NovaCana

Otimismo com cautela: A visão de 24 consultorias sobre a safra de cana 2022/23

Com as chuvas vistas nos últimos meses, grande parte das consultorias ouvidas pelo NovaCana acredita que a safra 2022/23 será de recuperação

NovaCana 18 min de leitura

A safra 2022/23 começou depois de uma temporada de quebra, marcada por intempéries climáticas e quedas em diversos indicadores relacionados à produtividade e à produção de etanol e açúcar no Centro-Sul. O ciclo 2021/22 teve a menor moagem da última década, porém há um otimismo no ar para o futuro.

Ainda que com certo atraso em seu início, a nova temporada chega com perspectivas de recuperação para a cana-de-açúcar. Os valores estão longes dos recordes vistos em 2020/21, quando o setor sucroenergético registrou uma moagem acima de 600 milhões de toneladas, mas a safra corrente deverá trazer uma visível melhora aos produtores.

No começo do ano, antes da retomada nas atividades, consultorias e empresas especializadas consultadas pelo NovaCana já davam um vislumbre de como seria o ciclo 2022/23. Com as chuvas no final de 2021, muitas companhias apontavam para uma recuperação no campo, já contando com índices pluviométricos melhores no decorrer do ano.

Esta nova estimativa coletada pelo NovaCana contou com os dados de 24 empresas especializadas do setor, incluindo sucroenergéticas, tradings, consultorias e bancos.

Na média do levantamento, a moagem do Centro-Sul na safra 2022/23 está prevista para 554,33 milhões de toneladas, volume que seria 6% maior que as 523,11 milhões de toneladas da temporada anterior, conforme números compilados pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Caso atinja esse montante, o resultado será semelhante ao visto em 2010/11 quando foram moídas 556,94 milhões de toneladas, um dos menores resultados da série histórica.

Confira, na versão completa e restrita para assinantes, os comentários de 24 empresas sobre suas projeções para a safra 2022/23 e as previsões detalhadas para:

- Moagem de cana-de-açúcar
- Influência do clima
- Evolução do ATR
- Mix de produção
- Produção de açúcar
- Etanol de cana e de milho

A safra 2022/23 começou depois de uma temporada de quebra, marcada por intempéries climáticas e quedas em diversos indicadores relacionados à produtividade e à produção de etanol e açúcar no Centro-Sul. O ciclo 2021/22 teve a menor moagem da última década, porém há um otimismo no ar para o futuro.

Ainda que com certo atraso em seu início, a nova temporada chega com perspectivas de recuperação para a cana-de-açúcar. Os valores estão longes dos recordes vistos em 2020/21, quando o setor sucroenergético registrou uma moagem acima de 600 milhões de toneladas, mas a safra corrente deverá trazer uma visível melhora aos produtores.

No começo do ano, antes da retomada nas atividades, consultorias e empresas especializadas consultadas pelo NovaCana já davam um vislumbre de como seria o ciclo 2022/23. Com as chuvas no final de 2021, muitas companhias apontavam para uma recuperação no campo, já contando com índices pluviométricos melhores no decorrer do ano.

Esta nova estimativa coletada pelo NovaCana contou com os dados de 24 empresas especializadas do setor, incluindo sucroenergéticas, tradings, consultorias e bancos.

Na média do levantamento, a moagem do Centro-Sul na safra 2022/23 está prevista para 554,33 milhões de toneladas, volume que seria 6% maior que as 523,11 milhões de toneladas da temporada anterior, conforme números compilados pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Caso atinja esse montante, o resultado será semelhante ao visto em 2010/11 quando foram moídas 556,94 milhões de toneladas, um dos menores resultados da série histórica.

estimativa evolucao 010622

Entre as empresas que disponibilizaram este dado ao NovaCana, a maior expectativa de moagem é da StoneX, que estimou 565,5 milhões de toneladas para 2022/23. De acordo com o relatório da consultoria, as chuvas vistas entre o final de 2021 e começo deste ano ultrapassaram a média da última década em mais de 20%. Este cenário, ainda segundo o documento, deve favorecer o desenvolvimento dos canaviais do Centro-Sul e aumentar em 8,1% a moagem da região na comparação entre as safras.

A Green Pool também acredita em uma recuperação, apostando em uma produção de 562 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A empresa afirma que a produtividade das plantações poderá chegar a 74,8 toneladas de cana por hectare.

