Produção total de energia cresceu no último ano; Raízen e CerradinhoBio seguem em destaque
A geração de energia elétrica por meio do bagaço da cana-de-açúcar frequentemente é levantada como uma boa fonte de receita para as usinas, especialmente em tempos de crise. Afinal, além de permitir a autossuficiência energética, é possível comercializar o excedente e diminuir os resíduos da produção de açúcar e etanol.
Um recente estudo feito pela FG/A, a partir dos resultados de 34 sucroenergéticas, corrobora com essa defesa. Ao simular possibilidades com os dados das empresas, tendo como base os rendimentos com cogeração, a consultoria demonstra que a venda de energia pode ter uma influência positiva no Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das usinas.
O Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) vai além e explica que, em um momento de prejuízo com os outros produtos da cana, a cogeração pode salvar o balanço financeiro das usinas, como observado em 2018/19.
Para os pesquisadores, a geração de valor por meio da bioeletricidade é um dos fatores mais relevantes para o aumento na receita das usinas de cana. E tanto eles quanto a FG/A afirmam que os investimentos na área são cada vez mais necessários.
Consequência de novos investimentos ou não, a produção de energia por meio do bagaço da cana aumentou 4,41% em 2019 na comparação com o ano anterior. No total, foram 22,41 terawatts-hora (TWh) produzidos por 191 usinas – número também acima de 2018. As informações são da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
A nível estadual, São Paulo segue em primeiro lugar, concentrando 52,33% da produção total do país. O valor está ligeiramente acima do observado em 2018, graças a um aumento no volume.
Dentre os grupos, a Raízen Energia – que também controla o maior número de unidades – segue ocupando a primeira colocação, tendo produzido 2,5 TWh, valor que ficou 1,04% acima do registrado no ano anterior. Já entre as usinas, a CerradinhoBio, do grupo Cerradinho, e a Adecoagro, do grupo de mesmo nome, se mantiveram na primeira e na segunda posições, respectivamente.
Confira, na versão completa, mais detalhes sobre a produção de energia por meio do bagaço da cana-de-açúcar nos estados e no acumulado dos grupos sucroenergéticos, além do ranking das 100 usinas que mais cogeraram em 2019.
A geração de energia elétrica por meio do bagaço da cana-de-açúcar frequentemente é levantada como uma boa fonte de receita para as usinas, especialmente em tempos de crise. Afinal, além de permitir a autossuficiência energética, é possível comercializar o excedente e diminuir os resíduos da produção de açúcar e etanol.
Um recente estudo feito pela FG/A, a partir dos resultados de 34 sucroenergéticas, corrobora com essa defesa. Ao simular possibilidades com os dados das empresas, tendo como base os rendimentos com cogeração, a consultoria demonstra que a venda de energia pode ter uma influência positiva no Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das usinas.
O Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) vai além e explica que, em um momento de prejuízo com os outros produtos da cana, a cogeração pode salvar o balanço financeiro das usinas, como observado em 2018/19.
Para os pesquisadores, a geração de valor por meio da bioeletricidade é um dos fatores mais relevantes para o aumento na receita das usinas de cana. E tanto eles quanto a FG/A afirmam que os investimentos na área são cada vez mais necessários.
Consequência de novos investimentos ou não, a produção de energia por meio do bagaço da cana aumentou 4,41% em 2019 na comparação com o ano anterior. No total, foram 22,41 terawatts-hora (TWh) produzidos por 191 usinas – número também acima de 2018. As informações são da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
CerradinhoBio lidera pela terceira vez
Em 2019, pelo terceiro ano consecutivo, a CerradinhoBio, do grupo Cerradinho, e a Adecoagro, do grupo de mesmo nome, se mantiveram na primeira e na segunda posições, respectivamente. Porém, enquanto a segunda apresentou um aumento de 18,11% na comparação entre 2019 e 2018, a primeira teve uma redução de 1,28% na sua cogeração de eletricidade.
O terceiro lugar ficou com a unidade matriz da Delta Sucroenergia (+9,15%), que também manteve a posição em relação ao ano anterior. Já a Da Barra (+4,27%), da Raízen, vem em quarto lugar e a Angélica (+18,47%), da Adecoagro, em quinto.
Em 2018, os terceiro e quarto lugares estavam invertidos, com a Santa Luzia, da Atvos (que agora está na oitava posição), ocupando o quinto lugar, e a Angélica em sétimo.
Essas variações mostram que, para as usinas, as diferenças entre os anos são mais sentidas do que para os grupos.

Dentre as 25 unidades com a maior produção em 2019, saíram da lista a Bonfim, da Raízen; a São José, da Zilor; e a Eldorado, da Atvos. Por outro lado, entraram a Alta Mogiana; a Ipaussú, da Raízen; e a Cerradão.
Esta última, inclusive, apresentou o maior aumento na produção entre os dois anos: 68,25%. Já o segundo maior acréscimo foi de outra que não estava na lista, a Alta Mogiana, com 25,31%. Por outro lado, as maiores reduções foram vistas na Bevap, com 7,83% – que, inclusive, caiu da sexta para a 14ª posição –, e na Centroeste, da Raízen, com 2%.
A queda da Bevap foi a maior registrada, seguida pela Gasa, da Raízen, que passou da 20ª para a 25ª posição, mesmo que sua produção tenha reduzido apenas 0,44% entre os anos – o que indica melhoras para as outras companhias.
Já a maior subida no ranking foi da Narandiba, da 15ª para a sétima posição, graças ao aumento de 11,66% na cogeração entre os anos.

Dentre as 100 usinas que mais produziram energia por meio da cana-de-açúcar em 2018, saíram da lista a Pedro Afonso, da Bunge (95ª); a Pioneiros, da Santa Adélia (94ª); a Taboão, da Baldin (99ª); e a Vista Alegre, da Tonon (41ª).
Assim, entraram a Alcon (em 78ª), a Pitangueiras (em 41ª), a São José da Estiva (em 100ª) e a Matriz, da Jalles Machado (79ª).
Raízen mantém liderança
Considerando o resultado dos grupos, a Raízen Energia – que controla 26 unidades e é a maior sucroenergética do país – ocupa a primeira colocação desde o início da série histórica de produção de energia com a biomassa, em 2014.
Em 2019, o grupo produziu 2,5 TWh em 15 usinas, valor que ficou 1,04% acima do registrado no ano anterior. Na comparação entre 2018 e 2017, porém, a empresa havia apresentado queda de 0,21%.
O mesmo aconteceu com a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), que se mantém em segundo lugar também desde 2014. Em 2019, a companhia produziu 1,83 TWh, o que representou um crescimento de 0,17% em relação a 2018, quando havia registrado uma queda de 0,08%.
O terceiro lugar dentre os grupos ficou com a Tereos Açúcar e Energia (antiga Guarani), que estava em quarto em 2018. Sua subida foi uma consequência do aumento de 10,02% na produção entre os dois anos.

Já a Biosev, que ocupava a terceira posição no ano anterior, caiu para a quinta, graças à subida da São Martinho, que aumentou sua produção de energia em 6,05% entre os dois anos. Estes grupos se mantêm entre os cinco maiores produtores de energia por meio do bagaço de cana desde 2014, com variações nas posições apenas entre as três últimas.
Dentre os 50 grupos com maior produção de energia em 2019, na comparação com a lista de 2018, houve algumas mudanças: saíram Carlos Lyra, Cevasa (Cargill e Canagrill), Açucareira Ester e Baldin, e entraram Pitangueiras, Companhia de Álcool Conceição da Barra (Alcon), Jalles Machado e Ceni.
Inclusive, os maiores aumentos de produção na comparação com 2018 foram justamente da Alcon e da Pitangueiras, com 1.591,05% e 143,99% respectivamente, seguidas da Cerradão, que subiu 10 posições (da 33ª para a 23ª) graças ao aumento de 68,25% entre os dois anos, e da Jalles Machado, que sequer figurava na lista dos maiores grupos, com um crescimento de 56,83%.
Por outro lado, as maiores quedas dentre os grupos que ficaram foram a Tonon (-36,41%), que caiu da 30ª para a 42ª posição, a Abengoa Bioenergia (-19,24%), da 19ª para a 27ª, e a Araporã Bioenergia (-12,65%), da 34ª para a 43ª.
Mato Grosso em destaque
Em relação à produção específica dos estados, São Paulo segue em primeiro lugar, gerando 11,73 TWh de energia por meio do bagaço da cana em 2019 – 4,73% acima do resultado de 2018, que foi um ano de queda. A produção paulista, inclusive, correspondeu a 52,33% do total do país, ligeiramente acima do observado em 2018.
Mas o principal destaque dentre os estados ficou com Mato Grosso que, tendo aumentado sua produção em 183,43% entre os dois anos, figura entre os seis maiores produtores pela primeira vez, desbancando Alagoas. Essa é a segunda vez que o estado nordestino não aparece na lista desde 2014, quando ficou abaixo de Pernambuco.
Mato Grosso, inclusive, tem registrado diferentes novos investimentos em cogeração e talvez se mantenha em destaque por mais tempo. A Usina Itamarati, comandada pelo fundo de private equity CVC IB, planeja fazer aportes para aumentar a moagem de cana e a cogeração de energia. Com isso, a produção de eletricidade deve sair de 60 GWh por ano, para 300 GWh ao ano – o que deve ser acrescentado à produção total do estado.
Do outro lado está Mato Grosso do Sul, o único dentre os seis maiores estados produtores a apresentar queda na comparação entre 2018 e 2019 – uma consequência da menor moagem de cana, na mesma comparação. Todos os outros produtores apresentaram boas recuperações em 2019.
Cogeração ano a ano e mês a mês
A série histórica, acompanhada desde 2014, demonstra uma tendência de aumento na quantidade de energia produzida pelas sucroenergéticas. Porém, entre 2016 e 2018, esse aumento foi tímido, menor que 1% – em 2018, por exemplo, a ampliação foi de 0,05%. O resultado de 2019, então, demonstra uma pequena recuperação na tendência.
Já na comparação mensal, o pico de 2019 foi o mês de agosto, com 2,99 TWh. Este volume ficou abaixo do recorde mensal de produção de energia na série histórica, de julho de 2018, com 3,07 TWh – a única vez em que o setor esteve acima dos 3 TWh.

Julho, inclusive, normalmente é o mês que concentra a maior produção de energia, especialmente por ser o momento em que a safra de cana-de-açúcar está a todo vapor. Agosto, destaque em 2019, não chegava a esta posição desde 2015.
Por outro lado, setembro apresentou queda na comparação com os anos anteriores, chegando a registrar uma quantidade inferior de energia do que em 2017 – já em relação a 2018, o mês obteve um resultado superior. Outubro e maio, por sua vez, registraram uma produção alta, acima da observada nos últimos anos.
NovaCana DATA
Rafaella Coury – NovaCana