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Após lucro recorde em 2020/21, Balbo deve emitir R$ 200 milhões em debêntures

Com resultado líquido de R$ 287,97 milhões, a empresa registrou um crescimento anual 98%

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Nos últimos anos, o setor sucroenergético tem ampliado a captação de recursos por meio do mercado de capitais de dívida. O grupo Balbo irá se juntar a estas empresas, pois duas de suas usinas farão suas primeiras emissões de debêntures. Em 16 de julho, os acionistas se reuniram para aprovar a geração dos títulos.

Segundo ata publicada no Diário Oficial de São Paulo, as usinas Santo Antônio e São Francisco poderão emitir debêntures quirografárias, não conversíveis em ações, no valor de até R$ 100 milhões cada. No caso da emissão da São Francisco, os papéis ainda servirão de lastro para a geração de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

As captações, que totalizam R$ 200 milhões, acontecem após a companhia divulgar mais um resultado positivo. O grupo Balbo fechou a safra 2020/21 com um lucro de R$ 287,97 milhões, crescimento de 98% ante a temporada anterior, quando contabilizou R$ 145,43 milhões.

Neste montante são consideradas todas as empresas do grupo: as usinas São Francisco, Santo Antônio e Uberaba; a marca Native, especializada em produtos orgânicos; a produtora de cana-de-açúcar Iracema; a PHB Industrial, que atua no mercado de plásticos; e duas empresas do ramo imobiliário.

Na reportagem completa, exclusiva para assinantes, leia mais sobre as debêntures e veja gráficos exclusivos detalhando o desempenho do grupo Balbo em 2020/21.

- Resultado líquido do grupo
- Lucro bruto do grupo
- Relação entre receitas e custos
- Resultados de cada usina
- Formação da receita
- Perfil das dívidas

Nos últimos anos, o setor sucroenergético tem ampliado a captação de recursos por meio do mercado de capitais de dívida. O grupo Balbo irá se juntar a estas empresas, pois duas de suas usinas farão suas primeiras emissões de debêntures. Em 16 de julho, os acionistas se reuniram para aprovar a geração dos títulos.

Segundo ata publicada no Diário Oficial de São Paulo, as usinas Santo Antônio e São Francisco poderão emitir debêntures quirografárias, não conversíveis em ações, no valor de até R$ 100 milhões cada.

No caso da emissão da São Francisco, os papéis ainda servirão de lastro para a geração de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), além de terem validade de sete anos e contarem com remuneração paga semestralmente. Além disso, o valor atualizado dos títulos será quitado em sete parcelas semestrais consecutivas.

Ainda de acordo com a ata, os juros a serem direcionados aos investidores dependerão de um procedimento de coleta de intenções de investimento (bookbuilding). Assim, eles podem corresponder a uma taxa de 5,7% ao ano ou à taxa interna de retorno do Tesouro IPCA+ com juros semestrais e acréscimo de 2,75% ao ano.

Por sua vez, os títulos da Santo Antônio também terão prazo de vencimento de sete anos. Neste caso, porém, os juros remuneratórios serão de até 10% ao ano, com pagamento semestral começando seis meses após a emissão. Já o valor do principal da dívida será entregue em quatro parcelas anuais, a partir do quarto aniversário da emissão.

Safra 2020/21 e o enfrentamento à pandemia

As captações, que totalizam R$ 200 milhões, acontecem após a companhia divulgar mais um resultado positivo. O grupo Balbo fechou a safra 2020/21 com um lucro de R$ 287,97 milhões, crescimento de 98% ante a temporada anterior, quando contabilizou R$ 145,43 milhões.

balbo 2021 resultado 05082021

Neste montante são consideradas todas as empresas do grupo: as usinas São Francisco, Santo Antônio e Uberaba; a marca Native, especializada em produtos orgânicos; a produtora de cana-de-açúcar Iracema; a PHB Industrial, que atua no mercado de plásticos; e duas empresas do ramo imobiliário.

Em sua divulgação de resultados, a companhia ressalta que as unidades que compõe o grupo não foram diretamente afetadas pela pandemia de covid-19. Segundo a Balbo, o lucro recorde registrado se deve ao “incremento das operações e melhoria nos resultados apurados”.

Além disso, nesta safra, o grupo iniciou a comercialização dos certificados descarbonização (CBios) criados pelo programa RenovaBio, registrando o valor negociado de R$ 7,45 milhões como parte de sua receita líquida.

O grupo também afirma não esperar uma nova diminuição na demanda por etanol. Já em relação ao açúcar, a Balbo acredita que o consumo deve se manter estável considerando o “incremento das vendas e expectativa da redução de produção mundial de açúcar, o que motivou o aumento dos preços”.

