Usina da Adecoagro é a nova líder da cogeração; entre os grupos, Raízen, Atvos e BP Bunge são destaque
As usinas de cana-de-açúcar continuam apostando na geração de energia elétrica a partir do bagaço remanescente da produção de açúcar e etanol. Com as termelétricas alimentadas com esta biomassa, elas garantem energia suficiente para manter seu próprio funcionamento e ainda negociam os excedentes.
A energia extra, aliás, tem ajudado a suprir a demanda do país, pois a falta de chuvas nos últimos meses tem prejudicado as hidrelétricas brasileiras. Em 2020, de acordo com dados do Sistema Interligado Nacional (SIN), a geração de energia do setor sucroenergético foi equivalente ao consumo de 12 milhões de residências no ano, cerca de 5% do gasto nacional.
Com a crise hídrica enfrentada pelo Brasil, o governo decidiu realizar um leilão para contratar energia de usinas que usam biomassa. Segundo representantes do setor ouvidos pela Reuters, as sucroenergéticas estão dispostas a negociar a compra de bagaço de cana e outras matérias-primas, como cavaco de madeira e casca de arroz, para aumentar sua geração total de energia a partir de fontes renováveis.
Dessa forma, é possível compreender a necessidade de investimentos na área, afinal, além de auxiliar na geração de energia do Brasil, a cogeração também é uma forma de aumentar a receita final das usinas, proporcionando alívio financeiro em momentos de baixa nos preços do açúcar ou do etanol. Ainda assim, os números atuais trazem certa estabilidade, demonstrando que não houve um aumento da cogeração no ano passado.
Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), entre 2020 e 2019 houve um crescimento de apenas 0,9% na geração total de energia, chegando a 22,61 terawatts-hora; entre 2018 e 2019, a elevação foi de 4,41%. Ainda assim, o número de usinas cogerando subiu em 20 ante o período anterior, para 211 unidades. Com isso, a geração média por usina caiu de 117,34 gigawatts-hora em 2019 para 107,17 GWh no ano passado.
Dentre os grupos, a Raízen Energia continua na dianteira da cogeração de energia, mesmo com sua produção caindo 6,2%: em 2020 foram 2,35 TWh, ante 2,5 TWh em 2019. Já entre as usinas, a nova líder é a Adecoagro, do grupo de mesmo nome, seguida pela unidade matriz da Delta Sucroenergia; em terceiro lugar, esteve a CerradinhoBio que havia liderado nos últimos três anos.

Confira na reportagem completa todos os detalhes da geração de energia a partir do bagaço da cana-de-açúcar, incluindo a produção por usina, grupo e estado.
As usinas de cana-de-açúcar continuam apostando na geração de energia elétrica a partir do bagaço remanescente da produção de açúcar e etanol. Com as termelétricas alimentadas com esta biomassa, elas garantem energia suficiente para manter seu próprio funcionamento e ainda negociam os excedentes.
A energia extra, aliás, tem ajudado a suprir a demanda do país, pois a falta de chuvas nos últimos meses tem prejudicado as hidrelétricas brasileiras. Em 2020, de acordo com dados do Sistema Interligado Nacional (SIN), a geração de energia do setor sucroenergético foi equivalente ao consumo de 12 milhões de residências no ano, cerca de 5% do gasto nacional.
Com a crise hídrica enfrentada pelo Brasil, o governo decidiu realizar um leilão para contratar energia de usinas que usam biomassa. Segundo representantes do setor ouvidos pela Reuters, as sucroenergéticas estão dispostas a negociar a compra de bagaço de cana e outras matérias-primas, como cavaco de madeira e casca de arroz, para aumentar sua geração total de energia a partir de fontes renováveis.
Dessa forma, é possível compreender a necessidade de investimentos na área, afinal, além de auxiliar na geração de energia do Brasil, a cogeração também é uma forma de aumentar a receita final das usinas, proporcionando alívio financeiro em momentos de baixa nos preços do açúcar ou do etanol. Ainda assim, os números atuais trazem certa estabilidade, demonstrando que não houve um aumento da cogeração no ano passado.
Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), entre 2020 e 2019 houve um crescimento de apenas 0,9% na geração total de energia, chegando a 22,61 terawatts-hora; entre 2018 e 2019, a elevação foi de 4,41%. Ainda assim, o número de usinas cogerando subiu em 20 ante o período anterior, para 211 unidades. Com isso, a geração média por usina caiu de 117,34 gigawatts-hora em 2019 para 107,17 GWh no ano passado.
Uma nova líder no ranking da cogeração
Em 2020, a dianteira no ranking da cogeração passou a ser da usina Adecoagro, do grupo homônimo, com geração total de 381,69 GWh. No ano anterior, a usina estava em segundo lugar, com 420,25 GWh, apresentando uma retração anual de 9,2%. Líder por três anos consecutivos, a usina goiana CerradinhoBio agora aparece em terceiro, com uma produção de 361,78 GWh, diminuição de 19,4% no mesmo comparativo.
O segundo lugar do ranking foi ocupado pela unidade matriz do grupo Delta, com 368,03 GWh, um aumento de 7,5% em relação ao ano anterior, quando gerou 342,42 GWh e ficou em terceiro lugar.
Completando a relação das cinco primeiras colocadas, as usinas Cerradão, do grupo de mesmo nome, e Santa Luzia, da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), tiveram elevação da cogeração na comparação anual, com 23,6% e 1,7%, respectivamente. Em 2019, estas posições pertenciam as usinas Da Barra, da Raízen Energia, e Angélica, da Adecoagro.

