NovaCana

Produção de etanol de milho vai crescer 25,3% em 2021/22, afirma Unem

Em entrevista exclusiva ao NovaCana, Guilherme Nolasco comenta previsões, fraquezas e oportunidades do setor

NovaCana 9 min de leitura

A produção de etanol de milho brasileira vem crescendo exponencialmente, especialmente nos últimos anos. Dados da União Brasileira do Etanol de Milho (Unem) demonstram que o início do registro desta fabricação foi em 2013/14, com 30 milhões de litros, e que, desde então, ela segue aumentando.

Para a safra concluída no final de março, a previsão mais recente da instituição era uma produção nacional de 2,66 bilhões de litros do biocombustível. Efetivamente, conforme números divulgados pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), o volume no Centro-Sul chegou a 2,57 bilhões – próximo da previsão anterior da Unem, de 2,5 bilhões.

Já para 2021/22, a expectativa da entidade é que sejam produzidos 3,22 bilhões de litros de etanol de milho, um acréscimo de 25,3% no comparativo safra a safra. Deste volume, 2,21 bilhões de litros deverão ser de hidratado e 1,01 bilhão de anidro.

unem historico 130421 block

Conforme o presidente da Unem, Guilherme Nolasco, em entrevista exclusiva ao NovaCana, este crescimento é apenas “orgânico”, uma consequência da recente conclusão de obras de ampliação nas usinas que processam o grão a fim de produzir o biocombustível.

A construção de novas unidades, aliás, foi o âmbito do setor de produção de etanol de milho mais atingido pela pandemia, lamenta o presidente da Unem. Por mais que diversos processos de ampliação tenham seguido – o que se reflete no crescimento na perspectiva do volume a ser produzido –, algumas construções foram adiadas e nem todas têm previsão de início.

Por outro lado, a Unem enxerga diversas oportunidades no setor do renovável do grão, como os coprodutos – como o farelo de milho – e as estratégias de compras realizadas pelas usinas.

Confira, na versão completa, restrita para assinantes, a entrevista com o presidente da Unem sobre as previsões, as fraquezas, as oportunidades e o trunfo da produção do etanol de milho no Brasil.

A produção de etanol de milho brasileira vem crescendo exponencialmente, especialmente nos últimos anos. Dados da União Brasileira do Etanol de Milho (Unem) demonstram que o início do registro desta fabricação foi em 2013/14, com 30 milhões de litros, e que, desde então, ela segue aumentando.

Para a safra concluída no final de março, a previsão mais recente da instituição era uma produção nacional de 2,66 bilhões de litros do biocombustível. Efetivamente, conforme números divulgados pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), o volume no Centro-Sul chegou a 2,57 bilhões – próximo da previsão anterior da Unem, de 2,5 bilhões.

Já para 2021/22, a expectativa da entidade é que sejam produzidos 3,22 bilhões de litros de etanol de milho, um acréscimo de 25,3% no comparativo safra a safra. Deste volume, 2,21 bilhões de litros deverão ser de hidratado e 1,01 bilhão, de anidro.

unem historico 130421

Conforme o presidente da Unem, Guilherme Nolasco, em entrevista exclusiva ao NovaCana, este crescimento é apenas “orgânico”, uma consequência da recente conclusão de obras de ampliação nas usinas que processam o grão a fim de produzir o biocombustível.

Desta forma, a expectativa é que só haja um aumento mais expressivo na produção após a construção de novas produtoras. “As usinas de milho sempre operam com sua capacidade total e é justamente por isso que estão ampliando. Esta expectativa de crescimento na nova safra é por isso”, afirma Nolasco.

Em relação às novas usinas, o presidente da Unem afirma que diversos projetos já estão licenciados para iniciar a construção – além das unidades que processam cana-de-açúcar e estão adaptando seu maquinário para também processar o milho, o que é mais rápido do que as obras iniciadas do zero. “Nós temos um projeto que já começou em Dourados, no Mato Grosso do Sul, e também temos projetos aqui no Mato Grosso já com o início programado”, cita.

Das unidades que processam as duas matérias-primas para produzir etanol, Nolasco destaca a São Martinho e a Cerradinho, que já estão investindo nesta fabricação: “Não queremos tomar mercado, é uma boa oportunidade inclusive para as usinas de cana – e temos visto grandes companhias entrando neste mercado”.

Considerando que o prazo médio de conclusão das obras de uma usina produtora de etanol de milho é de dois anos, a Unem acredita que só no final de 2022 haverá aumentos produtivos no setor devido a novas operações. “Como algumas empresas são meio fora da curva e concluíram as obras em 14 meses, acredito que essa indústria de Dourados deva estar rodando até o meio do ano que vem”, comenta Nolasco.

unem perspectiva 130421

Enquanto o aumento produtivo em Mato Grosso do Sul ainda é uma perspectiva, Mato Grosso e Goiás concentram a produção do renovável de milho no país, com seis usinas no primeiro e cinco no segundo, incluindo tanto as exclusivas do grão quanto as que processam milho e cana. Para 2021/22, a perspectiva é que estes estados concentrem 98,76% da produção brasileira.

