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Produção de etanol de milho bate recorde no Brasil e deve continuar crescendo

milharal-230217A produção de etanol de milho no Brasil não para de crescer. 2016/17 já registra um acumulado de 169,53 milhões de litros: antes mesmo do fim da safra, isso representa crescimento anual de 20,2%

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A produção de etanol de milho no Brasil não para de crescer. Tendo como base o ano-safra da cana-de-açúcar, na temporada 2014/15 foram produzidos 84,88 milhões de litros de etanol a partir do grão. Na safra seguinte, já foram 141,05 milhões de litros.

Agora, a safra 2016/17 já registra uma produção acumulada até o mês de janeiro de 169,53 milhões de litros de etanol de milho. Assim, antes mesmo do fim da temporada, o valor representa um crescimento de 20,2% em relação ao total da produção da safra anterior. Ao final de março a produção deve ultrapassar 210 milhões de litros (crescimento de 50%).

Desde 2014, quando um amplo estudo mostrou como o etanol de milho pode ser rentável, os ventos sopram a favor. A importância dessa opção ganha força com o volume recorde de etanol produzido a partir do grão e a perspectiva de que a oferta continuará progredindo.

A expectativa do banco holandês Rabobank é que a safra de milho do Brasil em 2016/17 atinja um total de 84 milhões de toneladas. Os volumes são semelhantes aos projetados pelo governo, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e apontam uma evolução de 26%, ante a colheita de 66,6 milhões de toneladas em 2015/16.

Afinal, o biocombustível é uma das saídas brasileiras diante dos excedentes do grão e dos preços baixos pagos no mercado, especialmente no Mato Grosso. Para as usinas de etanol, ele é a solução para diminuir o tempo de ociosidade dos parques fabris no período da entressafra.

Saiba mais:
- As quatro usinas responsáveis pelo recorde de produção
- As duas novas unidades que devem começar a operar
- A evolução da produção mês a mês: anidro e hidratado
- Etanol representa valor agregado para o milho
- Investimentos no Mato Grosso

A produção de etanol de milho no Brasil não para de crescer. Tendo como base o ano-safra da cana-de-açúcar, na temporada 2014/15 foram produzidos 84,88 milhões de litros de etanol a partir do grão. Na safra seguinte, já foram 141,05 milhões de litros.

Agora, a safra 2016/17 já registra uma produção acumulada até o mês de janeiro de 169,53 milhões de litros de etanol de milho. Assim, antes mesmo do fim da temporada, o valor representa um crescimento de 20,2% em relação ao total da produção da safra 2015/16. Os dados são da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Ao final de março a produção deve ultrapassar 210 milhões de litros (crescimento de 50%).

Desde 2014, quando um amplo estudo mostrou como o etanol de milho pode ser rentável, os ventos sopram a favor. A importância dessa opção ganha força com o volume recorde de etanol produzido a partir do grão e a perspectiva de que a oferta continuará progredindo.

A expectativa do banco holandês Rabobank é que a safra de milho do Brasil em 2016/17 atinja um total de 84 milhões de toneladas. Os volumes são semelhantes aos projetados pelo governo, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e apontam uma evolução de 26%, ante a colheita de 66,6 milhões de toneladas em 2015/16.

Afinal, o biocombustível é uma das saídas brasileiras diante dos excedentes do grão e dos preços baixos pagos no mercado, especialmente no Mato Grosso. Para as usinas de etanol, ele é a solução para diminuir o tempo de ociosidade dos parques fabris no período da entressafra.

Valor agregado com etanol

O milho produzido no Centro-Oeste, especialmente na porção norte mato-grossense, é um dos mais baratos do mundo. Por essa razão, o etanol entra como uma oportunidade de negócio ao agregar valor ao cereal.

Atualmente, são exportadas cerca de dez milhões de toneladas do grão colhido no estado, que rendem, considerando uma boa cotação – como na safra 2014/15 –, uma receita de R$ 2,7 bilhões.

Porém, quando o milho é processado como bioenergia, a estimativa é que as dez toneladas renderiam R$ 6 bilhões com a venda do etanol, mais R$ 2,3 bilhões em energia elétrica nas usinas com caldeiras industriais de alta pressão e R$ 1,5 bilhão com a venda de DDG (sigla em inglês para grão de destilaria seco), um subproduto do milho altamente proteico e muito valorizado como ração animal.

