Em abril, empresa suspendeu pagamentos ao BNDES; resultado da safra passada foi negativo em R$ 6,13 milhões
A safra 2020/21 começou com novidades para a Diana Bioenergia, que controla uma usina em Avanhandava (SP). Em abril, a companhia aprovou a suspensão temporária dos pagamentos de um financiamento de R$ 55,6 milhões contratado via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O empréstimo, assinado em setembro do ano passado, era direcionado para cinco áreas: expansão da produção de açúcar e etanol; modernização agrícola; ampliação e modernização da cogeração de energia elétrica; renovação e expansão de canaviais; e capital de giro.
Dois meses despois da suspensão, em junho, a companhia firmou dois contratos de operação de crédito com o Banco Safra, no valor de R$ 1 milhão cada: o primeiro tem vencimento em 7 de junho de 2021 e o segundo, em 8 de fevereiro de 2022. Ambos foram contratados na modalidade de cédula de crédito à exportação (CCE).
Além do financiamento de R$ 55,6 milhões com o BNDES, em outubro do ano passado, a Diana Bioenergia também contratou empréstimos de R$ 8,49 milhões com o Banco Safra e de R$ 9,3 milhões com Banco ABC Brasil. No total, estas operações somaram R$ 73,4 milhões.
O NovaCana entrou em contato com a Diana, mas a companhia não comentou as negociações.
Em nota publicada no site da companhia, o CEO do grupo, Ricardo Junqueira, explica que a Diana pretende reduzir o endividamento e aumentar a rentabilidade da operação, seguindo um planejamento com horizonte de cinco anos.
“A redução do endividamento será feita de forma saudável, sem comprometer a rentabilidade, liquidez e a operação. Acreditamos que a safra 2020/21 será o início do círculo virtuoso, refletindo todos os esforços dos últimos anos”, afirma.
No texto completo, leia mais sobre o desempenho operacional e financeiro da companhia na safra 2019/20, seu endividamento e as perspectivas para o futuro.
A safra 2020/21 começou com novidades para a Diana Bioenergia, que controla uma usina em Avanhandava (SP). Em abril, a companhia aprovou a suspensão temporária dos pagamentos de um financiamento de R$ 55,6 milhões contratado via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O empréstimo, assinado em setembro do ano passado, era direcionado para cinco áreas: expansão da produção de açúcar e etanol; modernização agrícola; ampliação e modernização da cogeração de energia elétrica; renovação e expansão de canaviais; e capital de giro.
Dois meses despois da suspensão, em junho, a companhia firmou dois contratos de operação de crédito com o Banco Safra, no valor de R$ 1 milhão cada: o primeiro tem vencimento em 7 de junho de 2021 e o segundo, em 8 de fevereiro de 2022. Ambos foram contratados na modalidade de cédula de crédito à exportação (CCE).
Além do financiamento de R$ 55,6 milhões com o BNDES, em outubro do ano passado, a Diana Bioenergia também contratou empréstimos de R$ 8,49 milhões com o Banco Safra e de R$ 9,3 milhões com Banco ABC Brasil. No total, estas operações somaram R$ 73,4 milhões. O NovaCana entrou em contato com a companhia, que não comentou as negociações.
Desta forma, não surpreende que o endividamento da empresa com empréstimos e financiamentos tenha subido ao longo da temporada. Em 31 de março de 2020, a Diana Bioenergia relatou uma dívida total de R$ 180,08 milhões nesta categoria, uma posição 26,6% maior que a vista um ano antes.

Ainda assim, as dívidas comprometidas em curto prazo estão 2,5% menores em comparação com o valor registrado ao final da safra 2018/19. Segundo a companhia, R$ 89,45 milhões terão vencimento ao longo da safra 2020/21.
Já as dívidas com vencimento em médio e longo prazos somavam R$ 90,63 milhões em 31 de março deste ano. O montante é 79,4% maior que o visto um ano antes.
Em nota publicada no site da companhia, o CEO do grupo, Ricardo Junqueira, explica que a Diana pretende reduzir o endividamento e aumentar a rentabilidade da operação, seguindo um planejamento com horizonte de cinco anos.
“A redução do endividamento será feita de forma saudável, sem comprometer a rentabilidade, liquidez e a operação. Acreditamos que a safra 2020/21 será o início do círculo virtuoso, refletindo todos os esforços dos últimos anos”, afirma.
Segundo a Diana, em publicação no site da companhia, o endividamento líquido do grupo é de R$ 135,68 milhões, o que representa R$ 95 por tonelada de cana. Este resultado inclui o desempenho das empresas Renata Sodré Viana Egreja Junqueira e Avanhandava Agropecuária Ltda. que, somadas, representam 3,06 mil hectares explorados pela usina.
Perspectivas positivas
Na safra 2019/20, a companhia divulgou uma moagem de 1,19 milhão de toneladas de cana-de-açúcar e uma previsão de chegar a 1,4 milhão de toneladas em 2020/21. “Nos últimos dois ciclos, a usina reformou 25% do canavial e, em 15 de abril, terminou o plantio de três mil hectares, o que representa uma reforma de 20% do canavial próprio”, afirma a companhia em seu site.
Ainda de acordo com a Diana Bioenergia, em três anos, a empresa reformou 70% do canavial próprio. O objetivo é alcançar melhoras no rendimento das lavouras, na qualidade da cana-de-açúcar e, também, na eficiência industrial da usina.
“Uma das estratégias usadas neste início de safra foi optar pela antecipação da moagem de 47% do canavial mais velho, que será destinado para o plantio de meiosi”, relata e completa: “A partir de julho de 2020, a empresa terá 60% da cana de 1º, 2º e 3º cortes”.
Ainda assim, conforme números divulgados pela empresa no Diário Oficial de São Paulo, a companhia teve um prejuízo líquido de R$ 6,13 milhões na safra 2019/20. O valor complementa uma sequência de resultados negativos, mas também representa uma diminuição de 73,9% nas perdas em comparação com o prejuízo de R$ 23,45 milhões visto na temporada anterior.

O resultado difere do lucro de R$ 7,96 milhões divulgado pela companhia no final de junho, que engloba o resultado das empresas Renata Sodré Viana Egreja Junqueira e Avanhandava Agropecuária Ltda.
Desempenho financeiro
Ao longo da safra 2019/20, a Diana Bioenergia obteve uma receita de R$ 176,83 milhões com a venda de seus principais produtos. O valor é 3,73% menor que os R$ 183,68 milhões registrados em 2018/19.
Ainda de acordo com as informações publicadas em Diário Oficial, os custos de produção da unidade somaram R$ 151,74 milhões ao longo da safra, 7,24% a menos na comparação anual.

Desta forma, a Diana Bioenergia obteve uma melhora em suas margens, com os custos sendo equivalentes a 85,8% da receita. Este é o melhor resultado desde 2016/17, quando esta relação era de 85,05%.
Além disso, a companhia também obteve uma valorização de R$ 6,77 milhões em seu ativo biológico (cana em pé), de modo que seu lucro bruto na temporada foi de R$ 31,85 milhões. O valor significa um crescimento de 59,3% ante os R$ 20 milhões vistos na temporada anterior.

Para completar, houve uma melhora relativa nos resultados financeiros da companhia. Em 2019/20, a Diana Bioenergia registrou perdas de R$ 23,86 milhões, 23,7% a menos que em 2018/19.
No período, a companhia viu suas despesas com juros crescerem 219,1%, chegando a R$ 72,47 milhões. Ao mesmo tempo, as receitas financeiras subiram mais de 1.594,5%, alcançando R$ 61,26 milhões. Este valor pode ser referente a juros recebidos, descontos obtidos, lucros em operação de reporte, prêmios de resgate de títulos ou debêntures e a rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa.

Outro valor que interfere no resultado financeiro das sucroenergéticas é o impacto cambial. No caso da Diana Bioenergia, houve uma perda de R$ 12,65 milhões na safra 2019/20. A companhia não registra um resultado positivo em relação ao câmbio desde 2016/17.
Renata Bossle – NovaCana