Na lista de 25 unidades com maior produção de energia em 2020, ficaram de fora as usinas Bevap, da Enervale; Costa Rica, da Atvos; Iaco Agrícola, do grupo de mesmo nome; e Gasa e Ipaussú, ambas da Raízen. Por sua vez, entraram na relação as usinas Iacanga, da Ipiranga; Eldorado, da Atvos; Ipê, da Pedra Agroindustrial; Da Mata, do grupo de mesmo nome; e São José, da Zilor.
Dentro desse grupo, a usina Iacanga apresentou o maior aumento na geração de energia entre os últimos dois anos, indo de 149,76 GWh em 2019 para 331,55 GWh em 2020 – crescimento de 108%. Outra usina que elevou sua produção foi a Eldorado, que ficou em 47º lugar em 2019 e, agora, aparece em 19º, após um crescimento de 64,7% em sua produção de eletricidade.
Em contrapartida, as maiores quedas no volume cogerado aconteceram na usina Angélica, da Adecoagro, que foi da 5ª posição em 2019 para a 14ª em 2020, apresentando uma retração de 20,7%. Na sequência está a CerradinhoBio, que perdeu o primeiro lugar da lista após uma diminuição de 19,4% em sua produção.

Entre as 100 usinas que mais geraram energia com biomassa em 2019 saíram da lista: Leme, da Biosev; Paulicéia, do grupo Carlos Lyra; Paranacity, da Santa Terezinha; e Biolins, do grupo de mesmo nome. Desta forma, entram na relação as usinas Pedro Afonso, da BP Bunge (73ª); Quatá, da Zilor (96ª); Madhu, da Renuka (97ª); e DVPA (99ª).
Raízen se mantém em primeiro entre os grupos
Mesmo com sua unidade mais bem colocada, a Da Barra, ficando em sétimo lugar na lista geral em 2020, a Raízen Energia se mantém na liderança entre grupos com maior produção de energia a partir da biomassa. Controlando 26 unidades, a companhia aparece em primeiro lugar desde 2014, início da série histórica.
Ainda assim, no ano passado, a Raízen apresentou queda de 6,2% em sua geração total de energia: foram 2,35 TWh em 2020, contra 2,5 TWh em 2019. Entre os dois anos anteriores, o grupo havia apresentado um crescimento de 1%.
Em segundo lugar está novamente a Atvos, posição que ocupa também desde 2014. Em 2020, o grupo produziu 1,92 TWh, contra 1,83 TWh no ano anterior, um aumento de 4,7%. É a sua segunda ampliação consecutiva, já que entre 2018 e 2019 a companhia registrou crescimento de 0,2%.
O terceiro lugar agora pertence ao grupo BP Bunge, formado pela fusão das unidades da BP Biocombustíveis e da Bunge, que apresentou um crescimento de 1,1% em sua cogeração. Essa posição antes pertencia a Tereos Açúcar e Energia, que agora vem em quarto lugar, com aumento de 12% em sua geração de energia.
Em quinto lugar está a Biosev, com crescimento de 0,5%, seguida pelo grupo São Martinho, que estava em quarto lugar em 2019, mas perdeu posições após apresentar retração de 3,1% em sua geração de energia.

Da lista dos 50 principais grupos geradores, saíram Santa Vitória, Tonon e Biolins. Em seus lugares entraram as companhias Açucareira Ester, Cevasa – recentemente adquirida pela Batatais – e a Bioenergética Aroeira , que apresentou uma alta de 372,5% em sua produção total.
Depois da Bioenergética Aroeira, o maior aumento de produção foi do grupo Ipiranga, com um crescimento de 108% em relação a 2019; com isso, o grupo saltou da 38ª para 21ª posição em 2020. O terceiro maior crescimento foi da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), com 24,7%, seguida pelo grupo Cerradão, que apresentou elevação de 23,6% em sua produção de energia.
Já as piores quedas da lista foram da Iaco Agrícola (-39,8%), que passou da 30ª para a 34ª posição; da Santa Terezinha (-32,5%), da 19ª para a 31ª; e da Bevap (-18,9%), da 22ª para a 30ª.
Queda na produção
Entre os estados que mais produzem energia por meio da biomassa, apenas São Paulo e Minas Gerais apresentaram crescimento em 2020. O estado paulista ainda se mantém como líder absoluto em cogeração e, em 2020, foi responsável por 53,7% de toda a produção nacional, 12,16 TWh – um crescimento de 3,7% em relação ao ano anterior. Já o estado mineiro aumentou sua produção em 6,7%, de 3,13 TWh em 2019 para 3,34 TWh em 2020.
Depois de um crescimento recorde de 183,4% entre 2018 e 2019, Mato Grosso apresenta agora uma queda de 13,6%, a maior entre os seis principais estados geradores de bioeletricidade. Entretanto, o montante produzido ainda deixa o estado mato-grossense na frente de Pernambuco e Alagoas.
Mato Grosso do Sul, por sua vez, apresentou uma nova queda de 9,7% entre 2019 e 2020. Este é seu segundo ano consecutivo com baixa na produção, entre 2018 e 2019 houve diminuição de 16,4% na geração de energia.
Paraná e Goiás também não conseguiram manter os bons resultados anteriores, apresentando quedas de 7,5% e 4,2%, respectivamente. Entre 2018 e 2019, o estado goiano havia apresentado um crescimento de 13,5%, e o Paraná, de 4,5%.
Com as baixas na produção, a geração total no Brasil teve uma ampliação de apenas 0,9%, de 22,61 TWh em 2020 ante 22,41 TWh em 2019. Apesar de pequeno, este aumento mantém a tendência de melhora na geração de energia elétrica pelas usinas; entre 2018 e 2019, a produção aumentou 4,4%. Além disso, esta não foi a pior média de avanço anual recente: entre 2017 e 2018, o aumento foi de apenas 0,4%.
Em 2020, o pico da geração de energia aconteceu no mês de julho, com 2,94 TWh, um pouco abaixo do maior resultado de 2019, em agosto, com 2,99 TWh. O volume também está aquém da média histórica para o mês, que em 2018 ficou acima dos 3 TWh. Em geral, julho e agosto tendem a trazer os picos de cogeração devido ao momento da safra de cana-de-açúcar, originando mais biomassa para alimentar as termelétricas.

Em comparação com o ano anterior, janeiro e abril de 2020 foram os meses que apresentaram maior melhora nos resultados, com aumentos de 43% e 22,4%, respectivamente. No restante do ano aconteceram elevações pouco significativas ou mesmo quedas. Uma das maiores reduções na geração aconteceu em fevereiro, 21,1% abaixo do que no mesmo período de 2019.
Giully Regina – NovaCana