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Ranking da moagem dos 29 maiores grupos e a situação do crédito financeiro das usinas

raizen usina 040315Bradesco BBI mostra ranking da moagem e da capacidade dos 29 principais players do setor. Nesse grupo estão três possíveis compradores de usinas

NovaCana 7 min de leitura

O novo ciclo de alta no preço do açúcar está estimulando uma retomada no setor sucroenergético. Contudo, a volta dos investimentos em ampliações agrícolas e industriais ou a compra e venda de usinas está limitada nesse momento devido à baixa confiança dos bancos e aos escassos créditos para o setor.

“O preço do açúcar está subindo, as ações das principais empresas listadas estão subindo. Com isso, vão voltar as fusões e aquisições? Sim e não”, provoca o superintendente executivo de agronegócios do Bradesco BBI, Cyrille Brunotte, durante sua palestra no NovaCana Ethanol Conference.

Brunotte apresentou uma lista com o que considera serem os 29 principais players do setor e, aponta que, no máximo, três grupos estão com planos de comprar usinas. A lista tem volumes de moagem e capacidade de moagem diferentes da lista de principais concorrentes apresentada pela Raizen no final de maio. A seguir, saiba quem são esses 29 players, o endividamento do setor por tonelada de cana moída e as perspectivas para o crédito ao setor sucroenergético nos próximos anos.

E mais:

- O ranking gráfico da capacidade de moagem de cana-de-açúcar e moagem efetiva;

- O ranking de ocupação da capacidade de moagem dos 29 maiores grupos;

- As divergências entre o ranking da Raízen e do Bradesco BBI.

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O novo ciclo de alta no preço do açúcar está estimulando uma retomada no setor sucroenergético. Contudo, a volta dos investimentos em ampliações agrícolas e industriais ou do mercado de compra e venda de usinas depende também da confiança dos bancos e do retorno do crédito para o setor.

“O preço do açúcar está subindo, as ações das principais empresas listadas estão subindo. Com isso, vão voltar as fusões e aquisições? Sim e não”, provoca o superintendente executivo de agronegócios do Bradesco BBI, Cyrille Brunotte, durante sua palestra no NovaCana Ethanol Conference.

A partir de uma lista elaborada com o que considera serem os 29 principais players do setor (ver gráfico abaixo), Brunotte aponta que, no máximo, três grupos dentro dessa lista estão com planos de comprar usinas. “Os retornos até agora foram baixos e o foco dos gastos está no aumento da produtividade. Não há ainda necessidade de fazer fusão ou aquisição”, argumenta.

“Dois ou três grupos estão dispostos a começar a olhar aquisições. Não mais que isso” (Cyrille Brunotte, Bradesco BBI)

Porém, ele complementa que os baixos custos de produção no Brasil e o aumento da procura por açúcar no mundo devem começar a trazer investidores estrangeiros: “Já chegaram alguns investidores com quem conversei 10 anos atrás. Eles estavam focando em outras regiões e, agora, estão voltando”.

O superintendente ainda relatou que, embora as conversas preliminares estejam acontecendo, há uma diferença grande entre o preço pedido pelos atuais proprietários e o preço oferecido pelos potenciais compradores.

“Se for necessário gastar quatro ou cinco anos para recuperar os canaviais, o investidor vai perder muito dinheiro e vai deixar passar o bom momento dos preços” (Cyrille Brunotte, Bradesco BBI)

Ranking de moagem das principais empresas do setor

Segundo o superintendente do Bradesco BBI, os principais grupos do setor moeram 369,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2014/15. Isso representa 64,5% do total de 573,1 milhões de toneladas moídas no período, segundo a União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica). E é nessa lista que estão presentes os grupos que podem voltar a fazer aquisições.

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Vale observar que, entre as empresas listadas, há uma taxa média de 20% da capacidade ociosa. Caso as usinas desses grupos tivessem operado de forma plena, elas poderiam ter adicionado um total de 89 milhões de toneladas à safra 2014/15.

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Recentemente, a Raízen apresentou a capacidade de moagem de seus 10 principais concorrentes. A lista, em uma comparação com os dados apresentados pelo Bradesco BBI, apresenta diferenças na capacidade de alguns grupos sucroenergéticos.

Um dos exemplos mais marcantes é a Usina Santa Terezinha (Usaçúcar), que aparece na relação da Raízen com uma capacidade de moagem de 13,2 milhões de toneladas. Já na lista do Bradesco BBI, o valor é 63% maior, de 22 milhões de toneladas.

Por sua vez, Raízen e Renuka do Brasil foram os únicos grupos que apresentaram capacidades maiores na listagem divulgada pela própria Raízen, com 68 e 11,4 milhões de toneladas, respectivamente. Na relação do Bradesco BBI, os valores apresentados foram 66,8 (-7,9%) e 10,5 milhões de toneladas (-1,8%).

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Na época de sua divulgação pelo NovaCana, os dados apresentados pela Raízen já haviam sido questionados pela Usina Coruripe, que alegou uma moagem efetiva de 13,5 milhões de toneladas na safra 2014/15 – número condizente com as informações do Bradesco BBI – e de 14,12 milhões de toneladas em 2015/16. A única companhia que teve a mesma capacidade de moagem nas duas relações foi a Odebrecht Agroindustrial, com 40 milhões de toneladas.

Além disso, embora as duas relações apresentem os grupos na mesma ordem, a lista divulgada pela Raízen não considera a moagem das seguintes companhias, todas listadas pelo Bradesco BBI antes da Renuka do Brasil: Bunge (7ª posição), Grupo Moreno (11ª), Virgolino de Oliveira (12ª) e Clealco (13ª).

Endividamento em torno de R$ 150/tonelada

Em sua palestra, Brunotte faz uma analogia simples para explicar a percepção dos bancos sobre as usinas: o endividamento subiu de elevador com a desvalorização cambial, mas a receita – mesmo nesse novo momento – vai subir de escada.

“Não quero ser pessimista, mas uma usina que está fechada a quatro ou cinco anos não vai se recuperar. Esse prejuízo, esse crédito perdido não vai voltar” (Cyrille Brunotte, Bradesco BBI)

“No balanço de março de 2016, o endividamento por tonelada de cana foi o maior dos últimos oito anos”, aponta. De acordo com ele, há alguns anos, as empresas possuíam em torno de R$ 70 de dívida por tonelada de cana-de-açúcar. Dois ou três anos depois, esse índice chegou a R$ 100/tonelada. Agora, a média do setor estaria em torno de R$ 150/tonelada.

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“Acho que não conheço uma empresa que esteja com a dívida líquida menor que R$ 100 por tonelada”, garante.

2016/17: início de uma retomada a médio prazo

A virada no atual quadro de endividamento das usinas pode começar já na atual safra. Brunotte acredita que as empresas serão capazes de apresentar balanços de caixa ‘muito mais robustos’, abrindo caminho para a volta do crédito.

“Estamos, hoje, vivendo o maior preço de açúcar em reais dos últimos cinco anos” (Cyrille Brunotte, Bradesco BBI)

De acordo com o superintendente, nos próximos cinco anos, as usinas estarão focadas em ‘ganhar dinheiro’. Ainda assim, ele acredita que as empresas não devem esperar um retorno imediato do crédito, motivado exclusivamente pela melhora nos preços internacionais do açúcar. “Não é de um dia para o outro que o ciclo de crédito vai voltar. Nos últimos oito anos, os bancos sofreram uma das piores crises crédito do setor”, argumenta.

Além disso, segundo o executivo, as usinas precisam mostrar que podem dar retorno não apenas em um momento onde o preço do açúcar está alto, mas também quando ele está baixo. “O sonho de crescer acabou um pouco, mas, nos últimos anos, [as empresas sucroenergéticas] tiveram um foco enorme em competitividade e redução de custos”, pondera.

Brunotte ainda complementa: “Precisamos de dois ou três anos bons para limpar os balanços e ver como o mercado consegue operar em um novo ciclo de baixa, porque isso vai acontecer”. De acordo com ele, se as usinas seguirem esse conselho e se prepararem para os momentos ruins, as companhias que conseguirem bons resultados poderão chamar por um novo ciclo financeiro.

Renata Bossle – NovaCana

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