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Levantamento mostra para onde está indo o dinheiro das usinas de açúcar e etanol

dinheiro resultado financeiro 280515A safra 2016/17 representou acima de tudo uma volta da rentabilidade nas usinas. De uma forma geral, após anos de dificuldades, 2016 finalmente trouxe um alívio maior ao setor de açúcar e etanol

NovaCana 7 min de leitura

A safra 2016/17 representou acima de tudo uma volta da rentabilidade nas usinas sucroenergéticas brasileiras. De uma forma geral, após anos de dificuldades, 2016 finalmente trouxe um alívio maior ao setor de açúcar e etanol.

Esta volta das contas ao azul foi resultado da recuperação consistente dos preços durante o último ano, puxado com mais força pelo açúcar em razão do déficit mundial de produção da commodity. Por essa razão, algumas instituições financeiras ligadas ao setor, como o banco holandês Rabobank, analisam que as usinas brasileiras encerraram o ano passado com melhores níveis de receita e margem do que nos anos anteriores.

Um novo levantamento sobre os custos da indústria sucroalcooleira apresenta informações direto das usinas que ajudam a compreender, do ponto de vista financeiro, esta safra que se encerra. Segundo os dados do trabalho, a temporada 2016/17 representou mesmo maior rentabilidade, após recorrentes safras de um perfil rentável nulo ou negativo.

Por outro lado, a frustração das estimativas iniciais de produção para a temporada não permitiu uma contenção maior dos custos unitários no último ano, fato que era esperado no início da safra. Porém, este não foi o único entrave.

Além de continuarem com um alto grau de endividamento, muitas empresas ainda sofrem para melhorar sua eficiência, especialmente no campo industrial. No campo, problemas resultantes da mecanização continuam a influenciar diretamente no aumento dos custos da indústria sucroalcooleira.

O estudo sobre os custos do setor envolve usinas sucroalcooleiras, que, juntas, representam 5% da moagem de São Paulo - um total de 18,5 milhões de toneladas. São usinas com uma moagem mínima de 1,2 milhão de toneladas e máxima de 4,5 milhões (média 2,33 milhões de toneladas).

Com a evolução da composição de custos nas últimas onze safras, incluindo a que está terminando agora, o levantamento aponta algumas tendências.

O estudo apresentado a seguir detalha para onde vai o dinheiro gastos nas usinas e como os gastos evoluíram nas últimas dez safras.

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A safra 2016/17 representou acima de tudo uma volta da rentabilidade nas usinas sucroenergéticas brasileiras. De uma forma geral, após anos de dificuldades, 2016 finalmente trouxe um alívio maior ao setor de açúcar e etanol.

Esta volta das contas ao azul foi resultado da recuperação consistente dos preços durante o último ano, puxado com mais força pelo açúcar em razão do déficit mundial de produção da commodity. Por essa razão, algumas instituições financeiras ligadas ao setor, como o banco holandês Rabobank, analisam que as usinas brasileiras encerraram o ano passado com melhores níveis de receita e margem do que nos anos anteriores.

Um novo levantamento sobre os custos da indústria sucroalcooleira realizado pela Sucrotec, empresa especializada em prestar consultoria ao setor, apresenta informações direto das usinas que ajudam a compreender, do ponto de vista financeiro, esta safra que se encerra.

Segundo análise da empresa a partir do levantamento, a temporada 2016/17 representou mesmo maior rentabilidade, após recorrentes safras de um perfil rentável nulo ou negativo.

Por outro lado, a frustração das estimativas iniciais de produção para a temporada não permitiu uma contenção maior dos custos unitários no último ano, fato que era esperado no início da safra. Porém, este não foi o único entrave, na visão da consultoria.

Além de continuarem com um alto grau de endividamento, muitas empresas ainda sofrem para melhorar sua eficiência, especialmente no campo industrial. No campo, problemas resultantes da mecanização continuam a influenciar diretamente no aumento dos custos da indústria sucroalcooleira.

O estudo sobre os custos do setor envolve os resultados de sete usinas sucroalcooleiras, que, juntas, representam 5% da moagem de São Paulo – um total de 18,5 milhões de toneladas. São usinas com uma moagem mínima de 1,2 milhão de toneladas e máxima de 4,5 milhões (média 2,33 milhões de toneladas).

Com a evolução da composição de custos nas últimas onze safras, incluindo a que está terminando agora, o levantamento aponta para uma recuperação na rentabilidade na safra 2016/17. Além disso, segundo a análise da Sucrotec, há uma perspectiva que esse movimento de recuperação da rentabilidade se sustente, novamente pelos preços, na temporada que inicia em março.

Custo X preços

O estudo da Sucrotec traz um levantamento detalhado da variação de preços dos insumos no acumulado das últimas onze safras.

Na média acumulada do período, a valorização dos produtos chegou a 90%, enquanto os insumos aumentaram apenas 85%.

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Os números das sete usinas que abriram seus valores mostram que, nas últimas duas safras, a forte valorização dos preços do açúcar e o etanol foi superior ao aumento no custo operacional.

 

O custo operacional, estimado para o final da safra 2016/17, está em R$ 52,13 por saca de açúcar ou R$ 1,53 por litro de etanol hidratado e R$ 1,65 por litro de etanol anidro. Estes valores incluem os gastos com plantio de cana, mas não consideram a depreciação com máquinas e equipamentos e despesas financeiras.

Já o preço recebido pelas usinas deve ficar em R$ 60,76 por saca de açúcar em 2016/2017, na média entre os preços do açúcar e do álcool convertidos só para o adoçante. É o melhor preço em 11 safras, uma alta média de 42% nas duas últimas safras, com aumento de 29% para o etanol e 57% para o açúcar.

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Cana de fornecedores e ATR

A melhora do preço dos produtos vendidos influenciou bastante no custo da matéria prima, calculada pelo valor de ATR (que usa os valores de venda do etanol e açúcar para sua composição). A estimativa é que até o final desta safra o valor de ATR aumente 26% em relação a temporada anterior, quando já tinha aumentando em 16%.

A consequência disso foi um aumento nos custos da cana de fornecedores em 18% de uma safra para outra e o custo do arrendamento em 7% (em valores corrigidos pela inflação).

Peso do endividamento e o resultado operacional

Houve uma consistente melhora do resultado operacional, que atingiu 14% do faturamento líquido, segundo o levantamento das usinas. Mas, nem mesmo os melhores preços de açúcar e álcool em mais de uma década e um resultado operacional positivo nas usinas e destilarias em 2016/2017 devem ser suficientes para que as companhias voltem a investir no setor sucroenergético.

O problema é que o peso do endividamento ainda é muito elevado e continua arrastando a média das usinas.

Na estimativa da Sucrotec, esta safra deve terminar com um endividamento médio do setor entre R$ 130 e R$ 140 por tonelada de cana moída. Das usinas da amostra, o endividamento médio está estimado em R$ 105/tc para o final da safra.

É esperado um faturamento líquido no mesmo nível da dívida, de R$ 140/tc. Considerando a taxa de juros básica, de 14% ao ano, o custo dessa dívida é de aproximadamente R$ 20/tc ao ano.

Para a média das usinas, a situação problemática fica clara pois os 14% de resultado operacional do faturamento líquido obtido pelas usinas é o que seria necessário para pagar os custos das dívidas.

Assim, mesmo a “melhora excepcional” da safra atual, só permitirá pagar o serviço da dívida, prejudicando investimentos essenciais para melhores resultados no futuro.

Industrial

Além disso, muitas empresas ainda sofrem para melhorar sua eficiência, especialmente no campo industrial. Problemas resultantes da mecanização continuam a influenciar diretamente no aumento dos custos da indústria sucroalcooleira. “Nós temos usinas hoje que estão muito prejudicadas por terem entrado na mecanização tardiamente. Logo, elas ainda trazem problemas junto com a sua cana, como a palha e outras impurezas”, destacou o diretor da Sucrotec, Francisco Oscar Louro Fernandes.

Isso impacta diretamente no rendimento e custos das usinas. Por essa razão, há uma diferença mais expressiva entre os custos maiores e menores industriais, que vão desde R$ 4,71 a R$12,27 por saca de açúcar.

A disparidade entre as usinas continua se intensificando e, continuando positiva as perspectivas para o setor, a tendência é que as condições fiquem cada vez mais favoráveis para uma nova onda de fusões e aquisições no mercado.

Marina Gallucci – NovaCana

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