, após as 10,1 milhões de toneladas da temporada 2017/18. Mas o próprio banco afirma que há espaço para revisões deste valor, dependendo do clima e do progresso das safras nos países do hemisfério norte.
Por outro lado, o relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) segue com a perspectiva de um superávit elevado, com 9,05 milhões de toneladas – o maior valor dentre todas as consultorias analisadas. Na sequência vem a estimativa da Czarnikow, que prevê uma produção de 7,78 milhões de toneladas além do consumo.
Consumo e estoques
A Czarnikow ainda aposta que, após uma produção de mais de 200 milhões de toneladas em 2017/18, a temporada atual seguiria próxima a este nível. Para a consultoria, isso representa um problema, pois o consumo levaria seis anos para atingir um equilíbrio. “Se quisermos evitar a construção de estoques de açúcar até 2024, precisamos ver alguém respondendo a preços mais baixos e mudando o comportamento”, destaca.
Outras empresas também não apostam no crescimento do consumo, mas esperam uma queda na produção. É o caso da FCStone, que enxerga uma redução produtiva de 3,4%, chegando a 186,7 milhões de toneladas. Em paralelo, a consultoria também reduziu sua estimativa de demanda para 185,7 milhões, valor que ainda é 1,1% acima do registrado na safra passada.
O crescimento mais suave no consumo ocorre, em alguns países, por conta da preocupação dos consumidores com a saúde. Também há a perspectiva de preços mais altos do açúcar ao longo da safra, além dos impactos econômicos da guerra comercial entre China e Estados Unidos.
Já o Rabobank prevê um aumento de 1,5% no consumo mundial. A Índia é um dos países que mais colaboram para o incremento desta projeção por conta do crescente consumo de comidas processadas – o USDA, inclusive, estima uma demanda de 27,5 milhões de toneladas de açúcar somente para o país asiático.
O Paquistão é outro exemplo de crescimento do consumo, mesmo que mais modesto e atrelado ao setor de processamento e ao crescimento populacional. De acordo com a Sucden, entretanto, o país terá estoques massivos, correspondendo a cerca de 70% da relação estoque-uso até o final de 2018/19 caso não haja exportações, graças aos consecutivos níveis elevados de produção em duas safras.
Por sua vez, a Tailândia sofre uma queda no consumo por conta da menor demanda industrial devido à taxação imposta sobre as bebidas açucaradas.
Como consequência do superávit, o USDA estimou um aumento de 51,52 milhões de toneladas para 52,85 milhões de toneladas nos estoques globais entre a safra anterior e a vigente.
Com metodologias diferentes para este indicador, a FCStone enxerga estoques bem mais elevados, de 82,3 milhões de toneladas, o maior nível da série histórica. Além disso, para a consultoria, a relação entre estoque e uso subirá 44,3%, o maior patamar desde a temporada 2014/15.
A Green Pool, por sua vez, apresenta valores ainda maiores, com estoques subindo de 94,8 milhões de toneladas para 98,4 milhões de toneladas, com relação estoque-uso de 53,3%.
Para onde caminham os preços
As relações entre produção, consumo e estoques são relevantes por impactarem no preço da commodity. Após quedas vertiginosas na temporada passada, é prevista certa recuperação para os próximos meses. No mais recente relatório do BTG Pactual, lançado em outubro, o banco acredita que os valores subirão para 14 centavos de dólar por libra-peso.
O documento aponta que o custo de exportação do açúcar excedente da Índia já estaria em cUS$ 12/lb, o que impede um fluxo comercial a preços baixos. Além disso, o El Niño pode prejudicar a próxima safra indiana, a produção no Brasil está mais voltada para o etanol e a produção de beterraba na Europa está em queda – fatores que propiciam uma menor oferta e preços mais robustos.
“O grande superávit de 2017/18 e a expectativa de mais um, ainda que menor, para 2018/19, há tempos deixam de ser novidade e certamente influenciaram a trajetória declinante dos preços mundiais”, destaca o relatório do Rabobank. Para o banco, o fortalecimento do dólar americano também dá suporte aos valores.
