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São Martinho começa a produzir etanol de milho em Goiás ainda neste mês


Reuters - Publicado: 02 Fev 2023 - 08:11

A São Martinho iniciará a produção de etanol de milho na unidade de Quirinópolis (GO) até o final de fevereiro, o que deverá elevar em 220 milhões de litros a capacidade da usina, que antes trabalhava apenas com a cana-de-açúcar como matéria-prima, disse o CEO da empresa nesta quarta-feira, 1º.

Segundo Fábio Venturelli, a unidade está finalizando os testes para o etanol de milho, rodando com água e vapor, e deverá ter capacidade total de produção de 650 a 670 milhões de litros de etanol por safra, sendo a maior parte a partir de cana.

Ele destacou que a produção do biocombustível de milho vai melhorar a pegada de carbono da unidade, considerando a produção total de etanol. “Tem combinação energética: usa a energia do bagaço da cana para fazer a conversão e a produção do etanol de milho é com o milho da safrinha, um segundo uso do solo, algo que o mercado norte-americano não tem”, disse.

O uso do solo é um item importante para a definição da pegada de carbono, assim como a geração de energia. Nos EUA, lembrou Venturelli, as cadeiras são movidas a óleo ou carvão, enquanto no Brasil as usinas usam biomassa (bagaço da cana).

“É uma planta que, abraçando o biometano, vai ter uma das pegadas de carbono mais baixas do mundo”, ressaltou.

Outra vantagem da fábrica de Goiás é a capacidade de armazenagem de milho, que gira em cerca de 50% do consumo da usina, o que reduz riscos de exposição à volatilidade de preços. “Ninguém tem isso. A capacidade de armazenagem é impressionante. O milho que vai ser processado nesta safra já está lá faz um tempo”, completou, sem dar detalhes.

Ele não revelou a estratégia de compra de milho. Mas admitiu a hipótese de eventualmente também fazer vendas do cereal. “Eu posso vender o milho; anunciamos parceria internacional com a (trading) Wilmar. A ideia é que a São Martinho seja a base de originação de grãos da Wilmar, uma das maiores tradings asiáticas”, completou.

Mas o executivo ponderou que espera que a venda de milho não seja necessária. “Pode acontecer, mas espero que não aconteça. Se fizermos isso, é porque a gente conseguiu uma remuneração muito melhor vendendo o milho do que produzindo o etanol. Não torço para isso, mas posso fazer se precisar”.

Venturelli disse que a companhia ainda tem um pouco de produção de soja em Goiás, nas áreas de reforma do canavial. “Temos feito experimentos e a venda da soja está virando outra fonte de receita”, completa.

Roberto Samora