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[Entrevista] Usina Diana traz perspectivas para safras de cana 2020/21 e 2021/22

Diretor administrativo da sucroenergética, Leonardo Perossi, fala sobre o campo, a indústria e as finanças

NovaCana 6 min de leitura

Na expectativa de uma maior produção de cana e após concluir negociações para o alongamento de seu endividamento, a Diana Bioenergia pretende entrar em um “círculo virtuoso” a partir da atual temporada – ao menos de acordo com o CEO da companhia, Ricardo Junqueira.

“A redução do endividamento será feita de forma saudável, sem comprometer a rentabilidade, liquidez e a operação. Acreditamos que a safra 2020/21 será o início do círculo virtuoso, refletindo todos os esforços dos últimos anos”, disse ele em conjunto com a divulgação dos resultados financeiros da safra 2019/20.

Para comentar as mudanças em andamento e as perspectivas da companhia para o campo e a produção de açúcar e etanol, o NovaCana conversou com o diretor administrativo e financeiro da Diana Bioenergia, Leonardo Perossi.

Confira a entrevista no texto completo (disponível apenas para assinantes).

Na expectativa de uma maior produção de cana e após concluir negociações para o alongamento de seu endividamento, a Diana Bioenergia pretende entrar em um “círculo virtuoso” a partir da atual temporada – ao menos de acordo com o CEO da companhia, Ricardo Junqueira.

“A redução do endividamento será feita de forma saudável, sem comprometer a rentabilidade, liquidez e a operação. Acreditamos que a safra 2020/21 será o início do círculo virtuoso, refletindo todos os esforços dos últimos anos”, disse ele em conjunto com a divulgação dos resultados financeiros da safra 2019/20.

Para comentar as mudanças em andamento e as perspectivas da companhia para o campo e a produção de açúcar e etanol, o NovaCana conversou com o diretor administrativo e financeiro da Diana Bioenergia, Leonardo Perossi.

Confira a entrevista completa.

A atual temporada foi mais seca e permitiu um aceleramento da moagem. Quando a Diana pretende encerrar a colheita de 2020/21?
Devemos terminar a safra em 30 de novembro, mesma data inicialmente prevista. O motivo é que o clima mais seco ajudou a aumentar o ATR na cana – até 8 de outubro, estávamos com ATR acumulado de 144,66 quilogramas por tonelada. Com um ATR maior, o processo industrial precisa ter uma moagem mais lenta para absorver todo o volume e, com isso, apesar de nossa capacidade de moagem ser de 7,2 mil toneladas por dia, nossa média foi menor em função do maior ATR.

O clima afetou as perspectivas de volume de cana? Qual é a expectativa atual e de que forma ela se difere do início da safra?
Não. Apesar do clima mais seco, tivemos chuvas acima da média na entressafra e algumas chuvas pontuais em abril, maio e junho, que ajudaram a manter produtivo o canavial deste ano. A nossa expectativa inicial era moer 1,41 milhão de toneladas e deveremos moer 1,46 milhão, em função não apenas de não haver quebra agrícola, mas também porque compramos um pouco mais de cana no mercado spot.

Ao mesmo tempo em que acelerou a moagem, o clima também pode afetar a produção para o ano que vem e muitos produtores já falam em uma redução na oferta de cana. Quais são as perspectivas da Diana neste sentido?
Ainda é cedo para falar em redução da oferta no Centro-Sul para o próximo ano. O principal período de crescimento da cana é de outubro a março, onde temos aproximadamente 85% do crescimento da cana, então, devemos acompanhar o clima de outubro em diante para fazer previsões para 2021. No caso da Diana, na próxima safra devemos moer 1,65 milhão de toneladas, muito próximo da capacidade máxima, com produtividade de 85 toneladas por hectare e uma concentração de ATR de 137,50 kg/t.

E como estão as projeções da companhia em relação ao mix de produção para 2021/22? Vocês podem falar em volumes de açúcar e etanol?
Para o próximo ano, devemos manter o mix desse ano, sendo 63% para açúcar e 37% para etanol. O motivo de mantermos o mix é que, respeitando nossa política de gerenciamento de riscos, fixamos açúcar para 2021, 2022 e 2023. Desta forma teremos uma produção de 134,9 mil toneladas de açúcar VHP e 56 milhões de litros de etanol hidratado.

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A Diana está certificada para participar do RenovaBio. O que a companhia espera do programa?
Já começamos a comercializar os CBios. As expectativas em relação programa neste ano ficaram arrefecidas por conta da pandemia, entretanto, acompanhando a recuperação do etanol, os CBios começaram a ser comercializados. Devemos ter um faturamento novo na ordem de R$ 1 milhão.

O mercado de etanol, como você mesmo mencionou, foi bastante afetado pela pandemia de covid-19. De que forma isso deve impactar os resultados financeiros da companhia?
O mercado de etanol foi afetado muito no início da pandemia. De abril até primeira quinzena de junho, tivemos preços médios de R$ 1,70 por litro, o que, tirando os impostos, é o custo da usina. A partir da segunda quinzena de junho, tivemos uma melhora muito grande e os preços foram e continuam sendo melhores que o mesmo período do ano passado. Como estratégia, estocamos boa parte do etanol no pior momento da pandemia e, depois, começamos a vender. Em outubro, vendemos etanol hidratado a R$ 2,35/L.

“Para o próximo ano, contando com um crescimento do PIB, devemos ver uma melhora no cenário de consumo e, consequentemente, nos preços de etanol”

Neste ano, a Diana divulgou algumas ações para alongar as dívidas e, também, um planejamento com horizonte de cinco anos. Como foi esse processo de negociação com os bancos?
Todo o processo foi concluído. Iremos fechar março de 2021 com um endividamento líquido na ordem de R$ 90/t, o que é bem abaixo da média do setor. O processo foi muito tranquilo, pois os bancos parceiros da Diana sempre apoiaram a companhia. Todos notaram uma melhora nos números em função da estratégia adotada pela Diana nos três últimos anos, com a renovação de 70% do canavial. A partir deste ano, passamos a ter um canavial produtivo e, a partir de 2021, iremos estabilizar os rendimentos em 85 t/ha, com ATR de 137,50 kg/t. Para a região de Araçatuba (SP), estes são números muito bons.

Você pode comentar um pouco mais sobre o endividamento por tonelada de cana? Quais índices vocês pretendem atingir e em quanto tempo?
Devemos fechar essa safra com um endividamento de R$ 90/t; na próxima, estaremos em R$ 54/t; e, na safra 2022/23, em R$ 11,70/t. O que nos dá segurança de alcançar tais números é que estamos com o canavial renovado, eficiência industrial em 90%, preços de açúcar fixados por quatro anos e continuaremos focados em manter o custo baixo, aumentando ano a ano a rentabilidade da companhia.

Quais outros objetivos fazem parte deste planejamento? Há perspectivas na área agrícola?
Dentro do nosso planejamento estratégico, temos como premissas manter anualmente a renovação necessária do canavial de 17%, visando manter a produtividade e qualidade. Também pretendemos renovar paulatinamente a frota agrícola e o parque industrial, reduzindo custos e mantendo a eficiência operacional, e por fim, investir aos poucos no aumento da nossa cogeração, pois entendemos que o futuro do setor é voltado a energia.

Renata Bossle – NovaCana

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