Em meio à retração na produção energética nacional por meio da biomassa, usina da Adecoagro se mantém líder da cogeração como uma das poucas unidades com aumento
Embora a Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) acredite que o setor brasileiro de cogeração de energia deve superar a marca de 20 gigawatts (GW) de capacidade instalada operacional em 2022, assim registrando o maior crescimento anual desde 2015, as usinas de cana-de-açúcar não tiveram o seu melhor resultado em 2021.
A previsão da Cogen é que 22 plantas entrem em operação neste ano, adicionando 807 megawatts (MW). Contudo, no setor de cana, as usinas que utilizam o bagaço para a geração de energia registraram uma queda no volume comercializado pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2014.
Entre 2020 e 2021, como demonstram os dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), elas tiveram uma retração de 10,6% em sua produção energética, indo de 22,6 terawatts-hora para 20,2 terawatts-hora – um resultado que vem na esteira da menor moagem de cana-de-açúcar em uma década.
Apesar da retração, esta energia ajudou a suprir a demanda do país em um cenário de crise hídrica. “Dos 20,2 TWh gerados para a rede em 2021, 85% foram ofertados entre maio e novembro, meses que compõem justamente o período seco e crítico para o setor elétrico brasileiro. Se o período a considerar for abril a novembro, o indicador sobe para 96%”, argumenta o gerente de bioeletricidade da Unica, Zilmar Souza.
Desde 2015, o volume de energia cogerada vinha crescendo, mesmo que de maneira pequena. O número de usinas cogerando também decaiu pela primeira vez em dez anos, ficando em 201 unidades.
Em 2021, a usina Adecoagro, do grupo homônimo, seguiu como líder no ranking da cogeração, com 433,63 GWh. No ano anterior, a usina assumiu esta posição com uma produção de 381,69 GWh; assim, a sucroenergética teve um aumento anual de 13,6%.

Confira na reportagem completa todos os detalhes da geração de energia a partir do bagaço da cana-de-açúcar, incluindo a produção por usina, grupo e estado.
Embora a Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) acredite que o setor brasileiro de cogeração de energia deve superar a marca de 20 gigawatts (GW) de capacidade instalada operacional em 2022, assim registrando o maior crescimento anual desde 2015, as usinas de cana-de-açúcar não tiveram o seu melhor resultado em 2021.
A previsão da Cogen é que 22 plantas entrem em operação neste ano, adicionando 807 megawatts (MW). Contudo, no setor de cana, as usinas que utilizam o bagaço para a geração de energia registraram uma queda no volume comercializado pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2014.
Entre 2020 e 2021, como demonstram os dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), elas tiveram uma retração de 10,6% em sua produção energética, indo de 22,6 terawatts-hora para 20,2 terawatts-hora – um resultado que vem na esteira da menor moagem de cana-de-açúcar em uma década.
Apesar da retração, esta energia ajudou a suprir a demanda do país em um cenário de crise hídrica. “Dos 20,2 TWh gerados para a rede em 2021, 85% foram ofertados entre maio e novembro, meses que compõem justamente o período seco e crítico para o setor elétrico brasileiro. Se o período a considerar for abril a novembro, o indicador sobe para 96%”, argumenta o gerente de bioeletricidade da Unica, Zilmar Souza.
Desde 2015, o volume de energia cogerada vinha crescendo, mesmo que de maneira pequena. O número de usinas cogerando também decaiu pela primeira vez em dez anos, ficando em 201 unidades.
Adecoagro se mantém na liderança
Em 2021, a usina Adecoagro, do grupo homônimo, seguiu como líder no ranking da cogeração, com 433,63 GWh. No ano anterior, a usina assumiu esta posição com uma produção de 381,69 GWh; assim, a sucroenergética teve um aumento anual de 13,6%.
Já o segundo lugar do ranking foi ocupado pela unidade matriz do grupo Delta, com 373,45 GWh. A unidade teve um aumento de 1,5% em relação ao ano anterior, quando gerou 368,03 GWh e ficou na mesma posição.
Entre 2017 e 2019, a líder do ranking era a goiana CerradinhoBio, que agora manteve a terceira posição pelo segundo ano consecutivo. Com uma produção de 366,38 GWh, ela teve um aumento de 1,3% ante 2020.
Para completar a relação das cinco primeiras colocadas, há as usinas Iacanga, do grupo Ipiranga, e São Martinho, do grupo do mesmo nome. As unidades tiveram elevação da cogeração na comparação anual, com 4,5% e 19,2%, respectivamente.
A São Martinho, aliás, registrou o segundo maior crescimento percentual entre as 100 maiores cogeradoras de 2021. Ela ficou atrás apenas da Iaco Agrícola, do grupo com o mesmo nome, que registrou um avanço de 40,8%.