A companhia ainda explica que seus diferenciais de negócio devem suportar positivamente a continuidade das operações. Neste caso, a empresa cita seus produtos orgânicos e a associação à Copersucar, o que pode garantir uma estabilidade ao fluxo de caixa.

A Balbo ainda afirma possuir “relacionamento bancário sólido”, o que permitiu que a companhia reforçasse o caixa acima dos níveis habituais da empresa. Também foram citados a gestão de risco por meio de hedge e o impacto da desvalorização cambial na receita, o que resultou em perdas de R$ 6,13 milhões na última safra.

Por fim, em relação à pandemia, a Balbo informa que não há previsões de interrupções das atividades. “[As empresas do grupo] estão operando com todos os cuidados e recomendações sanitárias necessárias no combate à covid-19”, assegura.

Resultado operacional de 2020/21

Ainda de acordo com o balanço financeiro, o grupo apresentou melhora em seus resultados brutos, registrando um crescimento anual de 60,2%. O ciclo 2020/21 fechou em R$ 536,88 milhões ante os R$ 335,19 milhões vistos na safra anterior.

balbo 2021 lucro 05082021

No período, as receitas alcançaram R$ 1,4 bilhão, alta de 20,9% em relação à 2019/20. Já os custos da empresa com a venda dos produtos aumentaram em um menor índice, 10,5%, chegando a R$ 996,26 milhões. Na safra anterior os gastos foram de R$ 901,68 milhões.

Com isto, ao longo da safra 2020/21, os custos representaram cerca de 70,8% das receitas do grupo, uma diminuição de sete pontos percentuais em relação ao desempenho visto no ciclo anterior. Entretanto, este ainda não é o melhor índice apresentado pela companhia, que já alcançou a margem de 65,1% em 2017/18.

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A maior parte da receita bruta do grupo, 48,2%, veio da comercialização de etanol, somando R$ 744,15 milhões – aumento de 12,3% entre as duas últimas safras. Caso seja descontado o produto orgânico, o valor passa a R$ 665,60 milhões, representando 43,1% da receita total.

Em seguida, o açúcar representou 43,4% da receita. O montante de R$ 670,46 milhões foi composto por R$ 280,64 milhões obtidos com o açúcar orgânico, enquanto os R$ 389,82 milhões restantes representam as vendas do adoçante sem esta certificação.

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Também entraram na conta as vendas de CBios, energia elétrica, cana-de-açúcar e bagaço, combustíveis e ainda os produtos comercializados pelas outras empresas do grupo.

Resultados de cada usina

As três usinas pertencentes ao grupo apresentaram resultados recordes nesta safra. A Santo Antônio, instalada na cidade de Sertãozinho (SP), foi a mais lucrativa, somando R$ 165,88 milhões em 2020/21, crescimento de 120,9% ante o ciclo anterior.

A São Francisco, que trabalha com produtos orgânicos, registrou o segundo maior aumento, com 124,2%. Localizada em Barrerinha (SP), a usina teve resultados positivos em R$ 126,09 milhões.

Já a usina Uberaba, no município mineiro de mesmo nome, registrou lucro de R$ 119,93 milhões. Neste caso, houve um aumento de 87,2% em comparação com a safra anterior.

balbo 2021 resultados usinas 05082021

Da mesma forma, as três usinas também registraram crescimento em suas receitas. O aumento mais significativo foi de 31,4%, contabilizado na usina Santo Antônio, que fechou a safra 2020/21 com R$ 716,09 milhões.

A usina São Francisco registrou um aumento de 17,7%, totalizando R$ 514,22 milhões. Por fim, a Uberaba teve um aumento de 9,6% em suas receitas operacionais, fechando o ciclo em R$ 481 milhões.

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Perfil das dívidas do grupo

O grupo Balbo também fechou a temporada com redução de 17,3% nas suas dívidas, totalizando R$ 629,86 milhões em 31 de março. Ao final da safra anterior, o endividamento da empresa era de R$ 761,39 milhões.

No comparativo anual, a empresa aumentou em 7,6% a posição das dívidas com empréstimos e financiamentos que vencem no decorrer da atual safra, totalizando R$ 313,13 milhões. Ao mesmo tempo, a Balbo diminuiu em 32,9% os débitos com vencimento em longo prazo, indo para R$ 313,13 milhões em 31 de março deste ano.

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Segundo o balanço financeiro da empresa, do total das dívidas de longo prazo, R$ 163,97 milhões tem vencimento previsto para a safra 2022/23; R$ 69,37 milhões para 2023/24; R$ 27,29 milhões para 2024/25; e os R$ 52,49 milhões restantes devem ser quitados entre os ciclos de 2025/26 a 2029/30.

Giully Regina – NovaCana

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