Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 9 a 15 de janeiro:

O preço médio da gasolina subiu 0,18% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol caiu 0,1%
O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
O valor do hidratado aumentou nas usinas paulistas e caiu nas goianas e mato-grossenses
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 360 municípios, 12 a mais do que na semana anterior
A tendência de queda do preço do etanol segue firme na média dos postos brasileiros considerando a segunda semana do ano. No período de 9 a 15 de janeiro, o biocombustível passou por uma redução de 0,1%, de R$ 5,051 por litro para R$ 5,046/L. Apesar da diminuição ser pequena, esta já é a oitava semana consecutiva de retração para o produto.
A gasolina, por outro lado, teve seu primeiro incremento após oito semanas de queda. No período, o valor do combustível fóssil saiu de R$ 6,596/L para R$ 6,608/L na média nacional, alta de 0,18%.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A alteração da tendência ocorre logo após o aumento dos preços da gasolina e do diesel para as distribuidoras, anunciado pela Petrobras na última terça-feira, 11. Entretanto, esta transferência não é necessariamente imediata, tendo diversos outros fatores que influenciam nos preços.
Com isso, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil no período foi de 76,4%, levemente abaixo do resultado de uma semana antes, quando era de 76,6%.
Ainda assim, o biocombustível não é considerado comercialmente competitivo e segue distante do limite estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é tido como vantajoso para os consumidores.

As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 360 municípios, 12 a mais do que no período anterior.
Nas usinas paulistas, por sua vez, o preço do hidratado aumentou 0,02%, de R$ 3,3510/L para R$ 3,3516/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Enquanto isso, houve uma redução de 0,93% nas produtoras goianas e de 0,08% nas mato-grossenses.
O aumento do preço dos combustíveis gerou diversas reações na última semana, especialmente no campo político. O coordenador do Fórum de Governadores, Wellington Dias (PT-PI), disse que o fato deixou claro que a responsabilidade pela alta de preços é da Petrobras.
Além disso, senadores como Alvaro Dias (Podemos-PR), Humberto Costa (PT-PE), Jean Paul Prates (PT-RN) e Omar Aziz (PSD-AM), alertaram sobre os novos percentuais de reajuste. “O brasileiro já não aguenta mais tanto aumento. A medida pode impactar outros setores da economia, como os alimentos”, expôs Costa.
Em contrapartida, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) informou, logo após anúncio da alta dos preços, que os valores seguem defasados no mercado interno. De acordo com a entidade, a gasolina está, em média, 6% abaixo do preço praticado no mercado internacional, e o óleo diesel, 7%.
Já o presidente do executivo, Jair Bolsonaro (PL), não perdeu a oportunidade de criticar a petroleira, dizendo que “se pudesse, ficaria livre da Petrobras”. Além disso, ele afirmou que não tem responsabilidade sobre os preços dos combustíveis.
Outro tópico discutido durante os últimos dias foi o fim do congelamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis, previsto para o dia 31 deste mês, mas que dividia opiniões.
Na última sexta-feira, 14, o Comitê Nacional de Secretários da Fazenda (Comsefaz) divulgou que vai encerrar o congelamento na data prevista.
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), o impacto da decisão deve chegar ao consumidor já no próximo mês e o litro da gasolina na bomba pode ficar R$ 0,027 mais caro em São Paulo.
Por sua vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), criticou no último domingo, 16, a postura de governadores em relação ao preço dos combustíveis e afirmou que as cobranças sobre o tema precisam ser dirigidas ao Senado, uma vez que a Câmara já aprovou um projeto sobre o tema.
Segundo a ANP, entre 9 e 15 de janeiro, o preço do etanol subiu na média de sete estados e no Distrito Federal, caiu em 17, ficou estável na Paraíba e não foi contabilizado no Amapá. A gasolina, por sua vez, aumentou em 15 unidades da federação.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma redução de 0,18%, custando R$ 4,869/L na média. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,339/L, aumento de 0,3%. Com isso, a relação entre os preços caiu, ficando em 76,8% ante os 77,2% do período anterior. A pesquisa foi feita em 105 cidades paulistas, mesma quantidade que na semana anterior.
Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,980/L na média da semana analisada, com uma retração semanal de 1,18%. Enquanto isso, a gasolina apresentou recuo de 1,67%, para R$ 6,923/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 71,9%, abaixo dos 72,3% de uma semana antes. Segundo a ANP, 13 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a menos do que no período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 0,04% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,247/L. A gasolina passou por um incremento de 0,71% e foi negociada a R$ 6,938/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 75,6% do preço do combustível fóssil, índice inferior ao visto na semana anterior, de 76,1%. No total, 45 municípios mineiros participaram da pesquisa, três a mais do que na semana anterior.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um aumento de 1,24%, para R$ 4,667/L. Ainda assim, este é o menor valor para o produto dentre todas as unidades da federação. Na semana, a gasolina caiu 0,26%, passando a custar R$ 6,526/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 71,5%, acima dos 70,5% de uma semana; mesmo assim, Mato Grosso é o estado com o biocombustível mais competitivo do país. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, dois a mais do que no último levantamento.
Já em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol caiu 0,06%, ficando em R$ 5,228/L. A gasolina, por sua vez, teve um aumento de 1,26%, para R$ 6,489/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 80,6% do preço de seu concorrente fóssil, inferior aos 81,6% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas participaram do levantamento.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 80,7% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve um decréscimo de 0,83%, sendo vendido por R$ 5,112/L na média estadual. Já a gasolina caiu 0,09%, para R$ 6,335/L. No total, 22 cidades foram pesquisadas no estado, mesma quantidade do que o total visto uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 9 e 15 de janeiro, 360 cidades foram pesquisadas, 12 a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana