Etanol: Preços

Preço nos postos: Etanol e gasolina têm queda na primeira semana de janeiro

Relação entre os valores dos combustíveis em Mato Grosso se aproxima de patamar em que opção renovável é considerada comercialmente competitiva


NovaCana - 11 jan 2022 - 11:47

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 2 a 8 de janeiro:

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  1. O preço médio da gasolina diminuiu 0,33% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol caiu 0,24%

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país

  3. O valor do hidratado aumentou nas usinas paulistas, goianas e caiu nas mato-grossenses

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 348 municípios, um a mais do que na semana anterior


O preço médio nacional do etanol manteve a tendência de queda vista nas últimas semanas de 2021. Entre os dias 2 e 8 de janeiro, o valor do produto passou de R$ 5,063 por litro para R$ 5,051/L, retração de 0,24%.

A gasolina, por sua vez, também entrou no ano com uma nova diminuição, de 0,33%. O valor do combustível fóssil saiu de R$ 6,618/L para R$ 6,596/L na média nacional.

Com isso, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil no período foi de 76,6%, levemente acima do resultado de uma semana antes, quando era de 76,5%. Isso ocorreu porque a redução de preço da gasolina foi superior à do renovável.

Ainda assim, o biocombustível não é considerado comercialmente competitivo e segue distante do limite estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é tido como vantajoso para os consumidores.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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No entanto, as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 348 municípios, um a mais do que no período anterior.

Nas usinas paulistas, por sua vez, o preço do hidratado aumentou 0,48%, de R$ 3,3349/L para R$ 3,3510/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Enquanto isso, houve acréscimo de 0,02% nas produtoras goianas e queda de 0,31% nas mato-grossenses.

Mercado de combustíveis em 2022

Mesmo com certa melhora nos indicadores do Cepea, a S&P Global Platts Analytics apontou em relatório que, neste primeiro trimestre de 2022, a demanda por gasolina no Brasil ainda não deve alcançar os níveis pré-pandêmicos. O cenário é justificado pela agência devido ao lento crescimento econômico e aos preços relativamente firmes.

De acordo com o economista da Fundação Getúlio Vargas, André Braz, ouvido pelo jornal O Estado de São Paulo, há condições para preços mais estáveis neste ano, mesmo após o aumento de mais de 60% registrado em 2021. Segundo ele, ainda que a variante ômicron esteja no radar das grandes economias mundiais, esta nova cepa não deve provocar o mesmo efeito visto no começo da pandemia.

Já o diretor técnico da União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, acredita em uma maior produção do biocombustível com base nos altos preços. O analista do setor de cana do Rabobank, Andy Duff, corrobora com este cenário, apontando que, se não houver uma intervenção do governo, os valores deverão ser elevados para o etanol considerando a cotação do petróleo, o real desvalorizado e a pouca oferta do produto.

Variações nos estados

Segundo a ANP, entre 2 e 8 de janeiro, o preço do etanol subiu na média de sete estados e no Distrito Federal, caiu em 18, e não foi contabilizado no Amapá. A gasolina, por sua vez, aumentou em dez unidades da federação e caiu em 17.

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Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma redução de 0,1%, custando R$ 4,878/L na média. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,320/L, aumento de 0,1%. Com isso, a relação entre os preços caiu, ficando em 77,2% ante os 77,3% do período anterior. A pesquisa foi feita em 105 cidades paulistas, mesma quantidade que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi vendido a R$ 4,922/L na média da semana analisada, com uma retração semanal de 0,47%. Enquanto isso, a gasolina apresentou recuo de 0,42%, sendo vendida a R$ 6,809/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 72,3%, mesma média de uma semana antes. Segundo a ANP, 14 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a menos do que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais registrou redução de 0,06% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,245/L. A gasolina passou por uma queda de 0,01% e foi negociada a R$ 6,889/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 76,1% do preço do combustível fóssil, índice levemente inferior ao visto na semana anterior, de 76,2%. No total, 42 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantidade da semana anterior.

Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um decréscimo de 1,39%, para R$ 4,610/L – os valores representam a maior queda dentre os seis principais estados produtores e o menor preço em todo o país. Na semana, a gasolina aumentou 0,23%, passando a custar R$ 6,543/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 70,5%, abaixo dos 71,6% de uma semana antes e próxima do limite em que o biocombustível é competitivo. A ANP fez a pesquisa em cinco municípios mato-grossenses, um a menos do que no último levantamento.

Já em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol caiu 0,23%, para R$ 5,231/L. A gasolina, por sua vez, teve uma queda de 0,14%, ficando em R$ 6,408/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 81,6% do preço de seu concorrente fóssil, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. Somente Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 81,3% do preço da gasolina. No período, o renovável teve um acréscimo de 0,39%, sendo vendido por R$ 5,155/L na média estadual. Já a gasolina subiu 0,22%, para R$ 6,341/L. No total, 22 cidades foram pesquisadas no estado, uma a menos do que o total visto uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 2 e 8 de janeiro, 348 cidades foram pesquisadas, uma a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Giully Regina – NovaCana


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