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Farina para Dornelles: Dilma precisa “parar de chamar a gente de incompetente e ineficiente”

dornelles farina 231214Ricardo Dornelles, diretor de combustíveis renováveis do MME: “Procuramos fazer parceria com quem a gente confia, com que pode dar o braço"

NovaCana 6 min de leitura

A celebração dos resultados do BNDES no setor canavieiro proporcionou também um tácito confronto entre o governo federal e o setor sucroenergético.

Convidados do BNDES para um encontro realizado na última quarta-feira (18), no Rio de Janeiro, a União da Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) e o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentaram visões divergentes sobre o desenvolvimento do setor e as medidas necessárias para que se reverta o jogo da crise.

Apesar das notórias divergências, são raras as ocasiões públicas em que o governo e o setor sucroenergético confrontam suas ideias em uma mesma mesa.

A celebração dos resultados do BNDES no setor canavieiro proporcionou também um tácito confronto entre o governo federal e o setor sucroenergético.

Convidados do BNDES para um encontro realizado na última quarta-feira (18), no Rio de Janeiro, a União da Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) e o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentaram visões divergentes sobre o desenvolvimento do setor e as medidas necessárias para que se reverta o jogo da crise.

Apesar das notórias divergências, são raras as ocasiões públicas em que o governo e o setor sucroenergético confrontam suas ideias em uma mesma mesa.

Já antes do início do evento, a associação que representa as usinas do centro-sul deu uma amostra do ânimo para o próximo ano. Questionado sobre “o que o deixa otimista para 2015”, o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua, não camuflou o descontentamento. A resposta veio taxativa: “nada”. 

A presidente da entidade, Elizabeth Farina, até contemporizou, dizendo que “podem haver sinergias entre as preocupações da gestão [federal] da política macro com o andamento do setor”, mas teve de concordar que de concreto não há qualquer margem para visões mais positivas.

O evento

Já na abertura do seminário, a executiva da Unica dividiu a mesa com o diretor das áreas Industrial e de Mercado de Capitais do BNDES, Julio Raimundo, e com o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME, Ricardo Dornelles.

Desde as primeiras palavras de Farina ficou implícito o destinatário de sua apresentação.

Para uma plateia de profissionais ambientados, boa parte representantes da indústria canavieira, Farina fez uma defesa contundente do setor. Elencou fatos dos últimos 30 anos ao explicar como as usinas tem inovado e investido em tecnologia ao longo das últimas décadas, mesmo com sucessivas crises. Perto de concluir sua fala, a dirigente foi direto ao ponto.

“Queria muito dizer dessas inovações e dessa história e pedir para o Ricardo [Dornelles]: transmitir essas coisas para a presidente, para ela parar de chamar a gente de incompetente e ineficiente porque tem muita inovação e muito investimento sendo feito, apesar do momento tão delicado econômico e financeiro que as usinas passam”.

Governo

A resposta veio indireta, como a maioria das críticas. Em sua fala, o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis tentou primeiro atenuar o descontentamento da Unica, reforçando o caráter colaborativo entre as instituições representadas na abertura. No entanto, fez questão de ressaltar a importância da confiança.

“Procuramos fazer parceria com quem a gente confia, com que pode dar o braço, esse é o ponto principal dessa parceria não só com o BNDES, mas com o setor. Somo muitas vezes portadores de más notícias, a porta do apocalipse, mas existe uma confiança mútua nessas intenções esse é o ponto principal dessa parceria”, disse Dornelles.

Para o representante do MME, a área técnica do governo tem se esforçado em criar mecanismos para oferecer estabilidade e perenidade às políticas públicas para o desenvolvimento sucroenergético.

“Demos passos importantes para melhorar a estruturação do setor, que é ainda muito heterogêneo, portanto as soluções são mais difíceis e complicadas para um impacto equitativo em todo o setor. Ainda assim, não faltou ao governo a percepção sobre a necessidade de criação de mecanismos, ferramentas, estímulos de apoio ao setor. Nem todas são possíveis de serem implementadas, mas muitas foram”.

Dornelles reconheceu que esta é maior crise da história do setor, mas ponderou que a sobrevivência dessa indústria dependerá de sua competitividade. “Apesar dos enormes ganhos de produtividade que tivemos ao longo de 30 anos, a sociedade está nos demandando ser mais céleres e ganhar mais produtividade”.

Com cerca de 20 anos de atuação na área, o representante do governo considerou: “ninguém tem dúvidas que este é um setor gigante, que às vezes custa um pouco a se mexer, mas, quando se mexe, vai muito forte para frente”.

Segundo ele, as “políticas públicas são necessárias e sempre existiram com maior ou menor nível de interferência”. Uma resposta indireta à afirmação de Farina de que o setor precisa de políticas públicas e que não há no mundo desenvolvimento de energias renováveis sem a definição das regras e adoção estímulos pelo governo, combinado ao esforço da iniciativa privada.

A presidenta da Unica também havia apontado que sem reverter o cenários de prejuízos subsequentes, os esforços do BNDES e do setor para o desenvolvimento de novas tecnologias poderiam morrer na praia. “Certamente um elemento importante são as condições para implementação e difusão dessas tecnologias [...]e para fazer isso essas empresas terão também de sair de suas margem negativas que hoje impactam grande número das nossas empresas, não podemos relegar isso a um segundo plano”, disse ela.

Dornelles pareceu concordar que o papel do governo é dar condições para que as empresas atravessem a fase de baixa e consigam implementar as inovações que estão sendo desenvolvidas, mas não detalhou que políticas públicas ofereceriam esse suporte.

Louros ao BNDES

Como de praxe, o anfitrião recebeu e destinou elogios de parte a parte. A presidente da Unica, fez um reconhecimento ao papel estratégico que o BNDES vem desempenhando no auxílio ao setor, protagonismo que se intesificou com o agravamento da crise.

Com 29 empresas participantes e 35 planos de negócios selecionados, a demanda por recursos do PAISS Agrícola, alcançou R$ 1,9 bilhão, superando a expectativa inicial de R$1,5 bilhão. Agora os projetos estão passando por uma etapa de formalização dos instrumentos de financiamento, com análise de risco de crédito e outras etapas do rito bancário.

Entre os 35 selecionados, dois planos de negócios já foram aprovados pela diretoria do BNDES. Primeiro a Biovertis, da GranBio, que receberá R$ 139,3 milhões para a criação de um sistema de manejo próprio para a bioenergia. A segunda aprovada foi a Raízen Energia que terá R$ 4,5 milhões para viabilizar a larga escala do sistema de propagação de mudas pré-brotadas desenvolvido pela empresa.

Amanda SchArr – NovaCana

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