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Para GranBio levedura marca o início de uma “nova e promissora era” para o etanol

BioCelere: empresa da GranBio de genéticaO portal NovaCana teve acesso ao dossiê com 289 páginas que revela os detalhes da aposta da empresa no futuro do etanol celulósico no Brasil
NovaCana 6 min de leitura
BioCelere: empresa da GranBio de genética "A utilização desta cepa para produção de etanol no Brasil marca o início de uma nova e promissora era na produção sustentável do biocombustível etanol no país". É desta maneira que a GranBio introduz o documento que revela informações sobre a levedura geneticamente modificada que pretende utilizar na produção do seu etanol celulósico.

Confira a seguir um resumo das centenas de páginas do texto com os aspectos essenciais relacionados à levedura que, segundo a GranBio, descortina uma fase inédita para o setor.

BioCelere: empresa da GranBio de genética
É com o presságio de um novo tempo na produção de etanol que a GranBio apresenta à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a levedura que pretende empregar para a fabricação do etanol de segunda geração (2G). Em um documento de 289 páginas a empresa justifica o uso e garante a segurança do organismo geneticamente modificado (OGM) desenvolvida pela DSM, holandesa parceira no fornecimento de leveduras.

A GranBio busca a liberação comercial da linhagem RN1016 Saccharomyces cerevisiae, para tanto, solicitou através de sua subsidiária tecnológica, Biocelere, a análise e emissão de parecer técnico da CTNBio a respeito do Relatório de Biossegurança elaborado pela empresa. Com extensa revisão bibliográfica e resultado de experimentos científicos, o relatório apresenta informações técnicas sobre a levedura transgênica, avaliações de risco ao meio ambiente e à saúde humana e animal.

A proposta de liberação comercial está em consulta pública até 21 de junho, quando completa trinta dias da publicação do extrato prévio no Diário Oficial da União.  Nesse período qualquer um pode se manifestar sobre o processo. A CTNBio orienta que maiores informações podem ser solicitadas por escrito à sua Secretaria Executiva. Existe um apêndice confidencial que trata sobre o processo industrial, mas a maior parte do conteúdo está acessível.

O portal NovaCana teve acesso ao dossiê através do Ministério da Ciência e Tecnologia e reporta alguns dos aspectos essenciais relacionados à levedura que, segundo a GranBio, descortina uma fase inédita para o setor. "A utilização desta cepa para produção de etanol no Brasil marca o início de uma nova e promissora era na produção sustentável do biocombustível etanol no país", sentencia.

S. cerevisiae Linhagem RN1016

A GranBio avalia que a linhagem desenvolvida na Holanda colocará o Brasil em posição de pioneirismo com a operação em escala comercial da primeira planta de etanol celulósico do hemisfério sul. O documento explica que dentre as tecnologias que viabilizam a exploração comercial da biomassa de cana-de-açúcar, está o desenvolvimento de linhagens de leveduras Saccharomyces cerevisiae capazes de fermentar açúcares de cinco carbonos, como a xilose e a arabinose, além da tradicional glicose de seis carbonos. A levedura RN1016 ajudará a empresa a acessar parte significativa dos açúcares lignocelulósicos, considerados fonte potencial para aumentar a produção nacional de etanol em 50%, sem acréscimo da área plantada.

"A Levedura S. cerevisiae cepa RN1016 expressa o gene XylA, codificador da enzima xilose isomerase. Este gene é oriundo do microrganismo não patogênico Piromyces sp., e catalisa a conversão de Dxilose em D-xilulose. Além da inserção do gene XylA, outros genes endógenos da levedura, que participam do metabolismo de açúcar, tiveram sua expressão aumentada com a finalidade de tornar mais eficiente o processo fermentativo de carboidratos, especialmente de 5 carbonos. Este aumento de expressão se deu através da utilização de promotores constitutivos da própria levedura", detalha.

Segurança

A levedura Saccharomyces cerevisae, usada nas usinas de primeira geração, é a levedura mais eficiente na fermentação da glicose e tem amplo uso industrial, além de ser um microrganismo dos microrganismos mais estudados no mundo. A variação geneticamente modificada, de acordo com o texto, tem as mesmas características da levedura tradicional no que se refere à segurança. O relatório afirma que experimentos mostraram que "a levedura não apresenta risco potencial e não difere de seu equivalente convencional para diversas avaliações".

Sob supervisão da BioCelere foram realizados testes de avaliação de biossegurança por empresas como o Laboratório Tecam Ambiental e o Laboratório Athenas Agrícola, e em laboratórios especializados da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), pela High Throughput Sequencing Facility da Universidade da Carolina do Norte (USA) e também pela empresa holandesa DSM que detém a propriedade da linhagem RN1016. No documento são apresentados diversos resultados experimentais e informações científicas para demonstrar a biossegurança da levedura.

A empresa optou por realizar uma avaliação do potencial alergênico da proteína xilose isomerase expressa na linhagem RN1016, bem como do organismo doador. O procedimento não é obrigatório, uma vez que microrganismo e seus subprodutos não serão utilizados em alimentação humana ou animal ou como vacina. Conforme metodologia estabelecida por agências internacionais, verificou-se que inserção do gene exógeno codificador da xilose isomerase não torna a linhagem potencialmente alergênica e que, portanto, é equivalente a seu correspondente convencional para este característica.

Na avaliação de riscos ambientais, os dados obtidos indicam que a linhagem de S. cerevisiae RN1016 não produz esporos, o que reduz drasticamente as possibilidades de transferência do material genético para outras linhagens de leveduras. A pesquisa concluiu que a linhagem também tem menor potencial de sobrevivência e dispersão no meio ambiente, se mostrando menos tolerante a limitação de recursos naturais, como água e nutrientes.

DSM

A propriedade da levedura pela gigante holandesa DSM já havia sido confirmada em entrevista concedida ao portal NovaCana pela GranBio. O uso faz parte de uma série de acordos da brasileira com empresas de outros países para o fornecimento de organismos ou emprego de tecnologia para o etanol celulósico.

Procedimento de análise

De acordo com a assessoria da CTNBio, o processo será analisado por quatro relatores, sendo um de cada subcomissão setorial das áreas de saúde humana e animal, vegetal e ambiental. "Assim, o processo estará na pauta de deliberação das próximas reuniões até que seja deferido ou indeferido", informou a assessoria do CTNBio. As reuniões da entidade tem periodicidade mensal e o calendário para o ano de 2013 indica que as próximas plenárias acontecem no dias 20 de julho e, posteriormente, em 15 de agosto.

O portal NovaCana disponibiliza o documento na íntegra aqui (.pdf 35MB).

Amanda SchArr - NovaCana
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