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Itaú BBA afirma que setor sucroenergético tem potencial para investir R$ 25 bilhões

Para que isso ocorra, os grupos que possuem alavancagem inferior a 3,5 vezes devem aumentar seu indicador


novaCana.com - 17 set 2019 - 11:51 - Última atualização em: 17 set 2019 - 15:03

A partir da análise de uma amostra de 80 grupos sucroenergéticos – que equivalem a uma capacidade de moagem de 477 milhões de toneladas –, o Itaú BBA calculou o potencial de investimentos do setor. Em palestra na NovaCana Ethanol Conference 2019, o analista sênior de agronegócios do banco, Guilherme Bellotti de Melo, fez um exercício a partir da alavancagem do setor e da capacidade de investimento das usinas.

“Apesar da queda que vimos nos últimos anos, o setor sucroenergético ainda tem um nível de alavancagem elevado”, afirma.

De acordo com ele, uma alavancagem de 3,5 vezes é considerada saudável dentro dos parâmetros do banco para o setor sucroenergético. Assim, das 80 empresas analisadas, 47 possuem um valor inferior a 3,5 vezes – e, portanto, possuem espaço para captar recursos e ampliar seus investimentos.

“O grupo com uma alavancagem abaixo de três vezes pode adotar uma estratégia de geração de caixa e não precisa lutar pela sobrevivência”, garante o analista. Em contrapartida, grupos com uma alavancagem acima de quatro vezes passam a ter uma dificuldade maior para acessar crédito.

Segundo Melo, se os grupos da amostra com alavancagem inferior a 3,5 vezes aumentarem este valor para o limite do que é considerado saudável pelo banco, o setor passa a ter investimentos adicionais de R$ 25 bilhões.

Com isso, ele estima que a capacidade de moagem do setor poderia aumentar em 89 milhões de toneladas. Para o cálculo, ele assume um investimento de R$ 280 por tonelada de capacidade de moagem.

“Para que possamos ter uma volta das expansões no setor, nós precisamos atravessar algumas barreiras”, pondera. Entre essas barreiras, ele cita os baixos preços do açúcar no mercado internacional, a consolidação do etanol em um contexto global – incluindo o cumprimento dos mandatos de etanol na Ásia –, as mudanças tecnológicas no setor e um novo paradigma de juros para o país.

Ele ainda cita que os investimentos do setor devem vir por quatro caminhos principais: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a emissão de Certificados Recebíveis do Agronegócio (CRA), linhas bancárias e o mercado de capitais.

Renata Bossle – novaCana.com