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São Martinho em 52 gráficos: O desempenho da companhia nas últimas cinco safras

Em meio a um ciclo de investimentos, sucroenergética apresentou resultados menores na temporada 2022/23 e reforçou aposta na exportação de etanol

NovaCana 15 min de leitura

Cautela e esperança. Para muitas empresas do setor de açúcar e etanol, estas duas palavras marcaram o início da safra 2022/23. Após a quebra de safra vista na temporada anterior, o momento era de recuperação nos canaviais, mas o contexto político e econômico – dentro e fora do país – trazia outros receios, como um aumento considerável de custos.

No caso da São Martinho, o novo ciclo teve um início positivo, com uma estimativa de alta de 2% na moagem de cana-de-açúcar, para 20,3 milhões de toneladas. O número, entretanto, não foi atingido e a companhia encerrou a safra com 20,02 milhões de toneladas, praticamente estável em relação à temporada anterior.

No aspecto financeiro, a história foi parecida. O primeiro trimestre (de abril a junho) viu uma alta anual de 59,7% no lucro líquido, que chegou a 1,48 bilhão. Os períodos seguintes, embora tenham mantido os números no azul, viram retração. A queda na comparação ano a ano foi de 42,3% no segundo trimestre, para R$ 212,6 milhões, e de 38,3% no subsequente, para R$ 429,7 milhões.

Entretanto, para uma melhor compreensão destes números, é preciso considerar o contexto da temporada, as estratégias adotadas pela companhia e uma série de variáveis.

Para auxiliar nesta missão, o NovaCana disponibiliza 52 gráficos exclusivos, elaborados com os dados divulgados pela própria companhia. A partir deles, os resultados financeiros, industriais e agrícolas – do trimestre e acumulados – podem ser analisados na comparação com as últimas cinco safras.

O levantamento está disponível para assinantes do NovaCana, que poderão acompanhar:

- Moagem acumulada e por trimestre
- Mix de produção
- ATR total e em relação à moagem
- Produtividade dos canaviais
- Etanol: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Açúcar: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Cogeração: produção, receita e preço médio
- Destino da produção ao longo da safra – mercado externo e interno
- Evolução financeira
- Indicadores de resultado em relação à moagem
- Lucro líquido e bruto
- Receita operacional
- Composição das vendas
- Relação entre receitas e custos
- Impacto da variação cambial
- Perfil das dívidas
- Alavancagem e liquidez
- Investimentos

Cautela e esperança. Para muitas empresas do setor de açúcar e etanol, estas duas palavras marcaram o início da safra 2022/23. Após a quebra de safra vista na temporada anterior, o momento era de recuperação nos canaviais, mas o contexto político e econômico – dentro e fora do país – trazia outros receios, como um aumento considerável de custos.

No caso da São Martinho, o novo ciclo teve um início positivo, com uma estimativa de alta de 2% na moagem de cana-de-açúcar, para 20,3 milhões de toneladas. O número, entretanto, não foi atingido e a companhia encerrou a safra com 20,02 milhões de toneladas, praticamente estável em relação à temporada anterior.

No aspecto financeiro, a história foi parecida. O primeiro trimestre (de abril a junho) viu uma alta anual de 59,7% no lucro líquido, que chegou a 1,48 bilhão. Os períodos seguintes, embora tenham mantido os números no azul, viram retração. A queda na comparação ano a ano foi de 42,3% no segundo trimestre, para R$ 212,6 milhões, e de 38,3% no subsequente, para R$ 429,7 milhões.

Entretanto, para uma melhor compreensão destes números, é preciso considerar o contexto da temporada, as estratégias adotadas pela companhia e uma série de variáveis.

Para auxiliar nesta missão, o NovaCana disponibiliza 52 gráficos exclusivos, elaborados com os dados divulgados pela própria companhia. A partir deles, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e acumulados podem ser vistos na comparação com as últimas cinco safras.

Moagem e produção

Assim como muitas sucroenergéticas do Centro-Sul, a São Martinho encerrou a moagem da safra 2022/23 no começo de dezembro. Em comparação com a temporada anterior, as 20,02 milhões de toneladas processadas representam alta de 0,6%. Deste total, 13,96 milhões de toneladas são de cana própria (+0,4%) e 6,06 milhões de toneladas vieram de terceiros (+1,2%).

Segundo a companhia, os canaviais ainda estão em recuperação. “A performance decorre dos efeitos das condições climáticas ocorridas ao longo da safra 2021/22, período de seca prolongado e geadas”, justifica em sua divulgação de resultados.

Entre outubro e dezembro, o grupo moeu 3,3 milhões de toneladas, alta de 126,4%. “O início da moagem nas unidades São Martinho e Santa Cruz foi postergado para a segunda quinzena de abril de 2022, processo parcialmente compensado pelo encerramento tardio do período de moagem”, pondera.

Com essa matéria-prima, a São Martinho produziu 200,03 mil toneladas de açúcar no trimestre (+142,5%) e 1,21 milhão de toneladas no acumulada da safra (-7,4%). Já a fabricação de etanol totalizou 148,07 milhões de litros no período de outubro a dezembro (+73,4%) e 898,91 milhões de litros desde abril (-1,5%).

Desta forma, também é possível perceber que a companhia ampliou a participação do biocombustível em seu mix de produção. Em 2021/22, 53% da matéria-prima foi destinada para o etanol; na temporada mais recente, este valor subiu para 55%.

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Indicadores agrícolas e industriais

Outro aspecto perceptível nos números de produção da São Martinho é que, apesar do leve crescimento na moagem, a produção de açúcar e de etanol caiu na temporada. Isso aconteceu, principalmente, pela menor qualidade da cana-de-açúcar.

De acordo com a companhia, no acumulado da safra, houve uma queda de 4,6% na concentração de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada de cana moída, para 140 kg/t. No terceiro trimestre, conforme cálculos do NovaCana, a retração foi de 11,7% na comparação anual, para 141,74 kg/t.

“Considerando a redução no nível de ATR médio, o total de ATR produzido resultou em um volume 4% inferior em relação ao mesmo período da safra passada”, complementa a São Martinho, referindo-se ao valor acumulado de 2,8 milhões de toneladas. De outubro a dezembro, o volume foi de 467,32 mil toneladas, alta de 99,8%.

Além disso, também houve uma queda de 1,2% no rendimento dos canaviais, que passou de 71,8 t/ha em 2021/22 para 70,92 t/ha em 2022/23. Este fator pressiona os custos da companhia, uma vez que muitos dos gastos no campo são fixos e houve uma menor produção por hectare, dificultando a diluição.

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Vendas por produto

Com menos açúcar e etanol disponíveis, as estratégias de comercialização da São Martinho ganharam destaque. No trimestre, a receita líquida da companhia teve alta de 0,2%, para R$ 1,53 bilhão, algo que foi destacado pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Felipe Vicchiato.

“[A receita foi] resultado de uma combinação de maior preço de açúcar e menor preço de etanol dadas as questões tributárias do etanol principalmente, que desfavoreceram o preço no mercado local”, disse, durante teleconferência para investidores.

Nos nove meses da temporada, por sua vez, o montante chega a R$ 4,83 bilhões (+12,8%).

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Dentro do total, 55,7% correspondem aos ganhos com etanol. De abril a dezembro, o biocombustível gerou R$ 2,69 bilhões, alta anual de 21,8%. Isso foi possível pelo aumento de 16,9% no volume negociado, para 772 milhões de litros, e por conta da elevação de 4,2% no preço médio, que ficou em R$ 3.484,20/m³.

Especificamente no terceiro trimestre, entretanto, houve uma queda de 10,2% na receita, para R$ 853,43 milhões. No período, foram vendidos 265,28 milhões de litros (+3,7%) por, em média, R$ 3.2217,05/m³ (-13,5%).

“O preço médio de etanol atingiu patamares menores decorrentes da variação do preço do petróleo e do impacto das medidas tributárias, aprovadas entre maio e agosto de 2022 e prolongadas para os dois primeiros meses de 2023”, justifica a companhia.

Ao longo de 2022/23, a São Martinho manteve seu nível de exportação de etanol elevado. Segundo o relatório de divulgação de resultados, isso “auxiliou a rentabilidade do etanol frente às incertezas tributárias no mercado doméstico”.

“Que caminhos de curto prazo temos para diminuir um pouco o risco sobre os preços? A primeira coisa é acessar o mercado exportação. E a exportação da São Martinho neste ano vai ser recorde”, Felipe Vicchiato (São Martinho)

No acumulado, a receita da companhia com os despachados do produto chegou a R$ 990,96 milhões (+262,1%). No total, foram vendidos 242,7 milhões de litros (+185,2%) a um preço médio de R$ 4.083,08/m³ (+27%).

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Por sua vez, as vendas de açúcar somaram 821,57 mil toneladas em nove meses (-16%) a um preço médio de R$ 2.020,12/t (+18,4%), gerando uma receita de R$ 1,66 bilhão (-0,5%). Assim, o maior valor foi capaz de minimizar a queda no volume, proporcionando uma receita quase estável.

No terceiro trimestre, 283,59 mil toneladas da commodity (+6,3%) foram comercializadas a R$ 2.027,37/t (+13,2%), rendendo R$ 577,77 milhões (+20,3%).

Além disso, em 31 de dezembro, cerca de 349 mil toneladas de açúcar da safra 2022/23 estavam com preços fixados a R$ 2.509/t. De acordo com a São Martinho, isso representa uma “evolução” em relação aos valores negociados no mesmo ponto da safra anterior.

“O açúcar que transitou nesse trimestre teve um volume e um preço médio bem inferiores do que vai ser transacionado no próximo trimestre”, reforça Felipe Vicchiato, que completa: “Então, a gente espera que a margem de açúcar no próximo trimestre seja muito melhor do que foi no acumulado dos nove meses”.

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Em relação aos créditos de descarbonização (CBios) do programa RenovaBio, a São Martinho vendeu 127 mil títulos no trimestre (-59,2%), gerando uma receita de R$ 9,11 milhões (-29,3%). No acumulado, o volume é de 622,9 mil CBios (-39,4%), rendendo R$ 53,32 milhões (+79,2%). Em 31 de dezembro, o estoque da companhia era de, aproximadamente, 121 mil CBios.

Quanto a este mercado, Vicchiato disse a investidores que espera uma revisão. “O governo passado quis mudar a questão do CBio e deu uma atrapalhada no jogo. O preço estava R$ 300 e voltou para R$ 80, mas pode ser que tenha um ajuste”, disse em teleconferência.

O diretor ainda complementa: “Se você fizer a conta com a combinação de CBio e etanol no primeiro semestre, quando não tinha tanto impacto do PIS/Cofins, o produto foi bastante remunerador e não precisava tanto do mercado de exportação”.

“O governo Lula, no primeiro e no segundo mandato, foi um grande embaixador do etanol. Eu acho que não tem muito sentido fazer uma política que vai contra. Muito pelo contrário, para ter investimento, tem que ter incentivo”, Felipe Vicchiato (São Martinho)

Já a comercialização de eletricidade rendeu R$ 49,93 milhões no trimestre (+16,3%) e R$ 192,74 milhões no acumulado (-15,8%). Respectivamente, o volume foi de 172,18 GWh (-9,7%) e 782 GWh (-9%).

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Desempenho bruto e financeiro

Enquanto a receita teve um crescimento marginal no trimestre em relação ao mesmo período da temporada anterior, os custos dos produtos vendidos subiram 28,9%, para R$ 1,07 bilhão. No acumulado da safra, o montante chega a R$ 3,23 bilhões, alta de 33,9%.

“O principal ofensor do custo-caixa desse ano foi o diesel, que subiu 51%”, afirma Vicchiato, que explica: “Hoje, ele é isento de PIS/Cofins, mas ele nunca transitou pelo meu resultado com estes impostos uma vez que eu tomo crédito. Então, o efeito prático no custo é maior do que quando pensamos no diesel na bomba de combustível”.

Ainda de acordo com ele, os gastos com fertilizantes subiram 42% e os com insumos industriais, 66%. Para completar, a menor produção levou a uma dificuldade na diluição dos custos fixos.

Com isso, a relação entre as receitas e os custos da São Martinho ficou em 69,6% no trimestre, avanço de 15,5 pontos percentuais em comparação com o mesmo período da safra anterior. De abril a dezembro, o indicador vai a 67%, com alta de 10,5 pontos percentuais na comparação anual.

Já o resultado bruto da São Martinho foi de R$ 466,11 milhões no trimestre (-33,7%) e de 1,58 bilhão no acumulado (-13,3%).

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Outro aspecto que pesou nos resultados da companhia foi o desempenho financeiro. Ele é composto por receitas (juros recebidos, retorno de PIS/Cofins e outras), despesas (juros pagos, gastos bancários, obrigações com a Copersucar e outras), impacto da variação cambial e resultados com derivativos.

No trimestre, estas receitas somaram R$ 66,51 milhões (+83,2%), enquanto as despesas foram de R$ 226,55 milhões (+73,9%). Além disso, a variação cambial levou a perdas de R$ 16,7 milhões.

Já no acumulado de 2022/23, os ganhos financeiros chegaram a R$ 22,46 milhões (+99,2%), os gastos representaram R$ 667,65 milhões (+94,4%) e o câmbio trouxe prejuízo de R$ 184,38 milhões (+76,6%).

Com isso, o resultado financeiro líquido da São Martinho representou perdas de R$ 273,39 milhões no trimestre (+57,5%) e de R$ 745,77 milhões ao longo da safra (+139,6%). “O principal impacto do aumento das despesas ao longo da safra foi resultado da marcação a mercado dos derivativos (sem efeito caixa), que transformam a parcela da dívida em dólar e pré-fixada em indexação ao CDI”, justifica a companhia em relatório.

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Indicadores de resultado

Com os resultados operacionais, administrativos e financeiros na conta, o resultado líquido da São Martinho foi positivo em R$ 429,69 milhões no trimestre (-38,2%) e R$ 863,87 milhões no acumulado (-31,2%). Vicchiato, entretanto, observa que este número poderia ter sido menor.

“Nesse trimestre, tal qual no anterior, transitou pelo resultado mais uma parcela dos recebíveis da Copersucar – o precatório do governo federal que ela nos repassa – e o total foi algo próximo a R$ 300 milhões”, observa e completa: “Se você excluir o efeito do precatório, estamos falando de um lucro da ordem de R$ 200 milhões, aproximadamente, o que é bastante saudável para um trimestre que teve esse impacto de preços menores do etanol no mercado doméstico”.

Por sua vez, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia foi de R$ 1,32 bilhão no trimestre (-8,5%). Considerando ajustes aplicados pela companhia, o valor passa a ser de R$ 774,99 milhões (-13,2%). Além disso, contabilizando depreciações e amortizações – e chegando ao Ebit ajustado –, a São Martinho contabilizou R$ 357,23 milhões.

No acumulado da safra, o Ebitda da companhia somou R$ 2,67 bilhões (-13,6%), enquanto o Ebitda ajustado foi de R$ 2,44 bilhões (+2,8%) e o Ebit ajustado foi de R$ 1,24 bilhão (-10,8%).

Segundo Vicchiato, as quedas aconteceram principalmente por conta do aumento nos custos de produção, com destaque para diesel e mão de obra. Já o relatório de divulgação de resultados da companhia atribui a alta no Ebitda ajustado aos maiores volumes de etanol exportados.

Considerando os nove meses da temporada 2022/23, a São Martinho teve um Ebitda médio de R$ 133,21 por tonelada de cana-de-açúcar processada (-14,2%), enquanto seu Ebit ajustado foi de R$ 61,99/t (-11,3%). Como a moagem foi encerrada antes do quarto trimestre da temporada, a tendência é que esses valores cresçam no acumulado de 12 meses.

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Perfil da dívida e investimentos

Em 31 de dezembro de 2022, a dívida bruta da São Martinho totalizava R$ 6,68 bilhões, com alta de 36,7% em relação à posição de um ano antes. Deste montante, cerca de 94,2% são correspondentes a débitos em moeda nacional, totalizando R$ 6,29 bilhões (+45,4%), enquanto os compromissos em moeda estrangeira eram equivalentes a R$ 388,14 milhões (-30,5%).

Quanto ao vencimento, 18,7% do total está comprometido no curto prazo – ou seja, ao longo de 2023 –, com R$ 1,25 bilhão (+88,9%). Assim, os R$ 5,43 bilhões restantes possuem um prazo mais amplo (+28,5%).

O débito líquido ao final do ano passado, por sua vez, era de R$ 3,98 bilhões, com elevação de 18% na comparação anual. O valor equivale a R$ 198,70 por tonelada de cana moída no acumulado da safra (+17,2%).

Já a relação entre o endividamento líquido e o Ebitda ajustado de 12 meses – também chamada de alavancagem – é de 1,24 vez (+7,8%). Conforme Vicchiato, este patamar é “bastante confortável”.

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De acordo com o relatório de divulgação de resultados da São Martinho, os investimentos em manutenção (plantio, reforma de canaviais e tratos culturais) somaram R$ 482,03 milhões no trimestre (-0,4%) e R$ 1,15 bilhão no acumulado da safra (+12,1%). Conforme o documento, a alta é derivada do maior preço dos insumos.

Além disso, a companhia destinou R$ 130,11 milhões a melhorias operacionais ao longo da temporada (+6,1%). O valor foi destinado a equipamentos, reposições e ações vinculadas à agenda ambiental, social e de governança (ESG).

Para completar, R$ 450,68 milhões foram direcionados para projetos de modernização ou expansão (+8,3%). Dentro deste valor, R$ 75,56 milhões foram para a usina termelétrica comprometida com o leilão A-6 de 2019 (+56,6%); R$ 107,75 milhões foram para projetos diversos, como irrigação e fechamento do circuito de água da usina São Martinho (-30,4%); e a maior parcela – R$ 232,33 milhões – foi destinada ao projeto de etanol de milho (+10,5%).

A unidade de processamento do grão em Quirinópolis (GO) tinha início das operações previsto para fevereiro, mas obteve autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em março. Como as atividades de milho e cana acontecem de forma integrada, a usina Boa Vista se tornou a maior do país em capacidade de produção de hidratado, com 3,12 milhões de litros diários.

De acordo com Vicchiato, a expectativa é que a usina seja capaz de processar até 530 mil toneladas do cereal por safra milho. “A margem Ebit da cana versus a do milho vai depender muito de como vai ser a eficiência do canavial no próximo ano”, relata, mas adianta: “O que dá para dizer hoje é que, com o preço do milho em aproximadamente R$ 60 por saca e o DDGS sendo vendido a R$1.500 por tonelada, o custo unitário por metro cúbico de milho é próximo a R$1.900. Por isso, que ele acaba ficando mais barato do que a cana”.

Ele também observa que a realização de investimentos como este dependem de previsibilidade. No caso de uma usina de cana-de-açúcar, ainda segundo Vicchiato, a operação em uma escala rentável acontece apenas após três anos por conta do plantio da cana e das necessidades de investimento na indústria.

“Então, se você não tiver previsibilidade, não tem investimento. Essa é uma das razões por que faz tempo que a gente não vê investimento em etanol de cana de açúcar”, relata.

Renata Bossle – NovaCana

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