Além disso, o documento cita a visão dos fundos, que traduzem o sentimento dos preços para o setor. Neste caso, o que se questiona é se estes elementos de fato sinalizam um real suporte para os valores. “A recente pressão descendente exercida pelos fundos poderia reverter completamente caso novos acontecimentos criassem um cenário positivo ou menos negativo para 2018/19”, destaca.

No Brasil, conforme explica Felipe Ferraz da RCMA Sugar, a paridade entre o etanol e o açúcar para as usinas é muito importante para a próxima safra, devendo se manter como um limitador para o preço da commodity, já que o balanço de oferta continua pendendo para o superávit. “Caso encontremos uma modificação do balanço para déficit, essa paridade deixa de ser um limitador”, resume.
O diretor acredita que o mercado baixista é a principal alavanca para um futuro mercado altista. “Os preços baixos de hoje vão resultar em preços mais altos amanhã”, garante, e explica: “Acreditamos em um mercado construtivo para 2019/20, porém, em curto prazo, ainda vemos uma correção nos preços de mercado: o rali veio muito forte e rápido e os indicadores técnicos, que os fundos acompanham, mostram um mercado subcomprado”.
Já o Departamento Australiano de Economia e Recursos Agrícolas da Austrália (Abares) tem uma visão menos otimista para as usinas, pois enxerga valores ainda em baixa, com um excedente robusto para 2018/19 e uma consequente alta nos estoques. “Os preços mundiais do açúcar deverão cair para uma baixa de 17 anos em 2018/19 e permanecer assim nos curto e médio prazos”, detalha em relatório publicado em setembro deste ano.
Produção açucareira no Brasil – entre estabilidade e recuperação
Para a produção brasileira na safra 2019/20 (abril a março), a FCStone estima um avanço de 11,2% chegando a 29,3 milhões de toneladas. De acordo com o relatório, isso acontece porque o mercado de açúcar deve começar a precificar os impactos do possível déficit de 2018/19 ainda no primeiro semestre de 2019, com tempo mais do que suficiente para afetar o mix da safra 2019/20 no Centro-Sul.
A Raízen também se tornou mais otimista. “A gente está quase encerrando a safra com um consenso de pouco mais de 25 milhões de toneladas. Mas, com essa puxada de interesse que vimos nos últimos meses, começamos a projetar 28 milhões de toneladas”, diz Mariângela Grola – o montante é um milhão a menos que o projetado pela Bunge. Contudo, segundo ela, há a preocupação de que, com a expectativa de déficit, o Brasil passe a produzir muito açúcar. “Temos que segurar um pouco a produção para não voltar a perder margem”.
A estimativa do USDA para a produção brasileira é um pouco maior, com 30,1 milhões de toneladas. Mesmo assim, a projeção configura uma redução de 8,3 milhões em relação à anterior, por conta do desvio da cana para a produção de etanol.
Já Plinio Nastari, da Datagro, aposta em uma estabilidade produtiva e estima para o país uma produção de 26,4 milhões de toneladas de açúcar na safra 2019/20 – número que poderia ser ainda menor sem as chuvas vistas nos últimos meses. “Muito embora a cana esteja mais velha, com bastante infestação de pragas e doenças, o levantamento dos nossos agrônomos está indicando que a cana está respondendo muito bem às chuvas”, descreve.
Comportamento de outros gigantes
Em relação à safra indiana, Grola alerta: “Neste momento, as atenções estão na Índia e a pergunta é, de novo: ‘quanto é que vem de lá?’. A safra começou com uma média de estimativas de 32 milhões de toneladas, mas esse número já foi de 35, 34, 33 milhões”, conclui.
O USDA traz números mais robustos. Em relatório de novembro de 2018, o órgão eleva a projeção de produção indiana em 1,8 milhão de toneladas, chegando ao recorde 35,9 milhões. Mesmo com preocupações com pragas e com o clima, o documento aponta que houve maior área de rendimento. Com este volume, o país asiático acabaria “eclipsando o Brasil”.

A Green Pool vai pelo mesmo caminho. Mesmo admitindo que algumas consultorias reduziram as estimativas de produção indiana, a empresa mantém a opinião de que o país superará o recorde do ano passado.
Já a FCStone vê redução produtiva na Índia, atingindo 31 milhões de toneladas, ou 4% a menos do que a safra anterior. O motivo da redução são as monções em Maharashtra, o segundo estado que mais produz no país, que ficaram entre 25% e 50% abaixo da média histórica em importantes áreas de cana, sendo que as chuvas características de outubro também foram abaixo do normal. Isso reduziu os reservatórios do sistema de irrigação e o clima seco propiciou o desenvolvimento de larvas brancas.
“A produção de açúcar no estado [Maharashtra], que antes era projetada em 11,5 milhões de toneladas pelas estimativas mais otimistas, deve ficar abaixo de 9 milhões de toneladas”, destaca o documento divulgado em novembro.
Além disso, Uttar Pradesh, principal estado produtor da Índia, teve chuvas em excesso durante as monções, resultando em enchentes que prejudicaram a safra. Com isso, o estado produzirá um volume próximo ao da safra 2017/18: 12 milhões de toneladas.
Conforme o USDA, a produção tailandesa deve cair em 900 mil toneladas, chegando a 13,8 milhões por conta do menor rendimento da cana e da extração de açúcar, prejudicados pelas chuvas menores do que o esperado.
Segundo Ferraz, da RCMA, as mudanças recorrentes nas previsões ainda marcam incertezas para o setor. “Os números deverão ser reajustados mensalmente, se não semanalmente. Nesta semana [a última de novembro], tivemos uma redução de 3 milhões toneladas na safra da Índia. Então, imagine projetarmos a safra que vai começar daqui a 12 meses”.
Isso é consequência das inúmeras variáveis referentes aos países que inflam a produção mundial. Além da Índia e Tailândia, a produção europeia sofrerá uma redução de cerca de 1,5 milhões de toneladas para a safra corrente, segundo Ferraz. O USDA espera uma redução bem próxima, de 1,4 milhões, caindo para um total de 19,5 milhões de toneladas.
Segundo Ferraz, a queda produtiva impacta na exportação europeia que, ao ser reduzida, abre espaço para os mercados de açúcar de outras origens. Para a Green Pool, a diminuição ocorreu por conta de uma primavera úmida seguida de um verão quente e seco, reduzindo o crescimento da beterraba.
Outra produção que impacta no cenário global é a do Paquistão. O USDA espera uma redução de 900 mil, chegando a 6,5 milhões de toneladas de açúcar. Isso se dá por conta da migração dos produtores para outras culturas, como milho e algodão, devido à melhora do preço destes produtos e a um retorno de investimento mais rápido.
Para Ferraz, desta forma, as exportações do país chegarão a, no máximo, um milhão de toneladas – na safra passada, esse volume foi o dobro. “Este ano, nós não temos indicação de subsídio no Paquistão e esse milhão de toneladas deve ficar disponível para o mercado global, sendo que 500 a 600 mil toneladas devem ficar com o vizinho Afeganistão”, pontua.
Já a China, que está com clima favorável e expansão de áreas para esta safra, tem projeção de produção de 10,8 milhões de toneladas de açúcar, conforme o USDA. Assim, as importações serão menores, especialmente porque seguem em vigor as medidas de salvaguarda alteradas em julho de 2018, que se aplicam a todos os fornecedores, conforme detalha o documento.
Ferraz corrobora e também vê a redução por conta de uma desaceleração comercial devido à guerra comercial com os Estados Unidos.
Além disso, o Abares aponta em relatório que a produção de países como Índia, Paquistão, União Europeia e Tailândia seguem com políticas de apoio que blindam os produtores dos preços baixos. Com isso, em muitos locais, os produtores continuam a expandir as culturas de cana e beterraba em detrimento de outras mais rentáveis e prejudicando o comércio internacional.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
Com reportagem adicional de Renata Bossle