Companhia voltou para o último degrau na escala das agências de classificação de risco Fitch Ratings e S&P Global Ratings
Pouco mais de um ano após o episódio que levou agências de classificação de risco a colocarem a USJ Açúcar e Álcool em “default seletivo” ou “default restritivo”, a companhia suspendeu pagamentos e foi novamente rebaixada para as últimas posições nas escalas da Fitch Ratings e da S&P Global Ratings.
De acordo com documento divulgado pela Fitch nesta quinta-feira (28), a USJ deixou de pagar de US$ 9,1 milhões, previstos para o dia 9 de novembro. O valor é referente a um cupom de US$ 400 mil e ao saldo principal de suas notas seniores sem garantia de ativos reais com vencimento em 2019, que somam US$ 8,7 milhões.
Além disso, a empresa também solicitou um período adicional de 30 dias para o pagamento de US$ 190 mil referente a notas com vencimento em 2021. Já o pagamento de US$ 13,4 milhões para os títulos de 2023 seriam feitos, com juros, no vencimento.
Atualmente, a USJ possui três usinas: uma em Araras (SP) e duas em Goiás, que são administradas em parceria com a Cargill.
No texto completo, saiba mais sobre as dívidas da USJ, sua situação financeira e as perspectivas para o futuro da companhia.
Pouco mais de um ano após o episódio que levou agências de classificação de risco a colocarem a USJ Açúcar e Álcool em “default seletivo” ou “default restritivo”, a companhia suspendeu pagamentos e foi novamente rebaixada para as últimas posições nas escalas da Fitch Ratings e da S&P Global Ratings.
De acordo com documento divulgado pela Fitch nesta quinta-feira (28), a USJ deixou de pagar de US$ 9,1 milhões, previstos para o dia 9 de novembro. O valor é referente a um cupom de US$ 400 mil e ao saldo principal de suas notas seniores sem garantia de ativos reais com vencimento em 2019, que somam US$ 8,7 milhões.
Além disso, a empresa também solicitou um período adicional de 30 dias para o pagamento de US$ 190 mil referente a notas com vencimento em 2021. Já o pagamento de US$ 13,4 milhões para os títulos de 2023 seriam feitos, com juros, no vencimento.
Em uma análise que pressupõe a falência da USJ e a venda dos bens da sucroenergética, a Fitch estima que o valor das terras e dos outros ativos da companhia poderiam ser distribuídos aos credores. Conforme o documento, os canaviais da usina estão em uma boa localização, perto de áreas urbanas, mas os ativos fixos – como máquinas, equipamentos e a própria usina – têm pouca liquidez.
Atualmente, a USJ possui três usinas: uma em Araras (SP) e duas em Goiás, que são administradas em parceria com a Cargill.
Dívidas e crédito da USJ
A Fitch observa que a decisão de suspender o pagamento do cupom e do principal no título de 2019 não aciona cláusulas de inadimplência cruzada com as notas garantidas seniores de 2021 e 2023. Ainda assim, a agência alega que existem cláusulas de inadimplência com dívidas bancárias estimadas em R$ 380 milhões. “Na opinião da Fitch, o pagamento de empréstimos bancários não será acelerado”, afirma.
O relatório ainda aponta que, mesmo após as renegociações concluídas em maio deste ano, a USJ segue apresentando uma posição de liquidez fraca e um alto risco de refinanciamento. “A liquidez em curto prazo está se deteriorando rapidamente e os riscos de refinanciamento estão subindo devido à crescente concentração de dívidas com vencimento em curto prazo e à inabilidade da companhia em gerar fluxo de caixa livre”, alerta.
Outro fator que que afetou a USJ foi a recente desvalorização do real. Segundo a Fitch, o quadro traz uma pressão adicional para a companhia, que tem aproximadamente 90% de sua dívida contabilizada em dólar.
“A ausência de qualquer venda de ativos relevantes tornou a USJ altamente dependente da disponibilidade de linhas de crédito de curto prazo e a Fitch acredita que a empresa continuará a enfrentar uma flexibilidade financeira muito limitada para o pagamento de suas obrigações em 2020”, completa.
Conforme os números apresentados, a USJ tinha uma posição de caixa de R$ 50 milhões, um valor considerado “desfavorável” em relação ao um débito de curto prazo de R$ 290 milhões.
Além disso, em 2020, a companhia ainda deveria fazer o pagamento de aproximadamente US$ 22 milhões referentes a cupons das notas com vencimento em 2021 e 2023. Já em 2021, o débito foi calculado em US$ 80 milhões.
Conforme a Fitch, em junho deste ano, a USJ possuía um fluxo de caixa de R$ 16 milhões para suas operações, mas um fluxo de caixa livre negativo, calculado em R$ 126 milhões.
Por sua vez, a alavancagem da companhia era de 6,3 vezes – ficando acima do índice de 3,5 vezes, considerado pelo Itaú BBA como sendo o limite para sucroenergéticas saudáveis. O índice foi calculado pela dívida líquida em relação ao Ebitdar (lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização e custos de reestruturação).
Renata Bossle – NovaCana