Apesar do elevado número de empresas que terminaram o ano com balanço negativo, média dos prejuízos entre as maiores do setor é a menor dos últimos seis anos
Dívidas em alta, volatilidade de preços que dificultam a previsibilidade dos resultados e a já estabelecida concentração de números positivos em poucas empresas. Embora o ano de 2017 tenha trazido uma sensível melhora no lucro líquido de uma parcela das companhias sucroenergéticas, o quadro ainda merece cautela – pelo menos é o que apontam os resultados divulgados anualmente pela revista Exame, que compila dados das 1.000 maiores empresas do país.
O levantamento feito pelo NovaCana aponta que, na publicação referente aos resultados de 2017, 83 empresas do setor sucroenergético entraram no ranking – seis a menos que em 2016. A retração é derivada do desempenho da receita das companhias em um contexto nacional, indicando que as empresas do setor de açúcar e etanol podem ter sido mais afetadas pela crise econômica que outros setores.
Dentre essas 83 empresas, 57 registraram lucro e 24 apresentaram prejuízo, sendo que duas não tiveram os dados de lucro líquido ajustado divulgados.
O ranking publicado pela Exame é feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e apresenta as 1.000 empresas brasileiras de maior receita líquida. Desta forma, a publicação contempla uma fração do setor sucroenergético, dando um panorama com base nos resultados das maiores companhias, mas a realidade da maioria das empresas fica de fora.

Neste recorte, o número de sucroenergéticas no vermelho se manteve o mesmo no comparativo entre 2016 e 2017, porém, as empresas não são as mesmas. A boa notícia é que, apesar da manutenção do número, o prejuízo somado diminuiu em 45,62%, de US$ 1,68 bilhão para US$ 918,6 milhões. Com isso, na média, as sucroenergéticas tiveram perdas de US$ 38,3 milhões, contra os US$ 70,4 milhões de 2016, chegando ao valor mais baixo dos últimos seis anos e quebrando a tendência de piora vista desde 2011.
Ainda assim, é inegável que o setor, na sua visão total, incluindo as empresas ineficientes, segue com prejuízos elevados.
Confira, na versão completa:
- Ranking das maiores perdas do setor em 2017
- Evolução do perdas das cinco empresas com maiores prejuízos (por unidade e por grupo)
- Maiores prejuízos por grupo em 2017
- Prejuízos médio e total do setor em 2017
Dívidas em alta, volatilidade de preços que dificultam a previsibilidade dos resultados e a já estabelecida concentração de números positivos em poucas empresas. Embora o ano de 2017 tenha trazido uma sensível melhora no lucro líquido de uma parcela das companhias sucroenergéticas, o quadro ainda merece cautela – pelo menos é o que apontam os resultados divulgados anualmente pela revista Exame, que compila dados das 1.000 maiores empresas do país.
O levantamento feito pelo NovaCana aponta que, na publicação referente aos resultados de 2017, 83 empresas do setor sucroenergético entraram no ranking – seis a menos que em 2016. A retração é derivada do desempenho da receita das companhias em um contexto nacional, indicando que as empresas do setor de açúcar e etanol podem ter sido mais afetadas pela crise econômica que outros setores.
Dentre essas 83 empresas, 57 registraram lucro e 24 apresentaram prejuízo, sendo que duas não tiveram os dados de lucro líquido ajustado divulgados.

O ranking publicado pela Exame é feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e apresenta as 1.000 empresas brasileiras de maior receita líquida. Desta forma, a publicação contempla uma fração do setor sucroenergético, dando um panorama com base nos resultados das maiores companhias, mas a realidade da maioria das empresas fica de fora.

Dentro desse recorte, o número de sucroenergéticas no vermelho se manteve o mesmo no comparativo entre 2016 e 2017, porém, as empresas não são as mesmas. A boa notícia é que, apesar da manutenção do número, o prejuízo somado diminuiu em 45,62%, de US$ 1,68 bilhão para US$ 918,6 milhões. Com isso, na média, as sucroenergéticas tiveram perdas de US$ 38,3 milhões, contra os US$ 70,4 milhões de 2016, chegando ao valor mais baixo dos últimos seis anos e quebrando a tendência de piora vista desde 2011.