As estimativas que ficaram mais próximas da média, por sua vez, foram as da S&P Global Platts, do Itaú BBA e da FG/A; com a primeiras apontando para 555,4 milhões de toneladas e as outras duas empresas trazendo 555 milhões. No último levantamento do NovaCana, a Platts apontou que, apesar da melhoria nas chuvas, era preciso se atentar ao fenômeno meteorológico La Niña, que poderá atingir parte do Centro-Sul, trazendo períodos de seca.

Já a Czapp-Czarnikow aponta que a produção da região deverá ficar em 551,2 milhões de toneladas, um crescimento de 5,2% na comparação anual.

Da mesma forma, a hEDGEpoint aposta em 551 milhões de toneladas para a temporada. Em seu relatório, a consultoria afirma que manteve os números estimados no final de abril, uma vez que a safra está atrasada e houve um desenvolvimento tardio da cana, resultado das adversidades enfrentadas no ciclo anterior.

Também com base nas condições climáticas vistas neste começo de ano, a consultoria TRS revisou para baixo a sua estimativa de moagem, para 547 milhões de toneladas. A expectativa anterior era de 550 milhões de toneladas.

estimativa moagem 010622

O Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) apresentou uma das menores estimativas do levantamento, com 542,53 milhões de toneladas. O instituto explica que, apesar da melhora na produtividade, a redução da área destinada à cana-de-açúcar resulta em uma projeção mais modesta para 2022/23.

Ao final da lista, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), aponta para uma moagem de apenas 539,05 milhões de toneladas. Ainda assim, na comparação com o total visto em 2021/22, o montante seria equivalente a um aumento de 3% na moagem do Centro-Sul.

Apesar de enxergar com otimismo os níveis pluviométricos, especialmente na região de São Paulo, a entidade também considera que haverá um novo impacto climático. Além disso, a Conab também projeta uma disputa por área, com a cana podendo perder mais de 100 mil hectares para a soja e o milho, que apresentam preços mais atrativos aos produtores. A redução, segundo relatório da entidade, deverá ser de 1,8% em todo o Centro-Sul.

Assim, a diferença entre a maior e a menor expectativa de moagem para a safra 2022/23 foi de 26,25 milhões de toneladas. O valor está em linha com o primeiro levantamento realizado pelo NovaCana neste ano, quando a distância entre as estimativas foi de 30 milhões de toneladas.

estimativa elasticidade 010622

Considerando a série histórica, a maior divergência entre as empresas consultadas aconteceu na safra de 2014/15, com 72 milhões de toneladas. Naquele ano o resultado final ficou na média entre a mínima e máxima, com 571,3 milhões de toneladas.

A questão climática

A quebra da safra 2021/22 foi ocasionada por diversos problemas climáticos vistos durante o ano, como a seca e as geadas – que aumentaram os riscos e a incidência de incêndios. Ainda que esses fatores tenham contribuído para um atraso no desenvolvimento dos canaviais, e até mesmo adiado efetivamente o começo da nova safra, 2022 começou com perspectivas mais favoráveis, com as chuvas que apareceram ainda no final do ano anterior.

A analista de açúcar e etanol do Itaú BBA, Annelise Sakamoto, em entrevista exclusiva ao NovaCana, explica que a expectativa é de que o clima para a safra 2022/23 seja melhor, com menos problemas do que os vistos na temporada anterior. Ainda assim, ela ressalta que o fenômeno do La Niña ainda está agindo na região Centro-Sul e é preciso acompanhar as previsões meteorológicas com cautela.

Sakamoto também aponta que, com o início do inverno, é normal uma redução nos índices pluviométricos, mas que eles não chegarão aos níveis de seca vistos na safra passada.

Já o professor Fábio Marin, do instituto TempoCampo, afirma que, em relação ao clima, 2022/23 será um bom ano apenas em comparação ao anterior. Ele espera que haja apenas uma recuperação parcial para as lavouras na temporada corrente.

Da mesma forma, a FG/A observou que as precipitações no começo deste ano estavam próximas à média e, por ora, sustentam os níveis previstos para a moagem da safra de cana-de-açúcar. “Contudo, é relevante acompanhar o cenário de clima nos meses de junho e julho para consolidação deste cenário”, clarifica a consultoria.

De acordo com o relatório da StoneX, foi registrado um índice pluviométrico de 1.130 milímetros entre os meses de outubro de 2021 e abril de 2022 no Centro-Sul. Este cenário favoreceu o plantio e o desenvolvimento dos canaviais que deverão ser colhidos durante a safra atual. Além disso, o nível de chuvas, segundo a consultoria, ultrapassou em 23,7% a média da última década.

Mas a consultoria também ressalta que, mesmo com o alívio proporcionado aos canaviais, a situação para o resto da temporada ainda não é certa. A expectativa da StoneX é de que o La Niña traga períodos de seca, especialmente para Paraná e Mato Grosso do Sul.

A hEDGEpoint também considera que, com o fenômeno meteorológico em ação, é possível que o Brasil enfrente uma nova temporada de geadas. A consultoria afirma que isso poderia reduzir a produção total de cana e diminuir a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR).

Já a consultoria TRS constata que, no mês de maio, as chuvas ficaram abaixo da média histórica, contando também com temperaturas muito mais frias do que o normal para o período. Porém, essa situação ainda não representa um risco real de geadas para a região Centro-Sul nas próximas semanas.

ATR em menor quantidade

Segundo dados da Unica, a safra 2021/22 alcançou uma concentração de ATR de 142,5 quilos por tonelada de cana. A média das empresas consultadas pelo NovaCana para a temporada corrente não difere muito do valor, com 140,52 kg/t, uma alta de 0,01% entre os dois ciclos.

Entre as empresas que disponibilizaram este dado, a Safras & Mercado apresentou a maior visão para o índice, com 145 kg/t. Se alcançado, o total representaria uma melhora de 3,2% ante 2021/22.

Em contrapartida, o menor índice foi contabilizado pelo Pecege, com 136,93 kg/t, o que representaria um recuo de 4,16%. Para esta estimativa, o instituto considerou os efeitos climáticos negativos da safra passada, assim como o excesso de chuvas em áreas pontuais do Centro-Sul, que devem afetar negativamente a concentração de açúcar nos canaviais.

A FG/A tem a mesma visão, mas revisou sua estimativa de ATR, de 138,52 kg/t para 139,56 kg/t no início de junho, um leve aumento de 0,8%. A consultoria explica que o intuito é refletir um cenário já visto nas temporadas de 2017/18 e 2018/19, quando foram registrados 136,60 kg/t e 137,87 kg/t, respectivamente. A FG/A explica que esses ciclos apresentaram um padrão climático e níveis de biomassa similares à safra atual.

estimativa atr 010622

A Conab também acredita que as intempéries podem ter afetado o nível de ATR da safra 2022/23: “O fator climático nas áreas produtoras oscilou, apresentando altas temperaturas e clima seco, enquanto em outras prevaleceu o excesso de chuvas”.

Desta forma, no Centro-Sul, o efeito pode ser sentido a concentração de açúcar no colmo, “influenciando de forma pontual nos índices de ATR”. Para a Conab, até o final da safra, o índice ficará em 144,2 kg/t, ainda assim uma melhora de 2,6% ante a safra passada.

Já a StoneX aponta que o nível de ATR para a atual temporada deve ficar cerca de 0,1% acima do resultado atual, totalizando 140,6 kg/t.

estimativa acucarequivalente 010622

Em relação à quantidade total de ATR, as empresas consultadas variaram em suas perspectivas. O valor mais baixo, de 73,3 milhões de toneladas, foi apontado pela BP Bunge.

Além disso, contabilizando a moagem esperada e a concentração de ATR esperada pela Safras & Mercado, o maior valor de ATR total é de 81,2 milhões de toneladas.

Na média computada pelo NovaCana, o açúcar equivalente ficou em 76,94 milhões de toneladas, um crescimento de 2,9% ante 2021/22, quando foram registrados 74,8 milhões de toneladas.

Mix voltado para o etanol

Apesar de, no final do ano passado, as consultorias apontarem para um mix mais voltado ao açúcar, agora o cenário parece mais favorável ao biocombustível. Com a guerra do leste europeu e as oscilações do mercado de petróleo, o consumidor pode voltar a dar preferência ao etanol. Na média do levantamento, as consultorias esperam que a produção seja 43,6% voltada ao açúcar, mantendo o valor visto no ciclo 2021/22.

Esta também é porcentagem apontada pela Archer Consulting para a temporada corrente. A empresa afirma ter atualizado seus números em favor do etanol, vislumbrando uma melhora no consumo do biocombustível neste ano e apontando que existe potencial para crescimento.

O Itaú BBA destaca um mix 43,5% voltado para o adoçante, 1,7 ponto percentual abaixo da safra anterior. Para esta estimativa, o banco considera que cerca de 75% do açúcar que será destinado à exportação já está com preço fixado. O restante, que representaria algo por volta de 3 milhões de toneladas, ainda não foi negociado e pode ser direcionado para a produção do biocombustível. O banco também afirma que os preços dos créditos de descarbonização (CBios) podem estimular um mix mais alcooleiro.

Aliás, com o etanol se mostrando mais lucrativo aos produtores, algumas usinas já chegaram a cancelar contratos de exportação de açúcar para focar em sua fabricação. Em abril deste ano, as vendas do biocombustível aumentaram em 2,6%, e, de acordo com dados da Unica, na segunda quinzena do mês, o mix de produção foi de 62,8% para o etanol.

Em uma atualização de sua estimativa para a safra, a CovrigAnalyctis afirmou que 42,5% da cana moída será destina à fabricação de açúcar. A empresa também considera que o bicombustível trará mais lucros às usinas e que, neste caso, o volume de cana direcionado à fabricação do adoçante poderia ser ainda menor. Contudo, o relatório destaca que o mix não deve ficar abaixo dos 40%, também considerando os contratos futuros já firmados.

A FG/A também acredita que quase 60% do mix possa ser direcionado ao etanol nestes primeiros meses da safra, considerando os prêmios vigentes ao biocombustível.

estimativa mix 010622

Outra empresa que corrobora com essa argumentação é a hEDGEpoint. Em seu relatório, a consultoria indica que, com a menor qualidade dos canaviais devido aos problemas da última temporada e com o etanol hidratado remunerando melhor que o açúcar, é natural um maior desvio de ATR para o biocombustível.

“A cana não mostra sinais de boa recuperação e o etanol briga com o açúcar por uma maior participação do ATR”, afirma a empresa. Desta forma, a hEDGEpoint confirma ser necessário manter o monitoramento para compreender melhor o futuro da temporada. Entre os aspectos a serem observados estão o clima, a relação entre os preços dos combustíveis nas bombas e a demanda.

Já a Conab estimou uma destinação de 49,21% da cana para o adoçante. Por outro lado, a menor porcentagem veio pela TRS, que aponta que 40,6% da matéria-prima será destinada à fabricação de açúcar.

De acordo com o relatório da TRS, a demanda de etanol hidratado está começando a se recuperar, com os preços podendo se manter em uma média mais estável pelas próximas semanas, “sinalizando uma oferta equilibrada de biocombustível”.

Mais açúcar

A maior estimativa para produção de açúcar nesta safra corrente foi atribuída pela Conab, com 36,44 milhões de toneladas. O volume representaria um crescimento de 13,6% ante 2021/22, que registrou 32,06 milhões de toneladas.

A entidade acredita que, com a redução da safra de cana-de-açúcar vista na temporada passada, é possível que o Brasil retome os níveis de produção do adoçante vistos no ciclo 2020/21, o que possibilitaria uma recuperação por parte do mercado internacional.

Já as empresas StoneX, Safras & Mercado, Rabobank e Job Economia apostam em um aumento mais modesto, de 4,5%, para o adoçante, com a média entre as quatro empresas ficando em 33,5 milhões de toneladas.

estimativa acucar 010622

A TRS, que acredita em uma safra mais alcooleira, aponta que poderão ser fabricadas 29,7 milhões de toneladas do adoçante, a menor das estimativas coletadas. Em seu relatório, a empresa coloca que, mesmo que as usinas já tenham parte da sua produção de açúcar fechada em contratos internacionais, ainda existe um excedente que pode ser desviado para a produção de etanol.

O texto segue, citando que, segundo a Reuters, os contratos cancelados por algumas sucroenergéticas excluíram entre 200 mil e 400 mil toneladas de açúcar bruto das negociações internacionais. “[Esse movimento] poderia aumentar a flexibilidade para desviar sacarose para a produção de etanol”, explica.

Ainda segundo a TRS, isso ocorre devido ao prêmio do hidratado sobre o açúcar, que chegou a uma diferença de 0,64 centavos de dólar por libra-peso no dia 18 de maio.

Na média das empresas consultadas pelo NovaCana, a produção de açúcar em 2022/23 deve ser de 32,2 milhões de toneladas, o que resultaria em um aumento de 0,4% entre as safras.

