Os desempenhos agrícola, industrial e financeiro da sucroenergética entre as temporadas 2016/17 e 2019/20
A safra 2019/20 trouxe bons números para o histórico de resultados da São Martinho, que controla quatro usinas – três em São Paulo e uma em Goiás. Com preços melhores para o açúcar e para o etanol, acompanhados de um maior volume de vendas, a companhia conseguiu elevar seu lucro líquido em 103,5% na comparação com a safra 2018/19. Foram R$ 639,01 milhões ante os R$ 314,05 milhões registrados anteriormente.
Deste valor, R$ 142,7 milhões foram reportados no quarto trimestre de 2019/20, período de entressafra de cana-de-açúcar. O resultado está 66,6% acima do observado no mesmo período da safra anterior, mesmo com a queda na demanda e nos preços de etanol registradas em março, provocadas pela chegada da pandemia de coronavírus ao Brasil.
Em relatório sobre a companhia, o banco de investimentos BTG Pactual aponta que os resultados do trimestre refletem principalmente o cenário anterior ao impacto trazido pela covid-19. “Os preços realizados de etanol e açúcar foram 15% superiores na comparação anual e garantiram um sólido Ebitda ajustado de R$ 580 milhões, 5% acima da nossa previsão”, apontam os analistas do banco.
Também de acordo com o documento, o lucro do trimestre foi “muito melhor” do que a estimativa do banco, que esperava por um maior impacto financeiro da dívida da companhia calculada em dólar. “Ainda assim, a dívida líquida subiu para R$ 2,9 bilhões, refletindo o real mais fraco e a menor venda de etanol, provavelmente devido ao colapso da demanda no final de março”, complementa.
Para uma melhor compreensão dos números da São Martinho, o NovaCana disponibiliza 52 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela própria companhia. A partir deles, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
As informações que fazem parte do levantamento incluem:
- Moagem acumulada e por trimestre
- Mix de produção
- ATR total e em relação à moagem
- Produtividade dos canaviais
- Etanol: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Açúcar: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Cogeração: energia vendida, receita e preço médio
- Destino da produção ao longo da safra – mercado externo e interno
- Estoques de etanol e açúcar: por volume e por valor de mercado
- Evolução financeira
- Indicadores de resultado em relação à moagem
- Lucro líquido e bruto
- Receita operacional
- Composição das vendas
- Relação entre receitas e custos
- Impacto da variação cambial
- Perfil das dívidas
- Alavancagem
A safra 2019/20 trouxe bons números para o histórico de resultados da São Martinho, que controla quatro usinas – três em São Paulo e uma em Goiás. Com preços melhores para o açúcar e para o etanol, acompanhados de um maior volume de vendas, a companhia conseguiu elevar seu lucro líquido em 103,5% na comparação com a safra 2018/19. Foram R$ 639,01 milhões ante os R$ 314,05 milhões registrados anteriormente.
Deste valor, R$ 142,7 milhões foram reportados no quarto trimestre de 2019/20, período de entressafra de cana-de-açúcar. O resultado está 66,6% acima do observado no mesmo período da safra anterior, mesmo com a queda na demanda e nos preços de etanol registradas em março, provocadas pela chegada da pandemia de coronavírus ao Brasil.
Em relatório sobre a companhia, o banco de investimentos BTG Pactual aponta que os resultados do trimestre refletem principalmente o cenário anterior ao impacto trazido pela covid-19. “Os preços realizados de etanol e açúcar foram 15% superiores na comparação anual e garantiram um sólido Ebitda ajustado de R$ 580 milhões, 5% acima da nossa previsão”, apontam os analistas do banco.
Também de acordo com o documento, o lucro do trimestre foi “muito melhor” do que a estimativa do banco, que esperava por um maior impacto financeiro da dívida da companhia calculada em dólar. “Ainda assim, a dívida líquida subiu para R$ 2,9 bilhões, refletindo o real mais fraco e a menor venda de etanol, provavelmente devido ao colapso da demanda no final de março”, complementa.
Para uma melhor compreensão dos números da São Martinho, o NovaCana disponibiliza 52 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela própria companhia. A partir deles, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
Resultados financeiros
Embora o BTG Pactual tenha encarado com bons olhos os resultados financeiros da São Martinho, o mesmo não pode ser dito do banco Citi. Para a instituição, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado do grupo ficou abaixo do esperado no quarto trimestre da safra 2019/20.
No período, a sucroenergética registrou um Ebitda de R$ 579,51 milhões,13,7% acima do visto na entressafra anterior. Mesmo com o crescimento, o valor ficou aproximadamente 10% aquém da expectativa do banco, de R$ 647 milhões.
No acumulado da safra 2019/20, por sua vez, o Ebitda ajustado da São Martinho foi de R$ 1,86 bilhão. O valor está 12,9% acima do apresentado um ano antes. Já a margem Ebitda ajustada da temporada foi de 50,2%, ficando 1,5 ponto percentual acima do resultado anual anterior.
“As principais razões que justificaram o melhor resultado do trimestre e da safra foram, principalmente, melhores preços de comercialização de açúcar e etanol e maior volume de vendas de açúcar e energia nos períodos”, resume a São Martinho.
Em relação à moagem total da temporada, encerrada já no terceiro trimestre da safra, o desempenho da São Martinho foi equivalente a um Ebitda ajustado de R$ 82/t. Quando entram na conta depreciações e amortizações – transformando o Ebitda em Ebit –, por sua vez, o indicador passa a ser de R$ 35/t. Na safra anterior, a companhia obteve R$ 80,4/t e R$ 29,3/t, respectivamente.
Segundo a São Martinho, o Ebit ajustado teve uma melhora mais acentuada do que o Ebitda por conta do aumento dos investimentos realizados pela companhia na temporada. O resultado do indicador em 2019/20 somou R$ 792,54 milhões, o que representa um aumento anual de 32,1%.