“A concentração [do etanol de milho] é mesmo em Mato Grosso e Goiás, porém temos uma usina sendo concluída no Mato Grosso do Sul e o Paraná tem diversas possibilidades, pois tem pecuária, tem produção de milho e tem cooperativas”, Guilherme Nolasco (Unem)

Fraquezas e oportunidades

As usinas de cana-de-açúcar foram bastante afetadas pelo cenário de 2020. Do clima à pandemia de coronavírus, houve um grande receio em relação aos impactos sofridos e aos resquícios deles nas próximas safras. Para o setor de milho, estas consequências são sentidas de diferentes formas.

A construção de novas unidades foi o âmbito do setor de produção de etanol de milho mais atingido pela pandemia, lamenta o presidente da Unem. Por mais que diversos processos de ampliação tenham seguido – o que se reflete no crescimento na perspectiva do volume a ser produzido –, algumas construções foram adiadas e nem todas têm previsão de início.

Nolasco ainda explica que o milho também é afetado pelas variações climáticas, como a cana, porém a produção nacional do grão é muito grande e apenas um terço dela vai para as usinas de etanol – o resto é praticamente todo exportado. Então, caso haja uma queda na produção, a consequência é o aumento do preço da saca, mas não há um grande risco de falta de matéria-prima.

Efetivamente, no início de abril, a saca de milho estava sendo negociada a R$ 100 na bolsa de futuros da B3. Ainda assim, o presidente da Unem não acredita que esta alta influenciará na perspectiva de produção de etanol da próxima safra.

A justificativa, ele explica, é que as produtoras possuem estratégia de compra antecipada do milho, justamente para segurar o preço. “Estamos comprando hoje o milho que será processado em 2023”, garante e completa: “Muitas usinas chegam a ter até 80% da sua capacidade de produção em tamanho de estoque. Inclusive, às vezes, elas vendem o milho estocado em momentos de alta nos preços para depois comprar mais barato”.

Para Nolasco, esta estratégia é uma das oportunidades que as usinas de etanol de milho têm no mercado, especialmente por trazer uma segurança extra. Além disso, ele comenta que o setor é novo, ou seja, não carrega dívidas do passado, não tem um passivo antigo – diferentemente do da cana.

“Pode ser que, um dia, o milho esteja em um preço que é melhor vender o grão do que produzir etanol. E é possível diminuir a produção e devolver milho para o mercado. A indústria não tem área agrícola, ela é compradora do grão, então pode exportar, pode vender, não está engessada”, Guilherme Nolasco (Unem)

Além disso, ele considera este setor atraente não só pela novidade – “todo mundo gosta de falar de etanol de milho” –, mas também por ser sustentável. “As políticas públicas e a atração estão sendo construídas a nível federal e também nos estados, mostrando qual o incremento de renda possível em cada tonelada de milho processada”, comenta Nolasco.

Ele defende que a produção do etanol de milho é uma cadeia de negócios e que nem todos os governos e produtores entendem o que isso pode gerar de economia. Isto, junto ao fato de que o etanol de milho não veio para competir com o da cana, é algo que ainda precisa ser desmistificado na opinião do presidente.

O trunfo do DDG

No processamento do milho para produção de etanol também são produzidos o farelo (DDG, DDGS, WDG, dentre outros), o óleo e a energia – o que o presidente da Unem, Guilherme Nolasco, chama de cesta de receitas. Estes coprodutos também são oportunidades para as usinas, afirma.

No caso do farelo, há mais uma segurança para os produtores que processam o grão, pois ele não acompanha as variações de preço do biocombustível, estando menos suscetível às oscilações do mercado.

Nolasco explica que é principalmente o DDG quem segura a produção de etanol de milho. Enquanto o biocombustível tem apenas 7% a 8% de participação de mercado, o farelo arbitra seu próprio mercado. “Mesmo que o rendimento seja de apenas 20% do total, é esta produção do DDG que mantém os rendimentos das usinas. Por isso, o DDG não é um subproduto, é um coproduto”, defende.

É por este motivo que ele afirma ser importante considerar os coprodutos da produção de etanol de milho ao calcular os custos de produção, como fez o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) em um estudo sobre a viabilidade desta fabricação. Na comparação entre o renovável da cana e do grão, estes extras fazem a diferença.

“Eu produzo, com uma tonelada de milho, 420 litros de etanol, 300 kg de DDG, 18 litros de óleo de milho, eu cogero energia e jogo na rede; na hora que eu junto tudo isso, este é o meu negócio”, conclui. Para o presidente da Unem, estas receitas trazem um resultado positivo para o setor e devem ser valorizadas.

Rafaella Coury – NovaCana

Compartilhar: