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Micro-organismo permite produção de etanol celulósico sem pré-tratamento

Caldicellulosiruptor-bescii credit-Mike-Adams-Georgia-Uni 300Modificada geneticamente, bactéria que decompõe a biomassa produz combustível com uma única reação

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Pesquisa divulgada por departamento do governo dos EUA revelou detalhes de uma potencial mudança estrutural na produção de etanol celulósico. Embora ainda confinado ao laboratório, a conversão direta de biomassa em etanol, sem pré-tratamento, representa um novo paradigma.

O processo convencional de produção de etanol a partir de biomassa vegetal exige uma etapa de pré-tratamento e outra de reações induzidas por enzimas, ambas bastante caras.

Veja os detalhes do processo, da matéria-prima utilizada e as modificações realizadas no micro-organismo.

Embora ainda restrita ao laboratório, pesquisa divulgada pelo Departamento de Energia dos EUA (DOE, na sigla em inglês) revelou detalhes de uma potencial mudança estrutural na produção de etanol celulósico.

A ciência

O processo convencional de produção de etanol a partir de biomassa vegetal exige uma etapa de pré-tratamento e outra de reações induzidas por enzimas, ambas bastante caras. Mas o aprimoramento de uma estratégia conhecida como bioprocessamento consolidado (BPC) pode gerar economias.

O BPC de segunda geração faz uso de um micro-organismo que se separa da água e produz etanol por fermentação, reduzindo custos. Cientistas agora modificaram uma cepa da bactéria Caldicellulosiruptor bescii, usada no BPC, a qual é capaz de quebrar a biomassa com eficiência, sem a necessidade de pré-tratamento. Da reação resulta etanol, demonstrando a conversão eficaz da biomassa celulósica do capim “switchgrass” (Panicum virgatum).

O impacto

A conversão direta de biomassa em etanol, sem pré-tratamento, representa um novo paradigma para o bioprocessamento consolidado, com potencial para produzir um biocombustível sustentável, neutro em carbono e com eficiência de custo.

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Comparativo de estratégias para produção de bioetanol, incluindo o bioprocessamento consolidado de segunda geração, processo de uma etapa em que um micróbio quebra a biomassa celulósica, sem pré-tratamento, e converte os açúcares resultantes em combustível

Sumário

Normalmente, a produção de etanol a partir de biomassa vegetal consiste de três etapas principais: o pré-tratamento físico-químico, a quebra enzimática da biomassa nos seus açúcares constituintes e a fermentação. O pré-tratamento e a hidrólise enzimática são etapas dispendiosas do processo. O BPC pode reduzir custos.

No BPC, a biomassa celulósica, sem nenhum pré-tratamento, é convertida em biocombustível numa única etapa: um micróbio decompõe a biomassa e fermenta os açúcares resultantes.

Já se sabia que a Caldicellulosiruptor bescii fermentava a switchgrass não tratada, mas a bactéria original não possuía os genes para produzir etanol. Como a C. bescii é termófila (gosta de calor) e o BPC transcorre em temperaturas elevadas, era necessário um gene produtor de uma enzima que sintetizasse etanol e se mantivesse estável no calor.

Pesquisadores identificaram esse possível gene na Clostridium thermocellum e o transferiram por clonagem para a C. bescii. A cepa modificada de C. bescii tronou-se capaz de produzir etanol a partir da celobiose, do Avicel e da switchgrass. Para otimizar a fermentação do etanol, dois genes que desviavam a reação foram apagados.

Com a nova cepa de C. bescii, cerca de 30% da biomassa foi fermentada e 1,7 mol de etanol produzido para cada mol de glicose, valor próximo aos teoréticos 2,0 moles de etanol por mol de glicose. Embora as eficiências possam ser melhoradas, o estudo é um passo importante para consumar o potencial do BPC e criar uma plataforma onde se possa formular a produção de biocombustíveis e bioprodutos avançados, partindo diretamente da biomassa celulósica e pulando a etapa do pré-tratamento, que é rigorosa e cara.

Mais informações:
http://science.energy.gov/ber/highlights/2015/ber-2015-03-k/  

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