Renegociação vai permitir uma readequação da estrutura financeira do grupo, afirma diretor presidente
Na próxima quinta-feira (23), os acionistas de todas as empresas do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) foram convocados a comparecer às assembleias gerais extraordinárias que pretendem aprovar o plano de recuperação extrajudicial do grupo. A convocação foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de maio.
Composto pelas empresas Agropecuária Nossa Senhora do Carmo, Agropecuária Terras Novas, Açucareira Virgolino de Oliveira, Usina Catanduva e Virgolino de Oliveira, o GVO está buscando reestruturar dívidas de 2010, 2011, 2012 e 2014. De acordo com o diretor presidente do grupo, Joamir Alves, o plano já foi negociado com os credores e precisa apenas ser aprovado pelos acionistas para ser assinado.
Neste momento, as negociações envolvem apenas os bondholders – investidores que compraram parte da dívida do grupo nos anos citados –, lista que inclui, dentre outros, Rabobank Curaçao, HSBC Bank Brasil, Global Bank Corporation e Redwood Master Fund, além de um Pré-Pagamento de Exportação (PPE) antigo, liderado pelo Credit Suisse.
Confira, na versão completa, os detalhes das transações, informações cedidas pelo diretor presidente do GVO e o histórico recente do grupo.
Na próxima quinta-feira (23), os acionistas de todas as empresas do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) foram convocados a comparecer às assembleias gerais extraordinárias que pretendem aprovar o plano de recuperação extrajudicial do grupo. A convocação foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de maio.
Composto pelas empresas Agropecuária Nossa Senhora do Carmo, Agropecuária Terras Novas, Açucareira Virgolino de Oliveira, Usina Catanduva e Virgolino de Oliveira, o GVO está buscando reestruturar dívidas de 2010, 2011, 2012 e 2014. De acordo com o diretor presidente do grupo, Joamir Alves, o plano já foi negociado com os credores e precisa apenas ser aprovado pelos acionistas para ser assinado.
Neste momento, as negociações envolvem apenas os bondholders – investidores que compraram parte da dívida do grupo nos anos citados –, lista que inclui, dentre outros, Rabobank Curaçao, HSBC Bank Brasil, Global Bank Corporation e Redwood Master Fund, além de um Pré-Pagamento de Exportação (PPE) antigo, liderado pelo Credit Suisse.
“Com essa renegociação, vai haver uma redução da dívida com os bondholders. Ela estava em US$ 735 milhões, sendo U$S 635 milhões de valor original, e será trocada por um novo bond, de U$S 200 milhões”, explica Alves, que completa: “A reestruturação da dívida, com um novo prazo de pagamento em dez anos, incluindo três de carência, vai permitir que a companhia, no futuro, cumpra com suas obrigações. Vai permitir uma readequação da estrutura financeira do grupo”.
Como garantia para a reestruturação, de acordo com o documento publicado, o plano envolve a celebração de um novo Export Prepayment Agreement (EPA); a constituição de alienação fiduciária sobre a totalidade das ações de emissão do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de titularidade da Virgolino de Oliveira; a constituição de cessão fiduciária de direitos de crédito de titularidade da companhia e da Usina Catanduva, provenientes de parcela dos recursos a serem recebidos pela Copersucar; a constituição de cessão fiduciária de direitos de crédito de titularidade da companhia e da Açucareira Virgolino, provenientes da exportação de mercadorias a determinados clientes; e a constituição de penhor em primeiro grau dos equipamentos e bens móveis de titularidade da companhia.
Joamir Alves ainda reforça que, neste plano de recuperação extrajudicial, só entram os credores externos – no caso, os bondholders e o PPE. Como ele acredita não ser possível conseguir adesão integral no acordo, essa foi a saída encontrada para fazer com que ele seja aceito, constata o diretor.
“Ao ter a recuperação extrajudicial aprovada no Brasil, podemos levá-la a Nova York e usar a lei de falências americana, o ‘Chapter 15’, para obrigar os bondholders que não aderiram ao pacote a aceitarem os termos da recuperação”, afirma, concluindo: “Já temos o volume de acordos necessário para fazer este apelo em Nova York. É por isso, também, que o agente fiduciário da recuperação é um banco de lá”.
Histórico do GVO
Em dezembro de 2018, o NovaCana divulgou que o Grupo Virgolino de Oliveira ficou em terceiro dentre os maiores grupos sucroenergéticos brasileiros que tiveram prejuízos em 2017. Apenas considerando as empresas Virgolino de Oliveira (SP), Agropecuária Terras Novas (SP) e Açucareira Virgolino de Oliveira (SP), os prejuízos somados do grupo chegavam a US$ 123,1 milhões.
À época, a expectativa era que o resultado de 2018 não fosse muito diferente – fato confirmado pelo diretor presidente do grupo Joamir Alves. “No último 30 de abril, nós encerramos o exercício da safra 2018/19. Os resultados ainda estão sendo apurados, mas podemos adiantar que foi um ano muito difícil, especialmente por causa dos preços ruins”, lamenta. “A última safra não foi uma maravilha, foi muito difícil para todo o setor, e a gente espera que haja uma certa recuperação de preços nesta temporada, mas, no caso do açúcar, até agora não está acontecendo isso”.
O diretor ainda explica que a reestruturação, da forma como está sendo feita, com carência para o pagamento principal, é uma tentativa de “segurar as pontas” enquanto a companhia aguarda por uma melhora futura nos preços. “Com uma recuperação do setor, ficará mais fácil cumprir com estes compromissos e reestruturar todas as dívidas”, conclui.
O grupo já vem tentando resolver suas questões financeiras, pelo menos, desde 2014. Recentemente, esteve envolvido tanto em processos trabalhistas quanto em diferentes acordos com credores, a fim de renegociar os pagamentos de dívidas.
Rafaella Coury – NovaCana