Após ampliação em Sinop (MT) e início das atividades em Dourados (MS), companhia se tornou a maior fornecedora de etanol do país
No ano passado, as usinas brasileiras de etanol de milho entregaram 4,2 bilhões de litros do biocombustível às distribuidoras, conforme números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). Deste total, uma parcela significativa veio da Inpasa, que ultrapassou todas as sucroenergéticas e se tornou a maior fornecedora individual de etanol.
Estas vendas se refletem no resultado da empresa. De acordo com balanço financeiro divulgado pela Inpasa, o lucro líquido da companhia foi de R$ 2,08 bilhões em 2022, alta de 53% em comparação com o R$ 1,36 bilhão de 2021.
Em grande parte, o resultado foi possível porque a companhia aumentou seu potencial de produção. Em agosto de 2021, a Inpasa foi autorizada a operar com sua estrutura ampliada em Sinop (MT). Já em maio de 2022 foi a vez de iniciar as atividades em Dourados (MS); a mesma usina passou a funcionar com capacidade duplicada em setembro.
Ainda de acordo com a Inpasa, o processamento de milho em 2022 totalizou 4,29 milhões de toneladas, alta de 53,3% na comparação anual. Com isso, a fabricação de todos os produtos registrou elevações em torno de 50%.
“A produção foi bastante arrojada”, afirma o vice-presidente da Inpasa, Rafael Ranzolin, durante evento para a divulgação dos resultados. “Nós conseguimos uma performance industrial de 360 dias de atividade em 2022. Também destaco a nossa capacidade estática de armazenagem”, completa.
Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana):
- Histórico de produção da Inpasa
- Novos investimentos e perspectivas para 2023
- Relação entre receitas e custos
- Estratégias para diluição das despesas
- Resultados operacionais
- Vendas: volumes negociados, receita por produto e preço médio
- Perfil das dívidas da companhia
- Gastos com pagamento de juros
- Indicadores: resultados em relação ao processamento de milho
No ano passado, as usinas brasileiras de etanol de milho entregaram 4,2 bilhões de litros do biocombustível às distribuidoras, conforme números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). Deste total, uma parcela significativa veio da Inpasa, que ultrapassou todas as sucroenergéticas e se tornou a maior fornecedora individual de etanol.
Estas vendas se refletem no resultado da empresa. De acordo com balanço financeiro divulgado pela Inpasa, o lucro líquido da companhia foi de R$ 2,08 bilhões em 2022, alta de 53% em comparação com o R$ 1,36 bilhão de 2021.
Em grande parte, o resultado foi possível porque a companhia aumentou seu potencial de produção. Em agosto de 2021, a Inpasa foi autorizada a operar com sua estrutura ampliada em Sinop (MT). Já em maio de 2022 foi a vez de iniciar as atividades em Dourados (MS); a mesma usina passou a funcionar com capacidade duplicada em setembro.

Ainda de acordo com a Inpasa, o processamento de milho em 2022 totalizou 4,29 milhões de toneladas, alta de 53,3% na comparação anual. Com isso, a fabricação de todos os produtos registrou elevações em torno de 50%.
“A produção foi bastante arrojada”, afirma o vice-presidente da Inpasa, Rafael Ranzolin, durante evento para a divulgação dos resultados. “Nós conseguimos uma performance industrial de 360 dias de atividade em 2022. Também destaco a nossa capacidade estática de armazenagem”, completa.
Para o etanol, o crescimento na fabricação foi de 53,9%, para 1,97 bilhão de litros. Já o volume de grãos secos de destilaria (DDGS) aumentou 49,5%, indo a 1,01 milhão de toneladas. Por fim, a quantidade de óleo de milho subiu 46,4%, para 95,68 mil toneladas.

Perspectivas
Para 2023, a promessa é de novos crescimentos. Segundo relatório da administração disponibilizado em conjunto com os resultados financeiros, os planos incluem a duplicação da capacidade na unidade de Nova Mutum (MT); a conclusão de uma planta de óleo de milho semirrefinado; e a construção de uma planta de etanol neutro.
Ranzolin destaca a estrutura para o óleo de milho, localizada em Dourados. “Trouxemos uma escala de refino para o óleo de milho em uma proporção muito pouco comum no mercado. Com isso, a gente ganhou em qualidade do produto e, em especial, ganhamos em novos mercados”, relata e completa: “Até exportamos óleo de milho para os Estados Unidos, que é o maior país produtor”.
O investimento na planta, conforme o vice-presidente, foi de R$ 59 milhões, com R$ 24 milhões aportados em 2022. Mas o valor parece pequeno em relação aos R$ 1,9 bilhão destinados para a construção da usina de Dourados e aos R$ 772 milhões aplicados na expansão da unidade em Nova Mutum.
De acordo com Ranzolin, a empresa está apostando na verticalização e na otimização de seus processos, com atenção para novos produtos e mercados internacionais. “O mundo está olhando a bioeconomia com uma lupa gigante, então os riscos [dos negócios da Inpasa] realmente são mínimos”, afirma.
“Acho que o tempo de produzir etanol de milho foi superado. Agora, é a indústria de transformação de milho que vai ser evidenciada”, Rafael Ranzolin (Inpasa)
Receitas e custos em alta
Em seu relatório, a administração da Inpasa destaca que o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 47% em 2022 na comparação anual, para R$ 2,62 bilhões. Ainda assim, a margem Ebitda – que compara este indicador à receita líquida – caiu 12,8 pontos percentuais no mesmo comparativo, de 43,3% para 30,5%.
“A margem Ebitda teve diminuição pelo efeito de mudanças nos cenários macroeconômico e tributário, que reduziram o preço de venda e aumentaram sensivelmente os custos dos produtos vendidos”, justifica a empresa.
Este aperto na margem também pode ser observado na relação entre as receitas e os custos da empresa. Em 2022, as despesas representaram o equivalente a 64,1% dos rendimentos. Este é o resultado mais elevado já registrado pela Inpasa, que iniciou suas operações em 2019.
Conforme o relatório divulgado, a Inpasa teve um faturamento operacional líquido de R$ 8,59 bilhões no período, alta de 109,3% em comparação com os R$ 4,11 bilhões do ano anterior. Ao mesmo tempo, os gastos subiram 172,6%, de R$ 2,02 bilhões para R$ 5,5 bilhões.

Segundo o diretor administrativo e financeiro da Inpasa, Fernando Alfini, o ano foi marcado por muita volatilidade. Ele cita altas de preço de 3% para o milho, de 7% para a biomassa e de 4% para os químicos. Apesar disso, observa que os gastos nesta última categoria caíram.
“Com algumas modificações que fizemos no ano de 2022 – como tirar o antibiótico do DDGS, fazer recuperação de vapor e a requeima de cinzas –, os nossos custos com químicos, que são relevantes, tiveram uma redução de 3%”, destaca.
Ele ainda observa que a companhia tem realizado investimentos em eficiência. Com isso, o rendimento da produção saiu de 220 litros de etanol por tonelada de milho – valor observado no início das operações no Paraguai – para 440 L/t. “Para esse ano, a nossa tendência é diminuirmos ainda mais [os custos por produto]. Estamos bem alinhados com as nossas despesas e esperamos manter essa linearidade”, completa.
De qualquer modo, os maiores custos não impediram o avanço do Ebitda e do lucro bruto da companhia, que subiu 48% na comparação anual, para R$ 3,09 bilhões. “O Ebitda cresceu pelo aumento de produção e vendas com a adição da unidade de Dourados (MS)”, relata a Inpasa, em relatório.

Preços em alta
Ao longo do ano passado, a Inpasa vendeu 1,96 bilhão de litros de etanol (+54,9%), 973,1 mil toneladas de DDGS (+50,1%) e 95,26 mil toneladas de óleo de milho (+38,6%). Por mais que estes crescimentos já sejam significativos, a receita bruta da companhia subiu ainda mais, 96,3%, de R$ 4,6 bilhões para R$ 9,03 bilhões.
O movimento aconteceu por conta das elevações nos preços médios de todos os produtos. A partir dos dados fornecidos pela empresa, o NovaCana calculou os preços médios de venda em 2022. Para o etanol, a alta foi de 26,5%, chegando a R$ 3.463,53/m³; já o DDGS teve aumento de 32,6%, para R$ 1.440,83/t; e o crescimento mais significativo foi o do óleo de milho, com 49,9%, para R$ 7.612,24/t.
Segundo a Inpasa, os preços no segmento de nutrição animal são determinados por meio de negociações com os clientes. Os valores são geralmente baseados nos preços futuros de mercadorias comparáveis, além de considerarem a localização do cliente e os termos do envio.

Em 2022, o DDGS rendeu R$ 1,4 bilhão para a companhia, com R$ 1,1 bilhão correspondendo ao mercado interno e R$ 299,33 mil às exportações. Já a receita com óleo de milho foi de R$ 725,12 milhões, sendo que R$ 709,45 mil foram obtidos com vendas no Brasil e R$ 15,67 mil com despachos ao exterior.
Por sua vez, a receita bruta da Inpasa com a venda de etanol somou R$ 6,79 bilhões, com R$ 4,73 bilhões referentes às vendas de hidratado e R$ 2,06 bilhões às de anidro. Toda a comercialização aconteceu domesticamente.
De acordo com o diretor comercial de canal e logística Gustavo Mariano, a Inpasa teve uma participação de 7,7% no mercado brasileiro de etanol. “Toda a evolução logística-operacional, atrelada a uma estratégia de posicionamento comercial com rápida adaptação à nova realidade imposta pelas alterações fiscais do ano de 2022 no segmento de combustível, nos permitiu atingir preços melhores que os indicadores de mercado”, relata, em apresentação para investidores.
O diretor ainda calcula a presença da companhia por região. Entre 2021 e 2022, a participação de mercado subiu de 4,9% para 7,2% no Sudeste; de 1,4% para 13% no Sul; de 6,8% para 7,5% no Centro-Oeste; e de 19% para 21,8% no Norte.
“No Nordeste, além dos volumes tradicionalmente comercializados pela divisão Brasil, enviamos 101,89 milhões de litros do Paraguai em 2022, representando 32,7% de todo o volume exportado pelo país no ano e colocando o Paraguai como a segunda maior origem do produto aos mercados brasileiros”, complementa.
Perfil das dívidas e pagamentos de juros
Ao final de 2022, de acordo com relatório da companhia, a Inpasa possuía uma dívida líquida de R$ 2,22 bilhões, alta de 57% na comparação anual. Ainda assim, por conta do maior Ebitda, a alavancagem da empresa se manteve estável em 1,3 vez.
A dívida bruta da empresa, por sua vez, mais que dobrou no período de um ano. Considerando empréstimos, financiamentos e debêntures, os débitos somavam R$ 3,15 bilhões em 31 de dezembro do ano passado. A maior parte desse valor, R$ 2,62 bilhões, possuía vencimento ao longo de 2023: R$ 2,42 bilhões em empréstimos e R$ 201,31 milhões em debêntures.

O diretor administrativo e financeiro da Inpasa, Fernando Alfini, explica que todos os investimentos efetuados em Dourados e Nova Mutum foram feitos com recursos do caixa da companhia. Desta forma, o acesso ao mercado financeiro foi reservado para capital de giro.
“Nós praticamente mantivemos uma linearidade [nas captações]. A liquidez deu uma baixada em relação a 2021, mas isso é totalmente explicável pelos investimentos pesados que fizemos”, justifica.
Além disso, Alfini observa que a atual queda no preço do milho tem impacto direto na necessidade da companhia por recursos adicionais. Segundo ele, a estimativa é que as captações em 2023 fiquem entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão.
O relatório da Inpasa segue este mesmo caminho. “Com a captação de recursos de curto prazo, a companhia diminuiu seu índice de liquidez corrente em 21% em relação ao mesmo período comparativo, não comprometendo sua capacidade de liquidação de passivos de curto prazo, tampouco atingindo quaisquer gatilhos das debêntures emitidas”, aponta o documento.
Entre os “gatilhos” dos títulos de dívida está a contabilização, em 2022, de uma alavancagem menor que 2,4 vezes e de uma liquidez corrente maior ou igual a 1 ponto. As debêntures da Inpasa correspondem a uma captação de R$ 600 milhões realizada em julho de 2021.
Por sua vez, em 31 de dezembro, as dívidas com um prazo mais amplo de pagamento eram formadas por R$ 113,1 milhões em empréstimos e R$ 411,91 milhões em debêntures.
Além disso, o endividamento tem impacto do lucro anual da companhia. Em 2022, a Inpasa contabilizou despesas financeiras que somaram R$ 344,48 milhões. Dentro deste montante, 248,43 milhões correspondem a juros passivos, alta de 190,6% em comparação com o valor pago em 2021. Por sua vez, as debêntures demandaram o desembolso de R$ 4,03 milhões (+392,2%).

Ainda assim, o prejuízo financeiro da empresa foi minimizado e teve uma variação de 16,6%, indo a R$ 186,44 milhões. Isso ocorreu por conta de um aumento de 1.595,5% nas receitas, para R$ 81,83 milhões – valor composto por aplicações, descontos obtidos, juros sobre empréstimos concedidos e instrumentos financeiros – e pela variação cambial líquida positiva em R$ 76,21 milhões.
Resultados por tonelada
Outra forma de encarar os resultados da empresa é em relação ao processamento de milho, que totalizou 4,29 milhões de toneladas em 2022, ante 2,8 milhões de toneladas em 2021. Em 2020, por sua vez, o volume foi de 1,8 milhão de toneladas.
No ano passado, a receita líquida da Inpasa foi equivalente a R$ 2 mil por tonelada de matéria-prima, enquanto os custos representaram R$ 1,28 mil por tonelada. Na comparação anual, as elevações foram de 36,5% e 77,8%, respectivamente, enfatizando o aperto nas margens.

Assim, em relação ao milho processado, tanto o lucro bruto quanto o líquido tiveram diminuições entre os dois últimos anos. Em 2022, a Inpasa teve um resultado operacional correspondente a R$ 719,37 por tonelada do grão, retração anual de 3,4%. O impacto foi minimizado no desempenho líquido, que foi de R$ 484,02/t, queda de 0,2%.
Já em relação ao endividamento bruto, o aumento foi de 38,3%, de R$ 530,09/t para R$ 732,99/t. O valor leva em consideração empréstimos, financiamentos e debêntures.
Renata Bossle – NovaCana