Cana: Safra / Moagem

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Produtividade e teor de ATR em queda podem ser problemas para safra de cana 2025/26

Aumento no mix de produção de açúcar tende a gerar suporte para os preços do etanol


NovaCana - Publicado: 07 Jul 2025 - 12:00

Após investimentos em cristalização, as usinas tiveram dificuldades para aproveitar a nova capacidade instalada na temporada passada, algo que parece estar se revertendo em 2025/26, com o aumento do mix açucareiro. Entretanto, o teor de açúcar total recuperável (ATR) e a produtividade não têm sido dos melhores, pelo menos conforme os dados acumulados até agora.

Com o início do segundo trimestre da safra, em julho, os números começam a consolidar o caminho que efetivamente será traçado na temporada atual.

“Na segunda quinzena de maio, tivemos um mix de açúcar que veio alto e do jeito que se esperava”, detalha o analista da consultoria agro do Itaú BBA, Lucas Brunetti. Segundo ele, o banco estima um recorde para o indicador, atingindo 52% ao final da temporada 2025/26.

Para o número se consolidar é preciso que ele siga acima da média anual nos meses de junho, julho e agosto, ainda conforme o analista. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), o acumulado até 16 de junho é de 50,5%.

“Finalmente, esses números estão refletindo os investimentos no setor. Ano passado, não conseguimos ver os aportes entrarem a tempo suficiente. O começo da safra teve um certo atraso no início dessas fábricas. Cerradinho e Atvos, por exemplo, tiveram alguns problemas”, complementa o analista.

O estrategista global de açúcar do Rabobank, Andy Duff, corrobora que a temporada 2024/25 foi de “frustração” para as usinas. Ele explica que as empresas fizeram investimentos em aumento de capacidade de cristalização, mas a qualidade do caldo foi menor do que a normal.

“Em termos de potencial de produção de açúcar, há uma compensação parcial a qualquer decepção quanto ao ATR e à produtividade. O dado que é o olhado pelo mercado, de produção de açúcar, até agora tem se mostrado de sucesso levando em conta o mix e comparando com as frustações do ano passado”, detalha.

A produção de açúcar é estimada em 40,8 milhões de toneladas pelo Itaú BBA, inferior às 41,2 milhões de toneladas esperadas anteriormente pelo banco; já o Rabobank enxerga que serão produzidas 41 milhões de toneladas a partir de um mix de 51,5% para o adoçante.

O Itaú BBA também apontou que a colheita no Centro-Sul seguiu em ritmo acelerado em maio devido ao clima seco, tirando parte do atraso ocorrido em abril. O banco estima que serão moídas 590 milhões toneladas de cana e Brunetti considera que ainda não está na hora de revisar para baixo.

Já os pesquisadores do Rabobank projetam uma safra de 593 milhões de toneladas de cana. Apesar disso, Duff aponta que, até a segunda quinzena de maio, tinham sido moídas cerca de 125 milhões de toneladas. “É preciso fazer a ressalva de que até se tem uma faixa de projeções para a moagem final; ainda temos cerca de 80% da safra para ver”, complementa.

A versão completa desta reportagem (acesso exclusivo para assinantes) traz a análise detalhada dos bancos para o atual momento da safra 2025/26.


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