Pressionada por um aumento dos custos agrícolas, a São Martinho reportou um lucro líquido de R$ 212,6 milhões no segundo trimestre do ano-safra 2022/23, uma redução de 42,3% ante o registrado no mesmo período da safra 2021/22.
O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado totalizou R$ 787,7 milhões no trimestre, um recuo de 0,3% na comparação anual.
Em entrevista ao Valor Econômico, o CEO da São Martinho, Fabio Venturelli, ponderou que a comparação anual considera justamente o melhor trimestre da história da companhia.
Além disso, este é o primeiro trimestre a considerar o atual cenário tributário dos combustíveis, com isenção de PIS/Cofins para a gasolina e uma consequente perda de competitividade do etanol hidratado.

Segundo a São Martinho, a moagem acumulada da safra chegou a 16,73 milhões de toneladas, queda de 9,3% na comparação anual.
Além disso, o volume fabricado de todos os produtos também caiu. De abril a setembro, a sucroenergética produziu 1 milhão de toneladas de açúcar (-17,6%) e 750,8 milhões de litros de etanol (-9,2%), além de exportar 580,2 GWh de energia elétrica (-5,8%).

Apesar disso, a receita líquida somou R$ 1,584 bilhão no terceiro trimestre deste ano, crescimento de 11,2% na comparação com igual etapa de 2021.
A São Martinho explica que a “variação no período reflete, principalmente, a evolução de preços médios de comercialização do etanol (+2,1%) e do açúcar (+26,7%) e o menor volume comercializado de açúcar (-19,6%) no período”.
Com a desvalorização do etanol no mercado interno, a sucroenergética focou no externo. As exportações da São Martinho foram a 89,7 milhões de litros – quatro vezes mais do que um ano antes –, com um preço considerado mais vantajoso pela companhia.
Já a margem Ebitda (Ebitda sobre receita) ajustada atingiu 49,7% no segundo trimestre da safra, queda de 5,7 pontos percentuais frente à margem registrada um ano antes.
Por sua vez, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 173,6 milhões, uma elevação de 255% sobre as perdas financeiras da mesma etapa de 2021.
No trimestre, as despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 58,1 milhões, representando uma redução de 12,4% em relação ao mesmo período da safra anterior.
Segundo a São Martinho, elas refletem, principalmente, o efeito contábil (não caixa) da marcação a mercado do preço da ação da companhia, no período, atrelada ao programa de opções virtuais considerando o impacto da queda do preço da ação no período.
Já as despesas com vendas totalizaram R$ 51,4 milhões no segundo trimestre da safra, aumento anual de 45,6%.
Os investimentos da companhia em manutenção somaram R$ 347,7 milhões no trimestre, representando um aumento de 15,8% no período.
Em 30 de setembro de 2022, a dívida líquida da companhia era de R$ 4,219 bilhões, um crescimento de 29,6% na comparação com a mesma data de 2021.
O indicador de alavancagem financeira, medido pela dívida líquida sobre o Ebitda ajustado, ficou em 1,27 vez em setembro de 2022, alta de 0,06 vez em relação ao mesmo período de 2021.
Felipe Moreira
Com informações adicionais do Valor Econômico e do NovaCana