Os últimos anos não foram fáceis para a Usina Vale do Paraná, controlada pelo grupo guatemalteco Pantaleon. A unidade não registrava lucro líquido desde a safra 2009/10
Os últimos anos não foram fáceis para a Usina Vale do Paraná, controlada pelo grupo guatemalteco Pantaleon. A unidade, localizada em Suzanópolis (SP), não registrava lucro líquido desde a safra 2009/10, quando declarou um resultado positivo em R$ 10,9 milhões.
Mas as perspectivas mudaram com o lucro de R$ 31,4 milhões registrado em 2016. Ao longo do ano, a companhia já tinha dado sinais de que pretendia dar a volta por cima, sendo uma das vencedoras do Leilão A-5 realizado em abril – inclusive, com um preço acima da média para as termelétricas a biomassa. No mês seguinte, a empresa ainda anunciou uma parceria com a Albioma para a exploração de energia: a francesa será dona de 40% do capital da unidade de cogeração, com um investimento estimado em R$ 100 milhões.
Apesar da boa nova, entretanto, o valor está longe de abrandar o rombo deixado nos últimos anos.
Leia mais:
- Histórico de resultados da Usina Vale do Paraná
- Evolução do lucro bruto da companhia
- Evolução da relação entre receita operacional e custos dos produtos vendidos
- Perfil da dívida da Usina Vale do Paraná
- Valor dos empréstimos e financiamentos com vencimento em 12 meses
Os últimos anos não foram fáceis para a Usina Vale do Paraná, controlada pelo grupo guatemalteco Pantaleon. A unidade, localizada em Suzanópolis (SP), não registrava lucro líquido desde a safra 2009/10, quando declarou um resultado positivo em R$ 10,9 milhões.
Mas as perspectivas mudaram com o lucro de R$ 31,4 milhões registrado em 2016. Ao longo do ano, a companhia já tinha dado sinais de que pretendia dar a volta por cima, sendo uma das vencedoras do Leilão A-5 realizado em abril – inclusive, com um preço acima da média para as termelétricas a biomassa. No mês seguinte, a empresa ainda anunciou uma parceria com a Albioma para a exploração de energia: a francesa será dona de 40% do capital da unidade de cogeração, com um investimento estimado em R$ 100 milhões.
Agora, o resultado referente a 2016 (janeiro a dezembro) é o único a registrar um valor positivo desde 2012 – quando a companhia deixou de realizar sua contabilidade acompanhando o ano-safra para adotar o ano-civil. Apesar da boa nova, entretanto, o valor está longe de abrandar o rombo deixado nos últimos anos: apenas em 2015, o prejuízo foi de R$ 39,9 milhões.

O lucro bruto da Vale do Paraná no ano de 2016 mais do que duplicou na comparação com 2015, indo de R$ 25,8 milhões para R$ 58,9 milhões. Ainda que a recuperação tenha sido irregular nos últimos anos, desde 2012 a usina não registra um prejuízo bruto, que, caso ocorresse, implicaria em uma operação em déficit financeiro desde a fase operacional.

Esse resultado é derivado especialmente do aumento na receita – de R$ 202,2 milhões para R$ 257,1 milhões –, mas poderia ter sido maior. Em 2016, os custos com produção representaram 84,2% da receita com venda, enquanto, no ano anterior, esse índice era de 77,8%.

Outro aspecto contábil que favoreceu a Vale do Paraná foi o impacto líquido do câmbio. A desvalorização do real perante o dólar fez com que a empresa registrasse um adicional de R$ 17,55 milhões a seu caixa. Para efeito de comparação, o resultado de 2015 trouxe um prejuízo adicional de R$ 43,06 milhões.

Perfil da dívida
Ainda que o resultado da usina tenha sido positivo para o período, seu endividamento continua a crescer, seguindo a tendência dos dois anos anteriores. Em uma comparação com 2015, o novo balanço trouxe uma dívida 29% maior com empréstimos e financiamentos.

Dessa forma, em 31 de dezembro de 2016, a Vale do Paraná acumulava um déficit total de R$ 270,05 milhões. Desse montante, 53,5% – ou R$ 144,61 milhões – é equivalente a débitos com vencimento em até 12 meses. O índice é inferior ao de 2015, quando as dívidas de curto prazo respondiam por 57,3% dos débitos.

Renata Bossle – NovaCana