A LanzaTech anunciou nesta terça-feira, 27, que firmou um contrato com a Spray Engineering Devices (SED), uma empresa de soluções em energia sustentável, para construir uma usina de etanol utilizando bagaço de cana-de-açúcar, um resíduo agrícola amplamente disponível. O produto será utilizado para a produção de combustíveis e produtos químicos sustentáveis.
A usina, com capacidade projetada para processar até 300 toneladas de bagaço por dia, estará localizada no estado de Uttar Pradesh, na Índia, e é considerada um componente fundamental do conceito “SED Smart Village”. A previsão é de que a planta inicie suas operações em até dois anos.
A estrutura da SED Smart Village foi concebida para capturar todo o valor econômico da energia renovável e dos recursos de carbono. O modelo prevê que a energia abundante e de baixo custo direcionará a demanda por carbono para produtos de alto valor agregado, como químicos verdes, polímeros, combustíveis de aviação e combustíveis sintéticos.
Além disso, as companhias envolvidas esperam que o projeto da LanzaTech gere biochar rico em nutrientes (5% a 10%), que poderá ser utilizado em comunidades agrícolas locais para melhorar a fertilidade do solo.
“A agricultura moderna está prestes a passar por uma transformação significativa por meio da energia solar verde e do hidrogênio, o que criará oportunidades ilimitadas para as economias rurais”, afirmou o fundador da SED, Vivek Verma.
Ele relata que o potencial solar da Índia durante todo o ano, suas terras férteis e a crescente demanda por energia posicionam o país de forma única para um futuro com energia renovável de baixo custo. “À medida que as tecnologias de energia solar, eólica, baterias e armazenamento amadurecem, espera-se que os custos de eletricidade diminuam significativamente, impulsionados pelo armazenamento de energia distribuído”, afirma.
O executivo completa: “O elemento crucial é garantir que o processamento da biomassa e a reciclagem de nutrientes ocorram localmente para preservar a saúde do solo e fortalecer as economias rurais. Ao utilizar biomassa agrícola não alimentar e resíduos animais como matéria-prima de carbono, podemos descarbonizar a agricultura e criar um ecossistema de hidrocarbonetos sustentável”.
Segundo o anúncio, as instalações industriais da LanzaTech serão equipadas com biorreatores que funcionam como uma cervejaria. Mas, em vez de usar levedura para converter açúcar em cerveja, microrganismos patenteados convertem gases ricos em carbono, incluindo CO2 combinado com H2 verde, em etanol.
De acordo com as companhias, aproveitando a cadeia de suprimentos existente, a instalação evitará a queima de resíduos de bagaço e possibilitará a produção local de combustíveis, produtos químicos e matérias-primas. Essa abordagem, segundo elas, apoia a economia circular e ajuda a construir um futuro mais resiliente para as comunidades produtoras de cana-de-açúcar.
O projeto será um dos primeiros casos em que uma empresa privada desenvolve um projeto de etanol utilizando o bagaço de cana-de-açúcar no âmbito do programa PM JI-VAN Yojana, do governo indiano. A iniciativa foi criada para apoiar a produção de etanol avançado, fabricado a partir de resíduos agrícolas e industriais.
“Nossa parceria com a SED para este projeto expande nossa presença na Índia ao mesmo tempo em que cria um roteiro para a implantação comercial de resíduos agrícolas como matéria-prima essencial para a produção de etanol”, afirmou a CEO da LanzaTech, Jennifer Holmgren.
Ela, que também é membro do Conselho de Administração do Fórum de Parceria Estratégica EUA-Índia (USISPF), complementa: “As matérias-primas derivadas de resíduos podem apoiar a iniciativa 'Make in India' do primeiro ministro Modi, impulsionando a produção nacional regional de bens e materiais essenciais”.
Na Índia, a tecnologia da LanzaTech já está implantada na unidade de Panipat da Indian Oil Corporation, utilizando gases residuais de refinaria. Esta é a sexta planta em escala comercial a utilizar a tecnologia da LanzaTech no mundo.
Uma unidade de produção de etanol com capacidade de 10 toneladas por dia, da NTPC, a partir de CO2 residual e H2 verde, está em fase avançada de execução no complexo de Pudimadaka da NTPC, em Andhra Pradesh.
Tradução realizada pelo NovaCana com apoio de ferramentas de inteligência artificial