As menores expectativas para a produção do adoçante no Centro-Sul, além da própria TRS, são do Pecege e da Archer, com 30,32 milhões de toneladas e 30,5 milhões de toneladas, respectivamente.

Segundo Annelise Sakamoto, analista do Itaú BBA, há uma estimativa para um pequeno superávit de produção de açúcar no mercado global – já contando com a fabricação do adoçante advinda da safra brasileira. Mesmo assim, ela observa que existe espaço para uma virada de fabricação para o etanol, caso este apresente um prêmio maior sobre o açúcar para os produtores no decorrer do ano.

Menos etanol

As empresas especializadas consultadas pelo NovaCana acreditam em uma produção do biocombustível próxima à do ano anterior. Em relação à fabricação de etanol de cana-de-açúcar, a média das consultorias ficou em 26,43 bilhões de litros, 4% abaixo do resultado da safra anterior, de 27,55 bilhões de litros. Para o biocombustível produzido a partir do milho, entretanto, a perspectiva é de um crescimento de 22,1%, fechando a safra em 4,24 bilhões de litros.

A expectativa é que sejam fabricados 30,67 bilhões de litros do biocombustível, o que representaria uma queda de 1,1% ante os 31,02 bilhões de litros de 2021/22.

estimativa etanoltotal 010622

A cana deve ser responsável por 16,58 bilhões de litros do biocombustível hidratado, e 9,77 bilhões de litros de anidro, enquanto o milho deve gerar 2,94 bilhões de litros do etanol usado para abastecer diretamente os veículos e 1,28 bilhão do que é misturado à gasolina.

O Pecege aponta que, com uma manutenção de preços elevados no mercado de combustíveis, especialmente devido a guerra no leste europeu, o etanol tende a retomar sua competitividade nesta safra. O instituto também acredita que a versão hidratada do produto deve recuperar parte da demanda que foi perdida no ano passado, fazendo com que as usinas retomem sua produção em detrimento do anidro.

A TRS também prevê que a demanda pelo etanol para ser usado diretamente nos veículos pode aumentar neste ano, ainda que de forma gradual. A empresa estima um aumento anual de 2% no consumo de combustíveis do ciclo Otto e que, nesta safra, a relação de preços entre o etanol e a gasolina pode ficar em uma média de 68,5% no estado de São Paulo, com o biocombustível voltando a ser economicamente vantajoso ao consumidor.

De acordo com Sakamoto, do Itaú BBA, o balanço entre oferta e demanda de combustíveis do ciclo Otto está mais apertado para o biocombustível hidratado. Assim, ela considera que a procura pela gasolina poderá se manter relativamente mais alta durante o ano, marcando a importância do anidro para a safra.

estimativa cana milho 010622

A maior estimativa para a produção do etanol de cana é da Safras & Mercado, que prevê 32,5 bilhões de litros do biocombustível. O volume representaria um aumento de 18% ante a produção do ano passado.

Por outro lado, a Conab estima uma produção de 22,97 bilhões de litros, uma queda de 16,6% na comparação entre safras.

Etanol de milho em expansão

Todas as estimativas compiladas pelo NovaCana acreditam em um crescimento contínuo do etanol fabricado a partir do milho. A mais alta, de 4,5 bilhões de litros, foi apontada por quatro empresas: Green Pool, Safras & Mercado, MB Agro e pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem). Se alcançado, o volume será 29,7% maior do que o visto na safra 2021/22, de 3,47 bilhões de litros.

A Unem, inclusive, afirma em seu relatório que este será o nono ano consecutivo de expansão da oferta de etanol de milho no mercado de combustíveis. A entidade também acredita que, nesta temporada, serão processadas 10,38 milhões de toneladas do grão, um aumento de 30% ante o ciclo anterior, quando foram utilizadas 7,98 milhões de toneladas.

Ainda assim, o otimismo pode diminuir conforme o andamento da safra. O professor Fábio Marin, do instituto TempoCampo, aponta que, neste começo de ano, as projeções para o milho, que eram de crescimento expressivo, acabaram diminuindo devido às secas vistas no mês de abril.

“O milho vinha em uma condição muito boa até o final de março, mas abril praticamente não teve chuvas em todo o Mato Grosso e parte dessas lavouras entraram em florescimento, fase mais sensível do milho”, afirma.

Ainda assim, Marin declara que, mesmo com os problemas que as lavouras podem enfrentar, a estimativa ainda é de crescimento para 2022/23.

Giully Regina – NovaCana

Compartilhar: