Sucroenergética registrou resultado líquido positivo de R$ 80,93 milhões no ano passado
Embora não tenha atingido a meta de moer 4,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2020/21, a Da Mata Açúcar e Álcool obteve bons números em 2020, conforme os resultados financeiros publicados no Diário Oficial de São Paulo.
De acordo com o divulgado, a companhia obteve um resultado líquido recorde no ano passado, com lucro de R$ 80,93 milhões. O valor representa um aumento de 123,7% ante os R$ 36,18 milhões contabilizados em 2019.
“Além da planta industrial moderna e totalmente automatizada, o crescimento da companhia é resultado de ações e investimentos focados em formação de canavial e tratos culturais”, afirma a diretoria da empresa, por meio de nota explicativa. “Em 2020, foram plantados 10,58 mil hectares, sendo 2,94 mil em áreas de expansão de lavoura”, completa.
Para 2021, a expectativa da administração é que sejam plantados mais de 9,45 mil hectares, dos quais 2,2 mil serão em áreas de expansão.
Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes):
- Expansão da capacidade da Da Mata
- Evolução da moagem
- Histórico de resultados: lucro líquido e bruto
- Receita líquida e custos de produção
- Desempenho financeiro: receitas, despesas e influência do câmbio
- Perfil da dívida da companhia
- Número de CBios emitidos e receita obtida
- Impacto da covid-19
Embora não tenha atingido a meta de moer 4,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2020/21, a Da Mata Açúcar e Álcool obteve bons números em 2020, conforme os resultados financeiros publicados no Diário Oficial de São Paulo.
De acordo com o divulgado, a companhia obteve um resultado líquido recorde no ano passado, com lucro de R$ 80,93 milhões. O valor representa um aumento de 123,7% ante os R$ 36,18 milhões contabilizados em 2019.
“Além da planta industrial moderna e totalmente automatizada, o crescimento da companhia é resultado de ações e investimentos focados em formação de canavial e tratos culturais”, afirma a diretoria da empresa, por meio de nota explicativa. “Em 2020, foram plantados 10,58 mil hectares, sendo 2,94 mil em áreas de expansão de lavoura”, completa.
Para 2021, a expectativa da administração é que sejam plantados mais de 9,45 mil hectares, dos quais 2,2 mil serão em áreas de expansão.

Estes investimentos também se refletem na moagem da sucroenergética. Em 2020/21, a companhia processou 3,8 milhões de toneladas de cana, 5,6% a mais que as 3,6 milhões registradas na temporada anterior. Deste volume, 91% veio de lavouras próprias e parcerias agrícolas e 9%, de fornecedores terceiros.
Com este resultado, a perspectiva de atingir a moagem de 4,5 milhões de toneladas – e utilizar a totalidade da capacidade da companhia – foi adiada para 2021/22.

Outro plano da usina é expandir sua capacidade de moagem em 1 milhão de toneladas. “A administração entende que, com pequenos investimentos no processo de preparo e moagem, a capacidade instalada será elevada para 5,5 milhões de toneladas, objetivo que será atingido até a safra 2022/23”, afirma.
Desempenho operacional
Um dos aspectos que proporcionou o lucro recorde em 2020 foi o crescimento anual de 28,1% na receita líquida da companhia, que passou de R$ 556,69 milhões para R$ 713,08 milhões. No mesmo período, os custos de produção também aumentaram, mas a uma taxa menor: 11,3%. Assim, as despesas da Da Mata foram de R$ 479,73 milhões em 2020.

Considerando apenas estes dois dados, no ano passado, a usina contabilizou custos de produção equivalentes a 67,3% da receita. O indicador está mais de dez pontos percentuais abaixo do visto em 2019, quando era de 77,4%.
Com isso, a sucroenergética obteve um lucro bruto de R$ 233,36 milhões em 2020, elevação de 85,5% na comparação anual.

Ao contrário de outras empresas do setor, a Da Mata não contabiliza a variação do valor de seu ativo biológico (cana em pé) como parte do lucro bruto. Em 2020, a companhia relatou uma perda de R$ 10,38 milhões no quesito; um ano antes, o resultado também foi negativo, de R$ 9,6 milhões.
Resultado financeiro
Outro fator que proporcionou uma melhoria no resultado final da empresa foi seu desempenho financeiro. Embora os dados apontem para uma perda de R$ 37,57 milhões, o valor é o menor desde 2016.
Na comparação com o ano anterior, a Da Mata registrou uma redução de 51,3% em suas receitas financeiras, que passaram a ser de 2,29 milhões. Ao mesmo tempo, as despesas financeiras – caracterizadas principalmente pelo pagamento de juros – caíram 37,3%, para R$ 30,52 milhões.

Por sua vez, a variação cambial líquida voltou a ser negativa. Após um lucro tímido de R$ 335 mil em 2019, a Da Mata apresentou perda de R$ R$ 9,35 milhões em 2020.
Perfil da dívida
Ainda que as despesas com pagamentos de juros tenham diminuído em 2020, a Da Mata registrou um aumento em seu endividamento bruto pelo segundo ano consecutivo. Em 31 de dezembro do ano passado, as dívidas da companhia com empréstimos e financiamentos somavam R$ 584,12 milhões, crescimento de 7,4% na comparação com a posição de um ano antes.
Deste total, R$ 236,69 milhões estavam comprometidos com débitos que vencem ao longo de 2021. Um ano antes, as dívidas com vencimento em curto prazo totalizavam R$ 220,02 milhões.

Já os débitos com prazo mais amplo somavam R$ 347,44 milhões em 31 de dezembro de 2020, elevação de 7,2% na comparação anual.
RenovaBio e covid-19
Em seu demonstrativo de resultados, a Da Mata também comentou seu ingresso no programa RenovaBio. Segundo a companhia, foram emitidos 87 mil créditos de descarbonização (CBios) em 2020, mas apenas 10 mil deles foram comercializados. No total, a receita com os títulos foi de R$ 412 mil, ou seja, cada CBio foi vendido a R$ 41,20, em média.
A companhia ainda publicou uma nota sobre o efeito da pandemia de covid-19 nos seus resultados. Sua administração acredita que não há “incertezas relevantes” que coloquem em dúvida a capacidade operativa da usina ou qualquer situação que possa afetar as demonstrações financeiras apresentadas.
“A companhia vem adotando medidas de prevenção e contenção à covid-19 seguindo as recomendações de autoridades de saúde”, afirma a Da Mata, que relata: “Ao final de fevereiro de 2020, intensificamos nossos procedimentos de precaução, orientação e divulgação de informações, e iniciamos um processo de implementação de medidas conservadoras com o objetivo de evitar, dentro do possível, a disseminação da doença junto a colaboradores e familiares”.
Segundo a empresa, as medidas adotadas “foram de extrema importância” quando o governo declarou o setor sucroenergético como atividade essencial.
Renata Bossle – NovaCana