À sombra da crise institucional que afeta a maior empresa do país e com um prejuízo acumulado, trimestre a trimestre, de quase R$ 1 bilhão, usina de etanol celulósico da Petrobras ficou em segundo plano
Após anos de mistério e informações escassas, a Petrobras Biocombustível (PBio), subsidiária da Petrobras, quebrou o silêncio em relação ao seu projeto de etanol de segunda geração (2G), cuja produção em escala comercial estava prevista para este ano.
Veja a seguir detalhes sobre a unidade, em qual estágio o projeto parou e quando a usina 2G será reavaliada dentro da estatal.
Após anos de mistério, a Petrobras Biocombustível (PBio), subsidiária da Petrobras, quebrou o silêncio em relação ao seu projeto de etanol de segunda geração (2G), cuja produção em escala comercial estava prevista para este ano.
Com capacidade para produzir 40 milhões de litros do renovável por ano, a planta sequer chegou a sair do papel e passa, agora, por avaliações internas, que definirão uma nova data para o projeto.
“Não estamos mais trabalhando com o prazo de 2015”, disse em entrevista ao portal NovaCana o gerente de projetos de segunda geração da PBio, André Bello.
“Paramos na fase de estudos e engenharia. Analisamos as tecnologias que existiam, fizemos um projeto conceitual da nossa tecnologia, analisamos o que tem no mercado e criamos um pacote de engenharia, mas não iniciamos nenhuma etapa de construção ou montagem”, afirmou.
À sombra da crise institucional que afeta a maior empresa do país e com um prejuízo acumulado, trimestre a trimestre, de quase R$ 1 bilhão, a PBio aguarda a divulgação dos balanços e a aprovação de um novo Plano de Negócios para a subsidiária para, então começar a pensar em uma nova data para o projeto, explicou o executivo.
Histórico
As informações que circulavam no mercado indicavam que a estatal considerava estratégico liderar e ter o domínio do processo de produção e, por isso, havia optado pelo desenvolvimento próprio da tecnologia e a busca de parcerias em algumas etapas.
Segundo a empresa, as pesquisas com o etanol de segunda geração começaram em 2004 no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) e “avançaram” ao longo dos anos. Em 2012, a Petrobras chegou a movimentar 40 minivans durante a Rio+20, transportando 8 mil conferencistas. O feito rendeu à estatal o Prêmio Brasil Ambiental 2012 na categoria inovação.
Em 2013, a PBio afirmou que trabalhava “para otimizar cada vez mais a produção de etanol de segunda geração e cumprir a meta de produção comercial a partir de 2015”, mas com o passar dos anos, mudou o tom do discurso.
Em 2014, a companhia disse que estava trabalhando no projeto de engenharia da planta de etanol de segunda geração, que “deverá ser implantada em 2015”.
Leonardo Siqueira – NovaCana