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Rabobank acredita em etanol competitivo em 2020, mas exportações para a China são “um sonho”

Analista do banco, Andy Duff traça as principais tendências do mercado mundial de etanol

NovaCana 7 min de leitura

Uma das principais decisões estratégicas das usinas brasileiras é saber de que forma direcionar a matéria-prima disponível para moagem. Nas últimas safras, o açúcar tem registrado preços baixos, que ainda dão poucos sinais de uma recuperação. Ao mesmo tempo, uma série de externalidades favoreceu o preço do etanol, que tem remunerado mais as usinas em comparação com o adoçante.

Este cenário deve se manter ao longo do próximo ano. Para o gerente do departamento de pesquisas do Rabobank, Andy Duff, o preço do biocombustível deve ficar acima dos 14 centavos de dólar por libra-peso em 2020. Com isso, sua produção passa a ser mais vantajosa que a de açúcar para as usinas brasileiras, já que a commodity tem sido negociada a preços inferiores em Nova York.

Durante a NovaCana Ethanol Conference, em setembro, Duff fez uma análise dos cenários de possíveis preços para o etanol hidratado, com o valor variando conforme a relação percentual entre os preços da gasolina e do etanol nas bombas e três diferentes cenários de preços de petróleo. O gerente também considerou um câmbio fixo em R$ 3,80/US$.

Ele explica que os valores do petróleo foram passados por um analista do Rabobank especializado neste mercado, poucos dias antes de um ataque a refinarias na Arábia Saudita ter feito o preço disparar. Ainda assim, de acordo com o gerente, os preços apontados são bastante construtivos, devido à atividade constante de Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), à ação da Rússia para limitar a oferta e às mudanças nas regras a respeito de combustíveis marítimos, que também impactam na oferta.

“Isso resulta em uma faixa que vai de um mercado bem mais abastecido a um mais apertado”, explica Duff, que chama atenção para o cenário com o preço de petróleo mais elevado: “Se a visão do petróleo a US$ 70 [por barril] virar realidade, dá pra ver que, mesmo em um mercado que é bem abastecido e com este câmbio, estamos falando de um preço de 14 centavos de dólar ou mais [por libra-peso]”.

Para o gerente, sob essas condições de mercado, o Brasil deve ter uma safra “bem alcooleira” em 2020/21. Atualmente, no entanto, o barril de petróleo tem sido negociado por valores em torno de US$ 50.

Na versão completa, confira as perspectivas de mudança no mercado de etanol e o impacto do RenovaBio nas perspectivas para o setor sucroenergético brasileiro

Uma das principais decisões estratégicas das usinas brasileiras é saber de que forma direcionar a matéria-prima disponível para moagem. Nas últimas safras, o açúcar tem registrado preços baixos, que ainda dão poucos sinais de uma recuperação. Ao mesmo tempo, uma série de externalidades favoreceu o preço do etanol, que tem remunerado mais as usinas em comparação com o adoçante.

Este cenário deve se manter ao longo do próximo ano. Para o gerente do departamento de pesquisas do Rabobank, Andy Duff, o preço do biocombustível deve ficar acima dos 14 centavos de dólar por libra-peso em 2020. Com isso, sua produção passa a ser mais vantajosa que a de açúcar para as usinas brasileiras, já que a commodity tem sido negociada a preços inferiores em Nova York.

Durante a NovaCana Ethanol Conference, em setembro, Duff fez uma análise dos cenários de possíveis preços para o etanol hidratado, com o valor variando conforme a relação percentual entre os preços da gasolina e do etanol nas bombas e três diferentes cenários de preços de petróleo. O gerente também considerou um câmbio fixo em R$ 3,80/US$.

Ele explica que os valores do petróleo – US$ 50, US$ 60 e US$ 70 por barril – foram passados por um analista do Rabobank especializado neste mercado. De acordo com o gerente, os preços apontados são bastante construtivos, devido à atividade constante de Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), à ação da Rússia para limitar a oferta e às mudanças nas regras a respeito de combustíveis marítimos, que também impactam na oferta.

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“Isso resulta em uma faixa que vai de um mercado bem mais abastecido a um mais apertado”, explica Duff, que chama atenção para o cenário com o preço de petróleo mais elevado: “Se a visão do petróleo a US$ 70 [por barril] virar realidade, dá pra ver que, mesmo em um mercado que é bem abastecido e com este câmbio, estamos falando de um preço de 14 centavos de dólar ou mais [por libra-peso]”.

Para o gerente, sob essas condições de mercado, o Brasil deve ter uma safra “bem alcooleira” em 2020/21. Atualmente, no entanto, o barril de petróleo tem sido negociado por valores em torno de US$ 50.

Mudanças no mercado internacional

Para justificar um etanol mais competitivo que o açúcar, Duff também traz argumentos contrários a alguns fatores que poderiam dar suporte aos preços do adoçante.

Um deles é a meta chinesa de inclusão de 10% de biocombustíveis na matriz energética do país para o próximo ano, que, a princípio, diminuiria a oferta do adoçante, pois representa um incentivo à fabricação de etanol. Duff, porém, não acredita que isso irá acontecer: “Eles estão longe, muito longe dessa meta”.

O analista relata que já ouviu argumentos de que o país asiático poderia importar etanol no Brasil para atingir seus objetivos, já que não recorreria aos Estados Unidos por conta de entraves comerciais. Porém, ele afirma ter consultado um analista de grãos chinês, que pontuou que o governo local não se preocupa com o cumprimento da meta por meio de importações.

“O sonho que essa meta vai incentivar a China a buscar etanol no Brasil é só isso mesmo, um sonho. A gente não pode contar com isso”, Andy Duff (Rabobank)

Por sua vez, na Índia, circula a ideia de converter os enormes estoques de açúcar em etanol, prática já realizada nos Estados Unidos em 2013. “Parece uma ideia genial se você olha o preço de aquisição do açúcar e o preço que as petroleiras vão pagar pelo etanol. A operação parece fazer sentido”, relata.

Porém, o analista faz a ressalva de que entraves técnicos e de regulamentação impedem que isso se torne realidade: “Infelizmente, parece que isso tem pouca chance de acontecer”.

Em contrapartida, ele argumenta que as usinas do principal estado produtor de cana da Índia, Uttah Pradesh, estão lucrando e terão dinheiro para investir na capacidade de produção de etanol neste ano e no próximo. “Elas estão construindo capacidade, então pode ser que, ao longo do tempo, haverá um esforço para produzir mais etanol e um pouco menos de açúcar”, afirma.

RenovaBio e outros caminhos

Indo além da análise dos preços, o analista traz o RenovaBio como um dos aportes de crescimento para as usinas. “O país tem uma obrigação com o RenovaBio, então a gente tem meta para cumprir”, relembra e completa: “Mas não é só o setor de cana que vai contribuir com a meta do programa”.

Segundo Duff, para atingir as projeções de um aumento na produção e no consumo em 20 bilhões de etanol em um horizonte de dez anos, o setor depende de uma maior moagem e, portanto, de mais cana. Em contrapartida, se houver um aumento na participação de mercado do etanol de milho, o crescimento esperado para o setor de cana deve diminuir.

Assim, ele faz um alerta em relação aos controles de custos das usinas, expressando que os grupos necessitam focar em aumentar a produtividade dos canaviais. Para isso, o profissional destaca várias alternativas que já estão mudando o cenário, como mudança nas técnicas de plantio, cana transgênica e iniciativas que buscam trazer mais tecnologia para o campo.

O analista também pontua alternativas como a produção de biogás, bioplásticos e bioquímicos, que podem substituir o açúcar nas usinas. “Essa é outra parte do trabalho. Não espere o preço voltar, faça o trabalho aqui”, recomenda.

Ainda assim, ele admite que essas mudanças exigem novos investimentos por parte das sucroenergéticas – justamente em circunstâncias nas quais parte das empresas não tem condições de aplicar grandes somas.

“A nossa visão, a médio prazo, é que a chance do setor realmente expandir nos próximos cinco anos é baixa. O mais provável é que o setor vai encolher um pouco e só então ganhar musculatura”, explica Duff. Esta visão, aliás, não é nova e ecoa falas de Pedro Fernandes, do Itaú BBA e Thiago Duarte, do BTG Pactual.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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