Investimentos no Mato Grosso

Assim, não é por acaso que justamente o Mato Grosso receberá em breve duas novas usinas exclusivamente de etanol de milho, já autorizadas pela ANP a serem construídas.

A planta em estágio mais avançado é a da Fiagril, de Lucas do Rio Verde, originadora de grãos que já produz biodiesel. O projeto é uma joint venture entre a Fiagril e o grupo americano Summit e o início das operações está marcado para este ano.

O segundo projeto, da Usina Santa Clara Álcool de Cereais, ainda não saiu do papel de acordo com a diretoria da empresa. A unidade está prevista para ser construída no município de Vera (MT).

Sem ainda liberação pela agência reguladora, em 2015, também em Vera, a Cevital, uma multinacional com sede na Argélia (África), iniciou as tratativas para investir pelo menos US$ 500 milhões, ou R$ 1,7 bilhão, na produção de etanol de milho. O investimento na região pode ultrapassar os R$ 3 bilhões.

Recordes de produção em 2016

Segundo a Unica, os números crescentes do etanol de milho representam a produção de quatro usinas, todas no sistema flex, ou seja, unidades que utilizam tanto a cana-de-açúcar quanto o grão para produção do biocombustível. São elas as usinas: Libra, Usimat e Porto Seguro, no Mato Grosso, e a Usina São Francisco, em Goiás.

Os últimos dados divulgados dão conta que essas unidades processaram 29,05 milhões de litros de etanol de milho em janeiro. Esse número representa um volume de etanol 44% maior do que o registrado em igual período do ano anterior.

Em quase todos os meses da temporada 2016/17 o resultado foi similar. A produção de etanol que tem como matéria-prima o grão vem mantendo um ritmo gradual de crescimento, que tende a continuar, observadas as perspectivas para esse mercado.

170206 etanol de milho-quinzenal

170206 etanol de milho-mensal total

170206 etanol de milho-comparativo tri total

170206 etanol de milho-acumulada total

Já em relação à produção de etanol anidro e hidratado, em observação à evolução de produção, nota-se que o processamento de milho para fabricação de hidratado se mantém durante todo o ano, enquanto a de anidro tende a se concentrar de setembro a março em pequenos volumes.

Em janeiro, os resultados foram de 2,52 milhões de litros produzidos de etanol de anidro e 26,53 milhões de litros de etanol hidratado.

Por sua vez, no acumulado do ano, a produção é de 24,26 milhões de litros para o anidro e de 145,27 milhões de litros para o hidratado.

170206 etanol de milho-mensal anidro e hidratado

170206 etanol de milho-comparativo tri anidro e hidratado

170206 etanol de milho-acumulada anidro

170206 etanol de milho-acumulada hidratado

Histórico do etanol de milho do Brasil

A usina Usimat, no município de Campos de Júlio (MT), foi pioneira no processamento do cereal para bioenergia, tendo feito a primeira safra de etanol em 2011. A usina, originalmente para a cana-de-açúcar, trabalhava de forma deficitária. O milho, como alternativa de matéria-prima na entressafra, fez a empresa ganhar escala de produção.

Assim como as demais usinas que exploram as possibilidades de produção de etanol a partir do milho, a Usimat trabalha no sistema flex. Em uma unidade flex, a produção de etanol de milho permite a operação o ano todo, diminuindo as taxas de ociosidade no período da entressafra de cana-açúcar. O baixo preço do cereal, em razão do aumento de produção no Brasil e no mercado externo, é outro fator positivo, porque reduz os custos industriais.

De acordo com a ANP, para essas usinas, não há a necessidade de uma autorização de operação específica para a produção de etanol a partir de milho. Ou seja, as usinas atualmente autorizadas podem utilizar outras matérias-primas além da cana-de-açúcar. “A ANP especifica o produto final, etanol, que pode ser produzido de diferentes matérias-primas. Portanto, o foco é no produto acabado – o combustível”, destacou a entidade.

Sobre quantas usinas hoje utilizam a matéria-prima para a produção de etanol, a agência não fornece muitos detalhes. Apenas é destacado que a cana-de-açúcar é a matéria prima utilizada em 97,1% das plantas de etanol autorizadas. Segundo a instituição, as demais matérias-primas usadas pelas usinas no Brasil para produção de etanol são arroz, milho, sorgo, bagaço de cana-de-açúcar e palha de cana-de-açúcar. A ANP não especifica a participação de cada produto, só confirma que as opções são utilizadas.

Marina Gallucci – NovaCana

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