Além disso, em 2016, seis empresas tiveram prejuízos acima de US$ 100 milhões e, destas, três superavam US$ 200 milhões. Em 2017, por sua vez, apenas duas ultrapassaram a marca de US$ 100 milhões e nenhuma chegou à segunda marca.
Enquanto em 2016 os prejuízos variaram entre US$ 600 mil e US$ 311,2 milhões, em 2017 eles oscilaram dos mesmos US$ 600 mil a US$ 160,4 milhões, um valor 48,5% menor.
Ainda assim, é inegável que o setor segue com prejuízos elevados. Considerando os grupos, a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) teve o maior prejuízo em 2017: US$ 274,7 milhões, contabilizados a partir de cinco unidades. Na sequência, a Biosev somou um prejuízo de US$ 211,3 milhões, com duas empresas entre as 1.000 maiores do país.

Já o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) teve perdas de US$ 123,1 milhões com três empresas. Em seguida, Abengoa e Clealco apresentaram prejuízos de US$ 99,9 milhões e US$ 62,4 milhões, respectivamente.

Biosev
O maior prejuízo individual veio da Biosev Bioenergia, com US$ 160,4 milhões – o valor é 573,95% maior que o registrado em 2016 e representa cerca de 17,4% do prejuízo total contabilizado pelas maiores sucroenergéticas.
Somado ao de outra empresa do grupo, que também faz parte do recorte e registrou perdas de US$ 50,9 milhões, o prejuízo foi de US$ 211,3 milhões, ou 23% do endividamento total. Em 2016, as perdas somadas das empresas foram de pouco mais de US$ 70 milhões.

O índice de endividamento total (calculado pela divisão do passivo total pelos ativos totais) de ambas as unidades supera os 100%. Apesar disso, em 2017, a Biosev teve vendas líquidas de US$ 1,06 bilhão, um acréscimo de 17,7% em relação a 2016, quando as vendas geraram US$ 901,44 milhões.
Especificamente, a Biosev Bioenergia sofreu um decréscimo de 5,6% nas vendas, caindo de US$ 1,01 bilhão para US$ 961,4 milhões.
Além disso, as empresas do grupo, que ficaram em 11º e 14º lugares no ranking de maiores prejuízos sucroenergéticos de 2016 passaram para 1º e 8º lugares em 2017, respectivamente. O resultado dos problemas financeiros ficou evidente em 2018: a companhia vendeu duas unidades no Nordeste por R$ 273,6 milhões e contratou o Rabobank para procurar compradores para outras unidades pelo Brasil.
Atvos
Com resultados no vermelho desde 2014, as empresas elencadas no ranking que pertencem ao grupo são: Brenco (SP), Conquista do Pontal (SP), Rio Claro (GO), Agro Energia Santa Luzia (MS) e Usina Eldorado (MS).
Apesar das perdas financeiras, houve melhora no resultado geral destas empresas no comparativo entre 2016 e 2017: os prejuízos passaram de US$ 326,5 milhões para US$ 274,6 milhões, uma queda de 15,9%. Somado, o montante referente a 2017 corresponde a quase 30% das perdas contabilizadas no levantamento.
O grupo também enfrenta inúmeros problemas financeiros e possui dívidas elevadas. Em junho deste ano, a Atvos voltou a negociar com bancos, em busca de melhorias do seu perfil de débitos.
Dentre as companhias mencionadas, a empresa que acumulou maior prejuízo foi a Brenco, com US$ 143,5 milhões, ficando em segundo no ranking geral; porém, seu prejuízo foi 10,5% menor que o de 2016. Por outro lado, suas vendas caíram 3,8% no mesmo comparativo.
A Conquista do Pontal também teve uma redução no prejuízo em 2017, ficando em quinto no ranking geral, com US$ 77,4 milhões, ante os US$ 113,3 milhões de 2016. A companhia também teve um aumento de 56,8% nas vendas líquidas, que passaram de US$ 173,02 milhões para US$ 271,3 milhões.

As outras três unidades do grupo mencionadas – Usina Eldorado, Agro Energia Santa Luzia e Rio Claro – apresentaram prejuízos de US$ 11,2, US$ 15,9, US$ 26,5 milhões, respectivamente. A Usina Eldorado teve o menor prejuízo e também o maior crescimento em vendas em relação a 2016, com um aumento de 96,2%. Ela também é a empresa com menor endividamento total, registrando um índice de 27,3%.
Abengoa
A Abengoa, que havia entrado na lista de maiores companhias do Brasil apenas em 2013 e 2014, retorna em 2017 registrando um prejuízo de US$ 99,9 milhões. A única empresa do grupo na relação teve um índice de endividamento total de 83,2% em 2017.

A companhia, que está em recuperação judicial desde setembro de 2017, acumula perdas anuais cada vez mais robustas. Em junho deste ano, ela fechou um acordo para a venda de usinas para a Cargill.
GVO
Com as empresas Virgolino de Oliveira (SP), Agropecuária Terras Novas (SP) e Açucareira Virgolino de Oliveira (SP), os prejuízos somados chegam a US$ 123,1 milhões. Ainda que esse resultado seja 74,4% menor que o visto no ano anterior – o grupo liderou o ranking de maiores prejuízos em 2015 e 2016 –, ele ficou na terceira posição em 2017.
O resultado menos desfavorável se deu por um crescimento nas vendas líquidas ajustadas em duas empresas do grupo: Açucareira Virgolino de Oliveira (+20%) e Agropecuária Terras Novas (+8,1%). Além disso, em 2016, o grupo tinha uma empresa a mais dentre as listadas, de modo que o resultado pode ter sido favorecido pela presença de um prejuízo a menos na relação das 1.000 maiores empresas do Brasil.

Outro ponto positivo foi o lucro da Açucareira Virgolino de Oliveira, de US$ 22,8 milhões, contra o prejuízo de US$ 47,5 milhões em 2016. O bom resultado se deu pelo aumento em 20,8% das vendas líquidas, que subiu para US$ 233,6 milhões.
Já a Virgolino de Oliveira teve prejuízo de US$ 81,7 milhões, ficando em quarto lugar no ranking geral, ainda que com um montante 62,5% menor que em 2016. A companhia teve, ainda, uma retração nas vendas de 14,7% entre 2016 e 2017.
A Agropecuária Terras Novas foi a sexta no ranking geral de maiores prejuízos. Apesar de ter aumentado as vendas em 8,1%, para US$ 78,1 milhões, ela teve perdas de U$S 64,2 milhões. O montante é 115,4% superior aos US$ 29,8 milhões de prejuízo registrados em 2016. Todas as empresas do grupo possuem índice de dívida total superior a 100%.
Assim, os resultados negativos devem se repetir no balaço financeiro de 2018. Em 3 de dezembro deste ano, funcionários e ex-funcionários da GVO protestaram por conta de salários em atraso, ausência no pagamento de benefícios e nos acertos após a demissão.
Em nota, a usina mencionou que está com dificuldades financeiras por conta dos baixos preços do açúcar e faltas de chuva que dificultaram a produção. No mesmo dia, o pagamento do mês de outubro, em atraso, foi feito aos trabalhadores.
Além disso, em maio, o grupo já havia assinado um acordo de R$ 48,7 milhões a fim de quitar processos trabalhistas.
Metodologia
A avaliação da Exame referente a 2017 foi feita com mais de 3 mil empresas brasileiras e teve a coordenação da Fipecafi, compreendendo as demonstrações contábeis publicadas em Diário Oficial até 14 de maio de 2018. As companhias limitadas, que mandaram resultados para análise e responderam aos questionários, também foram incluídas.
O efeito da inflação foi considerado no resultado, sendo que também foram tomados como base os resultados individuais e não consolidados, a fim de medir o desempenho por empresa. A ideia é que nenhuma companhia saísse prejudicada na avaliação, além de padronizar os números para o caso de empresas que fecham o balanço antes ou depois da maioria. Os valores são divulgados em dólares, de acordo com a flutuação e o câmbio do último dia do ano analisado.
Dentre os critérios de seleção estão ser uma das 1.000 maiores empresas privadas ou estatais, com vendas líquidas anuais superiores a US$ 152,3 milhões, ser uma das 10 maiores ou 15 melhores do respectivo setor e ser uma das 100 maiores das regiões Centro-Oeste, Norte-Nordeste e Sul.
Para o setor sucroenergético, a metodologia escolhida é problemática, pois considera o ano civil de 2017 e não o ano fiscal das companhias, que envolve a temporada inteira – deixando de fora o último trimestre da safra, já que os resultados começam a ser divulgados em junho do ano posterior. Desta forma, os valores divulgados no ranking não necessariamente correspondem à situação da companhia em uma safra completa.
Outro porém é que a lista não agrupa o balanço dos mesmos grupos, permitindo uma separação entre as unidades do Grupo Virgolino de Oliveira e da Atvos, por exemplo. Quanto às empresas de porte significativo que são bem conhecidas no mercado, mas preferem não divulgar seus números, os analistas da revista estimam seu faturamento para não as deixar de fora da lista.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana