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Nova usina da FS Bioenergia deve entrar em operação em 2024, afirma Fitch Ratings

Mesmo com perspectiva de investimentos, empresa deve manter baixa alavancagem nos próximos anos

NovaCana 10 min de leitura

O fortalecimento do perfil de crédito da FS Bioenergia foi destacado em uma avaliação publicada nesta terça-feira, 19, pela Fitch Ratings. Segundo relatório, a companhia teve uma geração de caixa acima da prevista e há a expectativa de que ela mantenha uma baixa alavancagem nos próximos dois anos.

Atualmente, a FS Bioenergia possui duas usinas de etanol de milho, localizadas em Lucas do Rio Verde (MT) e Sorriso (MT). A empresa, entretanto, tem planos de implementar outras quatro unidades: a próxima, segundo a Fitch, será em Primavera do Leste (MT).

“A companhia concluiu a expansão da planta de Sorriso (MT) no início de 2021 e adicionará outros 500 milhões de litros de etanol à sua capacidade assim que o investimento em uma nova planta, em Primavera do Leste (MT), entrar em operação no ano fiscal de 2024”, revela.

O NovaCana entrou em contato com a FS Bioenergia que não confirmou a localização nem a data para o início das operações. De acordo com a empresa, a definição a respeito da nova unidade deve ser feita em breve.

Conforme o relatório da Fitch, a FS, que produziu 1,4 bilhão de litros de etanol em 2020/21, tem uma estrutura de caixa em linha com as sucroenergéticas mais eficazes. “A performance operacional eficiente permite que ela entregue 430 litros de etanol por tonelada de milho processada”, detalha.

Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes):

- Classificação da FS Bioenergia pela Fitch Ratings
- Análise sobre o modelo de negócio da companhia
- Projeções para a FS: vendas, Ebitda, fluxo de caixa, investimentos, endividamento e alavancagem
- Detalhes da emissão de CRAs no valor de R$ 300 milhões
- Perspectivas de preço da Fitch: etanol, milho, petróleo e câmbio

O fortalecimento do perfil de crédito da FS Bioenergia foi destacado em uma avaliação publicada nesta terça-feira, 19, pela Fitch Ratings. Segundo relatório, a companhia teve uma geração de caixa acima da prevista e há a expectativa de que ela mantenha uma baixa alavancagem nos próximos dois anos.

Atualmente, a FS Bioenergia possui duas usinas de etanol de milho, localizadas em Lucas do Rio Verde (MT) e Sorriso (MT). A empresa, entretanto, tem planos de implementar outras quatro unidades: a próxima, segundo a Fitch, será em Primavera do Leste (MT).

“A companhia concluiu a expansão da planta de Sorriso (MT) no início de 2021 e adicionará outros 500 milhões de litros de etanol à sua capacidade assim que o investimento em uma nova planta, em Primavera do Leste (MT), entrar em operação no ano fiscal de 2024”, revela.

O NovaCana entrou em contato com a FS Bioenergia que não confirmou a localização nem a data para o início das operações. De acordo com a empresa, a definição a respeito da nova unidade deve ser feita em breve.

Conforme o relatório da Fitch, a FS, que produziu 1,4 bilhão de litros de etanol em 2020/21, tem uma estrutura de caixa em linha com as sucroenergéticas mais eficazes. “A performance operacional eficiente permite que ela entregue 430 litros de etanol por tonelada de milho processada”, detalha.

Além disso, na nova avaliação, a agência de classificação de risco manteve a nota da companhia em sua escala global como sendo BB-, atribuindo a mesma classificação às notas seniores da FS Luxembourg. Por sua vez, a classificação na escala nacional subiu um degrau, indo de A+ para AA-. Em todos estes casos, a perspectiva é considerada estável, ou seja, não devem ocorrer elevações ou rebaixamentos em breve.

“Os ratings incorporam o modelo de negócios adequado da FS e seus baixos custos de caixa na inconstante indústria de etanol brasileira”, afirma a Fitch, que segue: “A alta volatilidade dos valores do milho e do etanol no Brasil e a falta de correlação significativa de preços de curto prazo entre essas duas commodities são considerações importantes”.

Projeções para a FS Bioenergia

Em seu relatório, a Fitch estima que as vendas de etanol da FS Bioenergia se mantenham em 1,4 bilhão de litros em 2021/22 e 2022/23, subindo para R$ 1,8 bilhão em 2023/24. Além disso, a expectativa é que o produto hidratado represente 56% do total comercializado. Já as vendas de farelo de milho para ração animal devem ser 1,2 milhão de toneladas em 2021/22 e em 2022/23, chegando a 1,7 milhão de toneladas em 2023/24.

Com isso, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da FS Bioenergia deve aumentar nos próximos anos, acompanhando uma maior produção – a perspectiva envolve tanto a capacidade ampliada da usina em Sorriso quanto a planta de Primavera do Leste.

A expectativa é que a FS tenha um Ebitda de R$ 2,4 bilhões em 2021/22, além de um fluxo de caixa operacional (CFFO, na sigla em inglês) de R$ 1,5 bilhão. Já em 2022/23 – com a perspectiva de um maior volume vendido sendo contraposta por preços menores –, o índice deve chegar a R$ 1,9 bilhão, com CFFO de R$ 1,3 bilhão. Para efeito de comparação, em 2020/21, a companhia obteve Ebitda de R$ 1 bilhão e um CFFO nulo.

Mas nem todos os números são positivos. Por conta dos investimentos na nova usina, a Fitch projeta que a FS Bioenergia terá um fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) negativo em R$ 145 milhões em 2021/22, com perdas chegando a R$ 501 milhões em 2022/23.

A estimativa é justificada pela perspectiva de um investimento total de R$ 850 milhões em 2022/23 e de R$ 1,6 bilhão na temporada seguinte. “Espera-se que a empresa gere FCF significativo a partir do ano fiscal de 2024, à medida que os investimentos expansionistas forem concluídos. A flexibilidade da FS para reduzir dividendos é mais limitada do que seus pares”, comenta o relatório.

Apesar disso, a Fitch acredita que a FS manterá uma alavancagem “satisfatória” durante o período de investimentos. Após registrar um indicador de 2,6 vezes em 2020/21, a expectativa é que a relação entre a dívida líquida e o Ebitda fique em 1,3 vez em 2021/22, atingindo o pico de 1,9 vez em 2022/23 e caindo para 1 vez em 2023/24.

Segundo a agência, a liquidez da FS também foi classificada como “satisfatória”. A estimativa é que, ao final do atual ano fiscal, a dívida líquida da companhia seja formada por R$ 1,2 bilhão em débitos de curto prazo e R$ 660 milhões com vencimento superior, totalizando R$ 1,86 bilhão.

“Estoques prontamente negociáveis e contratos com grandes distribuidoras de combustível reduzem os riscos de refinanciamento e aumentam a flexibilidade financeira; os estoques podem ser facilmente monetizados e as contas a receber podem ser usadas como garantia sob novas linhas de crédito, se necessário”, afirma.

Emissão de CRAs

A Fitch também destaca a captação de R$ 300 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), realizada em agosto deste ano. Segundo o documento, isso permitiu que a FS diversificasse suas fontes de financiamento.

No começo de outubro, a agência classificou a emissão como A+ na escala nacional. Na ocasião, a Fitch afirmou que, apesar da elevada oscilação nos preços do milho e do etanol no Brasil e da falta de correlação entre os preços das duas commodities – ambos considerados fatores de risco –, isso seria atenuado pelo modelo de negócios da companhia levando em conta sua capacidade de armazenamento e dos acordos comerciais já estabelecidos.

Os CRAs da FS são lastreados por uma Cédula de Produto Rural – Financeira (CPR-F). Eles têm rendimento equivalente ao IPCA+, acrescido de 6,05% ao ano, com pagamento trimestral de juros. Já o valor principal será amortizado anualmente, após um ano de carência.

“Além da obrigação do pagamento de principal e juros do colateral, a FS Agrisolution é responsável por todos os custos da operação e reestabelecimento do fundo de reservas, caso o seu valor seja menor que o mínimo estabelecido”, detalhou a Fitch.

Preço do etanol e do milho

Segundo a agência, a FS está exposta a flutuações tanto para aquisição de sua matéria-prima quanto para a venda de seu principal produto. O relatório aponta que o preço do milho no mercado à vista se ajusta rapidamente às variações das cotações em Chicago, tendo pouca relação com os preços do etanol no Brasil, que variam de acordo com a gasolina e, consequentemente, com o petróleo e o câmbio.

“Os preços do etanol também são indiretamente influenciados pelos do açúcar, uma vez que cerca de 90% de todo o etanol brasileiro vem das usinas da cana, que deslocam a produção entre etanol e açúcar dependendo dos preços vigentes”, complementa.

Ainda assim, a expectativa da Fitch é que os produtores de etanol no Brasil continuem a se beneficiar de preços domésticos elevados. Segundo o relatório, a oferta do biocombustível deve permanecer apertada em 2021 por conta da quebra na safra de cana e dos elevados preços do açúcar.

Além disso, a agência projeta que o petróleo brent seja negociado, em média, a US$ 63 por barril em 2021 e US$ 55 por barril em 2022; enquanto a taxa de câmbio média será de R$ 5,20/US$. Com isso, o valor do hidratado nas usinas paulistas deve ser negociado em torno de R$ 3,43 por litro, o que representa uma alta de 68% em relação ao começo do ano e de 70% na comparação com 2020.

Por sua vez, os preços domésticos do milho devem cair em 2022, aponta a Fitch, graças a um menor valor internacional do grão e a uma recuperação da produção nacional. A expectativa é que o milho seja negociado em Chicago por, em média, US$ 5,48 o bushel em 2021; US$ 5 o bushel em 2022; e US$ 4,70 o bushel em 2023.

“Enquanto a ausência de vendas de açúcar torna a empresa mais exposta aos preços do etanol no Brasil, o uso do milho como principal matéria-prima se traduz em um processo muito menos intensivo em capital”, Fitch Ratings

Segundo o relatório, como a FS produz e vende coprodutos usados para alimentação animal – e cujos preços tendem a seguir as variações do mercado de milho –, há uma redução da volatilidade. “A Fitch espera que as receitas com produtos de nutrição animal proporcionem à companhia uma cobertura satisfatória de 44% sobre os custos do milho no longo prazo”, projeta.

De acordo com a agência, em 2020/21, esta cobertura foi de 51%, um avanço ante os 38% de 2019/20. “A localização da empresa em Mato Grosso, maior estado produtor de milho do Brasil e com o menor custo do mundo, reduz seus custos logísticos e atenua os riscos de originação de milho”, complementa.

O documento ainda aponta que a grande capacidade de estocagem permite que a FS compre milho com até dois anos de antecedência. Esta estratégia possibilita a realização de acordos com os fornecedores e a fixação do preço em reais, o que também reduz a exposição da companhia à volatilidade dos valores do grão.

Conforme os dados disponibilizados, a FS já fixou preços para a totalidade de suas necessidades de matéria-prima na safra 2021/22 e de 40% para 2022/23, com preços médios de R$ 50,97 e R$ 46,15, respectivamente, por saca de 60 quilos.

Renata Bossle – NovaCana

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