Previsões de excedentes variam entre 3 e 11,51 milhões de toneladas; expectativa para 2018/19 também é de mais superávit
Ao chegar na metade da safra global 2017/18 de açúcar, as previsões de superávit na relação oferta-demanda se reafirmam e fortalecem. Assim, o excedente esperado na última análise está se confirmando, ou seja, a produção vai superar o consumo.
O levantamento mais recente realizado pelo NovaCana, concluído hoje (dia 20), envolve as projeções de 15 instituições sobre a atual safra global, que vai de 1º de outubro de 2017 a 30 de setembro de 2018.
A última análise, publicada no fim de 2017, já trazia um consenso de superávit global na produção, com uma média de 4,31 milhões de toneladas excedentes. Agora, essa média subiu 37,3%, chegando a 5,92 milhões de toneladas na diferença entre produção e consumo.
O NovaCana apresenta também as primeiras estimativas para a safra internacional 2018/19.
Confira gráficos comparativos, os fatores que mexem com o mercado e as previsões das consultorias e empresas especializadas:
- Abares
- BTG Pactual
- Datagro
- ED&F Man Holdings
- F.O. Licht
- Greenpool
- INTL FCStone
- ISO
- Louis Dreyfus
- Platts Kingsman
- Rabobank
- Societé Génerale
- Sucden
- TRS
- USDA
Ao chegar na metade da safra global 2017/18 de açúcar, as previsões de superávit na relação oferta-demanda se reafirmam e fortalecem. Assim, o excedente esperado na última análise está se confirmando: ou seja, a produção vai superar o consumo.
O levantamento mais recente realizado pelo NovaCana, concluído hoje (dia 20), envolve as projeções de 15 instituições sobre a atual safra global, que vai de 1º de outubro de 2017 a 30 de setembro de 2018.

A última análise, publicada no fim de 2017, já trazia um consenso de superávit global na produção, com uma média de 4,31 milhões de toneladas excedentes. Agora, essa média subiu 37,3%, chegando a 5,92 milhões de toneladas na diferença entre produção e consumo.

Grande parte das consultorias atribuem este aumento à estimativa do crescimento de produção na Índia, o maior consumidor global de açúcar. Como o relatório da BTG Pactual afirma, chuvas inesperadas em novembro e dezembro fizeram com que a plantação de cana-de-açúcar na região de Maharashtra alcançasse seu potencial máximo, o que vai se refletir na produção no país e a nível global.
De acordo com a INTL FCStone, além do país indiano, que, isoladamente, teve a maior variação a influenciar a estimativa global, a Tailândia também teve um cenário climático mais favorável. Nesse caso, as usinas do país registraram novos recordes históricos diários de moagem de cana e de produção de açúcar.
A menor previsão dentre as mais recentes foi a da consultoria especializada em agronegócio Platts Kingsman, com 3,13 milhões de toneladas excedentes em 2017/18. A empresa afirma que o superávit é resultado de um maior crescimento na oferta (6,6%) – especialmente graças à produção no Brasil e na Tailândia – do que na demanda (1%).
Por outro lado, dentre as consultorias que participam do levantamento, a Greenpool previu o maior excedente para a safra 2017/18, com 11,5 milhões de toneladas, sendo que tinha previsto “apenas” 7,14 milhões de toneladas na última análise do NovaCana, em novembro de 2017 – um crescimento de 89%.
Além disso, ainda de acordo com a consultoria, a previsão para as próximas duas safras também é de maior produção do que consumo. A Greenpool afirmou, durante uma conferência de açúcar em Dubai, que a tradição no ciclo dos estoques de açúcar é que a cada dois anos deficitários acontecerão três anos com excedentes. Sendo assim, o ciclo de superávit estaria apenas começando a impactar o mercado.

Previsões em alta
Além da Greenpool, outras consultorias tiveram grandes mudanças entre as duas últimas análises do NovaCana. Entre elas estão a Datagro, a TRS e o BTG Pactual, que aumentaram expressivamente suas estimativas, enquanto a F.O. Licht diminuiu as suas projeções.
Para a Datagro, o aumento entre novembro de 2017 e março de 2018 foi gradativo, chegando a 83,7%, de 2,95 para 5,42 milhões de toneladas. O argumento é que, mesmo com a previsão de uma menor safra no Brasil, a conjectura global de produção e a diminuição do consumo tornam as expectativas mais altas.

Já o BTG aumentou sua estimativa em 133% entre novembro de 2017 e março de 2018, passando de 1,8 milhões de toneladas excedentes para 5 milhões de toneladas, grande parte em função do aumento na produção indiana.
Por sua vez, a Platts Kingsman, que teve um discreto aumento na sua previsão entre as duas últimas análises, mantém o excedente de 3,1 milhões de toneladas. Novamente, a justificativa do superávit está centrada na desaceleração do crescimento do consumo e no aumento na produção. “Nesta safra, o consumo deve ter o menor crescimento nos últimos sete anos, de apenas 1,04%, quase metade do crescimento médio de aproximadamente 2% por ano na última década”, divulgou a consultoria.
Tom McNeill, diretor da Greenpool, ainda acrescenta que o consumo está estagnando em países mais desenvolvidos, devido à consciência saudável que se fortalece ano a ano, junto a preços altos e o uso de outras alternativas adoçantes.
Preços sob pressão
Com os estoques mais altos, o preço internacional de açúcar bruto permanece sob pressão no primeiro trimestre de 2018, conforme o mais recente relatório do Rabobank. Foi divulgado que a estimativa de produção indiana “levou o preço do açúcar bruto em Nova Iorque para abaixo de 13 centavos de dólar por libra-peso no começo de março”.
Já o BTG Pactual afirma que o preço de equilíbrio para o açúcar — valor em que não há nem lucro nem prejuízo durante a venda — pode chegar a cerca de 16 centavos com essas previsões de excedente. Isso é negativo para as empresas produtoras, que provavelmente não serão capazes de proteger sua produção em níveis atrativos, pressionando diretamente os resultados e o fluxo de caixa geração para o ano.
Para o Brasil, a expectativa é que essa baixa nos preços influencie no mix da safra que se inicia em abril. Segundo levantamento realizado pelo NovaCana, além do mix mais alcooleiro, a produção de cana-de-açúcar será menor este ano, pela pouca renovação dos canaviais e pela diminuição dos tratos culturais – o que poderia ter influenciado no excedente global de açúcar, mas foi compensado pela produção asiática.
2018/19: superávit, mas menor
Algumas consultorias já arriscaram algumas previsões para a próxima safra, 2018/19, que começa em 1º de outubro de 2018. Até o momento, o principal consenso é de um novo superávit, porém menor que o esperado para a safra atual.
O Rabobank baseia sua análise nas tendências da safra atual e espera um superávit de 3,9 milhões de toneladas em 2018/19, uma diminuição de 28% em relação à atual temporada. Enquanto isso, a Sucden estima que a produção da União Europeia diminuará, refletindo em um menor excedente a nível global, entre 3,5 a 4 milhões de toneladas.
Por sua vez, a Greenpool espera um excedente 112% menor que o da safra atual, especialmente com a diminuição na produção de açúcar na região Centro-Sul brasileira. "A mudança do foco para o etanol em 2018/19 deve fazer a produção de açúcar cair bruscamente", disse a companhia.
Já a Abares espera que a produção total global diminua 2% entre as duas últimas safras, especialmente graças ao declínio na produção brasileira. Somado à diminuição no consumo, a expectativa é que não haja excedente, mas tampouco déficit.
NovaCana DATA
Rafaella Coury – NovaCana