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Com menos receita e mais custos, usina Ester volta a registrar prejuízo na safra 2021/22

Resultado líquido negativo de R$ 42,89 milhões reverte lucro visto na temporada anterior; companhia também contabilizou maior endividamento

NovaCana 5 min de leitura

A última temporada foi de altos e baixos para a usina Ester, localizada em Cosmópolis (SP). Logo após divulgar seu resultado positivo recorde de R$ 42,01 milhões referente à safra 2020/21 – o primeiro lucro líquido em uma dez anos – a sucroenergética teve sua permissão para produzir etanol cancelada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Um mês depois, a empresa conseguiu o restabelecimento de sua autorização na justiça.

Embora não mencione a questão na divulgação de seus resultados financeiros, publicados no Valor Econômico, o período de contradições também aparece no contexto operacional fornecido pela empresa.

Na safra 2021/22, a Ester teve um prejuízo líquido de R$ 42,89 milhões. Considerando a série histórica iniciada em 2009, este é o terceiro pior resultado da sucroenergética, ficando atrás apenas das perdas da safra 2019/20 (R$ 56,08 milhões) e do período de janeiro de 2013 a março de 2014 (R$ 50,14 milhões).

Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes):

- Histórico de resultados da companhia
- Lucro bruto e desempenho operacional
- Receita total e por produto
- Aumento dos custos
- Desempenho financeiro: receitas, despesas e câmbio
- Perfil do endividamento

A última temporada foi de altos e baixos para a usina Ester, localizada em Cosmópolis (SP). Logo após divulgar seu resultado positivo recorde de R$ 42,01 milhões referente à safra 2020/21 – o primeiro lucro líquido em uma dez anos – a sucroenergética teve sua permissão para produzir etanol cancelada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Um mês depois, a empresa conseguiu o restabelecimento de sua autorização na justiça.

Embora não mencione a questão na divulgação de seus resultados financeiros, publicados no Valor Econômico, o período de contradições também aparece no contexto operacional fornecido pela empresa.

Na safra 2021/22, a Ester teve um prejuízo líquido de R$ 42,89 milhões. Considerando a série histórica iniciada em 2009, este é o terceiro pior resultado da sucroenergética, ficando atrás apenas das perdas da safra 2019/20 (R$ 56,08 milhões) e do período de janeiro de 2013 a março de 2014 (R$ 50,14 milhões).

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No documento, a Ester traça o cenário vivido por muitas das companhias do Centro-Sul, afetadas por secas e geadas. “Esses fenômenos diminuíram a produtividade dos canaviais, inclusive com a antecipação de colheita de algumas áreas. Os impactos destes episódios para as próximas safras ainda estão sendo monitorados”, relata.

Ao mesmo tempo, a companhia celebra a ampliação da utilização localizada de vinhaça, que deve suprir o fornecimento de potássio em 80% da área de tratos culturais. A Ester ainda destaca contratos de longo prazo para fornecimento de adubos orgânicos e diesel, ambos com foco na atual temporada.

Desempenho operacional

A piora anual no desempenho da Ester aparece desde a fase operacional. O lucro bruto da empresa caiu 69,3% no período, saindo de R$ 184,17 milhões em 2020/21 para R$ 56,47 milhões em 2021/22.

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Isso aconteceu porque a receita operacional caiu 16,4% ao mesmo tempo em que os custos dos produtos vendidos subiram 14,1%. De acordo com a divulgação de resultados, o faturamento líquido foi de R$ 438,61 milhões.

Por sua vez, a receita bruta em 2021/22 foi de R$ 466,55 milhões (-17,3%). Dentro desse valor, R$ 178,76 milhões (-7,5%) se referem às vendas de açúcar, R$ 281,66 milhões às de etanol (-20,9%) e R$ 6,13 milhões às de outros produtos (-57,8%).

Enquanto isso, os custos chegaram a R$ 389,38 milhões. O valor inclui matéria-prima (cana-de-açúcar, insumo e revenda), ajustes de preço, gastos com pessoal, depreciação e amortização, serviços de terceiros, energia elétrica, água, telefone e frete.

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Com isso, em 2021/22, os gastos representaram o equivalente a 88,8% das receitas. Este é o segundo resultado mais alto da série histórica, ficando atrás apenas dos 89,9% vistos em 2019/20.

Juros e dívidas

O desempenho fraco na parte operacional foi, sob certos aspectos, minimizado pela área financeira da usina. O resultado da companhia nesta categoria em 2021/22 foi negativo em R$ 46,93 milhões, um valor 42,7% inferior aos R$ 81,9 milhões da safra anterior.

Na mais recente temporada, a Ester gastou mais com o pagamento de juros – totalizando despesas financeiras de R$ 91,11 milhões (+17,7%) –, mas obteve uma receita financeira 22,5% maior, indo a R$ 22,59 milhões.

Além disso, a sucroenergética contabilizou ganhos com variação cambial na ordem de R$ 21,6 milhões. Na série histórica, os resultados da companhia envolvendo moedas estrangeiras só foram positivos em 2010 e na safra 2016/17.

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Como os maiores juros indicam, a empresa ampliou seu endividamento no período. Em 31 de março de 2021, as dívidas brutas da Ester com empréstimos e financiamentos somavam R$ 414,55 milhões; um ano depois, o montante subiu 19%, para R$ 493,43 milhões.

Deste total, R$ 253,47 milhões estavam comprometidos com débitos que venceriam ao longo de 2022/23. Ao final da temporada anterior, o endividamento de curto prazo somava R$ 142,52 milhões, ou seja, o volume aumentou em 77,9% em um ano.

Em contrapartida, as dívidas com vencimento em médio e longo prazos caíram 11,8% na mesma comparação, de R$ 272,04 milhões para R$ 239,96 milhões.

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Mas, de acordo com a Ester, o alongamento dos débitos já aconteceu. No primeiro trimestre de 2022/23, a empresa obteve R$ 50 milhões por meio de uma operação de longo prazo com o Banco do Brasil, e estruturou uma operação de R$ 30 milhões no mercado de capitais com a XP Investimentos.

“Além destas ações, [a companhia] confirmou a renovação das linhas de exportação com o Banco Pine e encaminhou com o Banco Bocom BBM, Itaú e Banco do Brasil”, detalha em sua divulgação de resultados. “Está previsto para o mês de outubro de 2022 a liquidação da linha de crédito Pesa [de securitização agrícola] que trará sensível melhora nos índices de liquidez da companhia”, segue.

Renata Bossle – NovaCana

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