Em meio a um mercado de combustíveis com vendas desaquecidas, a uma perda de mercado do etanol hidratado e à perspectiva de manutenção do mix de produção açucareiro das usinas de cana em 2022/23, além da possibilidade de um início de moagem tardio, a quantidade de créditos de descarbonização (CBios) está subindo em um ritmo mais lento que o observado há um ano.
Até 15 de março, um total de 5,22 milhões de créditos foram escriturados, queda de 10,8% ante os 5,85 milhões vistos no mesmo período de 2021. Na primeira metade do mês, entretanto, a comparação anual mostra um avanço de 2%, de 1,08 milhão para 1,1 milhão de títulos.
Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de CBios realizado pela bolsa de valores brasileira B3, única entidade registradora do programa.

Entretanto, considerando também o saldo de CBios deixado ao final do ano passado, o total de créditos disponibilizados ao mercado em 2022 chega a 15,66 milhões. Este volume é suficiente para atender o equivalente a 43,5% da meta do RenovaBio para 2022, de 35,98 milhões de créditos.
Desde a implantação do RenovaBio até o momento, mais de 54,69 milhões de CBios foram disponibilizados pelas usinas de biocombustíveis certificadas.

Atualmente, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 306 unidades participam do RenovaBio; destas, três fabricam biometano e 32, biodiesel. Dentre as 271 usinas de etanol certificadas, 260 utilizam apenas a cana-de-açúcar; seis processam milho e cana; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Na primeira metade de março, o volume de CBios negociados chegou a quase 2 milhões. No período, os créditos do RenovaBio foram vendidos entre R$ 78,89 e R$ 101,50, resultando em um preço médio de R$ 99,25 por título.
Este valor está 115,4% acima da média histórica do programa, de R$ 46,08. Além disso, ele é 152,5% superior ao preço médio de 2021, de R$ 39,31, e 20,8% maior ante o acumulado de 2022, de R$ 82,17. Na comparação quinzenal, por sua vez, o avanço foi de 3,3%.

Com isso, o mercado seguiu a tendência de crescimento nos preços – entretanto, desta vez, o movimento envolveu uma menor disparidade entre os valores registrados diariamente. Em 2 de março, por exemplo, as negociações variaram entre R$ 78,89 e R$ 101,00; já em 15 de março, a mínima foi de R$ 97,00 e a máxima foi de R$ 98,49.
Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15,00 e R$ 101,50 – recorde obtido em 3 de março. Este ano, por sua vez, os preços variaram entre R$ 31,99 e R$ 101,50.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
Em 16 de março, 15,43 milhões de créditos estavam disponíveis no mercado para compra e venda. A maior parte deste volume – 10,24 milhões, ou 66,4% – já estava em posse de distribuidoras com metas a cumprir.
Na sequência, as produtoras de biocombustíveis detinham 5,02 milhões de CBios, equivalente a 32,5% do volume em circulação. Por fim, investidores externos ao programa possuíam 164,58 mil créditos, ou seja, 1,1% do total.

Além disso, 234,49 mil títulos foram retirados de circulação em 2022 por meio de um processo conhecido como aposentadoria. Embora o valor seja equivalente a apenas 0,6% da meta para 2022, as distribuidoras possuem o prazo até 31 de dezembro para cumprirem seus objetivos individuais.
No mesmo período de 2021, 132,8 mil CBios haviam sido aposentados.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste total seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias de 2022 devem ser contabilizadas em 2023.
Renata Bossle – NovaCana
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