Vendas por produto
Ao longo da safra 2019/20, a receita líquida da São Martinho somou R$ 3,7 bilhões – 9,5% a mais que o visto um ano antes. Uma parte significativa deste montante foi obtida no quarto trimestre, quando a companhia obteve uma receita de R$ 1,15 bilhão. O valor trimestral está 1,9% acima que o registrado na entressafra anterior.
No total, a companhia realizou a venda de 1,1 milhão de toneladas de açúcar na temporada – 383,74 mil só no último trimestre –, obtendo uma receita de R$ 1,24 bilhão com a commodity. “[Isto foi] resultado da concentração de embarques no período de entressafra, que apresentou preço médio de comercialização superior em 15,2% na comparação com o mesmo período da safra anterior”, relata a São Martinho.
Considerando toda a temporada e as vendas tanto para o mercado doméstico quanto externo, o preço médio para a commodity foi de R$ 1.143,6/t. Em uma comparação anual, houve um aumento de 7,7% no volume comercializado e de 4,1% no preço médio, resultando em um crescimento de 12,1% na receita com o produto.
Para a atual safra, a São Martinho afirmou que 77% da produção de açúcar projetada já estava com preços fixados até 31 de março. Na média, o produto será vendido a R$ 1.332/t, um valor 23% superior ao registrado em 2019/20. “Isso deve ajudar a proteger os resultados de uma possível queda nos preços do açúcar nos próximos meses”, comenta, em relatório, o BTG Pactual.
Já em relação ao etanol, o volume vendido na temporada passada foi de 1,11 bilhão de litros, o que representa uma queda de 3,5% em relação ao resultado da safra anterior. Entre as justificativas para a queda está a redução na demanda vista em março: durante a entressafra, a São Martinho registrou a venda de 319,15 milhões de litros, 22,8% a menos do que o observado um ano antes.
“A companhia decidiu carregar o produto para ser vendido ao longo dos próximos meses com preços potencialmente superiores, considerando a queda acentuada do preço de etanol ocorrida em meados de março de 2020”, confirma a São Martinho.
Ainda assim, o preço médio do etanol em 2019/20 teve uma elevação de 10,7%, chegando a R$ 1,940,5/m³, de forma que a receita líquida obtida com o biocombustível aumentou 6,9%, totalizando R$ 2,15 bilhões entre abril de 2019 e março de 2020.
Por fim, a sucroenergética ainda comercializou 973 GWh de energia elétrica no acumulado da safra, o que representa um crescimento anual de 9,6%. Neste caso, porém, houve uma queda de 4,7% no preço médio, que ficou em R$ 224,5/MWh. Isto minimizou o impacto do aumento das vendas sobre a receita líquida, que totalizou R$ 218,4 milhões.





Indicadores de desempenho
Outro número importante para a análise dos resultados financeiros e operacionais da São Martinho é a relação entre custos e receitas. Em 2019/20, as receitas do grupo somaram R$ 3,7 bilhões, enquanto seus custos com os produtos vendidos representaram 68% deste valor, ou seja, R$ 2,52 bilhões. Em 2018/19, esta relação foi de 73,6%.
A diminuição neste indicador na safra recém-encerrada foi possível porque a companhia registrou, entre as duas temporadas, um aumento de 9,5% na receita líquida, enquanto os custos subiram apenas 1,1%. Ou seja, houve uma melhora nas margens.
De acordo com a São Martinho, o aumento nos custos foi derivado de um crescimento de 12,9% no valor pago pela cana-de-açúcar de terceiros (estabelecido pelo Consecana) e por reajustes nos preços de insumos agrícolas, como defensivos e fertilizantes.
Além disso, a companhia registrou um aumento de 12,8% nas receitas vindas de investimentos, que totalizaram R$ 117 milhões na safra 2019/20. Em contrapartida, as despesas com o pagamento de juros subiram ainda mais – 33,7% – e chegaram a R$ 415,98 milhões no acumulado da temporada.
Segundo a São Martinho, isso aconteceu principalmente por conta do efeito da variação do câmbio. Ao longo da safra, a desvalorização do real frente ao dólar causou um impacto líquido negativo para a sucroenergética, somando R$ 35,89 milhões. O valor é 2,5% maior que as perdas de R$ 35 milhões registradas em 2018/19.



Perfil da dívida
No setor de açúcar e etanol, a liquidez tem sido um dos aspectos mais delicados, já que carateriza as companhias com dificuldades financeiras. A São Martinho, porém, conseguiu manter uma boa liquidez nos últimos anos, o que deve continuar mesmo no atual contexto de pandemia, segundo relatório do BTG Pactual.
Em relação ao Ebitda acumulado de 12 meses, a dívida líquida da companhia em 31 de março apresenta uma alavancagem de 1,55 vez. Este indicador está 6,1% abaixo do observado um ano antes.
Ainda assim, o BTG afirma que a sucroenergética está retendo temporariamente o aumento de dividendos, mas que deve voltar a investir quando a situação se normalizar. O banco complementa ainda que, além de pagamentos anunciados anteriormente e dos dividendos mínimos, a São Martinho também aprovou o pagamento adicional de R$ 13 milhões.
“Combinados, [estes pagamentos] representam não mais que 24% dos ganhos em dinheiro, abaixo da taxa de pagamento de 40% indicada pela nova política de dividendos”, aponta o relatório, que complementa: “A São Martinho está claramente preservando a liquidez contra o tumulto causado pela covid-19”.
Em 31 de março, a dívida líquida da sucroenergética era de R$ 2,88 bilhões, o que representou uma redução de 2,4% em relação à posição vista em 31 de dezembro de 2019. Na comparação anual, entretanto, houve um aumento de 19,9%.
De acordo com a São Martinho, este aumento é justificado especialmente pela variação cambial, pois aproximadamente 40% da dívida do grupo está vinculada ao dólar; um ano antes, esta participação era de 32%. “Além disso, houve necessidade de capital de giro, em aproximadamente R$ 125 milhões, refletindo a decisão de carrego de produtos, notadamente etanol, que será revertido em caixa ao longo da safra, com preços melhores”, completa.


Moagem e produção
Sem apresentar moagem durante o quarto trimestre de 2019/20, a São Martinho encerrou a temporada com 22,64 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. O valor é 10,7% superior às 20,45 milhões de toneladas registradas na safra anterior.
A maior parte deste crescimento se deu na moagem de cana própria, que teve um aumento de 15% e alcançou 15,74 milhões de toneladas. Já a moagem de cana de fornecedores teve um crescimento de 2,1%, totalizando 6,9 milhões de toneladas na temporada.
A partir do volume total de cana moída, a São Martinho produziu 1,17 bilhão de litros de etanol na safra – alta de 6,8% ante os 1,10 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Já a fabricação de açúcar ficou em 1,11 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 11,5% frente às 992,4 mil toneladas vistas na safra passada.
Esta produção é resultado de um direcionamento de 63% da matéria-prima para o etanol e de 37% para o açúcar.





Indicadores agrícolas e industriais
Para 2020/21, a São Martinho divulgou que pretende aumentar a moagem em 2,5%, chegando a 23,2 milhões de toneladas. Em contrapartida, também é esperada uma queda de 1% no índice que mede a qualidade da cana, calculado pela quantidade de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada.
Em 2019/20, este indicador encerrou a temporada em 139,35 kg/t, o que representou uma queda de 2% ante os 142,19 kg/t observados em 2018/19.
Ao mesmo tempo, a companhia registrou uma maior moagem por hectare, alcançando uma média de 82,9 t/ha. Na temporada passada, esse índice foi de 74,2 t/ha, ou seja, houve um aumento de 11,7% entre as safras.





Renata Bossle – NovaCana