No levantamento anterior, a Iaco ocupava a 55ª posição, saltando para a 21ª neste ano.
Outras unidades que passaram a integrar a lista das 25 usinas com maior produção de energia em 2021 foram a Bevap e a Pintangueiras, da Pitangueiras Açúcar e Álcool. Já as unidades que ficaram de fora foram a Barra, da Raízen; a Gasa, também da Raízen; e a Rio Claro, da Atvos.
Nesta amostra, apenas seis unidades registraram crescimento na sua produção de energia entre 2020 e 2021, sendo que as outras 19 unidades tiveram retração. A maior queda foi a da usina Boa Vista, da São Martinho, com 25,56%. A unidade teve uma produção de 247,15 GWh; no ano anterior, este número era de 332 GWh.
Ao todo, dez usinas deixaram a lista das 100 que mais geraram energia com biomassa em 2021: Clementina, da Clealco; Maracaí, Rafard e Univalem, da Raízen; Moema, da BP Bunge; Pereira Barreto, da Santa Adélia; Quatá, da Zilor; Santo Inácio, da Alto Alegre; Tapejara, da Santa Terezinha; e a Vale do Tijuco, da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA).
Raízen é o principal grupo
Embora a melhor colocação de uma usina da Raízen seja com a unidade Centroeste, na sexta posição, a gigante sucroenergética se mantém na liderança entre grupos com maior produção de energia a partir da biomassa. Controlando 26 unidades – sem incluir as nove adquiridas da Biosev –, a companhia está nesta posição desde 2014, início da série histórica.
Ainda assim, em 2021, a Raízen apresentou queda de 21,2% ante 2020 em sua geração total de energia: foram 1,85 TWh em 2021, contra 2,35 TWh em 2020. Para completar, este é o segundo ano consecutivo em que a companhia apresenta queda.
Na segunda colocação está a Atvos, mantendo a posição que ocupa desde 2014. Neste último ano, o grupo produziu 1,58 TWh, contra 1,92 TWh no ano anterior, uma retração de 17,5%. Neste caso, esta é a primeira queda da série histórica.
O grupo São Martinho, por sua vez, registrou uma retração de 7,7%, chegando a 786,23 GWh – apesar da queda, a companhia saltou da quinta para a terceira posição. Em seguida vem a Biosev, em seu último ano sendo contabilizada separadamente em relação à Raízen. O grupo teve queda anual 11%, com uma cogeração de 776,77 GWh.
Na quinta posição está a Adecoagro, que é a única entre as cinco primeiras colocadas a registrar crescimento, com aumento de 2,1%. O grupo teve uma produção de 734,37 GWh em 2021 e subiu duas posições ante 2020.
Já a Tereos, que apresentou um decréscimo de 35,5% em sua cogeração, caiu para o sexto lugar. No ano anterior, o grupo ocupava a quarta posição.

Dentre os 50 maiores grupos cogeradores de 2021, apenas sete aumentaram a quantia na comparação anual. O maior crescimento percentual foi o da Santa Vitoria com 86,7%; ela foi seguida por Biolins, com 52%; Cevasa, com 44,9%; e Santa Isabel, com 42%.
Além disso, três grupos deixaram o ranking: Açucareira Ester, Clealco e Ceni. Já Biolins, Pantaleon e Santa Vitoria passaram a integrar o ranking.
Produção em queda
Entre os estados que mais produzem energia por meio da biomassa, os cinco principais apresentaram queda. São Paulo, líder em cogeração, teve retração de 15,1%, indo para 10,32 TWh. Já a produção de Minas Gerais decaiu 5,1%, de 3,34 TWh em 2020 para 3,17 TWh em 2021. Goiás, por sua vez, teve uma queda de 10,8%, enquanto Mato Grosso do Sul e Paraná retraíram 4,7% e 4,9%, respectivamente.
Em contrapartida, Mato Grosso teve um aumento anual de 17,3%, indo para 294,85 GWh.

Em 2021, o pico da geração de energia aconteceu no terceiro trimestre do ano, equivalente ao segundo trimestre da safra 2021/22. O mês de julho teve o maior valor, com 3 TWh, um pouco acima do resultado de 2020, 2,94 TWh.
Em comparação com o ano anterior, fevereiro, maio, julho e agosto foram os únicos meses com crescimento. No restante do ano aconteceram apenas quedas. Em dezembro, inclusive, a retração foi de 60,5% ante o ano anterior, saindo de 841,26 GWh para 332,56 GWh.
Lucas Vasconcelos – NovaCana